"A noite, tomava duas tirinhas de benzedrina e ia para um bar, onde ficava sentado perto da jukebox. Quando você está doente de abstinência, a música ajuda bastante. Certa vez, no Texas, dei um tempo no vício só com erva, meio litro de paregórico e alguns discos de Louis Armstrong." (William S. Burroughs - JUNKY)
segunda-feira, junho 14, 2010
quinta-feira, junho 10, 2010
BOLA FORA
Cerimônia de abertura do Mundial Sudafrica... Black Eyed Piss e Shakira... Tremenda bola fora da FIFA, que não prestigia os artistas da casa (africanos)... Melhor assistir Cruzeiro da Zona Norte x São Paulo de Rio Grande, na TV COM, pela SEGUNDONA DO GAUCHÃO. Sempre prestigiando as coisas da terra!
terça-feira, junho 08, 2010
MAFIA PAULISTA
quinta-feira, junho 03, 2010
quarta-feira, junho 02, 2010
MAFIA PAULISTA
Está de volta da máfia curinthiana. Como em 2005, tudo está ajeitado para que o time paulista ganhe o campeonato nacional. Alguma coisa essa turma vai querer ganhar no ano de seu centenário. O Corinthians vive boa fase; sim, as custas de equívocos de arbitgragem. Já na primeira rodada, vergonhosa vitória sobre o Atletico=PR. Gol de penalty roubado e o adversário treminando com 9 jogadores. Contra o Santos o juiz anulou um gol do Peixe quando o jogo estava 1x0. A máfia está de volta!
sábado, maio 22, 2010
CUBBER
"Obra prima" dirigida pelo Cristiano Zanella.
Club (curta-metragem, 35mm, 2001) from Drégus de Oliveira on Vimeo.
domingo, maio 16, 2010
DOS JULGAMENTOS...
“Falo com sinceridade… E estranho que pessoas cultas não saibam distinguir a falsidade da sinceridade. Por outro lado, o preconceito e a prevenção ajudam a errar, e só imagino o resultado quando forem me julgar com essas provas. Pensarão em meu rosto selvagem, minhas bebedeiras. Eu não sou um monstro; mas o preconceito terá seus efeitos.” (Anton TCHEKHOV – “Estranha Confissão”)
sábado, maio 15, 2010
Folha em Branco
quinta-feira, maio 13, 2010
quarta-feira, maio 05, 2010
Metamorphosis
a girlfriend came in
built me a bed
scrubbed and waxed the kitchen floor
scrubbed the walls
vacuumed
cleaned the toilet
the bathtub
scrubbed the bathroom floor
and cut my toenails and my hair.
.
then
all on the same day
the plumber came and fixed the kitchen faucet
and the toilet
and the gas man fixed the heater
and the phone man fixed the phone.
.
noe I sit in all this perfection.
it is quiet.
I have broken off with all 3 of my girlfriends.
I felt better when everything was in
disorder.
it will take me some months to get back to normal:
I can't even find a roach to commune with.
I have lost my rythm.
I can't sleep.
I can't eat.
I have been robbed of
my filth. (Charles Bukowski)
built me a bed
scrubbed and waxed the kitchen floor
scrubbed the walls
vacuumed
cleaned the toilet
the bathtub
scrubbed the bathroom floor
and cut my toenails and my hair.
.
then
all on the same day
the plumber came and fixed the kitchen faucet
and the toilet
and the gas man fixed the heater
and the phone man fixed the phone.
.
noe I sit in all this perfection.
it is quiet.
I have broken off with all 3 of my girlfriends.
I felt better when everything was in
disorder.
it will take me some months to get back to normal:
I can't even find a roach to commune with.
I have lost my rythm.
I can't sleep.
I can't eat.
I have been robbed of
my filth. (Charles Bukowski)
confissão
“Eu também mudei. As forças me abandonaram aos poucos. Sinto que a juventude me escapa e que meu corpo já não têm a agilidade e a resistência de que tanto me envaidecia antes, quando passava noites inteiras bebendo. Meu rosto envelhece e tenho poucos cabelos. Minha voz enrouquece e fica mais fraca... A vida já passou.
...
Parece que foi ontem. Vejo, como que envoltos em névoa, os lugares e as pessoas. E já não tenho energia para tratar dos homens com imparcialidade. Cheio de indignação e de rancor, encontro novamente o conde repugnante, aquela Olga ignóbil, o ridículo Kalinin com sua tola presunção. Vejo o mal no mal e o pecado no pecado.” (Anton TCHEKHOV – “Estranha Confissão”)
Parece que foi ontem. Vejo, como que envoltos em névoa, os lugares e as pessoas. E já não tenho energia para tratar dos homens com imparcialidade. Cheio de indignação e de rancor, encontro novamente o conde repugnante, aquela Olga ignóbil, o ridículo Kalinin com sua tola presunção. Vejo o mal no mal e o pecado no pecado.” (Anton TCHEKHOV – “Estranha Confissão”)
Te Darei o Céu...
De presente p'ra mim mesmo. Uma das tomadas mais antolôgicas do cinema: Roberto sobrevoando a Cidade Maravilhosa.
terça-feira, maio 04, 2010
THE GENIUS of THE CROWD

there is enough treachery, hatred violence absurdity in the average
human being to supply any given army on any given day
.
and the best at murder are those who preach against it
and the best at hate are those who preach love
and the best at war finally are those who preach peace
.
those who preach god, need god
those who preach peace do not have peace
those who preach peace do not have love
beware the preachers
beware the knowers
beware those who are always reading books
beware those who either detest povertyor are proud of it
beware those quick to praise
for they need praise in return
beware those who are quick to censor
they are afraid of what they do not know
beware those who seek constant crowds for
they are nothing alone
beware the average man the average woman
beware their love, their love is average
seeks average
.
but there is genius in their hatred
there is enough genius in their hatred to kill you
to kill anybody
not wanting solitude
not understanding solitude
they will attempt to destroy anything
that differs from their own
not being able to create art
they will not understand art
they will consider their failure as creators
only as a failure of the world
not being able to love fully
they will believe your love incomplete
and then they will hate you
and their hatred will be perfect
.
like a shining diamond
like a knife
like a mountain
like a tiger
like hemlock
their finest art (Charles BUKOWSKI - "The Genius of the Crowd")
quarta-feira, abril 28, 2010
CLUBE DO POVO

O amigo Sancho viu esta foto e fez a seguinte indagação: "Quando é que nos tornamos um país de frescos?! Olhem aí, pura festa. O resultado é o de menos. O ir ao estádio bastava em si mesmo. O adversário fazia parte do programa.". E olha que o Sancho é gremista dos quatro costados.
.
A realidade é que o futebol se elitizou e isso pode ser notado, com tranquilidade, no pátio dos estádios. No tempo desta foto, o torcedor de baixa renda ficava rondando pelo patio do Beira-Rio, duas ou tres horas antes do jogo, puxando conversa com os demais e solicitando ajuda para pagar o ingresso na coreia (para quem não conhece, a coreia era o setor popular em que o torcedor assistia aos jogos em pé, ali embaixo da social e da geral)... Mas não era esse pedinte dos dias atuais, o pedinte da cachaça ou do crack... Era um pedinte que conhecia a história do Internacional e que a tinha ajudado a construir... Muitos deles eram trabalhadores que colocaram a mão na massa para erguer o Gigante. Havia uma solidariedade incrivel no patio do Beira-Rio nessa época.
.
Saudades desse tempo; muitas saudades de subsidiar uma coreia para um irmão colorado.
.
Saudades desse tempo; muitas saudades de subsidiar uma coreia para um irmão colorado.
.
Saudacoes rubras, Portinho.
.
ps. depois que fechei a postagem o amigo Bered lembrou-me de um jogo marcante da importância da coreia e dos coreanos. era 1990, ou 91, a duas rodadas do final do campeonato nacional estávamos na zona do rebaixamento. veio um jogo contra a Portuguesa e nosso time estava em frangalhos. o público no Gigante foi de aproximadamente 20 mil colorados, dos quais 15 mil estavam na coreia. de fato, foi marcante meu amigo Bered! o barulho que a coreia fez no Beira-Rio neste jogo nunca mais foi repetido...
terça-feira, abril 27, 2010
PRECISO ME ENCONTRAR
Deixe-me ir
Preciso andar
Vou por aí a procurar
Rir prá não chorar...
Quero assistir ao sol nascer
Ver as águas dos rios correr
Ouvir os pássaros cantar
Eu quero nascer
Quero viver...
Deixe-me ir
Preciso andar
Vou por aí a procurar
Rir prá não chorar
Se alguém por mim perguntar
Diga que eu só vou voltar
Depois que me encontrar... (CARTOLA - Composição de Candeia)
sábado, abril 24, 2010
SÓ ACONTECE COM ELES...
"dentro de campo eles não nos acharam... tomaram chapéu, tomaram caneta, tomaram tudo, tomaram um chocolate..."
DA-LHE NEGO CLAYTON!!!
DA-LHE NEGO CLAYTON!!!
SÓ ACONTECE COM ELES II...
Vestiu o pijama incorporou o DNA... detalhe 1) entrevista do P. Autuori, detalhe 2) futebol e cadeia é coisa que só acontece com a turma da azenha...
sexta-feira, abril 23, 2010
quinta-feira, abril 15, 2010
terça-feira, abril 13, 2010
ANTIGAS ESCRITAS...
ANOITECENDO
.
.
Faz muito frio. A claridade já se foi; agora só resta um mínimo de luminosidade, siluetas por todos os lado. O céu ainda está azul, mas agora num tom bem mais forte, quase escuro. O canto dos pássaros é completamente diverso, imperativo, como toque de recolher. E do lado de lá, aonde o sol se pôs, há uma linha que mescla branco com um tom de vermelho desbotado; ali ainda se pode identificar o verde das árvores. Enquanto escrevo, o frio e a escuridão avançam de forma implacável.
.
agosto.2008
ANTIGAS ESCRITAS II...
COMPROMISSOS
Todas as coisas que tenho para fazer
levam meu tempo embora.
Nos dias em que acordo
pensando nelas.
Nas coisas que deixo de fazer
preocupado com elas.
Essas coisas
que guiam meus atos,
refúgios de meus sumiços;
escravo desses compromissos
São essas coisas que definem
os lugares pelos quais vou,
as pessoas a quem procuro
e com as quais me relaciono.
Por isso gosto tanto de acordar
no mais pleno silêncio.
De eleger minhas prioridades
e traçar meus próprios caminhos.
30.agosto.2008
Todas as coisas que tenho para fazer
levam meu tempo embora.
Nos dias em que acordo
pensando nelas.
Nas coisas que deixo de fazer
preocupado com elas.
Essas coisas
que guiam meus atos,
refúgios de meus sumiços;
escravo desses compromissos
São essas coisas que definem
os lugares pelos quais vou,
as pessoas a quem procuro
e com as quais me relaciono.
Por isso gosto tanto de acordar
no mais pleno silêncio.
De eleger minhas prioridades
e traçar meus próprios caminhos.
30.agosto.2008
BOAS VIBRAÇÕES
Boas vibrações! Imbituba; Farol de Santa Marta; Praia de Garopaba; Silveira, a subida e a descida; Praia da Cal num dia de semana no final do inverno; Montevideo; Punta de los Lobos; Ferry boat no Rio da Prata; Serra do Papagaio; Ilha do Arvoredo; Parati; Saquarema; Ilha das Galês; Ribeirão da Ilha num domingo de feira; Cacupê num final de tarde inacreditável com crianças brincando na beira de uma praia tranquila; anchova grelhada na pracinha em frente de casa debaixo das árvores; Bar do Naval; mateio na praça na Vila dos Pescadores no Centro de Garopaba; Praia do Portinho - Imbituba; o restaurante italiano na entrada da Silveira; Rota 66; Venice Beach; Pôr-do-Sol em Huntington Beach; a terceira ponte de Vitória; minha casa com reggae...
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LPortinho, novembro/2002.
LUCIANA...
laiá lalaiá laiá
tchu tchurururu
tchururururu
eu vou fazer uma canção singela
pra você se lembrar de mim
quando ouvir o rádio
em ondas médias,
em ondas curtas e
frequência modulada
pra você se lembrar de mim
quando ouvir o rádio
tchu tchurururu
tchururururu
tchu tchurururu
tchururururu
mas se você não puder ouvir
por falta de tempo
ou por falta de rádio
alguém há de passar cantando
"ASSOBIANDO", perto de você
mas se depois disso tudo
você não conseguir ouvir
por que não quis
ou por algum problema
subirei,... descerei
o morro novamente
como um guerreiro... vencedor
cantando... o meu hino
de amoooooooor
luciana, luciana
luciana, luciana
luciana
luciana, luciana
luciana, luciana
luciana
segunda-feira, abril 12, 2010
5.julho.1982 de novo...
O dia em que aquele timaço formado por Telê Santana foi derrubado pela pragmática Itália de Enzo Bearzot. O carrasco Paolo Rossi anotou três golos e terminou com a esperança do título mundial para uma geração dourada de jogadores formada por Zico, Sócrates, Toninho Cerezo, Falcão, Éder, Leandro, Junior entre outros. A data é tão fatídica e marcante que todos que a vivenciaram guardam até hoje lembranças relacionadas ao jogo e também a seus dramas pessoais. Eu tinha 9 anos e, como o pirralho ao lado e tantos outros milhões de brasileiros, fui às lágrimas, incrédulo, assim que o juiz trinou pela última vez o apito. Lembro perfeitamente de ter ficado apático por algumas horas, sem saber o que fazer da vida, não acreditando que os gols de Sócrates e Falcão não haviam sido suficientes. Chorava, como se meu choro pudesse fazer o árbitro voltar atrás e marcar aquela penalidade sobre o Zico (em lance que saiu com a camisa 10 totalmente rasgada por um puxão do zagueiro Gentile). Algumas horas depois da partida, no caminho para a fisioterapia, minha mãe colidiu o carro na descida de uma ladeira. Do alto de meus 9 anos tive a certeza de que aquela colisão era produto direto do fracasso de nossa seleção. Aquele dia voltei para casa desiludido com a vida, indagando o que mais estaria reservado a meu futuro..
Pois amanhã, às 21 horas, a ESPN BRASIL transmite o VT daquela partida espetacular. Vou assistir com certeza. E, mesmo sabendo o resultado, estou certo de que me pegarei torcendo novamente para que o juiz anote a penalidade, para que o Toninho Cerezo não atravesse aquela bola em frente à área. Vibrarei como criança novamente quando o doutor Sócrates anotar o primeiro e o nosso Falcão fizer o segundo naquele tirambaço de canhota de fora da área. Ao menos por alguns minutos, até que o Paolo Rossi faça o terceiro golo, terei novamente a ilusão de que vamos vencer o jogo e passar as semifinais contra a Polônia. E, quando o juiz apitar o final, é bem possível que volte a chorar como o guri da foto do Reginaldo Manente.
.
ps. A ESPN transmite o jogo na 3a feira - 21 horas, com reprise domingo - 22 horas
sábado, abril 03, 2010
quarta-feira, março 31, 2010
MUDAM OS NOMES...
“Deixei o clube com June, que instantaneamente se tornou uma de minhas melhores amigas. Contudo, não viramos amantes; eu realmente apreciava sua companhia como amiga e não queria estragar aquilo. Tenho certeza de que ela queria ir adiante, mas àquela altura eu não imaginava que fosse possível ficar com uma garota e ser amigo dela. Sexo ainda era uma questão de conquista em vez do resultado de um relacionamento amoroso. Simplesmente jamais me ocorrera a idéia de que você pudesse manter uma conversa inteligente com uma garota e depois dormir com ela. Olhando para trás, meio que lamento por jamais termos ficado juntos, pois estou certo de que teríamos curtido muito.”
(...)
“Ficamos juntos por dois anos, e eu a amei tanto quanto era realmente capaz de amar alguém, mas ela ficou no caminho de outra pessoa que, mesmo que eu não pudesse ter, dominava meus pensamentos...”
(...)
“Lori tinha uma personalidade poderosa, muito confiante e namoradeira, e fiquei lisonjeado pelo interesse dela em mim. De fato, a energia entre nós era muito forte, do tipo que existe apenas quando você encontra alguém pela primeira vez. Também era muito divertida, uma qualidade que havia desaparecido de meu relacionamento com Pattie. Quando a turnê acabou e voltei para casa, fizemos mais uma tentativa desanimada de reanimar nosso casamento, mas não colou. Percebi que minhas atenções haviam mudado. Chegara em casa há poucos dias quando de repente disse a Pattie que estava indo embora. Tinha conhecido alguém na Itália e iria ficar com ela. Eu era como uma chama ao vento, soprada para todo lado, sem nenhum interesse pelo sentimento das outras pessoas ou pelas conseqüências de minhas ações. Na minha cabeça havia me convencido de que, visto que havia acabado de entrar nos 40, estava passando pela crise da meia-idade e eu isso era explicação para tudo.”
(...)
“Francesca era de Gêmeos, totalmente imprevisível e propensa a rompantes violentos. Por outro lado, podia ser doce como mel e totalmente fascinante. O problema é que você nunca sabia qual de suas facetas encontraria. Acho que terminamos umas nove ou dez vezes naquele período, mas eu estava inteiramente viciado nela. (...) De fato, Chris gostava dela. O que eu precisava abordar em primeiro lugar, de acordo com Chris, era o que eu estava fazendo ali. Em resumo, seu conselho foi de que eu ficasse na relação até me encher ou aprender o que quer que precisasse aprender.”
(...)
“O fim do caso, quando realmente chegou, coincidiu com um incêndio elétrico em minha casa em Londres, o que pareceu um augúrio. Também vi como uma oportunidade de deixar o passado para trás e começar do zero novamente; assim esvaziei a casa, vendi toda a mobília e comecei de novo...”
(...)
“Até então, o grande obstáculo para qualquer mulher de quem eu me aproximava era Hurtwood. Amava aquela casa, já que havia passado boa parte de minha vida nela, e seria importante que qualquer mulher que entrasse em minha vida também se sentisse confortável lá. Quase todas as mulheres que levei lá acharam a casa opressiva, até mesmo ameaçadora. Talvez o astral, com todas as lembranças, fosse muito intimidante, quem sabe ? Mas desde o início Melia ficou bem. Adorou a casa, e nos divertimos muito juntos” (Eric CLAPTON – “Autobiografia”)
(...)
“Ficamos juntos por dois anos, e eu a amei tanto quanto era realmente capaz de amar alguém, mas ela ficou no caminho de outra pessoa que, mesmo que eu não pudesse ter, dominava meus pensamentos...”
(...)
“Lori tinha uma personalidade poderosa, muito confiante e namoradeira, e fiquei lisonjeado pelo interesse dela em mim. De fato, a energia entre nós era muito forte, do tipo que existe apenas quando você encontra alguém pela primeira vez. Também era muito divertida, uma qualidade que havia desaparecido de meu relacionamento com Pattie. Quando a turnê acabou e voltei para casa, fizemos mais uma tentativa desanimada de reanimar nosso casamento, mas não colou. Percebi que minhas atenções haviam mudado. Chegara em casa há poucos dias quando de repente disse a Pattie que estava indo embora. Tinha conhecido alguém na Itália e iria ficar com ela. Eu era como uma chama ao vento, soprada para todo lado, sem nenhum interesse pelo sentimento das outras pessoas ou pelas conseqüências de minhas ações. Na minha cabeça havia me convencido de que, visto que havia acabado de entrar nos 40, estava passando pela crise da meia-idade e eu isso era explicação para tudo.”
(...)
“Francesca era de Gêmeos, totalmente imprevisível e propensa a rompantes violentos. Por outro lado, podia ser doce como mel e totalmente fascinante. O problema é que você nunca sabia qual de suas facetas encontraria. Acho que terminamos umas nove ou dez vezes naquele período, mas eu estava inteiramente viciado nela. (...) De fato, Chris gostava dela. O que eu precisava abordar em primeiro lugar, de acordo com Chris, era o que eu estava fazendo ali. Em resumo, seu conselho foi de que eu ficasse na relação até me encher ou aprender o que quer que precisasse aprender.”
(...)
“O fim do caso, quando realmente chegou, coincidiu com um incêndio elétrico em minha casa em Londres, o que pareceu um augúrio. Também vi como uma oportunidade de deixar o passado para trás e começar do zero novamente; assim esvaziei a casa, vendi toda a mobília e comecei de novo...”
(...)
“Até então, o grande obstáculo para qualquer mulher de quem eu me aproximava era Hurtwood. Amava aquela casa, já que havia passado boa parte de minha vida nela, e seria importante que qualquer mulher que entrasse em minha vida também se sentisse confortável lá. Quase todas as mulheres que levei lá acharam a casa opressiva, até mesmo ameaçadora. Talvez o astral, com todas as lembranças, fosse muito intimidante, quem sabe ? Mas desde o início Melia ficou bem. Adorou a casa, e nos divertimos muito juntos” (Eric CLAPTON – “Autobiografia”)
quarta-feira, março 17, 2010
um homem com uma dor
"um homem com uma dor
é muito mais elegante
caminha assim de lado
como se chegando atrasado
andasse mais adiante
carrega o opeso da dor
como se portasse medalhas
uma coroa um milhão de dólares
ou coisa que os valha
ópios édens analgésicos
não me toquem nessa dor
ela é tudo que me sobra
sofrer, vai ser minha última obra" (Paulo Leminski)
ps. a favorita do meu amigo Julio "Régua" Alves
é muito mais elegante
caminha assim de lado
como se chegando atrasado
andasse mais adiante
carrega o opeso da dor
como se portasse medalhas
uma coroa um milhão de dólares
ou coisa que os valha
ópios édens analgésicos
não me toquem nessa dor
ela é tudo que me sobra
sofrer, vai ser minha última obra" (Paulo Leminski)
ps. a favorita do meu amigo Julio "Régua" Alves
segunda-feira, março 15, 2010
CSN & Y

Muito antes do nascimento de Ben Harper e Jack Johnson - e falo do nascimento literal - Crosby, Stills, Nash & Young formaram um time insuperável de violeiros e marcaram inúmeras canções na paleta de uma geração. Não é novidade alguma essa onda de tirar reefs da viola e compor baladas acústicas para animar os ouvintes. “Dark Star”, “Jude Blue Eyes”, “Guinnevere”, “Wooden Ships”, “Southern Cross”, entre outras. David Crosby, Grahan Nash, Stefen Stills e Neal Young ou só CSN&Y para os que já são familiarizados com as clássicas pedras do quarteto.
A PRAGA
Espetacular. E tem nego que cultua filme americano de holywood. Obra prima do cinema nacional, Eucaris de Morais interpreta uma cigana que lança uma praga na introdução de A Meia Noite Levarei Sua Alma, de Mojica Marins (Zé do Caixão).
sexta-feira, março 12, 2010
CARROS FRANCESES
O que será que há por detrás do volante de um carro francês ? Ande no trânsito e verás! Só nesta semana escapei 3 vezes de me acidentar devido a " fechadas" e "cortadas" dos tais carrinhos franceses. Bonitinhos, cheio de curvinhas e detalhes descoladinhos. Nas 3 ocasiões eram Peugeots. Produzidos in francia e trazidos ao Brasil. Como conseguem os engenheiros franceses expostar não só modelos sobre rodas, mas também sua arrogância e prepotência para os motoristas ? Certa feita li ou ouvi de um especialista em carros, engenheiro de produção ou coisa que o valha, que os carros franceses não era adequados às condições de trafegabilidade das estradas e rotas brasileiras. E posso dizer que os motoristas de carros franceses também não. Deviam comprar carros produzidos aqui no Brasil e deviam dirigir com mais cuidado e respeito. Carros franceses, jamais os comprarei!
Intelectuais...
"mas o Jack é boa gente. tenho visto intelectuais ultimamente. me canso fácil dos preciosos intelectos que precisam cuspir diamantes toda vez que abrem as suas bocas. eu me canso de ficar batalhando por cada espaço de ar para o espírito. é por isso que me afasto das pessoas por tanto tempo, e agora estou encontrando as pessoas. descubro que preciso voltar pra minha caverna. existem outras coisas além da mente: há insetos e palmeiras e trituradores de pimenta, e eu vou ter um triturador de pimento na minha caverna, portanto riam." (BUKOWSKI, Charles - "Notas de Um Velho Safado")
SÓ O COLORADO MESMO...
... para fazer o juiz voltar atrás e desmarcar uma penalidade máxima... Confira na foto a brigada hispânica do Colorado: Fossatti, Abondanzieri e Bruno Silva cagando na cara e colocando pressão em cima do ômi do apito. Tchê, esse lance foi para os pijaminhas secadores desligarem a televisão e dormir!
VAMO COLORADO... RUMO AO BI DA AMÉRICA!!!
quinta-feira, março 11, 2010
BEBADOS...
“É isso! É isso o que eu queria demonstrar. Um ganso não pode conviver com um porco; um bêbado não pode andar junto com um sóbrio. O bêbado incomoda o sóbrio e o sóbrio incomoda o bêbado.” (Anton TCHEKHOV – “Estranha Confissão”)
E VIVA O VAN GOGH!!!, melhor buteco de Porto Alegre...
E VIVA O VAN GOGH!!!, melhor buteco de Porto Alegre...
segunda-feira, março 08, 2010
Tô a perigo - praga da semana...
torci com tudo por este rebaixamento... Mas meu santo é forte também!!! Dá-lhe COLORADO!!!
domingo, março 07, 2010
OLHOS NOS OLHOS
Encontro um disco debaixo de outros tantos. Ponho a tocar. Músicas e letras preservadas num canto da memória. Junto às lembranças de tantos dias. Como pode este disco ter preservado tanto? Caminhos, mares desbravados, a tua presença. Parece que revivo todos os momentos exatamente como os vivenciei. Não mudo sequer um detalhe! Não tenho como mudar. As músicas tocam exatamente na mesma ordem. Senti vontade de tirar a velha mochila do armário e nela colocar apenas o essencial. Para um dia ou várias semanas. De buscar o valente Fiat aonde ele estiver para desbravar novamente os caminhos do mundo. Para ter um pouco mais da imensidão daqueles mares e dos teus olhos diante dos meus.
7.março.2010 – ao som de The Church
7.março.2010 – ao som de The Church
p/ alguém muito especial...
quinta-feira, março 04, 2010
IGREJA
“E por que eu teria ido à igreja aquela manhã ? Porque apesar do meu roteiro de fornicações eu também tinha momentos de tédio e vazio. E apesar de ter verdadeira ojeriza por igrejas e instituições e seitas (principalmente a igreja católica que, ao longo da história e em nome daquele deslumbrante que era Cristo, matou saqueou incendiou seres cidades e países, ah, sempre me pareceu que as ligações entre o lá de cima e o homem entraram há muito em curto-circuito, você pede pra falar com Sydney, Austrália, e te dão Carapicuíba e quejandos. Evidentemente que o Deslumbrante não mandou recados de assassinatos e torpezas, torpe é a nossa natureza, imundo e dilacerado é o homem, imundo sou eu, Crasso, mas querem saber ? Não vou falar disso não, imundos são vocês também, todos nós e se eu continuar falando não vou conseguir mais foder. E foder é tudo o que resta a homens e mulheres. Vamos às fodas, senhores. Só mais um minutinho: para mim o homem foi feito pelo demo. Na História aprendi que os cátaros, os albigenses, que naturalmente vocês não sabem quem são e devem procurar saber, também pensavam assim, isto é, que o mundo foi criado pelo demo. Muito mais lógico, não ? Dá para entender tudo melhor. Pois os católicos queimaram os cátaros no século XII (favor se informar). Eram gente de primeiríssima, esses cátaros. Eram chamados Os Perfeitos. Paremos por aqui, a coisa tende a se estender. Outra coisa: a igreja não é boba não. Já manjou que mais dia menos dia acontece uma grande cagada, e agora tenta salvar a pele com sutilezas canônicas. Por que não se desfazem de toda aquela tralha de ouro, prata e pedras preciosas que há lá no palácio deles ? Por que não dão as montanhas de terra ou vendem as montanhas de terra e propriedades e dão o dinheiro aos famintos ? Por que os papas, ao invés de discursos lengalenga, não arrancam as vestes, não pulam daquela caideirnha, não ficam nus e nus não discursam um texto veemente, apaixonado e colérico amaldiçoando os canalhas ? Não adianta ficar voando de ceca em Meca e beijando o chão. Não deviam postar-se nus numa praça e ali permanecer até que os homens entendessem que é preciso acabar com todas as clocas do poder ? Mas vamos às nossas orgásticas, gentis e menos imundas putarias. Outra coisa: não sou ingênuo não. Sei muito bem o que vão me responder e desde já respondo: não aceito. “ (Hilda Hirst – “Contos D’Escárnio – Textos Grotescos”) terça-feira, março 02, 2010
BRANCAS NOITES...
“Era uma noite maravilhosa, uma noite tal como só é possível quando somos jovens, caro leitor. O céu estava tão estrelado, um céu tão luminoso, que ao olhá-lo seríamos obrigados a nos perguntar infalivelmente: como pode viver sob um céu assim toda sorte de gente irritadiça e caprichosa? Esse também é um questionamento de quem é jovem, caro leitor, muito jovem, mas que Deus o possa inspirer-lhe muitas vezes!... Falando sobre toda sorte de senhores irritadiços e caprichosos, eu não podia deixar de recorder minha boa conduta durante todo aquele dia. Desde bem cedo começou a me afligir uma tristeza singular. Pareceu-me de repente que todos se afastavam de mim. Claro, qualquer um teria o direito de perguntar: mas quem são esses todos? Porque já faz oito anos que moro em Petersburgo, e não consegui estabelecer quase nenhuma relação. Mas para quê preciso de relações ? Eu já conheço toda Petersburgo sem isso; aí está por que me parecia que todos me abandonavam quando toda Petersburgo se levantou e partiu para o campo. Comecei a ter medo de ficar sozinho e vaguei durante três dias inteiros pela cidade numa tristeza profunda, sem entender absolutamente o que se passava comigo.” (Fiódor Dostoiévski, primeiras linhas de “NOITES BRANCAS”)FANTE
“Simplesmente saí dali e peguei a rua atrás daquela mulher. Estava a mais de uma dúzia de passos a minha frente, caminhando apressadamente para a beira do cais. Eu realmente não sabia que a estava seguindo. Quando percebi, parei de repente e estalei os dedos. Oh! Então agora és um pervertido! Um pervertido sexual! Muito bem, muito bem, Bandini, não imaginava que fosse chegar a isso; estou surpreso! Eu hesitei, arrancando grandes lascas de unha do meu polegar e as cuspindo. Mas não queria pensar naquilo. Preferia pensar nela.
.
Não era graciosa. Sei jeito de andar era teimoso, bruto; caminhava como que desafiadoramente, por assim dizer, eu os desafio a interromperem a minha caminhada! Caminhava em ziguezague também, movendo-se de um lado da calçada até o outro, às vezes pisando no meio-fio e às vezes batendo contra as janelas de vidro laminado a sua esquerda. Mas não importa como andasse, a figura debaixo do velho casaco púrpura ondulava e serpenteava. Seu passo era longo e pesado. Eu mantinha a distância original que ela guardava entre nós.
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Sentia-me num frenesi; delirante e impossivelemente feliz. Havia aquele cheiro do mar, a suavidade limpa e salgada do ar, a indiferença fria e cínica das estrelas, a intimidade súbita e sorridente das ruas, a opulência brônzea da luz na escuridão, o langor cintilante da meia-lua. Eu amava tudo aquilo. Tinha vontade de gritar, de fazer ruídos esquisitos, ruídos novos, na minha garganta. Era como caminhar nu através de um vale cercado de belas garotas por todos os lados.” (John FANTE – “A Caminho de Los Angeles”).
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Não era graciosa. Sei jeito de andar era teimoso, bruto; caminhava como que desafiadoramente, por assim dizer, eu os desafio a interromperem a minha caminhada! Caminhava em ziguezague também, movendo-se de um lado da calçada até o outro, às vezes pisando no meio-fio e às vezes batendo contra as janelas de vidro laminado a sua esquerda. Mas não importa como andasse, a figura debaixo do velho casaco púrpura ondulava e serpenteava. Seu passo era longo e pesado. Eu mantinha a distância original que ela guardava entre nós.
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Sentia-me num frenesi; delirante e impossivelemente feliz. Havia aquele cheiro do mar, a suavidade limpa e salgada do ar, a indiferença fria e cínica das estrelas, a intimidade súbita e sorridente das ruas, a opulência brônzea da luz na escuridão, o langor cintilante da meia-lua. Eu amava tudo aquilo. Tinha vontade de gritar, de fazer ruídos esquisitos, ruídos novos, na minha garganta. Era como caminhar nu através de um vale cercado de belas garotas por todos os lados.” (John FANTE – “A Caminho de Los Angeles”).
segunda-feira, março 01, 2010
quinta-feira, fevereiro 25, 2010
JOHN LENNON

“Com John estava tudo bem. Era considerado louco, talvez, mas não era violento. Enquanto a maioria de nós ainda estava no estágio médio da idade escolar, John Lennon era algo mais. Não era apenas considerado um delinqüente juvenil, mas tinha também uma tendência para causar tumultos, tudo em nome da angústia da arte. “Se você andar com esse John Lennon”, as mães – inclusive a minha – diziam, “vai arranjar problemas!”. Na verdade, todos provavelmente pensavam que John acabaria no instituto correicional de Borstal, ou mesmo na cadeia, e ele pouco fazia para melhorar sua imagem.
(...)
... John estava sempre fazendo alguma coisa e este era o motivo de nossa fascinação por ele. Ele era o rebelde que queríamos ser.
(...)... As vezes, ele falava em forma de enigmas, sua conversa era tortuosa e quase incompreensível, e quando estávamos totalmente confusos, ele ria e saía pela tangente ou dizia alguma coisa realmente inteligente, ou espirituosa, ou sarcástica. Nunca sabíamos se ele estava dizendo a verdade, e isso também nem importava. Ele era simplesmente hipnotizante.
(...)
... Ele se portava como um rebelde nato, mas acho que ele era bastante infeliz. Na verdade, ninguém conseguia se aproximar muito de John. Mesmo quando falava com as pessoas, havia uma sensação de isolamento, um ponto de ruptura além do qual não se podia ir, e não íamos mesmo.” (Tony Bramwell – “Magical Mystery Tours – Minha Vida com os Beatles)
(...)
... John estava sempre fazendo alguma coisa e este era o motivo de nossa fascinação por ele. Ele era o rebelde que queríamos ser.
(...)... As vezes, ele falava em forma de enigmas, sua conversa era tortuosa e quase incompreensível, e quando estávamos totalmente confusos, ele ria e saía pela tangente ou dizia alguma coisa realmente inteligente, ou espirituosa, ou sarcástica. Nunca sabíamos se ele estava dizendo a verdade, e isso também nem importava. Ele era simplesmente hipnotizante.
(...)
... Ele se portava como um rebelde nato, mas acho que ele era bastante infeliz. Na verdade, ninguém conseguia se aproximar muito de John. Mesmo quando falava com as pessoas, havia uma sensação de isolamento, um ponto de ruptura além do qual não se podia ir, e não íamos mesmo.” (Tony Bramwell – “Magical Mystery Tours – Minha Vida com os Beatles)
DAS LEITURAS...
“Perdera a batalha contra a juventude e a primavera, e, com seu sofrimento, pagara um preço pelo pecado imperdoável da velhice – o de se recusar a morrer. Não se conformara em rumar para a treva sem primeiro se pôr à prova; o que ele quisera, no fim das contas, eera magoar seu velho coração. A luta, em si, tem um valor que supera a vitória ou a derrota, e aqueles três meses com Annie... agora lhe pertenciam para sempre.” (F. Scott Fitzgerald, “Na Sua Idade”)
MAIS UM POUCO DE LEITURAS...
“Adolfo, 83 años. Siempre vivió con mujeres. Todas se quieren casar con él y le sacan plata. De sus muchos años en Roma, los últimos los pasó con una condesa. Llegó el día en que, por la situación argentina, la madre le escribió para prevenirlo de que no podía mandarle la mensualidad habitual; tendría que reducirla a la mitad. Poco después volvió Adolfo: confesó que la condesa, después de leer la carta, lo mandó de vuelta, con lo puesto – su traje estaba muy raído -, sin un peso. Hará cosa de pocos años Adolfo tuvo que operarse de no sé qué… Su hermano se sorprendió de ver cómo lo atendían las amigas: con intimidad de enfermeras y verdadera devoción. Ahora volvieron a operarlo: de próstata, esta vez. Su hermano fue visitarlo a la mañana. En el cuarto, había dos camas. En una estaba Adolfo; en la otra, su amiga, de 83 años. Volvió al anochecer el hermano. Ahora la compañera era una mujer de treinta años. El hermano, que le administra el dinero y le pasa mensualidades considerables, le preguntó por qué a fin de mes siempre estaba tan corto de dinero. “Me lo sacan las amigas”, explicó Adolfo. Las deja, porque le basta con llegar al fin de mes sin mayores privaciones. “No tengo herederos, ni mucho futuro que digamos”, explica. Está acostumbrado a vivir con mujeres. Lo cuidan, lo acompañan. Todas tratan de casarse con él; en eso es irreductible. A veces lo cansan y hasta por momentos lo amargan, hablándole de su muerte, de la conveniencia de hacer cuanto antes un testamento que las favorezca y de poner desde ya cosas a su nombre; son momentos desagradables, pero pasajeros. No les guarda rencor. Si se acuerda, les dejará algo en el testamento, ¿ por qué no ¿ Al fin y al cabo, el hermano no necesita nada, ni va a vivir mucho más que él y no tiene hijos; el Estado, no es muy simpático, y las sociedades de beneficiencia vaya uno saber cómo están manejadas. Mejor dejar algo a esas mujeres que él conoce tanto y cuyas habilidades le hacen gracia y hasta lo conmueven: (Adolfo Bioy Casares – “Descanso de Caminantes – Diários Íntimos”)
E assim caminha...
a humanidade.
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Silas comparou um gNAL a um Brasil x Argentina, justificando sua felicidade em se livrar da peleia braba de enfrentar o Colorado na final do turno. Está certo o Sr. Silas, não ?
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Centro de Porto Alegre. Escavam um terreno nos fundos de uma casa. As paredes começam a rachar e em menos de dois dias desaba metade da casa. Ninguém ficou ferido no incidente.
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Entro no carro que está estacionado numa movimentada rua de bairro grã fino de Porto Alegre. Uma senhora encosta seu carro e fica aguardando eu sair da vaga. Uma louca encosta atrás desta senhora com seu veículo e começa a tocar a buzina sem parar. Quando estou iniciando o movimento de saída da vaga, a louca resolve finalmente contornar o carro que aguardava o local, sempre com a mão afundada na buzina. Ultrapassa o carro aos berros de "tu está ficando louca, tu está ficando louca ?"... Ao me ver saindo da vaga para seu carro e fica me olhando com sua cara de louca em surto, olhos arregalados. Assustador!
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Silas comparou um gNAL a um Brasil x Argentina, justificando sua felicidade em se livrar da peleia braba de enfrentar o Colorado na final do turno. Está certo o Sr. Silas, não ?
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Centro de Porto Alegre. Escavam um terreno nos fundos de uma casa. As paredes começam a rachar e em menos de dois dias desaba metade da casa. Ninguém ficou ferido no incidente.
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Entro no carro que está estacionado numa movimentada rua de bairro grã fino de Porto Alegre. Uma senhora encosta seu carro e fica aguardando eu sair da vaga. Uma louca encosta atrás desta senhora com seu veículo e começa a tocar a buzina sem parar. Quando estou iniciando o movimento de saída da vaga, a louca resolve finalmente contornar o carro que aguardava o local, sempre com a mão afundada na buzina. Ultrapassa o carro aos berros de "tu está ficando louca, tu está ficando louca ?"... Ao me ver saindo da vaga para seu carro e fica me olhando com sua cara de louca em surto, olhos arregalados. Assustador!
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Um grupo de cabeludos tocando viola e poses na Golden Gate Bridge. Férias de um bando de seres humanos criativos.
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Ligo a televisão. Ladrões furtam mantimentos e produtos de limpeza do restaurante popular que serve refeições a R$ 1,oo aqui em Porto Alegre. Foi a segunda vez em menos de 15 dias. Pior que isso só os políticos salafrários que desviaram verbas do programa de alimentação escolar.
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E assim caminha a humanidade...
quarta-feira, fevereiro 24, 2010
VALEU MACACADA!

O Beira-Rio recebeu um público de aproximadamente 40 mil pessoas para a estreia na Libertadores. Não se pode considerar muito para quem convive com o Gigante há 3 décadas e já o vivenciou abarrotado com mais de 80 mil Colorados trepados pelas muretas da saudosa coréia. Mas o espetáculo da torcida foi digno de aplauso. Mais do que isso, digno de respeito e temor por parte dos adversários. O Beira Rio já é considerado um grande templo do futebol sudamericano. Até mesmo o Diário OLE, jornal especializado em notícias esportivas, e conhecido por trazer manchetes difamatórias contra o futebol brazuca, se curvou. Sob a manchete "Pression a la Bombonera", os "hermanos" lembraram que "en el Beira Río se hace sentir la localía, lo vivió Boca alguna vez, también Estudiantes en la final de la Sudamericana (ganó en los 90' y perdió en el suplementario).". A respeito de nossa torcida, anotaram os gringos que "el rigor de lo que es salir a esa cancha en la que los cantos se potencian y multiplican. Un lugar tan difícil como la Bomobonera, aunque con otra arquitectura, más circular y más bajo.".
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Não é necessário cantar em espanhol para se fazer respeitar pela América. A macacada mais uma vez se destacou pela tradição e participação direta na vitória. Ficou impossível ao EMELEC sustentar o resultado depois que começamos a entoar cânticos e empurrar nosso time. Os inimigos que se preparem, porque essa foi só a primeira batalha!
terça-feira, fevereiro 23, 2010
COLORADO
segunda-feira, fevereiro 22, 2010
sexta-feira, fevereiro 19, 2010
FILHO MEU, GREMISTA ?
* Texto de Bagre Fagundes
Há muitos anos, quando nosso tradicional rival nos ganhava alguma partida, meu filho caçula, o Paulo, me surpreendeu com uma conversinha pra boi dormir que quase me levou à loucura. Essa situação vale a pena registrar como exemplo para alguns colorados que, ou se deixam desmoralizar, ou já nasceram desmoralizados mesmo.
Vejam só que papinho mais desqualificado! Era meio-dia, e todos da casa estavam à mesa para o almoço: "Pai, eu não posso ser do Grêmio?"
Pego de surpresa por uma pergunta de tamanha brutalidade, confesso que precisei refletir alguns segundos, alinhar meu pensamento, para depois responder: "Eu me recuso a responder a tua pergunta sem que tu me expliques de onde tiraste tamanha besteira. Ora, onde já se viu um filho meu gremista?"
E o gurizito, que na época tinha uns sete anos mais ou menos, olhando para o aparelho de televisão, que estava ligado e mostrava um vídeo de mais uma derrota colorada e mais uma vitória do Grêmio, respondeu: "É por isso aí, pai! O Grêmio sempre ganha, e nós perdemos sempre! É por isso que eu quero ser do Grêmio! E tem mais: na minha aula eu sou o único colorado..."
Mesmo diante de todas as evidências, pela minha condição de 'chefe da casa', não me dei por vencido e contra-argumentei: "Eu nunca mentiria para um filho, especialmente, o meu mais moço, o meu caçula. É claro que, se for tua vontade, como parece ser, tu podes torcer para o Grêmio. Entretanto, antes da tua decisão final, quero te esclarecer alguns detalhes. Primeiro: tu sabes que a tua mãe é colorada; segundo, tu sabes, também, que os teus dois irmãos mais velhos são torcedores do Internacional e que a tua irmã também é colorada; tu sabes que a tua irmã de criação é do Inter e que até o Veludo - nosso cachorro - é nosso companheiro de clube. Especialmente, tu sabes muito bem que eu, teu pai, sou torcedor do Internacional. Finalmente, tu sabes que o Grêmio é o nosso maior adversário e está contra nós em todas as oportunidades, certo?" Diante da resposta afirmativa do meu filho, eu botei na mesa a última cartada: "Tu queres ficar contra todos nós?"
Qualquer psicóloga dessas modernas, que não entendem o que é para um pai colorado ter, em sua própria casa, um adversário gremista, sendo ele seu próprio filho, diria que eu não tinha o direito de tirar a liberdade de opinião do meu guri. Mas, para mim, não há mais problema. O meu filho caçula, Paulinho Fagundes, hoje um guitarrista famoso e meu parceiro de estrada e de palco, é mais colorado do que eu, como sua mãe, sua irmã e seus irmãos Ernesto Fagundes e Neto Fagundes. É um grande filho esse Paulinho!
* Bagre Fagundes é músico regionalista.
sexta-feira, fevereiro 12, 2010
DRIVEN TO TEARS
vale a pena conferir....destaque para Stewart Coppland esmirilhando na batera... melhor baterista de todos os tempos!
quinta-feira, fevereiro 11, 2010
RUMO AO HEXA
Dunga fez a última convocação da seleção brasileira antes da derradeira chamada para o Mundial Sudafrica 2010. Ouso apostar que dentre os 22 convocados nesta lista, 19 estão com vaga garantida para a Copa. Apenas o zagueiro Thiago Silva, o lateral Michel Alves e o meia Kleberson estão submetidos a teste neste amistoso contra a Irlanda. Talvez o porteiro Doni também tenha sua última chance neste amistoso (mas acredito que nem deva ingressar na partida); é mais provável que Gomes e Victor sejam os companheiros de Julio Cesar para o arco..
Mas não quero abordar nomes aqui. Há alguns dias amadurecia pensamentos a respeito de Dunga e da nova mentalidade que implantou na seleção brasileira. A imprensa brasileira, ao que parece, ainda não notou que Dunga mudou paradigmas em suas convocações. Substituiu a velha política de chamar os jogadores que atravessam melhor fase pela filosofia de contar com um grupo alinhado à sua mentalidade. Dunga sempre foi um atleta de grupo. São inúmeros os exemplos durante sua vitoriosa carreira em que deixou de lado suas ambições e projetos pessoais em favor das missões do grupo. O mais clássico foi a tarefa hercúlea de ser companheiro de quarto de Romário e velar pelo comportamento extra campo do "baixinho" na vitoriosa campanha da Copa-94.
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Pois é isso que Dunga oferece em 2010. Uma seleção que mais parece um time de futebol quando entra em campo. É a primeira vez em décadas que se sabe perfeitamente a escalação da equipe do 1 ao 11, um semestre antes da primeira partida da Copa. Não há discussões a respeito do time. Aliás, o time, em sistema, é exatamente o mesmo que venceu a Copa América 2007, na primeira grande campanha dessa nova Era. E em nomes, na essência, não mudou também.
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Por isso, tenho convicção de que voltaremos da África com a Taça do Mundo. O que muitos criticam é exatamente o que aplaudo. As individualidades e os craques de safra ficarão assistindo a Copa do Mundo pela televisão, enquanto Dunga e aqueles que resolveram seguir sua filosofia de respeito à camisa canarinho batalharão nos campos africanos defendendo nossas cores.
quarta-feira, fevereiro 10, 2010
Ponto de Equilíbrio
“bar perto da estação rodoviária, mudou de dono 6 vezes num ano. começou como inferninho de strip-tease. Foi passando de mão em mão, primeiro pra um chinês, depois pra um mexicano, pra um aleijado, ou vice-versa, sei lá, só sei que gostava de ficar lá sentado, olhando o relógio da torre da estação pela porta lateral entreaberta. É um lugar bem razoável – não tem muita mulher pra chatear, apenas um punhado de comedores de mandioca e jogadores de pingue-pongue, que não se metiam comigo. Passavam a maior parte do tempo sentados, assistindo um jogo idiota qualquer pela televisão. Claro que no quarto da gente é melhor, mas anos e anos de bebedeira já demonstraram que o culto da birita sozina, tomada entre quatro paredes, não só liquida com qualquer um como também ajuda ELES a liquidar com a gente. Não há necessidade de propiciar vitórias fáceis. Saber o ponto de equilíbrio exato entre a solidão e a aglomeração aí é que estava o truque, o golpe que a gente precisava usar para não ser internado no hospício.” (Charles Bukowski, do texto "Uma Xota Branca")
segunda-feira, fevereiro 08, 2010
CARNE GUAIBEIRA
Pica duas cebolas pequenas (ou uma média) e um dente grandão de alho. Toca ¾ da cebola e metade do alho na panela, com fogo médio, no óleo temperado (fiz um há cerca de ano com um monte de condimentos, os quais agora não recordo precisamente p’ra te detalhar). No que pegar uma cor, acrescenta 500g de carne moída e um torete de lingüiça. E da-lhe fritura nas carnes, sempre mexendo p’ra coisa ficar uniforme. Quando perder o vermelho, acrescenta tomates cortados. Corta um, toca na panela, mexe; corta outro, toca na panela, mexe; e repete a função com o último (coloca todos com casca, só retirando aquela tampa preta da fruta – e muito cuidado p’ra não se cortar nessa hora abobado). Depois do terceiro terceiro tomate, corta uma ou duas malegueñas, em natura, e acrescenta junto com sal ou tempero pronto. Debulha duas espigas de milho e une ao entrevero. Mexe bem. Deixa cozinhar por 5 minutos em fogo médio e panela semi tampada.
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Enquanto inicia o preparo do arroz, dourando cebola e alho que restaram, desloca a panela da carne para fogo mínimo. Frita bastante o arroz em óleo abundante (o suficiente para untar todos os grãos). Acrescenta água fervente. Troca as panelas de fogo, regressando a carne ao fogo médio e apresentando o arroz ao fogo mínimo. Tempera a carne a gosto (recomendo manjericão e adobo). Corta duas “guampa” de cebolinha e atira um pouco em cada panela. Tampa as duas por completo e deixa o fogo trabalhar por cerca de 10 minutos (ou um pouco de prosa e duas a três cuias de mate p’ra ti e para a prenda – mexendo a cada duas cuias). E era isso vivente! Degusta com aquele pão amigo para domar o rango no garfo e aproveitar bem o caldo.
Fundamental: não coloca molho/massa de tomate de pacote porque tira o gosto natural da comida.
Fundamental: não coloca molho/massa de tomate de pacote porque tira o gosto natural da comida.
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Som do rango: IPANEMA FM, programa “Rock’n’Geral” (com destaque para Ramones – “What wonderfull world”, Jimmy Hendrix – “Are you experienced”, Eric Clapton – “Sunshine of your Love”, Police – “Spirits in the Material World” e Stones – “Under my Thumb”)
Lunes con mate
O calor insuportável se foi, ao menos por uma noite e uma manhã. Volto ao salutar hábito de matear ouvindo as notícias do final de semana. Basicamente esporte, mas com algumas reflexões do noticiário. O preço da gasolina nas bombas subiu, em que pese o governo tenha reduzido os impostos. É a ganância nossa de cada dia. Capão da Canoa ficou debaixo d’água após pancada de chuva de não mais de uma hora. Ah!, o litoral gaúcho no verão, essa maravilha nossa de cada ano. E dá-lhe IPTU nos veranistas! Mudanças na área de gestão no trânsito de Porto Alegre; elogios ao Secretário que se retira que tem pós-graduação em Londres ou sei lá aonde na área do trânsito. Grandes feitos mencionados: abertura de vias na área do centro e campanha da faixa de trânsito. Por favor, os feitos revelam fracasso total. Nenhuma via construída ou ampliada. A periferia totalmente abandonada. Movimentar cavaletes e comprar tinta para pintar faixa de segurança, é isso que esperamos de um secretário de trânsito ? E no esporte ? Bem, o Colorado treinou contra o Avenida e tudo espetacular no mundo maravilhoso da azenha.
quinta-feira, fevereiro 04, 2010
Caros generais, almirantes e brigadeiros
Por MARCELO RUBENS PAIVA
Eu ia dizer "caros milicos". Não sei se é um termo ofensivo. Estigmatizado é. Preciso enumerar as razões?
Parte da sociedade civil quer rever a Lei da Anistia. Sugeriram a Comissão da Verdade, no desastroso Programa Nacional de Direitos Humanos, que Lula assinou sem ler. Vocês ameaçaram abandonar o governo, caso fosse aprovado.
Na Argentina, Espanha, Portugal, Chile, a anistia a militares envolvidos em crimes contra a humanidade foi revista. Há interesse para uma democracia em purificar o passado.
Aqui, teimam em não abrir mão do perdão. E têm aliados fortes, como o presidente do Supremo, Gilmar Mendes, e o ministro da Defesa, Nelson Jobim, que apesar de civil apareceu num patético uniforme de combate na volta do Haiti. Parecia um clown.
Vocês pertencem a uma nova geração de generais, almirantes, tenentes-brigadeiros. Eram jovens durante a ditadura. Devem ter navegado na contracultura, dançado Raul Seixas, tropicalistas. Usaram cabelos compridos, jeans desbotados? Namoraram ouvindo bossa nova? Assistiram aos filmes do Cinema Novo?
Sabemos que quem mais sofreu repressão depois do Golpe de 64 foram justamente os militares. Muitos foram presos e cassados. Havia até uma organização guerrilheira, a VPR, composta só por militares contra o regime.
Por que abrigar torturadores? Por que não colocá-los num banco de réus, um Tribunal de Nuremberg? Por que não limpar a fama da corporação?
Não se comparem a eles. Não devem nada a eles, que sujaram o nome das Forças Armadas. Vocês devem seguir uma tradição que nos honra, garantiu a República, o fim da ditadura de Getúlio, depois de combater os nazistas, e que hoje lidera a campanha no Haiti.
Sei que nossa relação, que começou quando eu tinha 5 anos, foi contaminada por abusos e absurdos. Culpa da polarização ideológica da época.
Seus antecessores cassaram o meu pai, deputado federal de 34 anos, no Golpe de 64, logo no primeiro Ato Institucional. Pois ele era relator de uma CPI que investigava o dinheiro da CIA para a preparação do golpe, interrogou militares, mostrou cheques depositados em contas para financiar a campanha anticomunista. Sabiam que meu pai nem era comunista?
Ele tentou fugir de Brasília, quando cercaram a cidade. Entrou num teco-teco, decolou, mas ameaçaram derrubar o avião. Ele pousou, saltou do avião ainda em movimento e correu pelo cerrado, sob balas.
Pulou o muro da embaixada da Iugoslávia e lá ficou, meses, até receber o salvo-conduto e se exilar. Passei meu aniversário de 5 anos nessa embaixada. Festão. Achávamos que a ditadura não ia durar. Que ironia...
Da Europa, meu pai enviou uma emocionante carta aos filhos, explicando o que tinha acontecido. Chamava alguns de vocês de "gorilas". Ri muito quando a recebi.
Ainda era 1964, a família imaginava que fosse preciso partir para o exílio e se juntar na França, quando ele entrou clandestinamente no Brasil.
Num voo para o Uruguai, que fazia escala no Rio, pediu para comprar cigarros e cruzou portas, até cair na rua, pegar um táxi e aparecer de surpresa em casa. Naquela época, o controle de passageiros era amador.
Mas veio a luta armada, os primeiros sequestros, e atuavam justamente os filhos dos amigos e seus eleitores - ele foi eleito deputado em 1962 pelos estudantes.
A barra pesou com o AI-5, a repressão caiu matando, e muitos vinham pedir abrigo, grana para fugir. Ele conhecia rotas de fuga. Tinha um aviãozinho. Fernando Gasparian, o melhor amigo dele, sabia que ambos estavam sendo seguidos e fugiu para a Inglaterra. Alertou o meu pai, que continuou no País.
Em 20 de janeiro de 1971, feriado, deu praia. Alguns de vocês invadiram a nossa casa de manhã, apontaram metralhadoras. Depois, se acalmaram. Ficamos com eles 24 horas. Até jogamos baralho. Não pareciam assustadores. Não tive medo. Eram tensos, mas brasileiros normais.
Levaram o meu pai, minha mãe e minha irmã Eliana, de 14 anos. Ele foi torturado e morto na dependência de vocês. A minha mãe ficou presa por 13 dias, e minha irmã, um dia.
Sumiram com o corpo dele, inventaram uma farsa (a de que ele tinha fugido) e não se falou mais no assunto.
Quando, aos 17 anos, fui me alistar na sede do 2º Exército, vivi a humilhação de todos os moleques: nos obrigaram a ficar nus e a correr pelo campo. Era inverno.
Na ficha, eu deveria preencher se o pai era vivo ou morto. Na época, varão de família era dispensado. Não havia espaço para "desaparecido". Deixei em branco.
Levei uma dura do oficial. Não resisti: "Vocês devem saber melhor do que eu se está vivo." Silêncio na sala. Foram consultar um superior. Voltaram sem graça, carimbaram a minha ficha, "dispensado", e saí de lá com a alma lavada.
Então, só em 1996, depois de um decreto-lei do Fernando Henrique, amigo de pôquer do meu pai, o Governo Brasileiro assumiu a responsabilidade sobre os desaparecidos e nos entregou um atestado de óbito.
Até hoje não sabemos o que aconteceu, onde o enterraram e por quê? Meu pai era contra a luta armada. Sabemos que antes de começarem a sessão de tortura, o brigadeiro Burnier lhe disse: "Enfim, deputadozinho, vamos tirar nossas diferenças."
Isso tudo já faz quase 40 anos. A Lei da Anistia, aprovada ainda durante a ditadura, com um Congresso engessado pelo Pacote de Abril, senadores biônicos, não eleitos pelo povo, garante o perdão aos colegas de vocês que participaram da tortura.
Qual o sentido de ter torturadores entre seus pares? Livrem-se deles. Coragem.
*Publicado em "O Estado de S.Paulo" de 30 de janeiro de 2010.
Eu ia dizer "caros milicos". Não sei se é um termo ofensivo. Estigmatizado é. Preciso enumerar as razões?
Parte da sociedade civil quer rever a Lei da Anistia. Sugeriram a Comissão da Verdade, no desastroso Programa Nacional de Direitos Humanos, que Lula assinou sem ler. Vocês ameaçaram abandonar o governo, caso fosse aprovado.
Na Argentina, Espanha, Portugal, Chile, a anistia a militares envolvidos em crimes contra a humanidade foi revista. Há interesse para uma democracia em purificar o passado.
Aqui, teimam em não abrir mão do perdão. E têm aliados fortes, como o presidente do Supremo, Gilmar Mendes, e o ministro da Defesa, Nelson Jobim, que apesar de civil apareceu num patético uniforme de combate na volta do Haiti. Parecia um clown.
Vocês pertencem a uma nova geração de generais, almirantes, tenentes-brigadeiros. Eram jovens durante a ditadura. Devem ter navegado na contracultura, dançado Raul Seixas, tropicalistas. Usaram cabelos compridos, jeans desbotados? Namoraram ouvindo bossa nova? Assistiram aos filmes do Cinema Novo?
Sabemos que quem mais sofreu repressão depois do Golpe de 64 foram justamente os militares. Muitos foram presos e cassados. Havia até uma organização guerrilheira, a VPR, composta só por militares contra o regime.
Por que abrigar torturadores? Por que não colocá-los num banco de réus, um Tribunal de Nuremberg? Por que não limpar a fama da corporação?
Não se comparem a eles. Não devem nada a eles, que sujaram o nome das Forças Armadas. Vocês devem seguir uma tradição que nos honra, garantiu a República, o fim da ditadura de Getúlio, depois de combater os nazistas, e que hoje lidera a campanha no Haiti.
Sei que nossa relação, que começou quando eu tinha 5 anos, foi contaminada por abusos e absurdos. Culpa da polarização ideológica da época.
Seus antecessores cassaram o meu pai, deputado federal de 34 anos, no Golpe de 64, logo no primeiro Ato Institucional. Pois ele era relator de uma CPI que investigava o dinheiro da CIA para a preparação do golpe, interrogou militares, mostrou cheques depositados em contas para financiar a campanha anticomunista. Sabiam que meu pai nem era comunista?
Ele tentou fugir de Brasília, quando cercaram a cidade. Entrou num teco-teco, decolou, mas ameaçaram derrubar o avião. Ele pousou, saltou do avião ainda em movimento e correu pelo cerrado, sob balas.
Pulou o muro da embaixada da Iugoslávia e lá ficou, meses, até receber o salvo-conduto e se exilar. Passei meu aniversário de 5 anos nessa embaixada. Festão. Achávamos que a ditadura não ia durar. Que ironia...
Da Europa, meu pai enviou uma emocionante carta aos filhos, explicando o que tinha acontecido. Chamava alguns de vocês de "gorilas". Ri muito quando a recebi.
Ainda era 1964, a família imaginava que fosse preciso partir para o exílio e se juntar na França, quando ele entrou clandestinamente no Brasil.
Num voo para o Uruguai, que fazia escala no Rio, pediu para comprar cigarros e cruzou portas, até cair na rua, pegar um táxi e aparecer de surpresa em casa. Naquela época, o controle de passageiros era amador.
Mas veio a luta armada, os primeiros sequestros, e atuavam justamente os filhos dos amigos e seus eleitores - ele foi eleito deputado em 1962 pelos estudantes.
A barra pesou com o AI-5, a repressão caiu matando, e muitos vinham pedir abrigo, grana para fugir. Ele conhecia rotas de fuga. Tinha um aviãozinho. Fernando Gasparian, o melhor amigo dele, sabia que ambos estavam sendo seguidos e fugiu para a Inglaterra. Alertou o meu pai, que continuou no País.
Em 20 de janeiro de 1971, feriado, deu praia. Alguns de vocês invadiram a nossa casa de manhã, apontaram metralhadoras. Depois, se acalmaram. Ficamos com eles 24 horas. Até jogamos baralho. Não pareciam assustadores. Não tive medo. Eram tensos, mas brasileiros normais.
Levaram o meu pai, minha mãe e minha irmã Eliana, de 14 anos. Ele foi torturado e morto na dependência de vocês. A minha mãe ficou presa por 13 dias, e minha irmã, um dia.
Sumiram com o corpo dele, inventaram uma farsa (a de que ele tinha fugido) e não se falou mais no assunto.
Quando, aos 17 anos, fui me alistar na sede do 2º Exército, vivi a humilhação de todos os moleques: nos obrigaram a ficar nus e a correr pelo campo. Era inverno.
Na ficha, eu deveria preencher se o pai era vivo ou morto. Na época, varão de família era dispensado. Não havia espaço para "desaparecido". Deixei em branco.
Levei uma dura do oficial. Não resisti: "Vocês devem saber melhor do que eu se está vivo." Silêncio na sala. Foram consultar um superior. Voltaram sem graça, carimbaram a minha ficha, "dispensado", e saí de lá com a alma lavada.
Então, só em 1996, depois de um decreto-lei do Fernando Henrique, amigo de pôquer do meu pai, o Governo Brasileiro assumiu a responsabilidade sobre os desaparecidos e nos entregou um atestado de óbito.
Até hoje não sabemos o que aconteceu, onde o enterraram e por quê? Meu pai era contra a luta armada. Sabemos que antes de começarem a sessão de tortura, o brigadeiro Burnier lhe disse: "Enfim, deputadozinho, vamos tirar nossas diferenças."
Isso tudo já faz quase 40 anos. A Lei da Anistia, aprovada ainda durante a ditadura, com um Congresso engessado pelo Pacote de Abril, senadores biônicos, não eleitos pelo povo, garante o perdão aos colegas de vocês que participaram da tortura.
Qual o sentido de ter torturadores entre seus pares? Livrem-se deles. Coragem.
*Publicado em "O Estado de S.Paulo" de 30 de janeiro de 2010.
Giramundo...
incrível o quanto crescemos... e o quanto todos mudaram, para onda mudaram e para quem mudaram... cabelos longos e novas amizades, crianças de outrora que agora necessitam trabalhar para prover o sustento dos seus... 1982... 1992... 1996/97/98... 2000s... 2002 para 2003, o tempo poderia ter parado ali(?!)... 2006/07/08... agora o 2009 e o 2010... aonde estão todos aqueles personagens ? perdidos e achados... todos mudaram de fato! alguns para melhor... muito melhor, belas curvas e sorrisos outrora despercebidas... desejos, novos, em meio a papos velhos e superados, desnecessárias confissões... todos mudaram, mesmo esses que tão pouco conheço...
LA RAMBLA
"Montevideo es un lugar especial para vivir al resguardo de las visitas. Acá las noches no son enemigas de mis miedos a los desembarcos. Mi pequeña muralla, con figuras art decó en hierro, se siente como un buen resguardo. Aquí la distancia con mi familia es tangible. Es imposible que me tomen por sorpresa. Quien quiera venir tiene que anunciarse o lo veré llegar y saldré corriendo. Estoy harta de vivir en plena fuga como si fuera una adolescente.
Rambla - Imagem minha autoria
La bruma del río comienza a mojarme la piel. Quisiera evitarla. Tendré que entrar y cerrar la ventana, pero antes doy una mirada a la bahía de Pocitos. Disfruto con las pequeñas olas que llegan a la costa. En la rambla, sentados en un banco, una pareja se besa en forma lenta y profunda. Sus figuras recortadas por la neblina con sus oscuros cuerpos bajo una luz de farol son una cálida imagen. Me recuerdan el afiche de Manhattan." (Alfredo Fonticelli - "Caireles")
sábado, janeiro 30, 2010
El cigarro, la nafta y el barrilito de cerveza
“Ayer pasé a saludar a mi amigo, el Toto Pechuga, y lo encontré enojado y tomando mate.
Cuando toma mate enojado le hace sonar el fondo como si el mate lo acompañara en un mismo enojo.
Le pregunté por qué hacía rezongar el mate de esa manera, y me dijo que por falta de bandoneón, que si tuviera bandoneón y supiera tocar, lo haría sonar con un tango rezongón.
- El bandoneón, Flaco – me dijo -, rezonga porque es de origen alemán y de tango no entiende ni medio.
“Aquí lo domamos a prepo, a fuerza de Ariel Martinez y Pichuco enfrente, y le dijimos “fuelle” porque resopla, pero en el fondo es un teutón que se acomoda más a la cerveza y la cantarola en pandilla que a la soledad y el vasito de caña. Fijate, Flaco, que el bandoneón es un instrumento en extinción, como la ballena blanca. Y el fuelle sobrevive gracias al aire rioplatense.
La comparación del bandoneón con la ballena me pareció un poco traída de los cabellos, porque si hay algo que no tiene relación con el tango, y la prueba está que no se la nombra en ninguno, es la ballena blanca.
Me invitó con un amargo y mientras armaba un tabaco me dijo:
- Creo que voy a dejar de fumar, Flaco.
Le dije que me alegraba mucho porque el cigarro es un veneno y una antigüedad, el cigarro ya fue, es cosa de viejos. Toto, le dije.
- ¿ Sabés lo que pasa, Flaco ? - me agregó y siguió -, que con el aumento de la nafta voy a tener que dejar de usar el viejo y querido encendedor que me acompaña desde hace añares. Viste que yo no me doy con esos modernos encendedores a gas, porque a mí el gas me marea y no me gusta andar con una garrafita en el bolsillo.
Intenté explicarle las ventajas de esos pequeños encendedores sobre su viejo armatoste de museo, pero él, como si nada, siguió desarrollando su teoría mientras con un gesto me reclamaba el mate.
- Date cuenta que gasta poco, pero el asunto es la incertiumbre, Flaco, eso de nunca saber cúando ni cúanto te aumenta, porque te dicen que por ahora no, que se está estudiando, y cuando querés acordar te zampan el aumento, y ya van varias vecer que me entero tarde y no tengo tiempo de cargar el tanque antes de la medianoche, y eso me pone fulo, Flaco, y no te digo nada si el loco de la guerra le da por atacar a Irak, porque ahí le empiezan a quemar los pozos, que son como unos brutos sopletes, y con la quema te vienen a decir que aumentó el barril, que yo no sé cómo, con los adelantos de la tecnología, siguen cargando el petróleo en barriles como si fuera la vieja cerveza, no sé si te acordás, Flaco, que el viejo para las Navidades la iba a comprar a la calle Yatay y traía el barril rodando, no sé si te acordás.
Le dije que sí, que de alguna nebulosa manera creía recordar a los vecinos llevando barrilitos de cerveza rodando, pero en medio de mi forzada remembranza lo vi echar mano al bolsillo y sacar su viejo encendedor.
Era realmente una vergüenza.
- Está muy baqueteado – me dijo mientras lo encendía.
A la tapa se le habían gastado los remaches y la tenía atada con alambre.
Es inútil, con gente así, no se puede sacar un país adelante.” ( JUCECA – Julio Cesar Castro, do libro “Laduvija, el Tape Olmedo… y un quesito pa’ picar – cuentos inéditos de Don Verídico y otras yerbas”)
Cuando toma mate enojado le hace sonar el fondo como si el mate lo acompañara en un mismo enojo.
Le pregunté por qué hacía rezongar el mate de esa manera, y me dijo que por falta de bandoneón, que si tuviera bandoneón y supiera tocar, lo haría sonar con un tango rezongón.
- El bandoneón, Flaco – me dijo -, rezonga porque es de origen alemán y de tango no entiende ni medio.
“Aquí lo domamos a prepo, a fuerza de Ariel Martinez y Pichuco enfrente, y le dijimos “fuelle” porque resopla, pero en el fondo es un teutón que se acomoda más a la cerveza y la cantarola en pandilla que a la soledad y el vasito de caña. Fijate, Flaco, que el bandoneón es un instrumento en extinción, como la ballena blanca. Y el fuelle sobrevive gracias al aire rioplatense.
La comparación del bandoneón con la ballena me pareció un poco traída de los cabellos, porque si hay algo que no tiene relación con el tango, y la prueba está que no se la nombra en ninguno, es la ballena blanca.
Me invitó con un amargo y mientras armaba un tabaco me dijo:
- Creo que voy a dejar de fumar, Flaco.
Le dije que me alegraba mucho porque el cigarro es un veneno y una antigüedad, el cigarro ya fue, es cosa de viejos. Toto, le dije.
- ¿ Sabés lo que pasa, Flaco ? - me agregó y siguió -, que con el aumento de la nafta voy a tener que dejar de usar el viejo y querido encendedor que me acompaña desde hace añares. Viste que yo no me doy con esos modernos encendedores a gas, porque a mí el gas me marea y no me gusta andar con una garrafita en el bolsillo.
Intenté explicarle las ventajas de esos pequeños encendedores sobre su viejo armatoste de museo, pero él, como si nada, siguió desarrollando su teoría mientras con un gesto me reclamaba el mate.
- Date cuenta que gasta poco, pero el asunto es la incertiumbre, Flaco, eso de nunca saber cúando ni cúanto te aumenta, porque te dicen que por ahora no, que se está estudiando, y cuando querés acordar te zampan el aumento, y ya van varias vecer que me entero tarde y no tengo tiempo de cargar el tanque antes de la medianoche, y eso me pone fulo, Flaco, y no te digo nada si el loco de la guerra le da por atacar a Irak, porque ahí le empiezan a quemar los pozos, que son como unos brutos sopletes, y con la quema te vienen a decir que aumentó el barril, que yo no sé cómo, con los adelantos de la tecnología, siguen cargando el petróleo en barriles como si fuera la vieja cerveza, no sé si te acordás, Flaco, que el viejo para las Navidades la iba a comprar a la calle Yatay y traía el barril rodando, no sé si te acordás.
Le dije que sí, que de alguna nebulosa manera creía recordar a los vecinos llevando barrilitos de cerveza rodando, pero en medio de mi forzada remembranza lo vi echar mano al bolsillo y sacar su viejo encendedor.
Era realmente una vergüenza.
- Está muy baqueteado – me dijo mientras lo encendía.
A la tapa se le habían gastado los remaches y la tenía atada con alambre.
Es inútil, con gente así, no se puede sacar un país adelante.” ( JUCECA – Julio Cesar Castro, do libro “Laduvija, el Tape Olmedo… y un quesito pa’ picar – cuentos inéditos de Don Verídico y otras yerbas”)
Luta...
“A única luta que se perde é a luta que se abandona” (Hebe Maria Pastor de Bonfini, uma das fundadoras da Associação das Mães da Praça de Maio)
quinta-feira, janeiro 28, 2010
quarta-feira, janeiro 27, 2010
A notícia por trás da notícia
É notícia do fim de semana: "Última década foi a mais quente da história e Hemisfério Sul registra maior temperatura média até hoje". A afirmação é do Instituto Goddard para Estudos Espaciais (GISS) da Nasa. Dá pra acreditar? É possível confiar nas revelações do GISS tanto quanto em promessa de vendedor de terrenos na Lua. No Sul do Brasil, as únicas estações na base do GISS usadas no cálculo da temperatura regional são Porto Alegre, Florianópolis, Santa Vitória, Londrina e Curitiba. Só essas cidades permitem gerar uma média do Sul todo? O GISS informa as anomalias de temperatura na Bolívia, mas não possui qualquer dado do país desde 1990. Como, então, calcula a temperatura de lá? Valendo-se do que se chama extrapolação. Busca o dado mais perto em raio de até 1,2 mil quilômetros. No caso boliviano, utiliza medições até da Amazônia. La Paz é Rondônia? Mesmo que calcular a temperatura de Porto Alegre com dados de São Paulo. Piada! A extrapolação é muito maior na África, onde a Nasa não conta com registros em mais da metade do continente, e nos polos, onde há escassas estações. Pelo GISS, a península Antártica inteira ficou mais quente em 2009, mas a base brasileira na região, e que não é usada pela Nasa, teve, segundo o Inpe, um dos seus anos mais frios desde a instalação em 1986. No "abrasador" 2009, pelo próprio GISS, a temperatura em Porto Alegre no ano foi inferior, desde 1950, a de 1958, 59, 61, 63, 67, 70, 71, 72, 73, 77, 81, 84, 85, 86, 91, 97, 2001, 2002, 2003, 2005, 2006 e 2007, inexistindo médias de 1954, 1994 e 1995. Dá pra acreditar em tudo que vira manchete? (Prof. Eugenio Hackbart, publicado no Jornal Correio do Povo, domingo 24.janeiro.2010)
terça-feira, janeiro 26, 2010
UM CLIQUE
Sempre é bom estar com a máquina por perto e pronta para um disparo. Neste dia estava atirado lá no sítio e me deparei com esse pica pau na sua labuta diária, dando-lhe bicadas e mais bicadas no pé de caqui da vizinha. Certa feita li que fotografar é eternizar momentos. Pois então resolvi eternizar esse.
quinta-feira, janeiro 21, 2010
Alcool x morfina
"EU LAMENTO TANTO em cima da xícara com a bebida que eles percebem que vou ficar bêbado e então todos permitem e insistem que eu tome um pico de morfina, o que aceito sem medo porque sou um bêbado - pior sensação do mundo, tomar morfina quando você está bêbado, o resultado dá um nó em sua testa como se fosse uma pedra e provoca muita dor lá quando disputam o domínio da área, nenhum deles ganha porque anularam um ao outro, o álcool e o alcalóide." (KEROUAC, Jack - "Tristessa")
quarta-feira, janeiro 20, 2010
terça-feira, janeiro 19, 2010
Chuva e silêncio
Debaixo de chuva incessante; de onde sai tanta água ? E naquelas reportagens - pesquisas - estatísticas que informam que em tal ano ela vai acabar. Mas como ? O homem não pode ser tão burro e imbecil. Que acabem primeiro com essas máquinas barulhentas que não me deixam em paz com meu silêncio.
Smoke on the Water
Que pérola! Purple numa formação com Ian Gillian e Roger Glover, ao vivo, Nova York - 1973.
COTIDIANO
"depois que você casou comigo
nunca mais você se arrumou
todo dia quando eu volto p'ra casa
encontro você com a cara que acordou
assim você mata nosso amor
assim você mata nosso amor
seu cabelo anda todo estragado
você anda bem mais gordinha
o seu corpo já não tem a mesma cor
nem parece com a mulher que eu tinha
antes de casar comigo
você não era assim
quero ver você bonita
esta noite p'ra mim
pois eu te amo...
depois que você casou comigo
você deixou de ser mulher carinhosa
não se interesse pelas coisas que eu faço
você já não é mulher caprichosa
você já não é tão carinhosa
você já não é tão carinhosa" (ODAIR JOSÉ)
nunca mais você se arrumou
todo dia quando eu volto p'ra casa
encontro você com a cara que acordou
assim você mata nosso amor
assim você mata nosso amor
seu cabelo anda todo estragado
você anda bem mais gordinha
o seu corpo já não tem a mesma cor
nem parece com a mulher que eu tinha
antes de casar comigo
você não era assim
quero ver você bonita
esta noite p'ra mim
pois eu te amo...
depois que você casou comigo
você deixou de ser mulher carinhosa
não se interesse pelas coisas que eu faço
você já não é mulher caprichosa
você já não é tão carinhosa
você já não é tão carinhosa" (ODAIR JOSÉ)
sexta-feira, janeiro 08, 2010
quinta-feira, janeiro 07, 2010
SOLEDAD
“Abri de par en par la soledad
y era tiempo de ecos
ecos del mar del viento de los pinos
la soledad a veces está verde de hojas
otras veces azul como antes era el cielo
la soledad es una hazaña
precaria por supuesto pero hazaña
busca el poder del abandono
y el abandono del poder
o sea que si abro
de par en par la soledad
cerraré por las dudas
los postigos del sueño” (Mario Benedetti)
y era tiempo de ecos
ecos del mar del viento de los pinos
la soledad a veces está verde de hojas
otras veces azul como antes era el cielo
la soledad es una hazaña
precaria por supuesto pero hazaña
busca el poder del abandono
y el abandono del poder
o sea que si abro
de par en par la soledad
cerraré por las dudas
los postigos del sueño” (Mario Benedetti)
TARDES DE VENTO
Tudo quieto
silencioso
não há nada e ninguém
Só o vento
incessante e descolorido
como naquelas tardes de inverno na praia
Sinto tua falta
daquelas tardes
de estarmos sós
do nosso próprio mundo
O mundo que ali construímos;
tínhamos tão pouco
o tão pouco que precisávamos
Tudo parecia nosso -
o mar revolto
aquela imensidão cinza a volta
o luar
o anoitecer -
até mesmo o silêncio
Noites estreladas
olhares, palavras, corpos
lua e fogo
tínhamos tudo!
1º.dezembro.2009
silencioso
não há nada e ninguém
Só o vento
incessante e descolorido
como naquelas tardes de inverno na praia
Sinto tua falta
daquelas tardes
de estarmos sós
do nosso próprio mundo
O mundo que ali construímos;
tínhamos tão pouco
o tão pouco que precisávamos
Tudo parecia nosso -
o mar revolto
aquela imensidão cinza a volta
o luar
o anoitecer -
até mesmo o silêncio
Noites estreladas
olhares, palavras, corpos
lua e fogo
tínhamos tudo!
1º.dezembro.2009
POR PERTO DOS TRILHOS
Tudo poderia estar diferente; mas não está. E é bom que não esteja, porque os trilhos continuam aqui ao lado; sigo saltando de um lado para o outro, entre um trem e outro que passa em alta velocidade. As vezes salto para dentro de um que me atrai; por diversas circunstâncias, de tempos em tempos preciso saltar para dentro e viajar, atrás do eterno desejo pelo novo. Viajo por caminhos e tempos indeterminados; viagens intensas, percursos incríveis – voltas e mais voltas ao redor de um e vários mundos. São lugares tão incríveis esses pelos quais passo; indescritíveis e acima de adjetivos conhecidos; impossível narrar o quanto descobri – paisagens brancas, céus avermelhados, lindos vales, rotas rochosas e repletas de curvas, a pele tenra e os macios contornos de corpos esculturais. Mas, cedo ou tarde, chego em estações repletas de bifurcações – trilhos e mais trilhos, por todos os lados e perspectivas. Sinto-me dentro de labirintos. Sei para onde vai o trem, mas nem sempre é este o meu caminho. Não há como ser diferente, o trem precisa seguir e o passageiro não pode ficar para sempre, com seu peso a atrapalhar o percurso. Desço quando convém, porque o ato de descer envolve exatamente a mesma essência de embarcar – atração e desejo. Numa dessas estações ou mesmo no meio a um imenso horizonte despovoado, posso descer, assim como subi, num salto. E quando me dou conta aqui estou perto dos trilhos, brincando de um lado a outro, enquanto espero o próximo trem.
18.julho.2009, ao som de Canned Heat.
18.julho.2009, ao som de Canned Heat.
sexta-feira, dezembro 25, 2009
SI TE VAS
Si algún día volviera a nacer
te quiero.
Si algún día te viera caer
me muero
y si te vas primero
di que vendrás
te espero.
.
Si me besas al amanecer
te alejas.
Si me besas al atardecer
te acercas
y si te vas primero
di que vendrás
te espero.
.
¿A dónde voy con mi silencio?
a donde voy silbo y ya no pienso.
.
Si algún día quisiera no estar
me escondo.
Si algún día pudieras buscar
tan hondo
y si te vas primero
di que vendrás
te espero.
.
¿A dónde voy con mi silencio?
a donde voy silbo y ya no pienso. (musica da banda LA TRAMPA - URU)
te quiero.
Si algún día te viera caer
me muero
y si te vas primero
di que vendrás
te espero.
.
Si me besas al amanecer
te alejas.
Si me besas al atardecer
te acercas
y si te vas primero
di que vendrás
te espero.
.
¿A dónde voy con mi silencio?
a donde voy silbo y ya no pienso.
.
Si algún día quisiera no estar
me escondo.
Si algún día pudieras buscar
tan hondo
y si te vas primero
di que vendrás
te espero.
.
¿A dónde voy con mi silencio?
a donde voy silbo y ya no pienso. (musica da banda LA TRAMPA - URU)
terça-feira, dezembro 22, 2009
PARIS
segunda-feira, dezembro 21, 2009
sábado, dezembro 05, 2009
LA IGNORANCIA DE CRISTO
A pesar de su tierna omnisciencia
hay dos cosas que cristo nunca llego a saber
por qué su padre resolvió abandonarlo
y por qué tuvo que nacer precisamente
en el año cero de la era cristiana. (Mario Benedetti)
hay dos cosas que cristo nunca llego a saber
por qué su padre resolvió abandonarlo
y por qué tuvo que nacer precisamente
en el año cero de la era cristiana. (Mario Benedetti)
sexta-feira, dezembro 04, 2009
UM MINUTO
Estou parado no trânsito
a cidade é só barulhos
uma sinfonia desajustada
preciso d´um minuto de silêncio.
Quero escrever,
minha boca pede água
muita
o corpo pede teu abraço
e um pouco de sono
o mundo já não cabe
dentro disso tudo.
a cidade é só barulhos
uma sinfonia desajustada
preciso d´um minuto de silêncio.
Quero escrever,
minha boca pede água
muita
o corpo pede teu abraço
e um pouco de sono
o mundo já não cabe
dentro disso tudo.
COPA 7
E depois ainda tenho que aguentar uns branquelo cagado se dizendo tocador de Samba Rock... Tolokintão! Vamo se respeitar!!!
terça-feira, dezembro 01, 2009
ACIDENTE
Tive de parar o carro. Luzes laranjas alertavam à frente. Parecia haver um carro caído do acostamento à direita no horizonte. Desliguei o carro. Fiquei ouvindo a música do rádio. Pessoas começaram a descer dos carros. Vi sombras. E depois algumas cruzaram o meu carro. Alguém soava buzina metros atrás. Custei a acreditar. Mais pessoas começaram a transitar. Dois ou três carregavam motos desligadas. A música tocava, mas já não a ouvia com nitidez. Os barulhos da noite escura desviavam sentidos. Fechei os vidros. As luzes piscantes ficaram ainda mais alaranjadas. Fechei os olhos em busca de silêncio. Alguns curiosos voltavam do passeio. Traziam notícias frescas. As pessoas do carro da frente indagavam-nas a todos os passantes. Conversavam. Observei atentamente o movimento dos lábios e as feições. Ouvia a música. Vi sorrisos. Custei a acreditar. Tentei encontrar o silêncio novamente. A música não parou. Uma ambulância cruzou no sentido oposto depois de quase dez minutos. Os motores voltaram a funcionar. O ônibus iniciou movimento adiante. Liguei o carro. Voltei a andar lentamente. Cruzei o túnel de luzes laranjas. Não olhei para os lados. A música continuava a tocar.
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