sexta-feira, março 06, 2009

POSTERS I

O INTERNACIONAL voltou a empilhar taças em seu armário desde 2006. E com as conquistas, o torcedor voltou a colecionar "posters" das equipes campeãs. Desde então não consigo me conformar com a postura de nossos campeões nas fotografias oficiais.
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Cresci com as fotos dos times fantásticos de 75/76/79 nas paredes de meu quarto e me habituei a ver o pessoal do sistema defensivo atrás, de pé, braços cruzados e semblante sério; a turma do ataque vinha agachada e sempre na mesma ordem (iniciando pelo ponta direita - o eterno Valdomiro - e terminando pelo ponta esquerda). Aliás, essa a tradição desde os tempos do Rolo Compressor. A pose oficial revelava não só solenidade, mas, acima de tudo, respeito e orgulho de fazer parte da história do INTERNACIONAL.
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Peço, encarecidamente, aos dirigentes do INTERNACIONAL que tragam de volta essa tradição. Não dá para aguentar um poster em que o atacante está em cima e um lateral na parte debaixo, em que os jogadores estejam rindo ou fazendo careta. Não dá. Poster é postura e postura ganha jogo! Faço um apelo pela volta à tradição.

POSTERS II'

Escrevi acima sobre a importância da postura dos atletas num poster. Fui rever uma matéria a respeito do clássico gNAL n. 375, que vencemos por 2x1 e no qual a imprensa e a própria torcida reclamou da falta de postura do time azul. Busquei as fotografias oficiais do INTERNACIONAL e de nosso rival. Veja e me diga, quem merecia vencer o clássico ?

segunda-feira, março 02, 2009

DOCE ROTINA

INTERNACIONAL 2x1 portoalegrense... CAMPEÃO DA TAÇA FERNANDO CARVALHO... 3 vitórias seguidas em clássicos gNAIS... NAÇÃO COLORADA CANTANDO EM PORTUGUÊS E FAZENDO FESTA... pijamada saindo do GIGANTE DA BEIRA-RIO quietinha.

DOCE ROTINA!!!.

MASSA COLORADA

sábado, fevereiro 28, 2009

NOITE TRÁGICA

DA MINHA SÉRIE DE TEXTOS ANTIGOS:

Vermelho de sangue, como se eu realmente tivesse os pulsos cortados. Tragédia, uma vitória que não se conquista. Ah, decepção, tudo errado, torto, declarações e atitudes, a vitória que não veio, o gol que não saiu.

Difícil! Vários gols imaginados, uma vitória construída apenas na ilusão, dentro de campo a vitória que não se conquistou. Trágico! Erros, declarações e atitudes, equívocos, a tradição posta à prova, a Nação enfurecida, corre-corre, reclamações, lamentos, choros, decepção. Trágica noite!

escrito em 13.novembro.2002, após derrota de 1x0 para o Cruzeiro no Beira-Rio que deixou o INTERNACIONAL a beira do rebaixamento para Segunda Divisão naquela temporada (que, obviamente, não se concretizou).

MERDA DE DIA

OUTRO TEXTO DA SÉRIE "ANTIGOS ESCRITOS":

O dia estava mais quente do que nunca.
Acordou tarde e olhou o céu azul pela janela. Sentiu que já acordara com o dia perdido. Atendeu o telefone, que tocava há mais de meia hora:

- Tchê, colé a tua ?
- Colé a tua o que fiadasputa ?
- Até aonde vais levar essa tua omissão ?!
- Tchê, não enche o saco!!! Vai tomar no teu cu...
- Vamos tomar um mate ?!
- Que horas são ?
- Putaquiuspariu, em que mundo tu vive meu ?! Três e meia!
- Tá, daqui a 15 minutos no Parcão.
- Combinado.
- Abraço.

Desligou e ficou mais dois minutos na cama, mas não conseguiu pensar em nada. Foi ao banheiro e não se reconheceu ao olhar no espelho. Mijou, passou uma água no rosto e escovou os dentes. Vestiu a bermuda que estava sobre a poltrona; colocou uma camisa, calçou o tênis e procurou a chave do carro antes de bater a porta de casa. Desceu, saiu do elevador e deu de cara com o porteiro, Délcio:

- E ai, foi longa a noite hein ?
- Tchê, a Marta já saiu ?
- Não, tá em casa, quer que eu ligue ?! Tá sozinha!
- Tô saindo. E teu time, cagaião ?!
- Ehehehehe! Tá bem né, final domingo.
- Ahahahah!!! Te prepara, vocês tão fudido!

E saiu pela porta rindo, enquanto o porteiro gritava lá de dentro: Marcelinho, Marcelinho... Ligou o carro e saiu cantando pneu. Não gostava daquilo, mas o carro sempre arrancava assim quando estava frio. Chegou no parque quarenta minutos depois que desligou o telefone. Estacionou, saiu do carro e, depois de trocar um ou com Paula, que saia do prédio, sentou na mureta. Apertou a mão dos convivas e recebeu a cuia. Sorveu o mate e pensou: "mas que merda de dia!!!"

escrito em 16.junho.2001, em Florianópolis, com barulho de chuva caindo na rua.

quinta-feira, fevereiro 26, 2009

CAMPEÃO DE TUDO MESMO...

SOU IMPERADORES e COLORADO ATÉ MORRER!!!

"BATE MAIS FORTE O MEU CORAÇÃO
VERMELHO E BRANCO HOJE INVADE A CIDADE
SOU COLORADO, SOU IMPERADOR
NESSE MAR EU VOU, QUE FELICIDADE!

Oh, Terra Mãe
Do futebol, do carnaval, da fantasia
Na Terra Mãe
Um grande clube, Internacional nascia
De uma família surge um sonho a desbravar
De uma multidão concretizou
Batalhas e batalhas nos gramados
Brilhou, brilhou, brilhou...
Nos Eucaliptos, o palco da magia.
Rao hilariante
Fazia o Rolo Compressor vibrar
Com a maior torcida do Rio Grande

PAPAI É O MAIOR, PAPAI QUE É O TAL
CANTA FORTE A GALERA, PULA SACI!
É DIA DE FESTA, DELÍRIO TOTAL
VAMO, VAMO INTER! FAZ O GIGANTE EXPLODIR

Feitos relevantes, senda de glórias, o vencedor
Colorado, celeiro de craques
O mundo conheceu o teu valor
E hoje o centenário se anuncia
Imperadores, vem te homenagear
A escola de bambas, resistência do samba
Orgulho da cultura popular
Vem "Povo Meu" comemorar
Que ainda resta um lugar na nossa escola
Desça da arquibancada e caia na folia
150 anos de alegria."


Clique aqui para ouvir o samba enredo
Matéria do Site do Inter.

terça-feira, fevereiro 24, 2009

APROXIMAÇÃO

Nos olhos castanhos, meio avermelhados pela conjuntivite recente, enxerguei a pureza da criança.

Nas palavras ditas pela voz meiga e suave conheci a sinceridade da criança.

Nos traços franzinos e esbeltos espiei a beleza da criança.

Nas atitudes impensadas e repentinas compreendi a ingenuidade da criança.

Nos gestos espontâneos senti de perto o carinho da criança.

Desde que a conheci, passei a observá-la no seu modo de olhar, falar, andar, pensar e agir. Tentei entendê-la! Algumas vezes vacilei na intenção de conquistá-la, como se algum mal me pudesse causar. Esqueci que a criança, quando se deixa levar, é porque de nós quer se aproximar. Desisti de entendê-la! Resolvi deixar a vida e o tempo nos apresentar, para que se for essa a sua vontade possamos um dia nos amar.

escrito em 10.outubro.1996.

sexta-feira, fevereiro 20, 2009

quinta-feira, fevereiro 19, 2009

Adiós Pampa Mía

Adios, pampa mia!...
Me voy... Me voy a tierras extrañas.
Adios, caminos que he recorrido,
rios, montes y cañadas,
tapera donde he nacido.
Si no volvemos a vernos,
tierra querida,
quiero que sepas
que al irme dejo la vida.
Adios!...

Al dejarte, pampa mia,
ojos y alma se me llenan
con el verde de tu pasto
y el temblor de las estrellas.
Con el canto de los vientos
y el sollozar de vihuelas
que me alegraron a veces
y otras me hicieron llorar.

Adios... Pampa mia!...
Me voy camino de la esperanza.
Adios, llanuras que he galopado,
sendas, lomas y quebradas,
lugares donde he soñado.
Yo he de volver a tu suelo
cuando presienta
que mi alma escapa
como paloma, hasta el cielo...
Adios!...
Me voy, pampa mia!...
Adios!... (Mariano Moraes e Francisco Canaro)

quarta-feira, fevereiro 18, 2009

VERDADEIRA FACE DA DESTRUIÇÃO


A campanha lançada em conjunto por 10 organizações sindicais de servidores públicos do Estado do Rio Grande do Sul é a mais criativa e eficaz manifestação democrática que vi nos últimos tempos em nosso país. A reação despropositada do Palácio, vestindo a carapuça (no jargão popular) apenas corrobora tudo o que é dito e afirmado pela campanha; a resposta palaciana, autoritária, demonstra que nossos gestores não tem capacidade de conviver com a diferença e com opiniões contrárias.

Manifestações como essa reforçam a democracia e obrigam os governantes de plantão a respeitar postulados mínimos em suas atividades. A fiscalização permanente da administração pelo povo é um dos postulados mais caros do sistema democrático. E o governante de plantão que se sente ofendido com as cobranças revela sua face autoritária, não há como adjetivar de outra forma. Estão de parabéns os sindicatos. E a população riograndense tem o dever de se engajar nesta campanha.

Viva a democracia e viva a liberdade de expressão!


ps. o site CEL3UMA - Jornalismo Subversivo abordou de forma excelente e independente o episódio. Vale a pena conferir.

segunda-feira, fevereiro 09, 2009

DA-LHE COLORADO!

Com Nilmar em campo, nao há placar em branco. O "homem gNAL" fez vítimas novamente!

sábado, janeiro 31, 2009

HERÓIS NACIONAIS

Wlamir Marques, Amaury Passos, Rosa Branca, Edson Bispo, Jathyr, Waldir Boccardo, nomes heróis nacionais cujo nome é muito pouco conhecido pela maioria de nosso povo. Essas lendas e seus companheiros, lideradas pelo treinador Togo Renan Soares, o Kanela, conquistaram há exatos 50 anos, o primeiro título de Campeão Mundial do Basquete para o Brasil.


Depois de duas vitórias sobre Canadá e México e uma derrota para a poderosa União Soviética, o Brasil trocou a cidade de Temuco por Santiago, aonde disputaria com outras cinco seleções o título mundial. Na Capital chilena, foi montada uma quadra de basquete atrás de uma das goleiras do Estádio Nacional, o que atraiu grande público ás partidas.

Com um jogo baseado em contra-ataques, devido à baixa estatura de nossos atletas em relação aos rivais, o Brasil estreou na segunda fase vencendo Formosa. Depois, massacramos Porto Rico e vencemos a Bulgária, em jogo no qual os búlgaros abusaram da violência. Veio, então, novo confronto contra a URSS; e nova derrota. O resultado praticamente asseguraria o título aos soviéticos; mas, em tempos de guerra fria, a União Soviética se negou a enfrentar Formosa (porque o Governo comunista não reconhecia a recém independente República Democrática da China). A decisão acarretou punição aos soviéticos e recolocou o Brasil na briga pelo título. Veio então o confronto contra os americanos.
Diante de mais de 20 mil chilenos (que a essas alturas já torciam inflamadamente pelo Brasil), realizamos uma partida espetacular; liderados por Wlamir Marques, que anotou 26 pontos, os brasileiros batarem os yankes por 81x67, praticamente assegurando o título.

No último dia, há exatos 50 anos, em 31.janeiro.1959, o confronto contra o Chile foi a coroação de uma campanha brilhante. O Brasil conquistava seu primeiro título mundial. Cinco anos antes, em 1954, o técnico Kanela e os atletas Wlamir, Amaury e Algodão estavam na seleção que conquistou a medalha de prata (perdendo para os EUA na final) no Mundial do Rio de Janeiro. Essa mesma geração subiu muitas vezes ainda em pódios de Mundiais e Jogos Olímpicos; foram várias medalhas de bronze e prata, além do Bicampeonato Mundial em 1963. São verdadeiros heróis de nosso esporte.



a Taça de Campeão do Mundo 1959 está na sede da Confederação Brasileira de Basquete

sexta-feira, janeiro 30, 2009

Porque hoje é o Dia do Payador...

"Se não houver campo aberto
lá em cima, quando eu me for,
um galpão acolhedor,
de santa fé bem coberto,
um pingo pastando perto,
só de pensar me comovo,
eu juro pelo meu povo,
nem todo céu me seguro,
retorno à velha planura
para ser gaúcho de novo"



De tanto ir y venir...

De tanto dir y venir
abrí mi huella en el campo.
Para el que después anduvo
ya fue camino liviano.

En infinitos andares
fui la gramilla pisando.
Raspé mí poncho en los talas.
Me hirieron pinchos de cardo.

Las huellas no se hacen solas
ni con sólo el ir pisando.
Hay que rondar madrugadas
maduras en sueño y llanto.

Viento de injustas arenas
fueron mi huella tapando.
Lo que antes fue clara senda
se enyenó de espina y barro.

Parece que no hubo nada
si se mira sin mirarlo.
Todo es malezal confuso,
pero mi huella está abajo.

Desparejo es el camino.
Hoy ando senderos ásperos.
Piso la espina que hiere,
pero mi huella está abajo,

Tal vez un día la limpien
los que sueñan caminando.
Yo les daré, desde lejos
mi corazón de regalo.
(Atahualpa Yupanqui)

quinta-feira, janeiro 29, 2009

Ganância

Você que pensa que sou otário
tudo bem, pode cobrar
o teu preço, a medida de valor
que satisfaz a tua ganância.

Não vou reclamar, não vou choramingar,
pagarei tudo que impuseres;
a ganância do preço
que satisfaz os teus valores.

Depois de pagar o teu preço,
sairei da tua frente,
com a carteira vazia, sem moeda que seja no bolso;
a noite continuará seguindo o dia
e a eterna ausência será minha resposta
aos valores satisfeitos por teus preços.

Cavalo Negro

"DARK HORSE"

You thought that you knew where I was and when
But it looks like they’ve been foolin’ you again,
You thought that you’d got me all steaked out
But baby looks like I’ve been breaking out

I’m a dark horse
Running on a dark race course
I’m a blue moon
Since I stepped from out of the womb
I’ve been a cool jerk
Looking for the source
I’m a dark horse.

You thought you had got me in your grip
Baby looks like you was not so smart
And I became too slippery for you
But let me say that was nothing new.

I’m a dark horse
Running on a dark race course
I’m a blue moon
Since I picked up my first spoon
I’ve been a cool jerk
Looking for the source
I’m a dark horse

I thought that you knew it all along
Until you started getting me not right
Seems as if you heared a little late
But I warned you when
We both were at the starting gate

I’m a dark horse
Running on a dark race course
I’m a blue moon
Since I stepped from out of the womb
I’ve been a cool jerk
Cooking at the source
I’m a dark horse. HARRISSON, George

Poderíamos mudar de assunto ?

Quando sento e fico observando todos a minha volta, tenho vontade de ficar ali por muito mais tempo do que posso. O que se passa dentro da mente de um ser humano é algo tão complexo que nem mesmo cem anos ali parado, com todos a minha volta se expressando, me traria o aprendizado necessário para compreendê-las, as mentes humanas. E aí, ouvindo o que está sendo lançado no ar, tento discernir e raciocinar um pouco. Mesmo assim não me é dado conhecer e entender o complexo funcionamento das mentes humanas. Só o que posso afirmar é que para falar mal de uma pessoa é preciso conhecê-la muito bem.

sexta-feira, janeiro 16, 2009

Stones - 1a turnê

"The tour was a slow trudge from one shabby hotel to the next, playing twice nightly with rudimentary sound equipment. Oldham - setting a pattern for the rest of his relations with the band - was conspicius by his absence. Without any management presence to keep them on the straight and narrow, the Stones discarded their stage suits in favour of rufled shirts or polo necks, corduroys and white jeans. By the standarts of the conservatively present musicians of the day, the Rolling Stones were the scruffiest band ever to have got up on a stage." (Jon Ewing - The Rolling Stones "Quote Unquote")

quarta-feira, janeiro 14, 2009

NOT GUILTY

"Not guilty
For getting in your way
While youre trying to steal the day
Not guilty
And Im not here for the rest
Im not trying to steal your vest.

I am not trying to be smart
I only want what I can get
Im really sorry for your ageing head
But like you heard me said
Not guilty.

Not guilty
For being on your street
Getting underneath your feet
Not guilty
No use handing me a writ
While Im trying to do my bit.

I dont expect to take your heart . . .
I only want what I can get
Im really sorry that youre underfed . . .
But like you heard me said . . .
Not guilty.

Not guilty
For looking like a freak
Making friends with every sikh
Not guilty
For leading you astray
On the road to mandalay.

I wont upset the apple cart
I only want what I can get
Im really sorry that youve been misled . . .
But like you heard me said . . .
Not guilty." (George Harrison)

segunda-feira, janeiro 12, 2009

LIXO


Escrever com a luz...

“Fotografar é escrever com a luz”. Essa foi a melhor definição do ofício que já encontrei. Li numa revista de fotografia há algum tempo. Não lembro o nome da autora e nem sei se a definição era original. Mas foi a melhor que já encontrei.

Não há dúvidas; se você não souber utilizar a luz, medí-la, posicioná-la, transformá-la em imagem, não terá jamais uma fotografia. Uma boa fotografia ao menos. As cores, as tonalidades e as próprias formas do quadro dependem da boa ou má utilização da luz.

Aquele rosto indecifrável, porque você tirou um retrato contra o sol, e que iguala seu trabalho a uma composição do primário. Ou, na mesma situação de exposição ao sol, quando se consegue uma composição de imagens aonde só há siluetas em meio a uma paisagem perfeita, que equiparam sua fotografia a uma peça de Pessoa.

Uma noite de lua cheia pode se transformar num quadro todo negro ou, para quem sabe escrever com a luz, numa fotografia de uma noite de lua cheia. A luz, muita ou pouca, é igual para todos. A diferença está na escrita que se faz com ela.
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novembro de 2008.

sábado, janeiro 10, 2009

Muito mais perto...

Tão importantes ,
quanto o ar que respiro,
a água que bebo;
estão todos aqui
perto de mim.

E a vida transcorre
sem pausas ou interrupções.
Um beijo, um sorriso,
olhares desconfiados, brincadeiras,
gestos costumeiros de proteção,
experiência e conversa,
garrafas de Patrícia gelada,
esta mensagem tão (in)esperada;
tenho todos aqui
muito perto de mim.

Todos esses anos,
passados, vividos,
nossas duas, três, inúmeras vidas,
sem pausas ou interrupções;
tenho todos aqui
muito mais perto de mim.

sexta-feira, janeiro 09, 2009

Piedra y Camino...

"Del cerro vengo bajando,
Camino y piedra,
Traigo enredada en el alma, viday
Una tristeza...

Me acusas de no quererte.
No digas eso...
Tal vez no comprendas nunca, viday
Porque me alejo...

Es mi destino
Piedra y camino...
De un sueño lejano y bello, viday
Soy peregrino...

Por mas que la dicha busco,
Vivo penando...
Y cuando debo quedarme, viday
Me voy andando...

A veces soy como el rio:
Llego cantando...
Y sin que nadie lo sepa, viday
Me voy llorando...

Es mi destino,
Piedra y camino...
De un sueño lejano y bello, viday
Soy peregrino..." (Atauhalpa Yupanqui)

terça-feira, janeiro 06, 2009

PRIMEIRO FRUTO


domingo, janeiro 04, 2009

Rock ´n´ Roll Circus

Desde que tive a honra de ganhar Rock ´n´ Roll Circus do meu primo Marcelo, num natal distante, já assisti ao filme incontáveis vezes. Em geral, coloco o disco só para ouvir enquanto faço outra coisa, mas termino parando tudo para assistir. As pouco mais de dez músicas, com certeza, não passam de uma pequena amostra do que foram os dois dias de dezembro de 1968 dos quais temos esse incrível registro.
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Essa pequena amostra, porém, é primorosa. Começando por Jethro Tull, liderado pelo louco Ian Anderson e sua flauta mágica; seguido pela linda e melódica Marianne Faithfull; e passando pela (infelizmente) única reunião do grupo Dirty Mac - sorte de quem teve essa oportunidade de assistir John Lennon, Keith Richards, Eric Clapton e Mitch Mitchell juntos. Nem a participação da chata Yoko consegue estragar a festa. Enquanto Richards dita o ritmo no baixo, e Mitchell faz muito barulho na bateria, Lennon e um Clapton nitidamente turbinado tiram ‘reefs’ históricos de suas guitarras. Só mesmo vendo.
.
Mas o circo pega fogo mesmo (literalmente) quando entram em cena Jones, Watts, Wyman, Richards e Jagger. Do filme consta apenas um mini show de cinco músicas; o suficiente para dizer que Rolling Stones é não só a melhor banda de rock de todos os tempos, mas também para deixar claro que ninguém se compara ao magro Mick Jagger quando o assunto é performance de palco. Na segunda música, “Parachute Women”, até o pessoal do ‘back stage’ aparece pulando e dançando na cena, tamanho era o atiço da coisa. No final, em “Sympathy for the Devil”, Jagger tira a camisa e revela três enormes pinturas de lúcifer pelo corpo, enquanto Lennon, Marianne, Clapton, The Who e companhia vibram na platéia.
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Não bastasse toda a música, há ainda momentos épicos como um diálogo psicodélico entre Jagger e Lennon e também as hilárias cenas de Keith Richards como dublê de apresentador do circo, baforando um charuto cubano.
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Quem nunca viu tem de ver; quem já viu tem de ver de novo, muitas vezes...

sábado, janeiro 03, 2009

Agrados...

“Uno de los agrados del verano en Buenos Aires: descansar en un banco de plaza, de noche, cuando refresca. Éste es un placer positivo; me pregunto si en invierno habrá alguno equivalente. ¿ Estar en cama, con una chica, con la chimenea encendida, mientras afuera llueve ¿ Desde luego; pero este placer es más complejo, menos contemplativo. En la plaza basta el banco, la soledad, la noche y la frescura; en el otro está la chica, tal vez en el paraíso, pero indubitablemente un ser, un prójimo, con psicología, en todo caso.” (BIOY CASARES, Adolfo, Descanso de Caminantes, pp. 17-18)

sexta-feira, janeiro 02, 2009

Estrada...

“Money in my pocket”, do Dennis Brown, trouxe direto à mente dias de viagens pelas estradas da vida; eu ali pilotando o carro, com as pessoas que quero a meu lado (geralmente em sono profundo). Eu e a estrada a sós, sempre, livres para ouvir a música desejada e para voar longe em pensamentos e paisagens. O melhor da estrada é isso, o movimento contínuo que te deixa tão atento a tudo que circunda a vida, essa liberdade que instiga a mente. De Navegantes ao Rio de Janeiro, de Colonia de Sacramento a Rivera, de Uruguaiana a Mar del Plata, de Pelotas a Montevideo, da nevasca de Reno à noite iluminada de Los Angeles, do Grand Canyon aos longos desertos de Nevada, de San Diego a Tijuana, de um dia em Santa Bárbara, uma madrugada inteira desbravando a BR-101, Bombinhas ao amanhecer, Imbituba a Caputera depois de uma noite no Farol Bar, os longos campos até Eldorado, sol, chuva, neve, a noite, escuridão, caminhos sempre novos, amigos, companheiras, solidão, eu nunca quero abandonar a estrada.

quinta-feira, dezembro 25, 2008

REGRESSO

Regresso só para casa,

como no passado,

mas dessa vez livre,

para retornar

ou para ficar

até o final de tudo.

.

Não sinto o gosto amargo do fracasso

de uma noite imaginada.

Não lamento as tantas coisas

que desejava para mim.

.

Voltei só, um só livre,

de bar em bar,

sem indagações, sem compromissos,

com hoje ou amanhã.

.

O caminho para casa foi toda cidade,

das curvas da Dona Laura e da Vasco,

da Ipiranga completamente deserta

à Santo Antonio e à Farrapos,

da Beira-Rio em segunda marcha,

com o rio iluminado ao fundo;

da guria que pulava de alegria.

A cidade acordada

como há tempos não desfrutava

num dia desses.

ESCÂNDALO

"Mas doce irmã,
o que você quer mais
?
Eu já arranhei minha garganta toda
atrás de alguma paz
.

Agora nada
de machado e sândalo
.
Eu já estou sã
da loucura que havia em sermos nós
.

Também sou fã
da lua sobre o mar
.
Todas as coisas lindas dessa vida
eu sempre soube amar
.

Não quero quebrar
os bares como um vândalo
.
Você que traz o escândalo
irmã luz.


Eu marquei demais,
tô sabendo.

Aprontei de mais,
só vendo
.

Mas agora,
faz um frio, aqui!

Me responda,
tô sofrendo.

Rompe a manhã
da luz em fúria arder

Dou gargalhada, dou dentada na maçã da luxúria, pra quê?

Se ninguém tem dó,
ninguém entende nada

O grande escândalo sou eu, aqui, só.

Mamãe, eu já marquei demais,
tô sabendo
.
Aprontei demais,
só vendo.

Mas agora faz um frio, aqui!
Me responda,
tô sofrendo
.

Rompe a manhã
da luz em fúria arder
.
Dou gargalhada, dou dentada na maçã da luxúria, pra quê?

Se ninguém tem dó,
ninguém entende nada

O grande escândalo sou eu;
aqui só." (Caetano Veloso - Angela Rô Rô)

terça-feira, dezembro 23, 2008

Chuva de Verão

Nuvens escuras apontaram no horizonte,

primeiro no sul,

depois, em rápido movimento,

cercaram o sol, a casa

e, em minutos, tomaram conta do céu.

.

A natureza inteira se alvoroça.

O Ingá, os eucaliptos, o robusto pinheiro,

dançam ao sabor do vento,

a cada rajada expelem odores

e coreografam a paisagem.

.

Trovões e raios.

Pássaros agitados

cruzam o espaço,

as vezes em vôos razantes,

ouço cânticos e gorjeios,

soam como sinfonia;

até o galo brada forte,

denunciando a repentina mudança.

.

Por breves segundos,

tudo para.

Não há cheiros, vôos ou sons,

somente o ar pesado

e a certeza do que se aproxima.

.

Os primeiros pingos

deitam sobre a terra quente,

sinto o indescritível odor abafado,

quase posso vê-lo

a se desprender do chão.

Despenca água,

não se ouve mais nada

além da força da chuva.

.

Para onde foram os pássaros ?

E o vento para onde foi ?

As árvores já não dançam,

agora quedam inertes

sujeitando-se às vontades da chuva.

.

O universo está paralisado,

nada se movimenta,

a não ser a cachoeira d´água;

são minutos de monopólio total.

RECORDAR É VIVER II

Sempre digo: é bom demais ser Colorado! E nessa época de final de ano a coisa ganhar proporções ainda maiores. Dia 14 primeiro título de Campeão Brasileiro, dia 16/17 primeiro e único gaúcho a conquistar o título de Campeão Mundial FIFA e agora, hoje, primeiro e único CAMPEÃO NACIONAL INVICTO. Quem possui tamanhas honrarias ? Aqui na Aldeia, certamente, ninguém!

Como esquecer daquele 23 de dezembro de 1979 em que assisti pela televisão o desfile de Falcão contra o Vasco ? Ainda guri, com 6 anos de idade, saí para as ruas, empunhando minha bandeira do Internacional e vestindo a camisa rubra número 5, para comemorar meu primeiro título Nacional (em 1975/76 ainda estava no berço). E olha que eu nem tinha noção de que aquela façanha - de conquistar um Nacional de forma invicta - jamais seria igualada (já se vão quase duas décadas e ninguém consegue repetí-la).

Já sem Don Elias Figueroa, Manga, P.C. Carpegiani, C. Duarte, Vacaria, Caçapava, Flavio/Dario e Lula, o Internacional seguiu na política de montar uma equipe genuinamente gaudéria para seguir conquistando títulos de relevo. Ainda tínhamos Falcão, Valdomiro e o Príncipe Jajá, que era um guri em 75/76, e a eles acrescentamos Mauro Galvão, João Carlos, Mauro Pastor, Cláudio Mineiro e Bira. Foi montado, assim, um grupo que coletivamente se mostrou imbatível, dentro e fora do Gigante da Beira-Rio. Sob o comando do saudoso Ênio Andrade, Falcão teve uma temporada de gala - mostrando ao país o quão injusta foi sua não-convocação por Coutinho para a Copa da Argentina 78 - e a força coletiva era tamanha que o grande destaque no jogo de ida da final foi Chico Spina, autor dos dois gols que calaram o Maracanã, em substituição ao imprescindível Valdomiro.

A campanha foi fantástica, em 22 jogos foram 15 vitórias e 7 empates, com 40 gols pró e míseros 13 gols sofridos, incluindo vitórias sensacionais contra Goiás (oitavas de final), Cruzeiro (3x2, no Mineirão, pelas quartas de final). Nas semifinais vencemos o Palmeiras, (3x2 em SP - com atuação de gala de Falcão - e 1x1 no Gigante). Os paulistas tinham uma bela equipe capitaneada por Luís Pereira e que contava com nomes como Jorge Mendonça e Mococa, que também não resistiu à força do Colorado.

Depois de vencer o Palmeiras nas semifinais, com aquele gol inesquecível do Falcão num sem pulo de fora da área, o Colorado partiu para os confrontos decisivos com o Vasco da Gama de Leão, Roberto Dinamite e companhia. E venceu as duas partidas, de forma inapelável. No Maracanã foram 2x0, com atuação inspirada de Chico Spina (substituindo nada mais nada menos que Valdomiro, ídolo para sempre). No Beira-Rio lotado (foto ao lado) jogamos para carimbar a faixa e confirmar a inédita conquista invicta.

Até hoje ninguém repetiu a façanha!


Matéria do Globo Esporte depois da vitória de 2x0 sobre o Vasco no Maracanã
Youtube - Gols da campanha
Matéria da Gazeta Esportiva, com escalações das 2 partidas finais

domingo, dezembro 21, 2008

À Espera do Sol...

Quero ver o dia amanhecer novamente. Espero a madrugada passar, vou navegando por ela, procurando o que fazer em meio à escuridão. Ando por aqui e acolá, faço o que tinha de ser feito, deixo tudo pronto para quando a manhã trouxer luz. Tudo acontece como se fosse a primeira vez, como se a chegada do sol fosse uma grande novidade; expectativa e inquietação na madrugada.

sábado, dezembro 20, 2008

GAUCHADA

“Me alcé con tuito el apero,

freno rico y de concoja,

riendas nuevitas en hoja

y trensadas con esmero;

una carona de cuero

de vaca, mui bien curtida;

hasta una manta fornida

me truje de entre las carchas,

y aunque el chapiao no es pa marchas

lo chanté al pingo en seguida

Hice sudar al bolsillo

porque nunca fui tacaño;

traiba un gran poncho de paño

que me alcanzaba al tobillo

y a un machazo cojinillo

pa descansar mi osamenta;

quise pasar la tormenta

guarnecido de hambre y frío

sin dejar del pilcherío

ni una argolla ferrugienta.” (LUSSICH, Antonio – “Los Tres Gauchos Orientales”)

quarta-feira, dezembro 17, 2008

terça-feira, dezembro 16, 2008

domingo, dezembro 14, 2008

RECORDAR É VIVER!

Pois é. Foi em 14 de dezembro de 1975 que o Internacional conquistou o título mais importante da história do futebol gaúcho. O Campeonato Nacional daquele ano representou a abertura de portas do cenário nacional para nossos clubes. O Colorado já havia beliscado o caneco em 1972, 73 e 74. E a conquista não poderia ser mais gloriosa. Enfrentamos naquele 14 de dezembro o super time do Cruzeiro de Nelinho, Zé Carlos, Joãozinho, Piazza, Raul, Palinha e companhia. Era um super time, sem dúvida, mas que se curvou diante da Academia Rubra do Internacional. Manga, C Duarte (Valdir na final), Figueroa, M Perez (Heminio na final), Vacaria (Chico Fraga na final), Caçapava, PC Carpegiani, PR Falcão, Valdomiro, Flavio e Lula. Que timaço!

Don Elias tinha o lema "A área é minha casa, aqui só entra quem eu quero!". Don Elias não se limitou a cuidar da área Colorada. Na final resolveu invadir a área inimiga e marcar um gol que jamais sairá da mente da Nação Colorada. Aos 10 minutos e 40 segundos da segunta etapa, numa cobrança de falta de Valdomiro pelo flanco direito, enquanto o torcedor gritava sem parar "Colorado! Colorado! Colorado!", anotou o Gol Iluminado, marcado de cabeça, na única faixa ensolarada sobre o gramado do Beira-Rio naquela tarde.

Falcão maravilhou o país com suas atuações fantásticas durante todo o certame. Manga fez defesas cruciais, sendo a mais notória aquela, na final, com o dedo quebrado, em que espalmou um petardo de Nelinho, já com o placar marcando 1x0 a nosso favor. Carpegiani era um motor de criatividade e foi imprescindível, anotando o gol que garantiu a derrubada da máquina tricolor (time do Fluminense considerado imbatível pela imprensa do Eixo). Valdomiro e Lula formavam a maior dupla de ponteiros que o futebol mundial já viu em ação. E, finalmente, Flavio Bicudo era um matador em potencial. Marcou 16 gols no certame e sagrou-se artilheiro da competição.

A campanha do Interancional foi avassaladora. Liderado por Rubens Minelli, o Inter jogou 30 partidas, com 19 vitórias, 8 empates e apenas 3 derrotas, 51 gols pró e apenas 12 gols contra. O Internacional de 1975 foi o maior time de futebol gaúcho e um dos maiores que o mundo viu jogar.

Matéria do site do Internacional com um pouco da história do Esquadrão da Década de 70.
Excursão Invicta do Inter a Europa em 1975
GOL do Título Gaúcho - HEPTA contra os pijaminhas
GOL do Carpegiani que liquidou a Máquina Tricolor em pleno Maracanã
COMPACTO DA FINAL com narração de Celestino Valenzuela

sábado, dezembro 13, 2008

SOBRE O TEMPO...

“Moreno, voy a decir,

sigún mi saber alcanza:

el tiempo sólo es tardanza

de lo que está por venir.

No tuvo nunca principio

ni jamás acabará,

porque el tiempo es una rueda

y rueda es eternidá;

y si el hombre lo divide,

sólo hace, en mi sentir,

por saber lo que ha vivido

o le resta que vivir.” (HERNANDEZ, José – “Martin Fierro”)

JURAMENTO DE PLAYBOY

"Eu jurei fazer de tudo pelo nosso amor
Eu jurei deixar a minha vida de playboy
Eu jurei trocar meu pé de bode por um Volks
E as calças justas por um terno de senhor

Eu jurei deixar a Rua Augusta por você
Minha cabeleira de "taogana" vou cortar
O sapato branco por um preto vou mudar
E o blusão vermelho nunca mais eu vou usar

Esse juramento de Plaboy que lhe fiz
Falta pouco tempo para o prazo terminar
Neste fim de ano doutor vou me formar
Logo depois com você vou me casar

Deixe aproveitar o que me resta por favor
Não posso deixar a turma agora meu amor
Falta pouco tempo para deles me afastar
Logo depois com você vou me casar

Logo depois com você vou me casar
Logo depois com você vou me casar" (Carlos Gonzaga)


quinta-feira, dezembro 11, 2008

LENDA VIVA

As vezes temos sorte ao ligar a televisão. Hoje era meu dia; lá estava Eduardo Galeano no programa "Encontros para a História" do canal SPORTV. Em regra, o roteiro do programa envolve uma espécie de debate com 2 ou 3 personalidades. Mas hoje só deu Galeano, ele monopolizou por completo as atenções. E, de fato, trata-se de uma mente privilegiada; capaz de escrever sobre qualquer assunto com a mesma propriedade, da antologia político-social "Veias Abertas da América Latina" ao indispensável caderno de anotações "Futebol ao Sol e à Sombra", no qual traça brilhantes comentários sobre os bastidores desse mundo maravilhoso da bola. Acima de tudo uma grande figura, um jovem de 70 anos, cativante pelo dom da palavra, de calça de brim e camiseta regada, ensinando-nos a pensar e agir.

terça-feira, dezembro 09, 2008

geral é COLIGAY2000

E quem disse isso foi o Paulo Santana.

terça-feira, dezembro 02, 2008

ESTRATÉGIA I - o personagem

O Seu Adão é um dos personagens mais folclóricos aqui das redondezas do sítio. Tem uma quitanda muito sortida bem na entrada da estrada principal que leva à minha casa, ao lado do pórtico; ali vende frutas, verduras e lenha. Porém, sua especialidade é uma conversa sem prazo de duração. Anda pela curva dos setenta e é aquele tipo que sempre tem uma história diferente para contar. É claro que a banca do Seu Adão é sempre parada obrigatória entre esses dois mundos.

Hoje estacionei para comprar umas bananas e laranjas e saí de lá com algumas lições de sobrevivência fundamentais. Como definiu Seu Adão, “estratégias do tempo de minhas andanças pelo São Pedro”. Contá-las-ei em primeira pessoa.

ESTRATÉGIA II - o cenário

- Está por aí ainda Seu Adão ?

- De saída.

- Pois é, já são 8 horas.

- É, o Mercado já fechou. Quando ele fecha eu fico só mais um pouco e já vou saindo. No Natal não, no Natal tem de ficar até mais tarde.

- Seu Adão, a sua banca não era ali no canteiro ?

- Era, tu te lembra, fiquei ali uns 12 anos. Agora estou aqui faz uns 8 anos.

Tu sabe como é que eu comecei nessa de vender fruta ? Eu tinha meus 20 e poucos anos, montei uma banca de frutas ali na Avenida do Trabalhador com a Baltazar, bem ali no meio daquele cruzamento que hoje é movimentado. Fiquei trabalhando ali por quatro anos. Não tinha movimento.

Naquele tempo a Ceasa ficava ali na Praia de Belas. Não sei se tu te lembra disso, não deve se lembrar. Pois era ali, na Praia de Belas. Eu pegava a carroça e ia de lá até a Praia de Belas, era longe, passava por Petrópolis, contornava o Morro Santana. Era longe demais.

Saia às 9 da manhã e voltava lá pelas 5 da tarde, com a carroça cheia de fruta e verdura e abastecia minha banca. Trabalhava até tarde, todo dia, e de lá tinha de ir para Alvorada, aonde morava minha mãe. Quando saia antes da meia noite pegava um ônibus e deixava a carroça por lá, mas quando saia tarde ia de carroça mesmo. Era uma “cansera danada”. No outro dia voltava cedo para trabalhar.

Mas a minha esperança é que diziam que aquela estrada do Porto Seco ia ser aberta e que ia sair lá no Humaitá; aí o movimento ia crescer. Mas nunca saiu, hoje saiu, mas naquela época eu só ficava na esperança. Trabalhei quatro anos nessa esperança, nessa “cansera danada” e acabei surtando. Fui parar no São Pedro.

ESTRATÉGIA III - "ande sem olhar para o lado"

Lá no manicômio São Pedro foi uma lição. Porque lá era pior que cadeia. Fiquei um ano lá dentro. Os caras vinham para cima de ti e tu tinha de aprender a se virar, a se defender. Porque lá só tem gente do pior tipo, e tu nunca sabe o que se passa na cabeça. Eu nunca fui de briga, aí tive de aprender a me virar.

Eu conheci o José, um sujeito “clarinho”. O José era magro que nem eu. As irmãs nos respeitavam, porque agente ajudava muito a organizar tudo lá dentro. Eu e o José éramos “cotados” lá dentro; agente capinava, trabalhava no jardim; de vez em quando agente até tinha uns “privilégios” de comer lá dentro da cozinha com as irmãs. Agente era “cotado”.

Um dia apareceu um cara lá que era “deste tamanho” (imitando um gorila apresentando seus músculos). Era um bugre “deste tamanho”! E ficava parado sempre no mesmo lugar. Era tipo um corredor, aonde todo mundo tinha de passar. E o bugre parava bem ali (sobe num caixote de frutas e imita o bugre parado como um gorila). Todo mundo tinha de passar por ali. E quando os caras passavam ele agarrava pelos cabelos e dava um murro no sujeito.

Mas para jantar agente tinha de passar por ali. Aí eu chamei o José e disse:

- Zé, nós vamos passar por ali.

- Mas será Adão ?

- Vamo! Escuta, eu vou primeiro e tu fica me olhando. Depois é só tu fazer igual.

E eu tinha estudado bem o caso. Eu ficava olhando aquilo. Os caras passavam e o tal bugre pegava todos pelo cabelo e dava um murro. Mas eu percebi que era só quando eles encaravam o cara. Então a minha “estratégia” era passar devagar, bem tranqüilo, olhando para frente, sem virar o olho para o lado (nesse momento o Seu Adão simula a caminhada). E eu passei! (dando um grito e se rindo todo). E depois o José passou do mesmo jeito (e nesse momento simula o Zé, caindo na risada já no meio da caminhada).

Eu tinha estudado a situação. A estratégia era andar sem olhar para o lado, não encarar o cara, diz o Seu Adão, gritando com a voz esganiçada pelo riso e dando um tapa no meu braço.

ESTRATÉGIA IV - "faça amizade com o inimigo"

Mas tu sabe: o que tinha de louco lá dentro (colocando a mão na cabeça). E eles eram tudo perigoso. Deixa só eu te contar outra “estratégia”. Tinha época em que eram mais de 100. Aí eu e o José ficávamos cada um de um lado. Ele lá e eu aqui. Agente era os guardas ali dentro.

Por isso que eu te digo que as irmãs nos respeitavam. Agente era “cotado”, eu e o José. Eles queriam botar fogo em tudo. Aí eu disse para o Zé que nós tínhamos de cuidar aquilo, porque se um louco daqueles tocasse fogo lá dentro nós íamos nós dar mal também. E as irmãs distribuíam uns ramos de fumo. Eu nunca fumei, mas sempre pegava o ramo de fumo, porque aquilo ali eu usava para desarmar os loucos. Eu fazia amizade com eles com o ramo de fumo.

Eu chegava perto e pedia o fogo emprestado ou até a faca, porque eles, as vezes, conseguiam uma faca ou um canivete mesmo. Aí eu pegava a faca e dizia que ia “mijá” e não voltava mais com a faca do cara. Depois eles esqueciam (caindo na risada).

Eu cheguei a guardar 15 ou 20 faca; aí entregava tudo para a irmã. E ela perguntava como é que eu conseguia. A “estratégia” era não enfrentar os caras, porque, tu sabe, “eles são violento”. Não dava para chegar e tomar a arma. A minha “estratégia” era pedir emprestada para cortar o ramo de fumo; ou mentir que fumava para pegar a caixa de fósforos e inventar uma desculpa para sair de fininho.

ESTRATÉGIA V - "aprenda a caminhar para trás"

Ih, de vez em quando eu até saia lá de dentro. Tinha outra estratégia que eu saia lá de dentro, para tomar um ar na rua e ver uma paisagem diferente daqueles muros; tu sabe como é que é, né! (fazendo gestos de estar rodeado por muros). Mas eu saia e sempre voltava. Eu dizia para o José que eu queria fazer tudo direitinho, porque meus parentes iam me procurar. E eu sempre dizia para o José que eu queria sair lá, mas tudo certinho, para trabalhar. Eu quero sair daqui para trabalhar!, eu dizia para o José. O Zé também dizia.

Mas a minha outra “estratégia” era o seguinte: eu caminhava para trás. Assim ô! (e faz a caminhada para traz, se movendo para trás, mas dando passos, com flexões longas de joelho, como se estivesse numa caminhada normal). Hoje eu não consigo mais fazer direito, mas na época, “bem treinadinhu”, tu tinha de ver. Hoje eu conto para as pessoas e tem gente que não acredita. Mas naquele tempo “eu tava treinadinhu”. Eu saí várias vezes lá de dentro, na hora do tumulto. No dia da visita, na hora daquele tumulto todo, eu me misturava na multidão e saia lá de dentro caminhando para trás (cai na risada).

Tu sabe como é. Os guardas ficam ali na guarita cuidando tudo. Mas eles só ficam cuidando a “cara” das pessoas que estão saindo, de frente né! (e imita um guarda olhando para tudo que é lado). E eu lá no meio, caminhando para trás, dava a impressão de que eu estava indo na direção contrária das pessoas que estavam saindo, entendeu! (caindo na risada e me dando um tapa no braço).

Depois eu ensinei o José a fazer isso, e ele fazia também (caindo na risada novamente). Mas só nos dois. Ninguém mais saia. Quando eu voltava os guardas perguntavam:

- Mas como é que tu saiu ? Desse jeito tu vai arrumar complicação para nós Adão.

Eu não dizia, claro. E assim a gente vai. O tempo ensina muito; tu é obrigado a apreender com cada situação nessa vida. Chegou um cara querendo laranjas do céu. O Seu Adão, louco para continuar a conversa, dispensou o sujeito, afirmando que esta época não existe laranja do céu.

Aproveitei a deixa. Peguei um cacho de bananas, 6 laranjas para suco, um pacote de cenouras e um mamão. Paguei. R$ 3,50. Muito barato, pensei. Despedimo-nos com um aperto de mão forte. Liguei o carro e quando fui saindo ele ficou lá, repetindo as mesmas palavras de sempre:

- mas é bom conversar, não é ? aparece sempre vizinho! (aumentando o tom de voz).

segunda-feira, dezembro 01, 2008

ATENÇÃO! MUITA ATENÇÃO!

Cuidado, muito cuidado, pois a invasão "porteña", versão 2008/09, já está em andamento. Hoje trafegava pela BR-290, tranquilo, obedecendo o limite de 90/100 Km/h, quando fui ultrapassado por uma dessas "pick ups" com um jet sky a reboque (e placa arrentina, é claro!). A ultrapassagem foi imprudente e com velocidade absurda, em trecho com linha amarela contínua (ou seja, proibido ultrapassar). Minutos após, fui ultrapassar um caminhão que trafegava lentamente; olhei no retrovisor e lá vinha outra "pick up" voando baixo, como se não houvesse mais ninguém na estrada. Aí tive o prazer de me colocar em posição de ultrapassagem e bloquear o "arrentino"; como que fazendo questão de deixar claro que, aqui no Brasil, quem manda somos nós. Preparem-se, porque a horda porteña já está a caminho.

domingo, novembro 30, 2008

Ambush in the Night

"See them fighting for power
But they know not the hour
So they bribing with
Their guns, spare-parts and money
Trying to belittle our integrity
They say what we know
Is just what they teach us
Thru political strategy
They keep us hungry
When you gonna get some food
Your brother got to be your enemy

Ambush in the night
All guns aiming at me
Ambush in the night
They opened fire on me
Ambush in the night
Protected by His Majesty

See them fighting for power
But they know not the hour
So they bribing
With their guns, spare-parts and money
Trying to belittle our integrity
Well what we know
Is not what they tell us
We're not ignorant, I mean it
And they just could not touch us
Thru the powers of the most high
We keep on surfacing
Thru the powers of the most high
We keep on surviving

Ambush in the night
Planned by society
Ambush in the night
They are trying to conquer me
Ambush in the night
Anything money can bring
Ambush in the night
Planned by society
Ambush in the night" (MARLEY, Bob)

ROMANCE

Todas as bobagens que eu já disse
Dariam pra encher um caminhão
Mesmo assim encontro no caminho
Milhares mais otários do que eu

Por isso meu amor
Não leve tão a sério
Nem o que eu digo nem o que eu deixo de esconder
Não vai ter graça o dia
Em que bater na porta
E você não abrir pra responder

Todas as pessoas que eu conheço
Cabem bem juntinhas na palma da mão
Pra você guardei um universo
Quando falta espaço eu faço verso e durmo na canção

Por isso meu amor não pense que é brinquedo
Eu tenho medo e morro de paixão
Não vai ter graça o dia
Em que eu abrir a porta
E a tua mão vazia disser não

Por isso meu amor
Não leve tão a sério
Se eu morro de medo
Brinco de paixão
Não vai ter graça o dia
Em que eu te ver na porta
E não souber se entro
Ou faço uma canção... (NEY LISBOA)

Uva dá choque ?

sexta-feira, novembro 28, 2008

Uma nova vida

Essa tragédia das chuvas em Santa Catarina é uma das mais impressionantes dos últimos tempos. Ontem assisti ao Jornal Nacional e fiquei estarrecido com os depoimentos que ouvi; esse evento será apenas o início de histórias de vida, nas quais a força do ser humano será testada ao extremo. Perder pessoas próximas é o que de pior pode acontecer; tudo que há de material será recuperado, mas as perdas humanas jamais. Um pai que perdeu 5 filhos e a esposa jamais conseguirá reconstruir sua vida e, por isso, inicia a partir de agora uma nova vida.

Sem dúvida

"Quando você não conhece algo, você não tem responsabilidade sobre aquilo; mas quando você conhece e se intera, e convive com aquilo, sem tomar uma atitude, você está sendo negligente."

quinta-feira, novembro 27, 2008

There are places...

There are places I remember all my life,
Though some have changed
Some forever, not for better
Some have gone and some remain.
All these places have their moments
Of lovers and friends I still can recall
Some are dead and some are living
In my life I loved them all.

And with all these friends and lovers
There is no one compares with you
And these mem'ries lose their meaning
When I think of love as something new
And I know I'll never lose affection
For people and things that went before
I know I'll often stop and think about them.
In my life I loved you more.

And I know I'll never lose affection
For people and things that went before
I know I'll often stop and think about them.
In my life I loved you more
In my life I loved you more (Lennon, McCartney)

LA PLATA - INTERNACIONAL 1x0

quinta-feira, novembro 20, 2008

MUITO ANTES DOS BEATLES

Roberto fazia seu "Rooftop Concert", mandando ver do topo de um prédio...

terça-feira, novembro 11, 2008

Uma imagem vale mais do que...

Cada um faz a sua interpretação a respeito de uma imagem. Diante deste visual "clean" da sala presidencial da Casa Branca, o que vejo é um G.W.Bush numa postura altamente descontraída e dono de si, soberano, como se o seu (des)governo fosse a maior das maravilhas; e Obama, por sua vez, com as mãos cruzadas e dedos entrelaçados me passa a idéia de alguém submisso e "pedinte". Foi o que pensei quando me deparei com a fotografia na capa do Correio do Povo hoje. Não vou contar e acho que estou longe das mil palavras.

Manchetes do Jornal

"1) 'Brasil não precisa de pacote', diz BC;
2) Roth, o ficha 1;
3) Muricy na seleção;
4) Caixão do marido mata viúva na 717;
5) Prorrogação dos pedágios chega à Assembléia;"

O mundo, definitivamente, está de cabeça para baixo!

segunda-feira, novembro 10, 2008

quarta-feira, novembro 05, 2008

PEDÁGIOS

Leio notícia dando conta que Governo do RS e concessionárias de pedágio concordam em reduzir em 20% o valor das tarifas em troca da prorrogação dos contratos por mais 15 anos. E que dentre as prioridades estariam a duplicação da BR 290 entre Eldorado do Sul e Pantano Grande e da BR 116 entre Guaíba e Camaquã.

Olha, esses são exatamente os trechos que levam a meu sítio, distante aproximadamente 50 Km de Porto Alegre; trecho para o qual tenho de despender, hoje, R$ 16,80 em tarifas de pedágio. A necessidade de duplicação é evidente, especialmente no trecho da BR 116, via de grande escoamento da produção para o Porto de Rio Grande. Porém, o que causa estranheza, além dos preços elevados, é a ausência de previsão de obras nas estradas nos contratos de concessão assinados pelo então Governador do Estado, Sr. Antonio Britto (que herança deixaste hein Britto).

Mas há ainda alguns aspectos que causam espanto.

Primeiro, a concordância das concessionárias em reduzir em 20% as tarifas, o que demonstra, inequivocamente, o superfaturamento das mesmas e o enriquecimento ilícito das empresas por longos anos. É evidente que se concordam em reduzir em 20% as tarifas (com a realização de obras estimadas em R$ 1 bilhão) é porque o valor cobrado, hoje, está muito acima das necessidades de conservação dos trechos. Aí cabe indagar: para que serve a tal AGERGS (a agência reguladora) ? Só para impor ainda mais custos à máquina estatal ? Ou para criar mais um sem número de cargos em comissão ?

O outro aspecto que causa espanto é o apoio do Poder Executivo (leia-se Yeda Crussius e PSDB) à renovação das concessões, com valores estratosféricos. Os contratos vencem em 2013. Pois bem, um gestor sério teria o caminho de revizar, nem que fosse judicialmente, os valores cobrados. Mas nunca propor a renovação dos absurdos contratos por mais 15 anos, aliando-se às concessionárias.

Há menos de um ano os leilões realizados pelo Ministério dos Transportes acarretou em concessões nas quais o valor da tarifa não será superior a R$ 1,oo, para trechos de quase 80 Km. A rodovia que liga São Paulo a Belo Horizonte, com 560 Km de extensão, terá pedágio de R$ 8,oo, divididos em 8 paradas. E as obras em tais concessões estão estimada em R$ 25 bilhões, montante 25 vezes maior do que o estimado aqui nos pampas (escrevi a respeito em outubro de 2007).

Está mais do que evidente tanto o superfaturamento de nossas tarifas como o fato de que nossa Governadora está do lado de lá do balcão. Ao invés de defender nossos interesses, a Sra. Yeda Crussius tomou o partido das concessionárias, como fez A. Britto em seu mandato.

sexta-feira, outubro 31, 2008

CUBA LIBRE

Pelo 17. ano consecutivo a Assembléia Geral da ONU votou a favor da resolução entitulada "necessidade de encerrar o embargo econômico, comercial e financeiro imposto pelos Estados Unidos a Cuba". Mesmo maciça maioria de votos favoráveis ao fim do embargo - foram 185 votos favoráveis, 3 contrários (Estados Unidos, Israel e Palau) e 2 abstenções - a resolução não é obrigatória e não terá impacto sobre a política norte-americana.

O mais incrível de tudo é que G. W. Bush alega que não levantará o embargo, porque Cuba não liberta prisioneiros, chamando a república centro-americana de "calabouço". Logo ele que transformou a base naval de Guantanamo num depósito aonde estão atualmente 660 prisioneiros de 43 países (a maioria afegãos), alguns deles com idade entre 13 e 15 anos ou maiores de 80 anos e para os quais não se reconhece os direitos da Convenção de Genebra (não se reconhece sequer direito de defesa ou de comunicação aos prisioneiros).

Mas, afinal de contas, o descumprimento às resoluções da ONU não é novidade. Basta lembrar que a invasão ao Iraque foi desautorizada, às vésperas, pela mesma Assembléia Geral. E nem se pode culpar, exclusivamente, G. W. Bush, pois já se vão 17 anos que a ONU condena o embargo a Cuba (R. Reagan, o pai de Bush e até mesmo o "bonzinho" G. Clinton já deram boas risadas da Assembléia Geral da ONU). Trata-se da política externa imperialista, que insiste em estender seus tentáculos pelo globo terrestre.

A propósito, acabo de assistir à declaração de Barak Obama, em telejornal, afirmando que sua eleição será importante para o povo dos Estados Unidos e do resto do mundo. Mas é muita prepotência!

quinta-feira, outubro 30, 2008

O BANGU e OS PONTOS CORRIDOS

A definitiva eliminação do INTERNACIONAL do campeonato brasileiro 2008 se deu com um empate constrangedor contra o Náutico, ontem, no Beira-Rio. Fui em todas as partidas do Gigante nesta temporada e o clube pernambucano foi a pior equipe que vi atuar neste certame. Mesmo assim o INTERNACIONAL não só empatou, como empatou de forma constrangedora, levando um gol "quixotesco" aos 48 minutos do segundo tempo.

Meu objetivo neste post, entretanto, não é comentar o jogo do COLORADO, mas observar mais uma faceta interessante deste certame por pontos corridos, já arraigado na tradição do futebol europeu e que a cada temporada ganha mais adeptos aqui na "terra brasilis". Sempre fui favorável à fôrmula, tanto pela maior possibilidade de planejamento para as equipes como pelo aspecto do respeito ao torcedor; mas especialmente pelo caráter de justiça de termos como campeão aquela equipe que melhor se preparou e se portou durante todo o certame e não num eventual triunfo decorrente dos formulismos de outrora.

Mas, voltanto ao foco do post, gostaria de anotar a faceta interessante do sistema de pontos corridos: a eliminação sem traumas. Como preconizei, desde o dia 1º de setembro, em minha coluna semanal no BLOgreNAL (edição número 85), o Internacional não tinha mais o que fazer no certame. Na época escrevi que "A diretoria do INTERNACIONAL precisa colocar os pés no chão. A Copa Sudamericana deve, a partir de agora, virar prioridade. Não temos mais qualquer chance de conquistar o Nacional ou de obter vaga para a Libertadores, sejamos realistas. Chega de ilusão!". Pois bem, transcorridos quase dois meses, aí está a confirmação, com este empate sórdido contra o Náutico.
Repito, o que surpreendeu, ontem, foi a total ausência de traumas na eliminação. Reparei no semblante da coloradagem que a torcida estava mais do que pronta para cair fora da disputa; houve como que um conformismo generalizado e até alguns sorrisos de deboche depois do gol do adversário. Aliás, tal fato somente reforçou minha convicção de que eu não era o único a ter abandonado as chances matemáticas. O campeonato por pontos corridos prepara o torcedor para o fracasso.

Talvez por isso o empate de ontem e a eliminação definitiva não tenha causado trauma algum, ao contrário de outras nos tempos do formulismo. Lembro de uma eliminação de brasileiro, em 1985, para o Bangu. Vencíamos o jogo aqui no Gigante da Beira-Rio e, com tal resultado, garantíamos a vaga para enfrentar o Brasil de Pelotas nas semifinais do certame. Até que, aos 46 do segundo tempo, Gilmar Rinaldi (nosso arqueiro) tocou a bola com a mão fora da área, num lance bizarro. Marinho, ponta direito do Bangu, cobrou a falta com perfeição no ângulo. Foi meu primeiro grande trauma no Beira-Rio. E do alto de meus 12 anos tive meu primeiro retorno quieto e introspectivo para casa.

quarta-feira, outubro 29, 2008

UMA FOTOGRAFIA



"No dia seguinte à explosão do La Courbe, improvisou-se um comício na esquina entre as ruas 12 e 23. Fidel Castro presidia o ato, em que pronunciou um discurso homenagem às vítimas da sabotagem; a rua estava cheia de gente, e flores choviam sobre o cortejo que ia passando. Eu trabalhava como fotorrepórter para o jornal Revolucion, o órgão do Movimento Vinte e Seis de Julho. Estava nun plano mais baixo que a tribuna, com uma câmara Leika de 9mm. Usei minha teleangular pequena e observei as pessoas que se achavam em primeiro plano: Fidel, Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir. O Che estava parado atrás da tribuna, mas há um momento em que eu passo por um espaço vazio, que está em frente à tribuna, e a figura do Che emerge de um segundo plano para a tribuna. Emerge de surpresa, enfia-se dentro do visor da câmara, e eu disparo. Em seguida me dou conta de que a imagem dele é quase um retrato e tem como fundo o céu, limpo. Viro a câmara para a vertical e tiro uma segunda foto, isso em menos de dez ou quinze segundos. O Che se retira dali e não volta. Foi uma casualidade." (Alberto Diaz "Korda", entrevista a Jorge G. Castañeda, 23/08/95)

DO ALTO DA PONTE

Mais uma vez, Porto Alegre se transformou num grande horizonte de luzes refletindo no rio. Sobre a ponte sempre me assalta o mesmo pensamento de que estou vencendo e que aquela imagem em minha retina é o prêmio. Os quadros que tantas vezes me salvaram da dureza da realidade, as imagens utilizadas para desligar uma discussão. Até criei situações em que me transformei em personagem, uma parte viva do quadro; e nessas ocasiões reparei que tantas pessoas estavam indiferentes a ele, bem ali a meu lado – como é possível, pensava ? Nunca encontrei resposta.

terça-feira, outubro 28, 2008

DEUS...

"Todo mundo vai embora
Pois a chuva não quer parar
Ninguém mais quer ficar
Só eu, sozinho, vou me molhar
Mas eu tenho fé
Que a chuva há de passar
E aquele sol tão puro
De manhãzinha bem quentinho há de chegar
E os passarinhos vão cantar
Pois a alegria vai voltar
E todo mundo que foi embora vai voltar
Agradecendo a Deus
Todo mundo vai rezar e cantar

Deus é a vida
A luz e a verdade
Deus é o amor
A confiança e felicidade."
(letra de Jorge Ben, cantada por Gal Costa)