Quinta-feira, Fevereiro 04, 2010

Caros generais, almirantes e brigadeiros

Por MARCELO RUBENS PAIVA

Eu ia dizer "caros milicos". Não sei se é um termo ofensivo. Estigmatizado é. Preciso enumerar as razões?

Parte da sociedade civil quer rever a Lei da Anistia. Sugeriram a Comissão da Verdade, no desastroso Programa Nacional de Direitos Humanos, que Lula assinou sem ler. Vocês ameaçaram abandonar o governo, caso fosse aprovado.

Na Argentina, Espanha, Portugal, Chile, a anistia a militares envolvidos em crimes contra a humanidade foi revista. Há interesse para uma democracia em purificar o passado.

Aqui, teimam em não abrir mão do perdão. E têm aliados fortes, como o presidente do Supremo, Gilmar Mendes, e o ministro da Defesa, Nelson Jobim, que apesar de civil apareceu num patético uniforme de combate na volta do Haiti. Parecia um clown.

Vocês pertencem a uma nova geração de generais, almirantes, tenentes-brigadeiros. Eram jovens durante a ditadura. Devem ter navegado na contracultura, dançado Raul Seixas, tropicalistas. Usaram cabelos compridos, jeans desbotados? Namoraram ouvindo bossa nova? Assistiram aos filmes do Cinema Novo?

Sabemos que quem mais sofreu repressão depois do Golpe de 64 foram justamente os militares. Muitos foram presos e cassados. Havia até uma organização guerrilheira, a VPR, composta só por militares contra o regime.

Por que abrigar torturadores? Por que não colocá-los num banco de réus, um Tribunal de Nuremberg? Por que não limpar a fama da corporação?

Não se comparem a eles. Não devem nada a eles, que sujaram o nome das Forças Armadas. Vocês devem seguir uma tradição que nos honra, garantiu a República, o fim da ditadura de Getúlio, depois de combater os nazistas, e que hoje lidera a campanha no Haiti.

Sei que nossa relação, que começou quando eu tinha 5 anos, foi contaminada por abusos e absurdos. Culpa da polarização ideológica da época.

Seus antecessores cassaram o meu pai, deputado federal de 34 anos, no Golpe de 64, logo no primeiro Ato Institucional. Pois ele era relator de uma CPI que investigava o dinheiro da CIA para a preparação do golpe, interrogou militares, mostrou cheques depositados em contas para financiar a campanha anticomunista. Sabiam que meu pai nem era comunista?

Ele tentou fugir de Brasília, quando cercaram a cidade. Entrou num teco-teco, decolou, mas ameaçaram derrubar o avião. Ele pousou, saltou do avião ainda em movimento e correu pelo cerrado, sob balas.

Pulou o muro da embaixada da Iugoslávia e lá ficou, meses, até receber o salvo-conduto e se exilar. Passei meu aniversário de 5 anos nessa embaixada. Festão. Achávamos que a ditadura não ia durar. Que ironia...

Da Europa, meu pai enviou uma emocionante carta aos filhos, explicando o que tinha acontecido. Chamava alguns de vocês de "gorilas". Ri muito quando a recebi.

Ainda era 1964, a família imaginava que fosse preciso partir para o exílio e se juntar na França, quando ele entrou clandestinamente no Brasil.

Num voo para o Uruguai, que fazia escala no Rio, pediu para comprar cigarros e cruzou portas, até cair na rua, pegar um táxi e aparecer de surpresa em casa. Naquela época, o controle de passageiros era amador.

Mas veio a luta armada, os primeiros sequestros, e atuavam justamente os filhos dos amigos e seus eleitores - ele foi eleito deputado em 1962 pelos estudantes.

A barra pesou com o AI-5, a repressão caiu matando, e muitos vinham pedir abrigo, grana para fugir. Ele conhecia rotas de fuga. Tinha um aviãozinho. Fernando Gasparian, o melhor amigo dele, sabia que ambos estavam sendo seguidos e fugiu para a Inglaterra. Alertou o meu pai, que continuou no País.

Em 20 de janeiro de 1971, feriado, deu praia. Alguns de vocês invadiram a nossa casa de manhã, apontaram metralhadoras. Depois, se acalmaram. Ficamos com eles 24 horas. Até jogamos baralho. Não pareciam assustadores. Não tive medo. Eram tensos, mas brasileiros normais.

Levaram o meu pai, minha mãe e minha irmã Eliana, de 14 anos. Ele foi torturado e morto na dependência de vocês. A minha mãe ficou presa por 13 dias, e minha irmã, um dia.

Sumiram com o corpo dele, inventaram uma farsa (a de que ele tinha fugido) e não se falou mais no assunto.

Quando, aos 17 anos, fui me alistar na sede do 2º Exército, vivi a humilhação de todos os moleques: nos obrigaram a ficar nus e a correr pelo campo. Era inverno.

Na ficha, eu deveria preencher se o pai era vivo ou morto. Na época, varão de família era dispensado. Não havia espaço para "desaparecido". Deixei em branco.

Levei uma dura do oficial. Não resisti: "Vocês devem saber melhor do que eu se está vivo." Silêncio na sala. Foram consultar um superior. Voltaram sem graça, carimbaram a minha ficha, "dispensado", e saí de lá com a alma lavada.

Então, só em 1996, depois de um decreto-lei do Fernando Henrique, amigo de pôquer do meu pai, o Governo Brasileiro assumiu a responsabilidade sobre os desaparecidos e nos entregou um atestado de óbito.

Até hoje não sabemos o que aconteceu, onde o enterraram e por quê? Meu pai era contra a luta armada. Sabemos que antes de começarem a sessão de tortura, o brigadeiro Burnier lhe disse: "Enfim, deputadozinho, vamos tirar nossas diferenças."

Isso tudo já faz quase 40 anos. A Lei da Anistia, aprovada ainda durante a ditadura, com um Congresso engessado pelo Pacote de Abril, senadores biônicos, não eleitos pelo povo, garante o perdão aos colegas de vocês que participaram da tortura.

Qual o sentido de ter torturadores entre seus pares? Livrem-se deles. Coragem.

*Publicado em "O Estado de S.Paulo" de 30 de janeiro de 2010.

pensando... pensando...

"Sólo escribo porque escribir me ayuda a pensar" (Macedonio Fernandez)

Giramundo...

incrível o quanto crescemos... e o quanto todos mudaram, para onda mudaram e para quem mudaram... cabelos longos e novas amizades, crianças de outrora que agora necessitam trabalhar para prover o sustento dos seus... 1982... 1992... 1996/97/98... 2000s... 2002 para 2003, o tempo poderia ter parado ali(?!)... 2006/07/08... agora o 2009 e o 2010... aonde estão todos aqueles personagens ? perdidos e achados... todos mudaram de fato! alguns para melhor... muito melhor, belas curvas e sorrisos outrora despercebidas... desejos, novos, em meio a papos velhos e superados, desnecessárias confissões... todos mudaram, mesmo esses que tão pouco conheço...

LA RAMBLA

"Montevideo es un lugar especial para vivir al resguardo de las visitas. Acá las noches no son enemigas de mis miedos a los desembarcos. Mi pequeña muralla, con figuras art decó en hierro, se siente como un buen resguardo. Aquí la distancia con mi familia es tangible. Es imposible que me tomen por sorpresa. Quien quiera venir tiene que anunciarse o lo veré llegar y saldré corriendo. Estoy harta de vivir en plena fuga como si fuera una adolescente.

Rambla - Imagem minha autoria

La bruma del río comienza a mojarme la piel. Quisiera evitarla. Tendré que entrar y cerrar la ventana, pero antes doy una mirada a la bahía de Pocitos. Disfruto con las pequeñas olas que llegan a la costa. En la rambla, sentados en un banco, una pareja se besa en forma lenta y profunda. Sus figuras recortadas por la neblina con sus oscuros cuerpos bajo una luz de farol son una cálida imagen. Me recuerdan el afiche de Manhattan." (Alfredo Fonticelli - "Caireles")

Sábado, Janeiro 30, 2010

Eu amo este jogo!

E vem aí mais um gNAL em nossas vidas...

El cigarro, la nafta y el barrilito de cerveza

“Ayer pasé a saludar a mi amigo, el Toto Pechuga, y lo encontré enojado y tomando mate.
Cuando toma mate enojado le hace sonar el fondo como si el mate lo acompañara en un mismo enojo.
Le pregunté por qué hacía rezongar el mate de esa manera, y me dijo que por falta de bandoneón, que si tuviera bandoneón y supiera tocar, lo haría sonar con un tango rezongón.
- El bandoneón, Flaco – me dijo -, rezonga porque es de origen alemán y de tango no entiende ni medio.
“Aquí lo domamos a prepo, a fuerza de Ariel Martinez y Pichuco enfrente, y le dijimos “fuelle” porque resopla, pero en el fondo es un teutón que se acomoda más a la cerveza y la cantarola en pandilla que a la soledad y el vasito de caña. Fijate, Flaco, que el bandoneón es un instrumento en extinción, como la ballena blanca. Y el fuelle sobrevive gracias al aire rioplatense.
La comparación del bandoneón con la ballena me pareció un poco traída de los cabellos, porque si hay algo que no tiene relación con el tango, y la prueba está que no se la nombra en ninguno, es la ballena blanca.
Me invitó con un amargo y mientras armaba un tabaco me dijo:
- Creo que voy a dejar de fumar, Flaco.
Le dije que me alegraba mucho porque el cigarro es un veneno y una antigüedad, el cigarro ya fue, es cosa de viejos. Toto, le dije.
- ¿ Sabés lo que pasa, Flaco ? - me agregó y siguió -, que con el aumento de la nafta voy a tener que dejar de usar el viejo y querido encendedor que me acompaña desde hace añares. Viste que yo no me doy con esos modernos encendedores a gas, porque a mí el gas me marea y no me gusta andar con una garrafita en el bolsillo.
Intenté explicarle las ventajas de esos pequeños encendedores sobre su viejo armatoste de museo, pero él, como si nada, siguió desarrollando su teoría mientras con un gesto me reclamaba el mate.
- Date cuenta que gasta poco, pero el asunto es la incertiumbre, Flaco, eso de nunca saber cúando ni cúanto te aumenta, porque te dicen que por ahora no, que se está estudiando, y cuando querés acordar te zampan el aumento, y ya van varias vecer que me entero tarde y no tengo tiempo de cargar el tanque antes de la medianoche, y eso me pone fulo, Flaco, y no te digo nada si el loco de la guerra le da por atacar a Irak, porque ahí le empiezan a quemar los pozos, que son como unos brutos sopletes, y con la quema te vienen a decir que aumentó el barril, que yo no sé cómo, con los adelantos de la tecnología, siguen cargando el petróleo en barriles como si fuera la vieja cerveza, no sé si te acordás, Flaco, que el viejo para las Navidades la iba a comprar a la calle Yatay y traía el barril rodando, no sé si te acordás.
Le dije que sí, que de alguna nebulosa manera creía recordar a los vecinos llevando barrilitos de cerveza rodando, pero en medio de mi forzada remembranza lo vi echar mano al bolsillo y sacar su viejo encendedor.
Era realmente una vergüenza.
- Está muy baqueteado – me dijo mientras lo encendía.
A la tapa se le habían gastado los remaches y la tenía atada con alambre.
Es inútil, con gente así, no se puede sacar un país adelante.”
( JUCECA – Julio Cesar Castro, do libro “Laduvija, el Tape Olmedo… y un quesito pa’ picar – cuentos inéditos de Don Verídico y otras yerbas”)

Luta...

“A única luta que se perde é a luta que se abandona” (Hebe Maria Pastor de Bonfini, uma das fundadoras da Associação das Mães da Praça de Maio)

Quinta-feira, Janeiro 28, 2010

Negadinha, esse ano tem eleição...

Quarta-feira, Janeiro 27, 2010

A notícia por trás da notícia

É notícia do fim de semana: "Última década foi a mais quente da história e Hemisfério Sul registra maior temperatura média até hoje". A afirmação é do Instituto Goddard para Estudos Espaciais (GISS) da Nasa. Dá pra acreditar? É possível confiar nas revelações do GISS tanto quanto em promessa de vendedor de terrenos na Lua. No Sul do Brasil, as únicas estações na base do GISS usadas no cálculo da temperatura regional são Porto Alegre, Florianópolis, Santa Vitória, Londrina e Curitiba. Só essas cidades permitem gerar uma média do Sul todo? O GISS informa as anomalias de temperatura na Bolívia, mas não possui qualquer dado do país desde 1990. Como, então, calcula a temperatura de lá? Valendo-se do que se chama extrapolação. Busca o dado mais perto em raio de até 1,2 mil quilômetros. No caso boliviano, utiliza medições até da Amazônia. La Paz é Rondônia? Mesmo que calcular a temperatura de Porto Alegre com dados de São Paulo. Piada! A extrapolação é muito maior na África, onde a Nasa não conta com registros em mais da metade do continente, e nos polos, onde há escassas estações. Pelo GISS, a península Antártica inteira ficou mais quente em 2009, mas a base brasileira na região, e que não é usada pela Nasa, teve, segundo o Inpe, um dos seus anos mais frios desde a instalação em 1986. No "abrasador" 2009, pelo próprio GISS, a temperatura em Porto Alegre no ano foi inferior, desde 1950, a de 1958, 59, 61, 63, 67, 70, 71, 72, 73, 77, 81, 84, 85, 86, 91, 97, 2001, 2002, 2003, 2005, 2006 e 2007, inexistindo médias de 1954, 1994 e 1995. Dá pra acreditar em tudo que vira manchete? (Prof. Eugenio Hackbart, publicado no Jornal Correio do Povo, domingo 24.janeiro.2010)

Terça-feira, Janeiro 26, 2010

Para sempre...

UM CLIQUE

Sempre é bom estar com a máquina por perto e pronta para um disparo. Neste dia estava atirado lá no sítio e me deparei com esse pica pau na sua labuta diária, dando-lhe bicadas e mais bicadas no pé de caqui da vizinha. Certa feita li que fotografar é eternizar momentos. Pois então resolvi eternizar esse.

Quarta-feira, Janeiro 20, 2010

APETRECHOS

Fundamentais ao regular curso da vida...

Terça-feira, Janeiro 19, 2010

Chuva e silêncio

Debaixo de chuva incessante; de onde sai tanta água ? E naquelas reportagens - pesquisas - estatísticas que informam que em tal ano ela vai acabar. Mas como ? O homem não pode ser tão burro e imbecil. Que acabem primeiro com essas máquinas barulhentas que não me deixam em paz com meu silêncio.

Um grande cara...

Amyr Klink

Smoke on the Water

Que pérola! Purple numa formação com Ian Gillian e Roger Glover, ao vivo, Nova York - 1973.

COTIDIANO

"depois que você casou comigo
nunca mais você se arrumou
todo dia quando eu volto p'ra casa
encontro você com a cara que acordou

assim você mata nosso amor
assim você mata nosso amor

seu cabelo anda todo estragado
você anda bem mais gordinha
o seu corpo já não tem a mesma cor
nem parece com a mulher que eu tinha

antes de casar comigo
você não era assim
quero ver você bonita
esta noite p'ra mim

pois eu te amo...

depois que você casou comigo
você deixou de ser mulher carinhosa
não se interesse pelas coisas que eu faço
você já não é mulher caprichosa

você já não é tão carinhosa
você já não é tão carinhosa" (ODAIR JOSÉ)