sexta-feira, setembro 12, 2008

CHALEIRA




Ela fica lá, o dia inteiro debaixo de fogo, dia após dia. A qualquer hora, sob qualquer tempo, faça frio ou calor, aquecendo a água e acompanhando a prosa. No meio do entrevero, cercada de gaúchos, é o esteio das almas. Chaleira de ferro, te quero sempre por perto, para manter vivas as tradições mais fortes deste chão.

RACIONAL...

"Qualquer experiência religiosa é prejudicial ao ser humana; qualquer experiência de extravaso é benéfica ao ser humano." (Sebastião 'Tim' Maia).

quinta-feira, setembro 11, 2008

Jornalismo...

O atentado das Torres Gêmeas cobre os noticiários. Engraçado, poucos meios lembram o bombardeio ao Palácio de La Moneda, em Santiago, no mesmo 11 de setembro. São raríssimas as lembranças. O fato desencadeou o nascimento da mais sangrenta das ditaduras militares da América do Sul, com mais de 200 mil pessoas torturadas pelos comandados do General Pinochet. Por trás de tudo, a inteligência e o apoio do governo norte-americano. Mas o atentado às Torres Gêmeas, sem dúvida, rendem "manchetes mais interessantes". De toda forma, sempre é válido não deixar cair no esquecimento o bombardeio de La Moneda.

terça-feira, setembro 09, 2008

TE DAREI O CÉU...

segunda-feira, setembro 01, 2008

BORRACHO




sábado, agosto 30, 2008

Compromissos

Todas as coisas que tenho para fazer
levam meu tempo embora.

Nos dias em que acordo
pensando nelas.
Nas coisas que deixo de fazer
preocupado com elas.

Essas coisas
que guiam meus atos,
refúgios de meus sumiços;
escravo desses compromissos

São essas coisas que definem
os lugares pelos quais vou,
as pessoas a quem procuro
e com as quais me relaciono.

Por isso gosto tanto de acordar
no mais pleno silêncio.
De eleger minhas prioridades
e traçar meus próprios caminhos.

ANOITECENDO...

Faz muito frio. A claridade já se foi; agora só resta um mínimo de luminosidade, siluetas por todos os lado. O céu ainda está azul, mas agora num tom bem mais forte, quase escuro. O canto dos pássaros é completamente diverso, imperativo, como toque de recolher. E do lado de lá, aonde o sol se pôs, há uma linha que mescla branco com um tom de vermelho desbotado; ali ainda se pode identificar, rarefeito, o verde das árvores. Enquanto escrevo, o frio e a escuridão avançam de forma implacável...

PÉ DE INGÁ

O Pé de Ingá
que a pouco não passava de muda,
agora é refúgio de pássaros,
faz sombra para o calor.

Fico sentado,
debaixo de incontáveis galhos,
a observar as longas raízes
cortando a terra.

E entre tantos pensamentos,
sobrevivendo às intempéries,
o Pé de Ingá é um símbolo
do tempo bem transcorrido.

quarta-feira, agosto 27, 2008

JORNAL DO ALMOÇO

É muito pobre, do ponto de vista jornalístico, a pauta do programa Jornal do Almoço. Há alguns anos não assistia. Ligo a TV, e lá está uma reportagem sobre os estacionamentos da Expointer. Todo ano a mesma pauta! E, na sequência, um comentário do Lasier metendo pau em tudo e todos, na BR116. Fecha o "brilhante" comentário com a afirmação: "mas esse ano a feira será melhor!". Putz!

domingo, agosto 24, 2008

EL BAÑO DEL PAPA

Fui ao cinema assistir "El Baño del Papa". Longa uruguaio de Cesar Charlone, muito comentado, depois de vencer o prêmio de melhor filme estrangeiro de Gramado em 2007. Meu interesse pelo filme era particular, porque o mesmo se passa em Melo, cidade da República Oriental que faz fronteira com Aceguá e Jaguarão, na qual estive por duas oportunidades para jogar basquete. Pois é, minha curiosidade pelo filme tinha este cunho de rever um pouco das ruas e recordar as pessoas e hábitos de Melo.

O roteiro é baseado na visita que o Papa João Paulo II realizou à América do Sul em 1988 e na espectativa criado na população pobre que vive nesta região da fronteira, iludida pela possibilidade de fazer dinheiro com tal evento, através da venda de comida, souvenirs e de qualquer bugiganga. O personagem central, Beto (Cesar Trancoso - em ótima performance), é um dos tantos habitantes de Melo que vivem de realizar viagens até Aceguá para comprar produtos e repassá-los aos comerciantes locais; cheio de idéias e com muita vontade de ganhar dinheiro e mudar a vida misérável de sua esposa e filha, ele resolve construir um banheiro para os visitantes do Papa. A trama se desenvolve entre os insucessos do protagonista e as dificuldades e agruras da vida miserável e sem perspectivas do povo de Melo.

No geral, o filme espelha muito bem a realidade; de fato, se há muita pobreza e falta de recursos na região, em contrapartida a solidariedade do povo é fantástica e algo que pude constatar numa dessas vezes em que lá estive. E essa é a mensagem que o filme pretende transmitir. Diante do atual momento no qual o individualismo é a tônica e os valores capitalistas cada vez mais se exacerbam no ser humano, o diretor consegue transmitir uma visão diferente, aonde os sonhos ganham espaço e a amizade está acima de tudo.


ESTOU SEM ADJETIVOS

Acabo de assistir ao melhor jogo de basquete de minha vida. Não tenho adjetivos para definir a disputa pela medalha de ouro nas Olimpíadas 2008 entre Espanha e Estados Unidos. Comecei a assistir ao jogo imaginando um triunfo relativamente fácil dos norte-americanos, chefiados pelos astros Kobe Bryant e Lebron James. Mas os espanhóis foram, durante toda a partida, me iludindo e me fazendo acreditar que era possível sim derrubar o supertime. Fiquei espantado com o nível técnico e, especialmente, de preparação física dos atletas. É impressionante a força muscular de cada um dos 24 atletas que lá estavam, numa verdadeira batalha de gigantes. Além dos irmãos Gasol, do ala Jimenez e do armador Rudy Fernandes (que partida!), os espanhóis possuem um diamante: o jovem Rick Rubio, com 17 anos, demonstrou técnica e um nível psicológico impressionantes para sua idade, além do atrevimento e coragem típicos de jogadores extra classe. Foi um jogaço, uma aula de basquete imprescindível para aqueles que militam na modalidade.

sexta-feira, agosto 22, 2008

quarta-feira, agosto 20, 2008

EL VIAJE HACIA EL MAR

Ontem tive a oportunidade de rever "El Viaje Hacia el Mar", um de meus filmes favoritos. O road movie uruguaio, escrito e dirigido por Guillermo Casanova, situado na década de 60, conta a história de 5 amigos de uma tediosa localidade no interior (Minas) que, numa manhã, se encontram, como de costume, num bar e resolvem embarcar numa velha caminhonete para realizar o sonho de ver o mar. Ao longo do caminho, a estória vai desvendando a personalidade, sentimentos e diferentes visões de mundo dos personagens, inspirados pela beleza das paisagens. Gosto, especialmente, do negativismo-cômico do personagem Quintana e das rusgas permanentes protagonizadas por Vasco, sem contar a "rabugice" permanente do piloto Rodrigues. A cena da capa (ao lado) é a mais bela do filme e o plano sequência um dos mais engraçados, com a visão de cada personagem a respeito do mar. Baita d´um filme. Vale a pena conferir e ver de novo, sempre.

LITERATURA TRASH

Apresento um texto que tive oportunidade de ler há cerca de 8 anos no site NAO-TIL (que voltou à ativa e cuja leitura recomendo). O autor do obra "Calcinha Azul Brilhante" assumiu o codinome de "El Comanchero". Para quem gosta de literatura trash é um deleite.

CALCINHA AZUL BRILHANTE

"Nas agruras da vida suburbana encontrei um porquê para minha existência. A calcinha da minha vizinha no varal. Ela não sabia. Mas todo dia quando ela saía para o trabalho e deixava as roupas no varal nos fundos de sua casa de madeira, eu, um desempregado, um inútil, um vagabundo, ficava ali, a observar sua calcinha. Um dia era branquinha, alvinha, límpida. No outro dia tinha desenhos com florzinhas e isso me deixava excitado. Um dia ela pendurou uma calcinha azul brilhante. Isso me deixou realmente puto. Calcinha azul. Brilhante. Saí de casa louco da vida e fui no boteco do Tadeu tomar uma canha.

- E aí, Tadeu, vê aquela!

Pago meus cinqüenta centavos e tomo num gole. Como era triste gastar o dinheiro da aposentadoria do meu pai, que ainda trabalhava de servente de obra na capital, em cachaça. Mas, fazer o quê? Era meu destino. Tomei mais dois tragos enquanto ganhei uma partida de pife de um velho que passava o dia inteiro ali perdendo partidas de pife. Pelo menos ele não perdia o tempo dele no bingo. Agora tomei bastante coragem. Voltei para casa, liguei a tevê. Estava passando Angelmix. Fiquei de pau duro e bati uma bronha quando apareceu a Sandi cantando, se bem que o Júnior já dava pra quebrar o galho. Na punheta. Fumei um só pra aliviar a pressão alta do corpo com o álcool da cachaça e fui pros fundos da casa. Minha mãe tinha ido visitar minha tia doente no Pronto Socorro. Ela estava na fila de espera do SUS. Bem feito! Quem manda a gente ser pobre e ainda ter doença de rico. Câncer. Que burrice! Encarei bem a calcinha azul brilhante. Como deveria ficar a vizinha, aquela mulatinha de perna fina, cabelo crespo comprido, bundinha arrebitada e peitinhos pequenos e duros. Ah! Eu já tô ficando louco. Tiro minha camisa, meus tênis All Stars roubados, minhas calças da Gang que ganhei na campanha da fraternidade e minhas cuecas rasgadas no rego de tanto lavar com clorofila no tanque. Agora era a hora. Tomei fôlego. Corri como um louco, pulei o muro e invadi o terreno da vizinha. Peguei a calcinha. Azul brilhante. E pulei outro muro. E outro muro. Me escondi em um terreno baldio onde os trafi da área de vez em quando desovavam mercadorias perigosas e cheirei aquela calcinha. Cheirei. Tinha o cheiro doce, cru, mal lavada que estava, cheirinho de buceta lavada. Cheirinho do inferno e do paraíso.

Agora não tem mais volta. Ninguém mais pode me salvar."

segunda-feira, agosto 18, 2008

TERRA DE GIGANTES

A Olimpíada de Pequim é, disparada, a de melhor nível técnico dos últimos anos. Os resultados estão demonstrando que, de fato, os melhores e mais bem preparados atletas, de todos os tempos, estão em solo chinês. Em praticamente todas as modalidades em que o homem luta contra seus limites, recordes mundiais estão sendo devastados.
Foi o caso, por exemplo, da natação, em que 85% das medalhas de ouro vieram com quebra de recorde. Michael Phelps não ganhou 8 medalhas de ouro apenas por talento. É visível sua preparação física e psicológica para tal façanha. Usain Bolt, o jamaicano voador, bateu sua própria marca nos 100 metros rasos, cravando o até pouco tempo inimaginável tempo de 9´68". E isso que sua imagem dava a impressão de que estava passeando pela raia. Deve repetir a façanha, com facilidade ainda maior, nos 200m, sua especialidade. No salto com vara, a russa Isinbayeva alcançou, hoje, a marca de 5,05 metros; e a cada centímetro vai engordando sua já volumosa conta bancária.
Mas nenhum exemplo de determinação é maior do que o dos anfitriões. Os chineses estão demonstrando ao mundo que sabem, e muito, como criar campeões. E não só pela liderança, disparada, no quadro de medalhas. Mas, sobretudo, pela massiça presença de atletas chineses, muito bem preparados, em todas as modalidades. Eles estão em pódios em esportes nos quais nunca haviam figurado, como é o caso da maratona, das provas de atletismo, na natação. Até no basquete, aonde sempre foram conhecidos como anões, agora os chineses possuem o pivô mais alto, o craque Yao Min, com 2,28m de altura. A China, não se pode negar, é uma verdadeira fábrica de campeões.
A nós, em termos de esportes individuais, resta a solitária consagração de César Cielo. Foi ele o único a demonstrar preparação suficiente, com seu quase isolamento do mundo durante três anos, numa pequena cidade dos Estados Unidos, aonde a única coisa que tinha para fazer era treinar. E foi ele também o único a aliar preparação com espírito de campeão (ao contrário da turma fiasquenta da ginástica).

quinta-feira, agosto 14, 2008

MESTRE CARTOLA


FIM DA ESTRADA

"Infelizmente
Não iremos ao fim da estrada
Eu bem sei que estás cansada
E eu também cansei
Só peço que respeites
O nome que te dei
E pelo amor de Deus
Não negues que te amei
Já me convenço
Bem melhor não ter partido
Veja agora o resultado
Nós somos dois perdidos
Faz o que te digo, amor
Vá, voltes daqui
Eu quero te ver contente
Te ver alegre
Sempre a sorrir" CARTOLA
Para ouvir a música clica aqui
 

O MUNDO É UM MOINHO




"Ainda é cedo amor
Mal começastes a conhecer a vida
Já anuncias a hora de partida
Sem saber mesmo o rumo que irás tomar
Preste atenção querida
Embora eu saiba que estás resolvida
em cada esquina cai um pouco tua vida
Em pouco tempo não serás mais o que és

Ouça-me bem amor

Preste atenção o mundo é um moinho
Vai triturar teus sonhos tão mesquinhos
Vai reduzir as ilusões à pó
Preste atenção querida
De cada amor tu herdarás só o cinismo
Quando notares estás à beira do abismo
Abismo que cavaste com os teus pés" (CARTOLA)

quarta-feira, agosto 13, 2008

ENQUANTO ISSO, EM PEQUIM...

A delegação do Brasil segue demonstrando que, no esporte, o furo é mais embaixo. Quando é o momento, quando é decisão, quando é a bola do jogo, quando é o golpe da vez, o furo é mais embaixo. Tiago Camilo foi bronze, sim, nada contra, mas se trata do melhor judoca do mundo, em todas as categorias, de um cara que tem todos os atributos de um grande lutador. O cara é veloz, é técnico, é paciente, conhece os quatro cantos do tatame, mas quando se trata da competição mais importante de todas, do ápice, falta o algo mais; é aí que surge a diferença entre os grandes e os gigantes, entre aqueles que são os melhores e aqueles que são mitos.

O basquete feminino nem merece comentários; perdemos de 1 ponto para Letônia (e é difícil perder um jogo de basquete por 1 mísero ponto)... Mas quem perde por um ponto é porque perdeu para si mesmo; é porque não decidiu o jogo antes, é porque não teve condições de matar o adversário e o deixou criar asas. Já perdi jogos por 1 mísero ponto e sei bem o sofrimento que tal derrota causa, ainda mais em meio à competição. Os próximos jogos serão ainda mais terríveis, com a sombra daquele mísero ponto.

Na ginástica tínhamos vários nomes cotados para medalha. Todos virarão pó em Pequim.

Vamos ganhar uma ou outra medalha, aqui e acolá, na vela, mais alguma no judô, a natação, com o perdão da frase feita, vai afundar; a natação vai afundar, isso é mais certo do que dois mais dois são quatro.

O Brasil não sabe fazer esporte. O Brasil não sabe apoiar o esporte. O Brasil não sabe formar atletas. O Brasil jamais se tornará uma potência esportiva, porque o Brasil não sabe que para se tornar uma potência esportiva é preciso ter auto estima, é preciso entrar nas canchas com a cabeça erguida, para perder ou para ganhar, mas sempre de cabeça erguida, como os grandes campeões.

terça-feira, agosto 12, 2008

TRENCH TOWN ROCK

"Não é preciso ser religioso para perceber que sem as religiões a vida seria infinitamente mais pobre e miserável para os pobres e miseráveis e, também, que os povos têm as religiões que lhes fazem falta. Eu abominei os pitorescos sincretismos teológicos dos rastas, suas comunhões maconheiras, as horrendas receitas de suas dietas e de suas tranças inextricáveis quando descobri que um filho meu e um grupo de seus amigos da escola se haviam convertido em catecúmenos de semelhante fé. Mas o que neles era sem dúvida uma moda passageira, versátil voluptuosidade de jovens privilegiados, nos lutuosos becos de Trench Town, ou na pobreza e abandono das aldeias da paróquia de St. Ann, me pareceu uma comovente aposta pela vida do espírito contra a desintegração moral e a injustiça humana. Peço perdão aos rastas pelo que pensei e deles escrevi e, junto a minha admiração por sua música, proclamo meu respeito pelas idéias e crenças de Bob Marley." (Vargas Llosa, Mario, Ocho Ríos, Jamaica, janeiro de 1995 - extraído do Texto "Trench Town Rock", publicado no livro "Linguagem da Paixão", editora ARX, 2007).

segunda-feira, agosto 11, 2008

ADVOGADO

"O maior advogado do Brasil, Heráclito Fontoura Sobral Pinto, viveu e morreu franciscanamente. Defensor da democracia, dos direitos humanos e dos humildes, declinou do convite para envergar a toga de ministro do Supremo Tribunal Federal para permanecer advogado com muito de ofício e mais de coração.
Mineiro de Barbacena, aos 13 anos de idade, tomou a defesa, como única testemunha, de um humilde carroceiro arrastado pelas ruas por policiais. Líder católico, defendeu em 1937 os comunistas Luís Carlos Prestes e Harry Berger perante o Tribunal de Segurança Nacional. Nessa ocasião, tamanha era a sanha do arbítrio, que Sobral Pinto não hesitou, em célebre petição de habeas corpus, em fundamentar suas razões com base no artigo 14 da Lei de Proteção aos Animais para tentar livrar Harry Berger da tortura que acabaria levando o preso político a doença mental irreversível. Em 1942, enfrentou o poderoso Tribunal de Segurança Nacional como o advogado do quitandeiro que abastecia a residência do presidente daquela corte.
Em 9 de abril de 1964, escreveu ao marechal Humberto de Alencar Castelo Branco: 'Não sou senador nem deputado, mas sou brasileiro. Sinto-me no dever de comunicar a V. Exa, futuro presidente da República, os sentimentos que tumultuam, indignados, no meu coração de patriota desinteressado, que se sente na obrigação de lhe dizer, nesta hora gravíssima que está vivendo nossa Pátria, que os argumentos ora invocados para combater o comunismo foram os mesmos que Mussolini invocou na Itália em 1922 e que Hitler invocou em 1934 na Alemanha'. Em outra correspondência a Castelo Branco, por ocasião da cassação do mandato do governador de Goiás, Mauro Borges, o Advogado do Brasil escreveu: 'Sou uma voz isolada neste oceano imenso que é a população de milhões de brasileiros. Não tenho atrás de mim, senhor presidente, qualquer milícia, armada ou não. Vivo da advocacia, pela advocacia e para a advocacia, por entre dificuldades financeiras que só Deus conhece. Só tenho uma arma, senhor presidente: a minha palavra franca, leal e indomável'.
Em 1984, durante a campanha das Diretas Já, foi ao palanque no gigantesco comício da Candelária, no Rio de Janeiro, para lembrar o cânone constitucional: 'Todo o poder emana do povo e em seu nome será exercido'. Faleceu aos 98 anos, em 1991. Neste Dia do Advogado, saudamos os que fazem do exemplo de Sobral Pinto o evangelho da profissão." (escrito por Edison Moiano e publicado no CORREIO DO POVO nesta data)

sexta-feira, agosto 08, 2008

TININDO TRINCANDO

Eu vou assim
E venho assim
Eu vou assim
E venho assim

Porque quem invade não
não chega não
chega não porque pera aí
sou mesmo assim
sou mesmo assim
sou mesmo assim
assim

Um dia assim
Um dia assado
Um dia assim
No duro tinindo tinindo trincado NOVOS BAIANOS

quinta-feira, agosto 07, 2008

MISTERIO DO PLANETA

Vou mostrando como sou e vou sendo como posso. Jogando meu corpo no mundo, andando por todos os cantos.

E pela lei natural dos encontros, eu deixo e recebo um tanto. E passo aos olhos nus ou vestidos de lunetas.

Passado, presente, participo sendo o mistério do planeta.

O tríplice mistério do "stop", que eu passo por e sendo ele no que fica em cada um.

No que sigo o meu caminho e no ar que fez e assistiu. Abra um parênteses, não esqueça que independente disso eu não passo de um malandro. De um moleque do Brasil, que peço e dou esmolas.

Mas ando e penso sempre com mais de um, por isso ninguém vê minha sacola. (Galvão - Novos Baianos)

CAIA NA ESTRADA

"Caia na estrada e perigas ver
Estamos nos últimos dias de outrora
Caminho em linhas tortas divertidamente
Caia na estrada e perigas ver
A mulher que andou na linha o trem matou
E seu Oscar largou a mulher e foi morar defronte

O pai achou 1/2
A mãe rezou 1/3
E eu vou levar ela p´ro 1/4
Adão não se vestiu, porque Adão não tinha sogro
Meus pára-choques para você
Deus dá o frio e o freio conforme a lona
Meus pára-choque pra você
Caia na estrada e perigas ver
Ser como o poeta do tabaris que é mais alegre
que feliz
E o mundo é oval e a vida é uma ..."
(Pepeu, Galvão e Paulinho Boca de Cantor - Novos Baianos)

sábado, agosto 02, 2008

FORÇAS

Saí de casa, uma dupla de éguas pastava ali em frente. Fortes, muito fortes. Olhei para o lado: a vovozinha, que não via há algum tempo, caminhava, amparada por uma dama de companhia, a passos lentos e arrastados. É nessas horas que se percebe o transcurso do tempo, pensei. Fiquei ali inerte por alguns minutos, a observar. As éguas saíram, robustas e fortes, para um lado; cada passo fazia o chão tremer. A vovózinha e sua companheira foram para o outro. Os passos lentos se multiplicavam, num arrastar compassado de pés – que realmente não tinham sequer força para sair do chão; não mais do que cinqüenta metros, até a esquina, num esforço quase sobre-humano. No retorno, a perna esquerda já não conseguia esticar por completo e, entre paradas para descanso, observei que ela me olhava sorrindo. Virei o rosto e as éguas desapareciam, longe, no horizonte.

sexta-feira, agosto 01, 2008

CANOS SILENCIOSOS

"Onda na madrugada,
silêncio na batida.
Tá todo mundo se aplicando p´ra festa,
P´ra chegar na festa bem aplicadinho.

Movimento na esquina,
todo mundo entra,
todo mundo sai;
sexo, drops, rock'n roll, adrenalina;
diversões eletrônicas num poderoso hi-fi

E a noite tá no sangue de hoje
Deixa a noite rolar
Oh! E a noite tá no sangue de hoje
Deixa a noite rolar

Sujo...
Canos silenciosos,
nervosa calmaria
Quando todo mundo pensava que ia se divertir pra caralho
É bem aí, é bem aí que o pânico todo se inicia

Correria na esquina
Ninguém mais entra,
ninguém mais sai
Homens, fardas, cassetetes, camburões
Abusando da lei com suas poderosas credenciais" (Lobão)

quarta-feira, julho 30, 2008

FALCATRUA I

Decisão da Justiça Eleitoral mandou retirar de circulação panfletos do PSOL (Luciana Genro) que criticavam a coligação de Manuela D´Avila com o PPS (seu vice é Berfran Rosado). O panfleto lembra que o PPS é partido que integra a coligação que elegeu Yeda Crussius, bem como a antiga legenda de José Fogaça, atual Prefeito. É nessas horas que se vê o quão sórdido é o cotidiano da política. Candidata do PC do B - o antigo partidão - coligada com Berfran Rosado (integrante do partido de ninguém mais ninguém menos que o Sr. Buzatto - se é que já não mudou de partido). E, o mais curioso de tudo, acertam a coligação e depois não querem que os adversários advirtam o eleitor ? É um mundo muito estranho esse!

FALCATRUA II

Fiquei chocado ao ver um banner com Onix Lorenzoni e Mano Changes, candidatos à Prefeitura de Porto Alegre pelo DEM, abraçados e sorrindo. E o que chocou não foi só a imagem (o que é que um tem a ver com o outro hein ?!), mas, sobretudo, as palavras que a acompanhavam; não recordo literalmente, mas era algo como ações e idéias novas. Já tive oportunidade de comentar que de novo o DEM não possui nada; é a antiga ARENA que deu suporte à Ditadura Militar.

Sobre a dupla, cabe indagar: o que de concreto fez Onix Lorenzoni no Congresso Nacional ?! Até hoje não tive a oportunidade de tomar conhecimento de sequer um projeto de lei aprovado pelo mesmo. Sua especialidade é tomar parte de CPIs (para aparecer na mídia) e lançar críticas (sem propostas de solução, é claro) a tudo e todos. E Mano Changes ?! O que fez em seu primeiro mandato de Deputado Estadual ?! Nada!

Quando vejo aquele banner, me sinto com cara de otário!


FALCATRUA III

Vira e mexe ouço alguém comentar que o Cléo Kuhn disse que vai chover ou que vai fazer sol. Falcatrua. Depois que, na véspera do ciclone que atingiu Torres e o litoral sul de Santa Catarina, ele fez um comentário debochando do fenômeno (ao qual assisti, ao vivo), nunca mais o respeitei. Só mesmo o quase monopólio da informação do grupo RBS pode explicar a credibilidade de que goza o comentário diário sobre meteorologia deste sujeito.

terça-feira, julho 29, 2008

Todo Mundo Nu

Fonte: O DIA

“Em protesto, modelo faz ‘topless’ no Centro do Rio Em vez de passeatas e manifestações, a artesã Angel Vaz, de 28 anos, encontrou uma maneira diferente para protestar. A loira fez um “topless” no meio do Largo da Carioca, no Centro do Rio, no início da tarde desta segunda-feira.
















“Estou aqui contra a fome, a injustiça e as promessas não cumpridas pelos políticos”, disse a desinibida.

Veja a galeria de fotos











Vestida apenas com a parte de baixo do biquini, a candidata do Flamengo à Musa do Brasileirão andou cerca de 15 metros com a bandeira do Brasil nas costas e, depois, entrou em um táxi, para a tristeza dos rapazes que a cercavam.”

segunda-feira, julho 28, 2008

Duas semanas...

Por duas semanas
vaguei por aí;
sem saber ao certo
por onde passei.

Dias conturbados,
Era o centro de tudo,
mesmo não querendo ser.
A cada instante,
a bola do jogo
em minhas mãos.

Ontem
deitei e fechei os olhos;
sonhei sem dormir.

Lembranças de dias anteriores,
de alguém que conheci
e não quero esquecer.

Para me reencontrar,
preciso não esquecer,
das coisas que ela disse
e dos gestos que fez.

Prato de Flores

"Mais perto da essência
O Sentido respira
Mas nem sempre o ar mais puro se tem
Mais perto da essência
O sentido respira
Consumido no perfume que vem
Eu vou lhe dar um prato de flores
E no seu ventre vou fazer o meu jardim
Que vai florir x2
Quando os espinhos lançarem as dores
Do cheiro forte do jardim que não tem fim
Que não tem fim x2
E o seu umbigo ainda em flor
Vai mexer com o tempo vai matar a dor denovo
E o seu umbigo ainda em flor
Vai mexer com o tempo vai matar a dor denovo
E os espinhos são pra quem pensa em enganar a flor
A beleza rédia prosa da dor
E os espinhos são pra quem pensa em enganar a flor
A beleza rédia prosa da dor
E o seu umbigo ainda em flor
Vai mexer com o tempo vai matar a dor denovo
Eu vou lhe dar um prato de flores
E no seu ventre vou fazer o meu jardim" (Nação Zumbi)

AMOR DE MUITO

"A menina esperava seu homem chegar
E olhava todo dia a linha do mar
Ele só quer escutar o que ela quer dizer
Ela sabe do desejo do seu coração

Aí ela disse: vai querer?

O menino esperava sua mulher chegar
E andava todo dia em cima do mar
Ela só quer escutar o que ele quer dizer
Ele sabe do desejo do seu coração

Aí ele disse: por amor, ou por besteira?" (Chico Science)

segunda-feira, julho 14, 2008

sábado, julho 12, 2008

Saudades

É tão difícil encontrar
algo que faça deixar de pensar;
o dia inteiro ouvi
pessoas, movimentos e músicas.


Mas os pensamentos não cessaram;
as pessoas os alimentaram,
movimentos e músicas;
imagens e recordações.

Não entendo
se acordo pré disposto a sentir;
se algum fato ou circunstância
traz tudo de volta.

Hoje foi um filme,
ontem uma criança
idêntica em alma,
ali, em minha frente,
repetindo gestos.

No filme também,
éramos nós;
como se diretor e roteirista
lessem minhas memórias.

Quem mais me amou,
jamais terei,
nesta vida ao menos;
e fico aqui, todos os dias,
a viver por nós.

Guido e Gaspar

A RBS TV está veiculando episódios envolvendo histórias com crianças, projeto chamado Primeiras Gerações. Hoje assisti "Guido e Gaspar" e fiquei emocionado. Para quem tem irmão, ou já teve, o argumento toca muito.

O episódio está disponível no clicrbs (clique aqui para conferir).

quinta-feira, julho 10, 2008

Guerreiro Menino

"Um homem também chora
Menina morena
Também deseja colo
palavras amenas
Precisa de carinho
Precisa de ternura
Precisa de um abraço
da própria candura

Guerreiros são pessoas
são fortes, são frágeis
Guerreiros são meninos
no fundo do peito
Precisam de um descanso
Precisam de um remanso
Precisam de um sono
que os tornem refeitos

É triste ver o homem
guerreiro menino
com a barra do seu tempo
por sobre seus ombros

Eu vejo que ele sangra
Eu vejo que ele berra
a dor que tem no peito
pois ama e ama

Um homem se humilha
se castram seus sonhos
Seu sonho é sua vida
e vida é trabalho
E sem o seu trabalho
o homem não tem honra
E sem a sua honra
se morre, se mata

Não dá pra ser feliz,
não dá pra ser feliz... "
Luiz Gonzaga Jr. (Gonzaguinha)

Frase

Nunca se justifique. Os amigos não precisam e os inimigos não acreditam.

sábado, julho 05, 2008

Shopping Centers

Não vou dizer que nunca fui ou que não vou; mas só vou quando estritamente necessário, como nesta semana, em que tive de ir para trocar de aparelho celular (o meu estragara há mais de semana - e, vou dizer, até que foi uma boa semana sem os toques e chamadas inconvenientes - mas isso é outra tema!). Dentro de um shopping, sinto-me enclausurado (quase claustrofóbico). Mas, de toda forma, não consigo evitá-lo, porque há algumas necessidades humanas possíveis de se realizar, dentro desses templos do consumismo; e, claro, o horário alargado lhe beneficia em relação ao comércio das calçadas.

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"esses centros das cidades que perderam seus centros ou que, fixados como fortalezas em periferias deformadas por favelas ou pistas de alta velocidade, centralizam o medo dos mais ricos em relação aos mais pobres" (Juremir Machado)

"O shopping center não apenas anula o sentimento de orientação interna, mas também desaparece por completo a geografia urbana. Diferentemente das cápsulas espaciais, as paredes dos shoppings eliminam as perspectivas exteriores" (Beatriz Sarlo)

MORRE O BURRO FICA O HOMEM...

"Se ela disser que não lhe quer mais,
arranje outra meu rapaz.
Se ela disser que não volta mais,
arranje outra meu rapaz.

Pois neste mundo maravilhoso,
vive mal quem não vive de amor.
Olha as margaridas nas janelas
você querendo também pode conquistar uma delas.
É a tristeza quem some,
morre o burro fica o homem. "
(Jorge Ben)

sexta-feira, julho 04, 2008

O Rei do Quase...

QUASE FOI APROVADO NO INTER,
mas parou no Grêmio;

Ganhou um QUASE MUNDIAL,
mas era só uma TOYOTA INTERCONTINENTAL;

QUASE FOI PARA A COPA EM 86,
mas ficou no Brasil assistindo na tela com fortes boatos e indícios de homossexualismo;

QUASE JOGOU A COPA DE 90,
mas ficou assistindo o "craque" Müller;

QUASE FEZ UMA CARREIRA INTERNACIONAL,
mas fracassou na Roma, onde até hoje FALCÃO É REI;

QUASE ENCERROU A CARREIRA EM UM TIME GRANDE,
mas terminou no Bangu;

QUASE LIVROU O FLUMINENSE DO REBAIXAMENTO,
mas acabou na SEGUNDONA;

QUASE GANHOU A LIBERTADORES COMO TREINADOR,
mas entregou na finalissíma e deixa o Fluminense em seu eterno ostracismo;

QUASE É CARIOCA DA GEMA,
exceto pelo fato de ter nascido em Guaporé no RS;


Por estas e outras que o Renato "Carioca" P-luppi não é ídolo em QUASE nenhum clube por onde passou, exceto em UM ÚNICO CARENTE, cuja maioria da torcida sequer conhece sua origem.
Vida longa a Bodinho, Carlitos, Larry, Falcão, Figueroa, Valdomiro, Célio Silva, Gérson, Fernandão, Daniel Carvalho etc etc etc

quarta-feira, julho 02, 2008

EU NÃO DISSE...

O DNA dessa gente com a qual temos de conviver aqui pelos pampas é coisa muito ruim. Essa mulher aí ao lado (41 anos) atirou sua filha, de 8 meses, pela janela do sexto andar do prédio em que residiam, no Centro da cidade de Curitiba-PR. Repararam na camisa da figura ? É como digo, está no DNA das pessoas.

terça-feira, julho 01, 2008

Tchê!, mas que DNA!


Lembram do episódio da queima de banheiros ?! Essa gente não tem limite!

sexta-feira, junho 27, 2008

VAMO VAMO INTER!



E domingo é dia de gNAL. O debate está aguerido lá no blogNAL. Dessa vez vamos de franco atirador, como quem não quer nada, deixando o favoritismo para quem está entre os líderes do certame nacional. É assim que eu gosto de chegar em clássico. É verdade que perdemos o Fernandão, homem gNAL, mas temos o Nilmar, que sempre deixou o dele anotado nas paletas da vizinhança. Vamos lá INTER!, com esse espírito de sempre, gaúcho e aguerrido, peleador até a morte.

PORTO ALEGRE 18:30h

Sim, há carros demais nas ruas; mais do que comportam nossas vias, com certeza. Mas também há os homens por detrás dos volantes, a não discernir momentos de avançar e parar, a não ter paciência para auxiliar na boa fluência do trânsito. Nem sempre o verde significa avançar; e aqueles que ficam no meio de um cruzamento, certamente, não conhecem tal regra.

A MOROSIDADE DO JUDICIÁRIO

O Supremo Tribunal Federal editou sua 8a Súmula Vinculante, com o seguinte teor: "São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário". A mesma decorreu do julgamento de um dos milhares de recursos extraordinários, encaminhados num período de pelo menos 10 anos, à Excelsa Corte (no caso aquele tombado sob o número 559.943).
Desde que ingressei na Procuradoria, em 1998, tal matéria já era objeto de debate. E não poderia ser diferente, afinal a edição da Lei de Custeio da Previdência Social remonta ao longínquo ano de 1991. É dizer: foram precisos 17 anos para que a Suprema Corte, guardiã da Constituição Federal e a quem cabe, via de regra, a última palavra em relação às questões de natureza tributária (porque o sistema tributário nacional está praticamente todo ele delineado na Carta Constitucional); pois foram necessários 17 anos para que uma discussão jurídica recebesse crivo definitivo e ficassem pacificadas as relações jurídicas que dela dependiam.
Em termos práticos, nesses 17 anos, a fiscalização previdenciária, por força de imposição legal, observou o prazo decenal para a constituição dos débitos. Nesses 17 anos, também por força de lei, a procuradoria, zelosa, diligenciou, em cada litígio, na elaboração de todos os recursos necessários para levar milhares de demandas às prateleiras do Supremo. E aqui é preciso repetir, há pelo menos 10 anos essa questão estava lá na Suprema Corte, pronta para ser julgada.
E não se pode deixar de registrar, também em termos práticos, e no que fundamentalmente interessa ao povo, que temos hoje um passivo de bilhões de reais em contribuições previdenciárias sonegadas dos cofres da Previdência Pública. E essas contribuições, é bom que se explique aos leigos, restaram inteiramente fulminadas de qualquer possibilidade de exigência; ou seja, os sonegadores e maus pagadores se viram, definitivamente, livres de suas dívidas para com a Previdência Social.
E aí cabe a indagação (sem querer aprofundar o exame do mérito): quem, afinal de contas, é culpado pela morosidade e insegurança jurídica em nosso país ?

RIO PÓS PAN

Fiquei um pouco decepcionado com a cidade maravilhosa. Achei-a suja, o povo um pouco triste, calado; nem nos botecos o folclore fluia naturalmente (e olha que os botecos continuam a povoar cada quadra da cidade). Mas fiquei surpreso, especialmente, porque imaginava que muito restaria em termos de infra-estrutura depois dos jogos Pan-Americanos. Mas, pelo que vi, pouco ou nada ficou. O metrô está mal cuidado, o aeroporto idem, a frota de ônibus é antiga; e encontrar um carro adaptado para cadeirantes é mais complicado do que achar agulha em palheiro. De bom mesmo o lagarteio no calçadão de Copacabana, a vida cultural sempre repleta de opções e o final de tarde na praia do arpoador.

terça-feira, junho 17, 2008

FINAL DE TARDE

Em quantos pontos do mundo
seria possível assistir ao sol,
amarelando largas copas de árvores,
em meio à revoada dos pássaros ?

16.junho.2008

segunda-feira, junho 16, 2008

MOCOTÓ 2008





sexta-feira, junho 13, 2008

PARA DESCONTRAIR


O clima tá pesado com essa escolha do Tite para treinador. Para descontrair, só algo hilário como esta foto do P. Santana, ícone de pijama, vestido com a camisa do INTERNACIOANAL. Sensacional. Bom final de semana a todos!

IMAGENS

Não adianta, contra as imagens não se pode lutar. Elas valem mais do que mil palavras, sem dúvida. A matéria do Correio do Povo ganhou ilustração perfeita, escancarando em dois "takes" a realidade. No primeiro o olhar desconfiado do maior líder do grupo de jogadores, Clemer, sob o aperto de mão solícito do recém chegado treinador e, no segundo, o primeiro discurso recheado de lances neurolinguísticos.

Oremos!

TITE: VOU TER DE ENGOLIR

E espero, sinceramente, enxer minha boca de formiga (ou queimar minha língua, se é que me entendem!). Não só pela identificação com o inimigo, mas, sobretudo, pela total falta de identificação com o INTERNACIONAL. Abaixo 10 razões para não concordar com a indicação de Tite, além desta:

1) é "paneleiro" - foi o pivô do episódio das ovelhinhas (para não dizer o pastor), lá na azenha, quando ficou desmascarada uma panelinha de jogadores que eram escalados por serem amigos do treinador;
2) trabalhou no Palmeiras, Atlético Mineiro e Corinthians, sempre com campanhas discretas;
3) estava há mais de quatro anos no ostracismo. por que será ?!;
4) havia uma gama de nomes de profissionais vinculados ao INTERNACIONAL e de competência inquestionável à disposição no mercado (apenas para exemplificar: P.C. Carpegiani, P.R.Falcão, Figueroa, C. Duarte, O. Gonçalves, o "Chapinha");
5) seu melhor trabalho no futebol, até hoje, tinha como base um time jogando no 3-5-2;
6) é adepto da neurolinguística;
7) é discípulo, confesso, do L. Ribeiro e P. Coelho;
8) perdeu a Libertadores para um time inexpressivo da Colômbia (o DIM - Deportivo Independiente de Medellin);
9) goza de grande rejeição junto à massa Colorada, o que prejudicará a campanha de 100 mil sócios;
10) o abrigo COLORADO não lhe caiu bem.

Não tem jeito, serei obrigado a engolir este Tite, em nome do Coloradismo. Minha torcida é para que F. Carvalho esteja voltando ao clube com a disposição que tinha quando dos títulos da Libertadores e Mundial FIFA (nos quais foi evidente sua influência, inclusive nas escalações e definição de sistema de jogo), podando os ímpetos de A. Braga. Sua intervenção será fundamental para termos sucesso na empreitada que se inicia RUMO À LIBERTADORES 2009.

FORÇA INTER!

quinta-feira, junho 12, 2008

DIA DOS NAMORADOS

O Presidente Luis Inácio Lula da Silva envia Medida Provisória ao Congresso Nacional para eliminar o dia 12 de junho do calendário oficial brasileiro.

A justificativa para tanto encontra-se em seus considerandos:

"Considerando que o Corinthians perdeu o Paulistão de 1993 para o Palmeiras em 12 de junho;

Considerando que o Corinthians perdeu a Copa do Brasil de 2008 para o Sport às 0h01 de 12 de junho;

Revogue-se o dia 12 de junho".

Em entrevista coletiva, o presidente disse: "Já que estes porras do meu time não têm competência pra ganhá no dia 12 de junho, que se fodam os namorados!"

ps. enviada por um palmeirense, claro!

segunda-feira, junho 09, 2008

INVERSÃO DE VALORES

Em meio à gravíssima crise institucional provocada pela divulgação de conversa telefônica entre o Chefe da Casa Civil e o Vice Governador do Estado, revelando sinais claros de penetração total de práticas corruptas na gerência do Rio Grande, a Governadora concedeu entrevista coletiva e realizou pronunciamento oficial. E a impressão que tenho é de que a Sra. Yeda Crussius desconfia da inteligência do povo gaúcho. Aliás, é preciso reconhecer, ela não deixa de ter razão, porque foi o povo gaúcho que a colocou no cargo, sem qualquer preparação ou atendimento aos requisitos mínimos para o assumir.

Mas não se pode admitir que a Sra. Yeda Crussius venha, em cadeia de rádio e televisão, zombar de nossa inteligência. Num momento como este, diante de fatos postos tão claros, de palavras ditas com tamanha sonoridade pelo Sr. Busatto, não é permitido que a Sra. Yeda venha nos dizer que está fazendo um governo maravilhoso, com captação de recursos, com mudança na forma de governar, tudo de forma ética e transparente. Ora, por favor, Sra. Governadora, respeite a nossa inteligência, respeite a nossa dignidade, respeite a nossa história e a nossa tradição. Esse seu discurso não tem nada de novo, essa forma de governar não é nova, como a Senhora e seus asseclas insistem em propalar; lá em São Paulo, com Paulo Maluf e Celso Pitta, essa forma cretina e podre de fazer política já foi posta em prática, com as consequências nefastas que todos nós conhecemos.

O seu governo não tem nada de novo Sra. Yeda. O plástico verde não é conquista sua, mas de uma grande empresa gaúcha, a Braskem, que há longa produz riquesas para nosso Estado. O seu choque de gestão não passa de retórica, de uma grande peça de argumentação, porque o Rio Grande está cada vez mais comprometido financeiramente e à margem do crescimento nacional.

O regular trâmite de sindicâncias administrativas, a existência de inquéritos policiais e de investigações por parte do Ministério Público não são uma marca de transparência de seu governo; muito antes de seu governo, houve no país a promulgação, em 1988, de uma Constituição Federal que consagrou o devido processo legal e o respeito a postulados democráticos - dos quais decorrem esse funcionamento regular e autônomo das instituições estatais. Eles não são uma novidade de seu governo. O que é novo, no seu governo, são tramóias e repartições de propinas, jamais antes vistas aqui pelos pampas.

Aonde está a ética ? Deixar o Vice Governador totalmente à margem das decisões de governo é ético ? Utilizar-se de recursos públicos desviados do DETRAN é ético e transparente ? Por favor, tenha um mínimo de respeito pelo povo gaúcho.

O único fato proveitoso, neste episódio, é ver os estudantes de volta ao Palácio. Isso sim merece aplauso; o único mérito de seu governo, Sra. Yeda, foi despertar a ira dos jovens, incrédulos e até então apáticos. Aplaudo, com entusiasmo, esta atitude desprendida dos jovens que povoaram a frente do Palácio. E tenha certeza, Sra. Yeda, a contradição entre seu discurso e seus atos pode até sobreviver ao mandato que lhe foi conferido, mas, tenha certeza, a inversão de valores que a senhora propõe não sobreviverá ao próximo pleito eleitoral. Os seus dias no poder estão contados, e a sua imagem na história já está desenhada.

sexta-feira, junho 06, 2008

segunda-feira, junho 02, 2008

SILÊNCIO

CENA 1 - Um homem acorda. Muito barulho na volta, batidas ininterruptas, o ronco de uma serra elétrica, ruídos de construção, tráfego intenso na rua. Sente voltade de voltar a dormir, mas o corpo já não o deixa. Levanta-se e arrasta-se em direção ao banheiro.

CENA 2 - O homem chega ao banheiro e mal consegue se olhar no espelho; barba por fazer, olheiras, a cabeça latejando. O telefone começa a tocar. Liga a torneira e joga água gelada no rosto. O corpo dá sinais de vida. O telefone segue tocando.

CENA 3 - Ruídos no corredor do prédio; o homem volta ao quarto, veste calça e camisa que estavam sobre a poltrona. Toca o telefone. Abaixa-se para amarrar o tênis e fica pensando na noite anterior... O telefone não para de tocar.

CENA 4 - A porta batendo. O homem saí pelo corredor escuro. Para em frente ao elevador. Um casal conversa dentro do apartamento mais próximo. O elevador chega e traz luz ao corredor. Enquanto entra no elevador, escuta o telefone tocar.

CENA 5 - O elevador descendo. Os andares passando pela fresta. Uma eternidade; cada andar representa anos em pensamentos desconexos. Aproxima-se do térreo junto com o barburinho de vozes na portaria. Sai pelos fundos do prédio.

CENA 6 - Caminha em direção a um carro. Lá dentro uma mulher, com o celular ao ouvido. Abre a porta e entra. A mulher abaixa o telefone. Viram-se e os olhares se encontram. Nada falam. Ele recosta-se no banco e fecha os olhos. O mais completo silêncio.

CENA 7 - TELA PRETA e o barulho de motor, o carro saindo...

quarta-feira, maio 28, 2008

FLUMINENSE X BOCA JRS.

Cariocada eufórica em Bs. As. Os canais de esporte só falam nisso, da possibilidade de o Flu bater o Boca (não acredito)... Repórteres cariocos entram a todo momento e todos tem algo em comum, pegaram um taxi e conversaram a respeito do jogo com os motoristas... Mentira, nem pegaram taxi e muito menos conversaram com os argentinos. Vão tomar uma carraspana dos arrentinos. Eheheheh.

NOVA CONTRIBUIÇÃO

Já escrevi a respeito e volto a dizer que é um golpe na democracia a proposta levada ao Congresso pelo Governo de recriar uma contribuição sobre movimentações financeiras (CPMF), agora com a alíquota de 0,1% sobre qualquer transação, e sob o pretexto de destinação exclusiva para a área da saúde. Não quero ingressar nos argumentos de governistas e oposicionistas, no sentido de que é necessário custear a saúde pública e, de outro lado, de que não há necessidade de mais receitas para tal finalidade.

Não me interessa, também, ingressar, a fundo, no exame da constitucionalidade do meio eleito pelo Executivo (a oposição, de forma equivocada, sustenta que somente por Emenda Constitucional seria possível a criação de novo tributo - o que não encontra amparo no art. 154, inciso I, da Constituição, que prevê tal possibilidade por meio de lei complementar, como está a fazer o Governo).

Penso que é um golpe na democracia, porque o Governo encaminha o projeto num dia e, no seguinte, com a maciça maioria de que dispõe na Câmara de Deputados, já o coloca em votação, sem qualquer debate. Como se já não bastasse, é claro, o fato de que o Congresso Nacional rechaçou a manutenção da contribuição (que era provisória na origem - só para lembrar!). E isso a menos de um ano. Ora, então, o Poder Executivo está claramente a desrespeitar o seu dever de conviver de forma independente e harmônica com os demais poderes. Embora não seja vedado ao Executivo propor novamente projetos rejeitados, tal proceder revela evidente descompromisso com os postulados democráticos.


Em tempos de altos índices de aprovação, Lula dá um tiro no pé com tal conduta.

terça-feira, maio 27, 2008

BARBEIROS

Resolvi acordar cedo. Era tão cedo que fiz o mate, liguei a televisão e estava passando o Galpão Criolo. Para variar o Borguetinho se proseando! Depois entrou o programa rural, uma reportagem bem interessante sobre o cultivo de oliveiras aqui no Rio Grande, para a produção de azeite de oliva – diz que nossas azeitonas produzem um azeite de ótima qualidade, vejam só.

E por aí fiquei curtindo as primeiras horas da manhã e mateando. De repente entra o Pavão Bueno num discurso emocionado-padronizado, enaltecendo a vitória do sobrinho do Ayrton Senna no GP de Fôrmula 2 em Mônaco. Grand Prix de Mônaco, baita programa para um domingo de manhã. Há quantos anos não acordo para ver uma corrida; desde os tempos em que torcia para o Nelson Piquet (simpatia dos tempos da Brabham e daquela corrida em que ele desceu do carro e esmurrou o colombiano Guerreiro que o havia atrapalhado numa curva). Pois é, bons tempos em que os pilotos realmente pilotavam.

Tchê!, fiquei impressionado com a tal de corrida de Mônaco. O nível de “barbeiragem” dos caras é de constranger o espectador. Vou te contar, o cara que acorda todo domingo para prestigiar o espetáculo de “manetices” protagonizado por Nelsinhos, Rubinhos e Felipinhos é de corar as bochechas até do mais neófito dos motoristas. Sinceramente, fiquei impressionado. Não houve sequer uma ultrapassagem durante toda a corrida; e isso que os “pilotos” ficaram ali por duas longas horas, debaixo de chuva, e depois de sol, e novamente de chuva. Houve horas que cochilei, mas, é claro, sempre fui acordado pelos gritos entusiasmados do Pavão Bueno. Num deles, bradava o Pavão, porque o Rubinho empilhava voltas mais rápidas no circuito de rua. Não deu outra, beijo no muro na sequência. Quem não sabia? No começo da prova, o inglês Hamilton, o menos pior deles, bateu num “guard rail”. Críticas do Pavão! Em seguida, no mesmo local, o Felipinho Massa passou por cima da zebra, fez o carro rodopiar na pista e voltou, perdendo posições. Elogios do Pavão à perícia do audaz piloto brasileiro. Mais algumas voltas e o finlandês, companheiro de equipe do F. Massa, saiu na mesma curva. E aí o Pavão, de pronto, brindou-nos com uma detalhada explicação da maior habilidade do brasileiro na “barberagem”. Tchê!, é demais!

E assim transcorreu a manhã, com um bando de “barbeiro”, excepcionalmente bem remunerado, correndo debaixo de chuva, atropelando zebras, beijando muros e fazendo as maiores barbaridades com carros multi-equipados e multi-controlados por recursos da mais moderna tecnologia. Eu fiquei impressionado com o baixo nível da Fôrmula 1. Ah!, o Nelsinho Piquet (caiu longe do pé esse aí), pechou o carro duas voltas depois de entrar nos boxes e trocar pneu. O Pavão botou a culpa na equipe, alegando que colocaram pneus impróprios para as condições climáticas (pode ser, mas o Alonso, companheiro de equipe, terminou a prova com os mesmos pneus!). E o vencedor da prova foi o menos pior, o inglês que o Pavão tentou desmoralizar. O Massa, com todas as barbeiragens, tava em segundo, mas na última curva derrapou e cedeu a posição para um polonês (vejam só!), tal de Kubicka.

Vou te contar!, nunca mais...

25.maio.2008

quarta-feira, maio 21, 2008

LIDAS

A estrada sempre com suas novidades.
Vou pelos caminhos de sempre,
mas nada se repete.

E ali em frente,
pouco, muito pouco distante;
quanto deixo de aprender,
nos dias em que esqueço quem sou.

Remarco terrenos,
de boas lembranças;
sei que ali sempre estarão,
mas preciso remarcá-los,
naturalmente,
instintivamente.

Cevo mate,
com algumas folhas da laranjeira,
para manter corpo e mente em função.

Algumas coisas não estão como deixei,
e precisam de reparos;
como para testar,
algumas lidas
que o fazer o próprio sangue ensina.

Improviso um fogão campeiro,
debaixo do teto que construí,
com alguns tijolos remanescentes
e materiais utilizados em outras lidas.

Faço fogo,
espeto carne,
suficiente à fome.
Enquanto a madeira vira brasa,
o tempo é meu aliado,
para tudo que lembrar,
para tudo que quiser.

Sorvo mate,
forte e amargo,
para manter corpo e mente em função.

Quem fui, quem sou, quem serei,
nada mudou,
ninguém mudará;
o bicho homem,
solto e livre,
procura lidas,
para sobreviver.

ACESSIBILIDADE

Ali aonde ela morava,
um dia passei,
depois de um show de blues.

Resolvi chamá-la ao interfone,
para dizer-lhe a falta que sentia,
dos seus olhares e toques.

Mas fiquei parado,
diante de dois degraus,
balbuciando palavras,
à deriva de minhas vontades.

NIETZCHE

"Na cama não se fala de filosofia.
Peguei na mão dela, coloquei sobre meu coração, disse, meu coração é seu, depois pus sua mão sobre minha cabeça e disse, meus pensamentos são seus, moléculos do meu corpo estão impregnadas com moléculas do seu.
Depois botei a mão dela no meu pau, que estava duro, disse, é seu esse pau.
Ela nada disse, me chupou, depois chupei sua boceta, ela veio por cima, fodemos, ela ficou de joelhos, rosto no travesseiro, penetrei por trás, fodemos.
Fiquei deitado e ela veio de costas para mim sentou-se sobre o meu púbis, enfiou meu pau na boceta. Eu via meu pau entrando e saindo, via o cu rosado dela, que depois lambi. Fodemos, fodemos, fodemos. Gozei como um animal agonizando.
Ela disse, te amo, vamos viver juntos.
Perguntei, não está tão bom assim ? Cada um no seu canto, nos encontrando para ir ao cinema, passear no Jardim Botânico, comer salada com salmão, ler poesia um para o outro, ver filmes, foder. Acordar todo dia, todo dia, todo dia juntos na mesma cama é mortal.
Ela respondeu que Nietzche disse que a mesma palavra amor significa duas coisas diferentes para o homem e para a mulher.
Para a mulher, amor exprime renúncia, dádiva. Já o homem quer possuir a mulher, tomá-la, a fim de se enriquecer e reforçar seu poder de existir.
Respondi que Nietzche era um maluco.
Mas aquela conversa foi o início do fim.
Na cama não se fala de filosofia" (texto "ELA", Rubem Fonseca, do livro "Ela e outras mulheres")

quinta-feira, maio 15, 2008

EXPLICAÇÕES

Geralmente, é difícil explicar derrotas, ainda mais quando elas vêm depois de um grande esforço. Não foi o caso de Sport 3x1 INTERNACIONAL. Foi um vexame do Colorado em Recife. Jogando quase que toda a segunda etapa contra 10 jogadores, o INTERNACIONAL não teve uma única oportunidade de gol.

Não vou nem tecer as críticas habituais à qualidade técnica de alguns jogadores como é o caso de Orozco ou Jonas (esse não tem condições de estar sequer no grupo de atletas). Não, tenho outras explicações, algumas visíveis. O grande responsável pela derrota foi A. Braga, o motivador. Há dias que venho afirmando que Abel é um grande motivador, mas taticamente é péssimo (e um treinador, para ter sucesso, depende de 70% conhecimento tático e apenas 30% motivação). Foi ridículo o posicionamento da equipe na segunda etapa. 10 jogadores em frente à area e Nilmar, pobre Nilmar, isolado entre os zagueiros pernambucanos.

De outro lado, foi visível a letargia de Fernandão e Alex. E isso me fez supor a existência de algo nos bastidores que não conhecemos, e nunca vamos ter conhecimento. Todos nós sabemos que o futebol tem dessas coisas. O desempenho físico e emocional do INTERNACIONAL na segunda etapa, sem dúvida, franqueia tal tipo de raciocínio. As entrevistas de dirigentes, jogadores e, especialmente, de A. Braga, ao final da partida, o justificam inteiramente. Não é possível, algo que não foi nos dado conhecer aconteceu em Recife.

Tenho medo das consequências desse vexame! Pode gerar crise. Oremos!

quarta-feira, maio 14, 2008

AINDA AS CARROÇAS...

Recebi um e-mail ontem com crítica revoltada à minha posição favorável ao tráfego de carroças pelas ruas (postagem abaixo). O fundamento era que os maus tratos aos cavalos justificaria retirar os carroceiros de circulação. Informava o e-mail, ainda, que "a grande maioria dos carroceiros são bandidos foragidos ou estão cumprindo pena no semi-aberto". Não posso concordar e reitero minha posição favorável ao tráfego de carroças.

Quanto à situação de foragidos dos carroceiros, o dado não é verídico. E caso realmente hajam foragidos, cabe à polícia detê-los. A respeito de eventuais indivíduos submetidos ao regime semi-aberto, não conheço nenhuma restrição de que tais pessoas possam desempenhar atividades laborais. O argumento, aliás, beira o preconceito.

A respeito de maus tratos com os animais, estamos, sem dúvida, diante de situações raríssimas. Tanto é que o noticiário, até hoje, conseguiu "pescar" apenas uma matéria, sensacionalista diga-se de passagem, na qual um cavalo, de fato, morreu por esforço. Anoto que os meios de comunicação (especialmente a RBS) já demonstraram, tanto em matérias como através de seus formadores de opinião, posição contrária às carroças nas ruas.

A exceção não pode justificar a restrição. É sabido que os carroceiros, exatamente por dependerem dos animais, guardam relação de zelo, carinho e até mesmo louvor ao animal. O que falta aos críticos é maior conhecimento da realidade dessa gente que necessita das carroças e dos cavalos para sobreviver. Criticá-los, de dentro de uma casa quente e guarnecida de luxos ou de um automóvel, é bastante simples. A propósito, até mesmo o Sr. Paulo Santana, ferrenho crítico do tema, travestiu-se, recentemente, de carroceiro, para vivenciar a realidade. E já ficou com sua opinião bastante abalada.

Enfim, é preciso muito debate, é preciso muito conhecimento das realidades em jogo, antes de se tomar uma decisão que importará clara limitação de direitos.

terça-feira, maio 13, 2008

SIM ÀS CARROÇAS

Querem acabar com as carroças em Porto Alegre. E qual será o destino desses trabalhadores ? Esse o tema do debate entre Paulo Santana, Mario Marcos Souza e Moises Mendes que acabo de assistir no Blog do Paulo Santana do Clicrbs.com. Adianto, sou veemente contra qualquer proposta ou iniciativa tendente a cercear o direito de o cidadão transitar com sua carroça pelas ruas. E não só pela questão do trabalho, mas porque a carroça é um veículo de transporte como outro qualquer. Aliás, veículo que fez e faz parte da construção da história riograndense.

Pretender proibir o individuo de trafegar pelas ruas de carroça é, sem dúvida alguma, retirar o sagrado direito de ir e vir, que lhe é assegurado constitucionalmente. Afinal de contas, quem não tem condições financeiras de adquirir um audi, uma mercedes, um santana, uma brasília ou mesmo uma moto ou fusca, tem também o direito de transitar pelas ruas em seu meio de transporte - que é a carroça.

Não bastasse isso, realmente, é inegável que a carroça, hoje em dia, é utilizada como instrumento de trabalho, assim como a moto serve aos "motoboys" e os caminhões servem às transportadoras. Por que não se cogita de retirar os caminhões das ruas, devido à poluição que causam ?! Ou os "motoboys", sabida e comprovadamente grandes causadores de acidentes de trânsito, por que não se cogita de retirá-los das ruas ?! Simples, porque eles são fundamentais à sobrevivência desta sociedade de valores alterados em que vivemos. Os carroceiros, que trabalham honestamente, sem poluir, e, muito pelo contrário, recolhem o lixo urbano; esses são taxados de malfeitores à sociedade moderna, essa sociedade do progresso; nessa sociedade, aonde o dinheiro está acima de tudo, querem transformar o tráfego de carroças em algo ilícito.

Aos que ficam irritados atrás de uma carroça no trânsito recomendo uma boa música no rádio ou quem sabe não transpor seus problemas e estresses pessoais à liberdade dos outros. Aliás, essas mesmas pessoas que lutam pelo banimento das carroças, via de regra, são aqueles que ultrapassam sinal vermelho, não respeitam os limites de velocidade, estacionam em lugares proibidos e transgridem todas as regras da boa convivência no trânsito. Portanto, parem com esse absurdo de querer tirar as carroças das ruas!

quarta-feira, maio 07, 2008

GRAU DE INVESTIMENTO

Na semana passada o Brasil alcançou o Grau de Investimento pela agência Standart & Poors. Bueno, e aí, no que isso vai melhorar a vida dos brasileiros ? Quase nada, respondo, ao contrário das eufôricas notícias até agora veiculadas nas diversas mídias.

Diversos países menos considerados, como por exemplo Trinidad e Tobago, já contam com tal 'honraria' e não deixaram sua posição secundária no atlas global em virtude da mesma. É claro que sempre é bom obter um reconhecimento internacional deste porte, mas, é preciso ter os pés no chão, nosso país não se encontra preparado para ingressar no seleto grupo de países desenvolvidos, como as notícias dão a entender.

Primeiro porque o gasto público só tem crescido, desde a posse de Guido Mantega no Ministério da Fazenda (o Tesouro abriu as torneiras, depois da saída do contido Palocci, distribuindo cortesias aqui e acolá, com nítidos contornos e interesses eleitorais). Somado a isso, a alta carga tributária segue desestimulando investimentos em nosso setor produtivo (e não há sinais de que o projeto de mini-reforma entregue ao Congresso possa modificar este panorama).

De outra parte, nossa infra-estrutura, tanto física como humana, não está preparada para receber investimentos vultuosos. Fisicamente, não temos estradas, e muito menos ferrovias e hidrovias, capazes de escoar a produção com custos atrativos; nos falta recursos energéticos e mínimas crises com a da Bolívia já servem de ameaça ao parque industrial de diversos setores. Do ponto de vista humano, nossa mão-de-obra, além de cara e onerosa em comparação a outros países como Índia, China e Coréia, não está tecnicamente preparada para suprir a demanda. Há desemprego, mas os desempregados, majoritariamente, entram nas fileiras da mão-de-obra bruta. Faltam técnicos. Para se ter uma idéia, enquanto Índia e Coréia vão formar 300.000 e 40.000 engenheiros, respectivamente, no Brasil a estimativa é de aproximadamente 30.000 (número inexpressivo se comparado à proporção com a população coreana). Enfim, estamos atrasados tanto em investimentos na área de infra-estrutura como de educação.

Por tudo isso, e muito mais, dificilmente o dinheiro que chegará do exterior (essa é a única certeza decorrente do grau de investimento) aportará no setor produtivo, desencadeando riquesas e novos postos de trabalho para o país. O mais provável é que os milhões dos fundos de pensões multinacionais venham para engordar ainda mais a ciranda financeira, tornando ainda mais altas nossas taxas de juros (e caro o nosso crédito). O avanço de mais de 10% da bolsa de valores, com o volume de negócios na Bovespa quase dobrando, nesta primeira semana, já é uma perfeita demonstração disso.

terça-feira, maio 06, 2008

COTAS

Tenho lido muita coisa por aí a favor e contra o sistema de cotas para o ingresso nas universidades federais públicas. Os discursos, de um ou outro lado, em regra, são repetitivos. Um fato, porém, é inegável: os bancos acadêmicos das universidades públicas estão tomados, em sua maioria, por alunos provindos das classes A e B, quando muito da C e, com raríssimas exceções, das classes D e E. Como está não poderia ficar. O acesso universal, no atual sistema limitado de vagas, transformou-se em grande falácia diante da aprovação quase que exclusiva daqueles com melhores condições socioeconômicas de preparação.

Quando dos primeiros indícios da implantação do sistema, pareceu-me, ingenuamente, que o mesmo teria boa acolhida. Ledo engano. Os primeiros vestibulares já fizeram explodir demandas judiciais nos quatro cantos do país. E a questão, em breve, ganhará o Plenário da Suprema Corte. Com todo respeito, não consigo vislumbrar inconstitucionalidade alguma. Pelo contrário, ações afirmativas são a concretização de uma série de princípios e fundamentos de nossa República.

Mas, abstraído este debate jurídico, o qual não pretendo aprofundar, penso que há um argumento que derruba qualquer tipo de manifestação dos "prejudicados" pelo sistema de cotas. O pedido dos "prejudicados" é a sua inclusão em vaga inexistente. Afinal de contas, está lá no edital de qualquer concurso público (e o vestibular das universidades federais nada mais é do que um desses tantos certames públicos) o número de vagas disponíveis. O candidato não atingido pela ação afirmativa é conhecedor, desde o momento da inscrição no certame, do número de vagas disponíveis. Dizer, depois, que outra pessoa com menos méritos está ocupando sua vaga é tentar alterar as regras do jogo em meio à competição; é tentar fazer o seu interesse individual prevalecer sobre o coletivo.


Tenho certeza de que o sistema de cotas sobreviverá, será aperfeiçoado, e, em pouco tempo, renderá importantes frutos.

segunda-feira, maio 05, 2008

BIRTHDAY

"To end up alone
in a tomb of a room
without cigarettes
or wine -
just a lightbulb
and a potbelly,
grayhaired,
and glad to have
the room.

... in the morning
they´re out there
making money:
judges, carpenters,
plumbers, doctors,
newsboys, policemen,
barbers, carwashers,
dentists, florists,
waitresses, cooks,
cabdrives...

and you turn over
to your left side
to get the sun
on your back
and out
of your eyes." (BUKOWSKI, Charles)

segunda-feira, abril 28, 2008

POLITICA I

O caso envolvendo o Governador do Ceará, Cid Gomes, que se utilizou da máquina estatal para realizar viagem à Europa, levando esposa, sogra e amigos-assessores, num jatinho fretado por mais de R$ 380 mil, como diz o jornalista Boris Casói, é uma vergonha. O pior de tudo é ver entrevista do político afirmando que é pessoa de hábitos “mudestos”. É muita cara de pau! Jimo Cupim nele!

POLÍTICA II

Hoje mesmo ouvi no rádio sobre a possibilidade de ser aprovada Emenda Constitucional que autorizará terceiro mandato a Lula. Seria um absurdo! Dez vezes pior do que aquele que autorizou a reeleição, com efeito imediato, para beneficiar Fernando Henrique. Um país que pretende se fazer respeitar não pode alterar suas leis, e muito menos sua Constituição, ao sabor das vontades e anseios do Governante de plantão. Mudar as regras em meio à competição, como se diz no futebol, é “virada de mesa”. E o absurdo não se daria apenas e tão-somente pela autorização de mais um mandato à Lula. A previsão da possibilidade de um Presidente permanecer por três mandatos no cargo, isto é, por doze anos, é uma agressão a pilares dos mais elementares do regime democrático, especialmente os da alternância e da não-perpetuação no poder. Um remendo como este em nossa Constituição, sem dúvida, merece reprimenda nas urnas. Está mais do que na hora de o povo se fazer respeitar!

POLITICA III

Onix Lorenzoni é político que se tornou conhecido não por grandes feitos, mas por sua oposição freqüente ao PT e às esquerdas. Já passou por diversos partidos de direita e hoje defende as cores do DEM. Para quem não lembra, o DEM é o antigo PFL, que é uma dissidência do extinto PDS, que nada mais era do que o sucessor da ARENA, partido responsável por manter os Militares durante quase 3 décadas a frente do poder. Nada a favor, tudo contra; mas o mais surpreendente é ouvir a campanha de Onix, a todo vapor nas rádios, dando conta que o seu jeito de fazer política é o novo, pregando a implantação, aqui no Rio Grande, de programas em andamento em São Paulo, Belo Horizonte e outros rincões. Ora, tenha dó Sr. Onix. Seja sincero e assuma suas posições ideológicas. O seu modo de fazer política não tem nada de novo!

ILHA DESERTA

"That the coletive archetype is getting me down

And you know what I mean

So, if there are any desert island

Please turn on to my.” (Jim Morrison)