domingo, agosto 12, 2007

MINHA VIDA

E aqui estou,
ouvindo música,
sem sono
e sem a minha vida.


p/ Mônica.

sexta-feira, agosto 10, 2007

PARA PAN

Inicia na próxima semana a edição paraolímpica dos Jogos Pan Americanos. Nas mesmas dependências utilizadas pelos jogos principais, a versão paraolímpica promete ser a melhor de todos os tempos. É a primeira vez que os atletas paraolímpicos frequentarão a mesma vila olímpica e os mesmos parques desportivos dos atletas renomados de alto rendimento. Clodoaldo e companhia estarão nadando nas mesmas águas que consagraram Thiago Pereira, Kaio Marcio e Cielo.

Isso é muito bom. O retorno na mídia já é excelente. Jornais e revistas trazem matérias e os telejornais veiculam interessantes imagens do mundo paradesportivo. O SPORTV anuncia cobertura completa (como já realizou na Paraolimpíadas de Atenas, em 2004). Tenho certeza que a repercussão e retorno dos Jogos Para-Panamericanos será muito mais importante do que a dos próprios Jogos Panamericanos, especialmente no sentido de propiciar um maior conhecimento da sociedade no que diz respeito às potencialidades dos PPDs.

Estarei atualizando as notícias do PARA PAN diariamente no site do RS PARADESPORTO (clique aqui para acessá-lo)

sábado, agosto 04, 2007

TEMPO...

"De qualquer forma, um dia especialmente ruim. Esse sistema que geralmente funcionava não funcionou. Os deuses embaralharam as cartas. O tempo está mutilado e você é um idiota. Mas o tempo foi feito para ser desperdiçado." (BUKOWSKI, Charles - O Capitão Saiu para o Almoço e os Marinheiros Tomaram Conta do Navio)

sexta-feira, agosto 03, 2007

ADEUS PATO

Com 17 anos, Pato foi vendido. O grande craque está indo para Milão, aonde vai encantar o mundo com a camisa "rossonera" do AC Milan. Foram pouco mais de 15 jogos vestindo a camisa do Internacional e, mesmo assim, Alexandre Pato deixará muitas saudades. Poucas vezes vi um jogador com tanto talento vestir a camisa do Inter. Ir ao Beira-Rio ganhara mais uma motivação nesta temporada, bastava esperar o lampejo de genialidade do guri. Até gremistas chegaram a confessar sua admiração por Pato.

Infelizmente, não há como competir com os ricos clubes europeus. Nos resta a viuves e a espera pelos jogos do Milan, na Televisão.

Clique aqui e confira os gols do Pato no Brasileirão.

terça-feira, julho 24, 2007

EXEMPLO I

Mais uma vez Cuba e Estados Unidos, de forma diametralmente oposta, como não poderia deixar de ser, nos dão exemplo de como fazer esporte. Os cubanos com a política social da massificação, que geração atrás de geração, forma novos atletas de alto rendimento e vai abocanhando mais e mais medalhas no quadro geral das principais competições mundiais.

E os Estados Unidos, grande potência mundial também no campo dos esportes, com o investimento fortíssimo nas categorias de base. Terminou agora a final do basquete feminino no Pan do Rio. E as americanas, com uma seleção de jogadoras universitárias, com média de 20 anos de idade, nos bateu, fundamentalmente, nos cinco minutos finais. A partida foi equilibrada, ponto a ponto, até este momento, em que prevaleceu não só a técnica das jovens americanas, como também o físico e o psicológico, muito bem trabalhados, por certo, neste trabalho de base das universidades americanas.

Quando vamos deixar de fazer esporte de ocasião (só valorizando os atletas depois que atingem grandes resultados ou conquistas) ? Quando teremos no Brasil pessoas (administradores públicos, dirigentes de confederações, reitores universitários, empresários) com uma visão um pouco mais aberta e com propósitos um pouco mais nobres ? Será que é tão difícil seguir os exemplos que estão aí escancarados ?

EXEMPLO II


Essa aí ao lado é um belo exemplo do que políticas sociais e investimento em categorias de base podem propiciar. A ala Micaela, formada no Projeto Social da Mangueira, no Rio de Janeiro, é o grande nome do basquete feminino no Brasil hoje (junto com a base Adrianinha). Enquanto a imprensa badalava Janeth (que nunca foi mais do que uma boa coadjuvante para Paula e Hortência - tanto que jamais impulsionou a seleção a uma conquista, quando se transformou no grande nome do time); pois enquanto a grande imprensa badalava a despedida de Janeth, Micaela, vindo do banco de reservas, realizava grandes lances e atuava de forma perfeita do ponto de vista tático. Exímia marcadora e com uma roubada de bola eficaz, Micaela alia velocidade com precisão, qualidades fundamentais no basquete.

Matee Ajavon


Esse é o maior nome do basquete feminino nos Jogos Panamericanos Rio 2007. A fantástica jogadora americana Matee Ajavon disseminou as pobres brasileiras, agora a pouco, marcando 24 pontos nos últimos dois períodos da disputa da medalha de ouro. Africana de origem (nasceu na Libéria), Ajavon praticou volei, golf e atletismo antes de se transformar na armadora da equipe do Rutgers College (clique aqui para informações detalhadas). Merece aplauso, pois sua contribuição para a conquista não foi só em números, mas também na realização de cestas em momentos decisivos, exatamente quando os grandes nomes se diferenciam dos jogadores comuns.

FATOR PSICOLÓGICO

Sempre me chamou a atenção, nas derrotas da seleção feminina de basquete do Brasil, o fator psicológico. Excetuado o período de maturidade da geração Paula e Hortência, quando conquistamos o Pan de 1991 em Havana e o Mundial de 1994, nossa seleção sempre mostra um basquete de bom nível técnico, mas de psicológico fraquíssimo.

É verdade que o fator psicológico está intimamente ligado com a boa preparação, entrosamento do grupo e conhecimento tático das jogadoras. Mas, no Brasil, o que parece é que falta às jogadoras atitude e capacidade de suportar e recuperar-se em momentos adversos. Assim foi no Mundial 2006 realizado aqui no Brasil, em que perdemos para a Austrália nas semifinais. E, agora, na final contra os E.E.U.U., na final do Pan. Fizemos uma ótima partida, demonstrando um nível técnico, no mínimo, equivalente ao das jovens americanas. Mas, no último período, nos minutos finais, as meninas voltaram a demonstrar total descontrole psicológico para se manter dentro do jogo.

É preciso trabalhar essa vertente para brigar por vaga no pódio em Pequim 2008.

segunda-feira, julho 23, 2007

BLUES NA VEIA


Comemorando 20 anos de carreira, o Blues Etílicos está em turnê para divulgação de seu último CD, "Viva Muddy Watters", em que prestam um tributo ao mestre do blues e grande inspirador da banda. No show de ontem, em Porto Alegre, que tive o prazer de conferir com minha namorada, no Salão de Atos da UFRGS, Flavio Guimarães mostrou que está em grande fase, com um arsenal de notas quase infinito em sua gaita; Otávio Rocha, irriquieto, não parou um momento sequer de tirar 'slides' da guitarra e Greg Wilson manteve a platéia sempre ativa no vocal impecável.

A evolução dos Etílicos, desde os tempos do Disco Salamandra (na foto aí ao lado) é notável. O Blues Etílicos está aí para provar que não é só o vinho que melhora com o passar do tempo.

domingo, julho 22, 2007

RIVALIDADES

Há muita gente que critica e, sempre que possível, tenta diminuir a importância dos Jogos Panamericanos. Mas quando as competições começam a esquentar, não há como deixar de se envolver com as rivalidades nas quadras, pistas, piscinas e tatames.

A disputa do ouro no handebol (veja só hein, handebol, esporte que acho um bocato chato) explicitou que entre Brasil e Argentina nunca há troca de gentilezas. Derrotados inapelavelmente pela seleção canarinho, pela segunda vez, pois em Santo Domingo/2003 também lhes tiramos o ouro, os hermanos não se contiveram e partiram para a violência, tentando apatifar nossa festa. No final, vencemos os argentinos tanto no feminino como no masculino, 2x0 no handebol.

Já nos tatames a rivalidade é com os cubanos. Brasil x Cuba no judô é clássico! O domingo foi sensacional, com disputas dentro e fora do tatame. Depois da decisão do juiz Juan Calas de punir a brasileira Erika Miranda por falsa entrada, no golden point contra a cubana Espinosa, houve confusão e pancadaria na Arena Multiuso. O gaúcho Joao Derly, antes de bater o equatoriano Ibañez e ficar com o ouro, precisou eliminar o cubano Yordanis Arencibia, numa luta histórica, decidida apenas no golden point. Antes, Daniele Polzin havia perdido a final da categoria até 48 kg por hippon para a cubana Bermoy. Enfim, muita rivalidade.

Nas quadras já tínhamos assistido à derrota das meninas do volei para as cubanas na disputa do ouro. E hoje, temos pela frente as cubanas nas sefiminais do basquete feminino. Os Jogos Panamericanos exacerbam essas rivalidades e, sem dúvida, são um ótimo panorama de como estão nossos atletas para as Olimpiadas 2008, em Pequim.

sexta-feira, julho 20, 2007

GURIZADA DE FÉ


Em tempos de PAN, nossa gurizada está fazendo bonito no Mundial de Basquete Sub-19, na Sérvia. Hoje conquistamos nossa vaga para as semifinais derrotando a invicta seleção australiana por 72x71, em partida eletrizante, que foi decidida nos últimos segundos a favor de nossa equipe. Os destaques do jogo foram o ala Betinho (23 pontos) e o pivô Paulão (15 pontos), mas, sem dúvida, o grande destaque da vitória foi o lance do armador Cauê, que anotou a cesta decisiva da partida a 1 segundo da buzina final (na foto).

Ah! Melhor de tudo: os hermanos arrentinos foram massacrados pelos americanos por 127x74. Nosso adversário nas semifinais sairá do confronto entre Sérvia x Turquia.

Leia Matéria do Estadão

Leia Matéria do Globo

EDINANCI

Essa a medalha de ouro que mais me orgulhou até agora. Um ouro merecido, conquistado por uma grande vencedora. Natural de Souza, na Paraíba, Edinanci é daquelas desportistas oriundas das periferias, que lutou no berço pela sobrevivência. No começo da carreira teve, inclusive, de provar sua feminilidade (veja matéria). Pois passando por tudo isso e sempre conservando a humildade, Edinanci sagrou-se hoje Bi-Campeã Panamericana (leia matéria). Essa vale ouro!

MELHOR DO MUNDO

Impressionante o que joga MARTA, craque da seleção brasileira feminina de futebol. Eleita melhor do mundo em 2006, acabou de dar um show na vitória do Brasil sobre o Canadá por 6x0. Marcou gols de tudo que é jeito, driblando a goleira, chutando pelo meio das pernas, trombrando com duas zagueiras/armário do Canadá. Impressionante!

IMPRENSA

No dia da tragédia do voo 3054 da TAM, acompanhei atentamente os noticiários e me deparei com um verdadeiro massacre dos jornalistas de plantão ao Governo Federal. Sustentaram, em verdadeiro pré-julgamento, quase em sua unanimidade, que a causa da tragédia era a pista do aeroporto de Congonhas e, especialmente, a ausência nesta de um componente denominado “groovin” (ranhuras destinadas ao melhor escoamento da água). Pois agora, menos de 3 dias após o acidente, a verdade vem à tona: a causa do acidente foram problemas mecânicos na aeronave, mais especificamente defeitos no reversor de turbina, equipamento fundamental ao pouso. A imprensa nacional precisa ter mais cuidado com os pré-julgamentos!

quinta-feira, julho 19, 2007

1, 2, 3...


O Corinthians é freguês. Com uma atuação muito boa e convincente, o Internacional bateu o Corinthians no Gigante da Beira-Rio. Apesar de jogarmos com 3 zagueiros e 3 volantes, estivemos sempre no comando da partida e o adversário não ameaçou jamais. Iarley teve ótima atuação, jogando pela faixa esquerda do campo. Mas o destaque, que valeu o preço do ingresso, sem dúvida, foi a atuação de Alexandre Pato. O guri tava endiabrado, marcou 2 gols; o primeiro cobrando penalty com perfeição e o segundo num chute primoroso de fora da área (observem o chute de Pato e vejam que ele é sempre um tiro certeiro e muito rápido). Além dos gols, Pato protagonizou um lance espetacular no qual tirou a bola do arqueiro rival, num lance de velocidade e oportunismo e, de virada, com a perna esquerda, quase marcou o que seria um dos gols mais bonitos da história do Gigante da Beira Rio.

segunda-feira, julho 16, 2007

GASTRONÔMICA

Ontem revisitei uma grande pedida portoalegrense. Cantina Dal Padrino, na zona sul, ao lado do Restaurante Bolonha. Provolone e Mafiosa (beringela com calabresa forte) em massa fina, numa pizza que vale a pena conferir. Tudo regado a uma boa garrafa de Boscatto safra 2004.

sexta-feira, julho 13, 2007

COMO EU SUSPEITAVA...

A contratação de Magrão para formar o meio campo do Internacional estava ligada a venda de Edinho. Foi o que apontei em minha última coluna CLÁSSICO. Pois a suspeita se confirma: Zero Hora publicou hoje notícia de que a negociação de Edinho com o CSKA Moscou (time em que atuam Daniel Carvalho e Vagner Love e que tem Paulo Paixão como preparador físico) está praticamente concretizada. O Inter terá direito a 51% do valor da negociação, por ser o detentor desta fração do passe do atleta, o restante pertence ao Barreiras, pequeno clube do subúrbio do Rio de Janeiro. Aguardem, pois, a partir de agosto, uma meia cancha com Magrão, Wellington Monteiro, Guiñazu e Alex.

C ROTH

Pediu demissão no Vasco da Gama, mas a diretoria (Euricão) não aceitou.
Esse é um fenômeno do futebol. Nunca ganhou mais do que gauchão e uma Copa Sul. Sempre inicia bons trabalhos, mas entrega o cargo em situação periclitante. Quase rebaixou o Internacional para a Segunda Divisão (ainda deu tempo para o bombeiro Claudião apagar o fogo!). Alguém poderia me dar um motivo sequer para contratar C. Roth como treinador de seu time.

terça-feira, julho 10, 2007

PERDA


Como é difícil perder uma pessoa. Hoje acordei com a notícia da morte de um amigo, e senti a mais forte das dores novamente. Instantaneamente, lembrei do último telefonema, da última vez em que ouvi sua voz e aquele sorriso debochado inconfundível. Pensei no churrasco que vínhamos planejando e que, agora, virou só um plano impossível; dos dias em que matamos aula nos tempos da faculdade para tomar mate e comer bergamota, ao sol, na praça; nos bons momentos que tivemos naquele final de semana em que fui visitá-lo em Florianópolis, quando pude conhecer melhor sua esposa e sua filha recém nascida; das várias noites em que, entre tragos, aprendemos tanto desta vida. O Boêmio, apelido mais do que perfeito, já não está mais aqui, mas ficará sempre vivo em nossos encontros...


segunda-feira, julho 09, 2007

ANGÜERAS



Sexta-feira assisti ao show do Grupo Angueras, o conjunto mais antigo em atividade. Desde 1962 o grupo apresenta a cultura tradicionalista pelos palcos. No show "Um Comício de Espíritos", Os Angueras receberam convidados especiais destacados como Mário Barbará, Yamandu Costa e Renato Borghetti. Há tempos que eu não presenciava um evento musical tão bom; um dos destaques da noite foi o encontro de Yamandu no violão com a gaita de Borghetinho. No final, todos os músicos cantaram e tocaram reunidos. Baita show!

sexta-feira, julho 06, 2007

ESFORÇO


O esporte, realmente, é mágico e nos propicia momentos ainda mais fascinantes. Estou aqui em casa assistindo ao Grand Prix de Atletismo de Paris. As provas todas encerradas, de pista e campo, e apenas uma atleta no foco das atenções. A russa Yelena Isinbayeva, recordista mundial no salto com vara, com a marca de 5 metros e 1 centímetro, está monopolizando todas as atenções do estádio e do mundo, via transmissão, na tentativa de melhorar, vejam só, em 1 centímetro sua marca. É notável o esforço da atleta; a tomada de câmera revela uma expressão de foco total e, por trás dessa expressão, consigo sentir toda a dedicação, a rotina diária de esforço, a obstinação pela marca. O esporte é fantástico, faz com que a vida tenha sentido.


Que venha o Pan do Rio de Janeiro, com várias e várias manhãs, tardes e noites de esporte.

quarta-feira, julho 04, 2007

COLUNA CLÁSSICO


"Eles (os treinadores) tentam me enganar, mas não sou bobo. Quando eles vêem com o milho eu já estou voltando com o fubá. Gallo repetiu hoje, contra o São Paulo, o que muitos já fizeram por aqui (Tio Janjão fez, Lori fez, Muricy fez, Abel fez...). 5-3-2, com 2 volantes brucutus (Edinho e Magal – bah!), e os 3 zagueiros atuando em linha. Uma novela chata, que não gostaria de estar vendo novamente."
E por aí me vou, no tradicional ato de polemizar a respeito deste CLASSICO que minha vida movimenta e atormenta.
Saudações rubras.

RACISMO

"Sobre o racismo entre nós, depoimento do sábio francês Augusto Saint-Hilaire no Diário de sua "Voyage `a Rio Grande do Sul": Pelotas, 11 de setembro de 1820 - Nas charqueadas os negros são tratados com muito rigor. O senhor Chaves e´ considerado um dos charqueadores mais humanos; no entanto, ele e sua mulher só falam a seus escravos com extrema severidade, e esses parecem tremer diante dos seus patroes. Há sempre na sala um negrinho de 10 a 12 anos, que permanece de pé, pronto a ir chamar os outros escravos, a oferecer um copo de água e a prestar pequenos serviços caseiros. Não conheço criatura mais infeliz do que essa criança. Não se assenta, não sorri, jamais se diverte, passa a vida tristemente apoiado à parede e frequentemente é martirizado pelos filhos do patrão. Quando anoitece, o sono o domina e, quando não há ninguém na sala, põe-se de joelhos para poder dormir..."

Coluna do Flavio Alcaraz Gomes, no Jornal Correio do Povo, p. 4, 3.julho.2007.

terça-feira, julho 03, 2007

SÍMBOLOS


QUE BELEZA!

A Governadora Yeda enviando projeto de Fundos Previdenciários à Assembléia Legislativa. O Presidente Luís Inácio LULA da Silva declarando o fim da submissão às regras norte-americanas. Robinho marcando três gols pela seleção.

domingo, julho 01, 2007

"INVENCIONISSE"

Olha tchê, foi horrível pegar toda aquela friaca, aguentar o vento gelado soprando em minha cara, suportar as terríveis alterações do Gallo (tirou o Roger que estava bem e me veio com o mercenário do Cristian, justamente quando a equipe se achava e exatamente no momento em que marcáramos o gol de empate). Mas te digo, para consolo, saí do estádio, mais uma vez, sem perder para o Atlético Mineiro. Aliás, eu não me recordo de ter sido derrotado pelo Galo Mineiro dentro do Beira-Rio. E a lembrança mais remota que tenho é de um Inter x Atlético do início da década de 80, acho que 85 ou 86, em que terminei o jogo na descidinha da rampa de acesso à geral, secando cobrança de escanteio deles e com mais uma vitória no currículo. Dessa vez não deu, a "invencionisse" do Gallo não permitiu mais uma vitória.

quarta-feira, junho 27, 2007

DESCARTES

"... e me sentirei sempre mais obrigado com aqueles por cujo favor desfrutarei meu tempo sem empecilhos do que me sentiria com aqueles que me oferecessem os mais honrosos empregos na Terra." (Dircurso do Método - LP&M Pocket, vol. 458, p. 118 - últimas palavras da obra).

sábado, junho 23, 2007

Pátria

“E aqui está, são Luiz Gonzaga, terra do primeiro monje, meu rastro veio de longe e o tempo jamais apaga, e benção que não se paga, descender desses avôs, que a força de mocotós, nas missões e na fronteira, levaram a vida inteira, fazendo pátria para nós.” (Jayme Caetano Braun).

MOCOTÓ 2007

Agora chove, estou aqui cevando meu mate. O inverno chegou esta semana. Foram os momentos mais quentes dos últimos dias, das últimas semanas. Pareceu verão, ao sol, sem camisa. A chapa conservada das intempéries; caliças guardadas para a composição do fogão gaudério. Tocos de lenha, gravetos extraídos a golpes de machado, folhas de Correio do Povo para incendiá-los. O panelão sendo preenchido por água, com gotas espessas de limão, nada mais que o suficiente para tirar uma fervura do mondongo. Noutra frente, as patas e os tendões, acompanhados de outros galões d´água, já no cair da tarde. Lenha, muita lenha, pois tal função iria perdurar noite adentro, debaixo de sereno e trago. Um pedaço de lingüiça e outro de carne, para encostar o estômago. Fogo, prosa e trago para alegrar, madrugada adentro. Poucas horas de sono pestanejado. Um novo dia se apresentando, ainda mais quente que o anterior. O fogão ainda aquecido por brasas. A chaleira com a água ainda quente, recomendando o preparo do chimarrão. Lingüiça fina, tripa, coaleira, feijão adormecido na água, a última etapa por vir. Alho e sal para temperar, o que a tradição nunca vai deixar esfriar.


LPortinho, sobre um 20 de junho de 2007, que todos deram como um Dia Histórico para o Rio Grande e que acabou com Boca Jrs. dois a zero neles.

terça-feira, junho 05, 2007

PARADESPORTO

O amigo Carlos Roberto de Oliveira, mais conhecido como Carlão, venceu pela sétima vez a maratona de Porto Alegre, na categoria cadeirantes. Com isso, igualou o recorde de vitórias de Geni Mascarello, a maior vitoriosa da prova. Em que pese isso, o feito de Carlão não recebeu sequer uma linha nos jornais da Capital. Infelizmente, o descaso para com o paradesporto por nossos veículos de imprensa é flagrante. O colunista Wianey Carlet, do jornal Zero Hora, abordou com muita propriedade o tema em sua coluna do último domingo, em tópico que denominou "Heróis sem Louro".


sábado, junho 02, 2007

SÚMULAS VINCULANTES

A Suprema Corte aprovou na última semana as três primeiras súmulas vinculantes. Ao contrário do que pensam os Ministros da Suprema Corte não creio em grandes mudanças no panorama atual do Judiciário. As súmulas vinculantes não serão capazes de desafogar o Judiciário.

sexta-feira, junho 01, 2007

TIMINHO...

No dia 22.maio, após a derrota para o Atlético-PR escrevi no CLASSICO DO MUNDO ESPORTIVO que: "O Colorado parecia um timinho do interior vindo jogar com a dupla gNAL pelo gauchão. A preocupação foi exclusivamente defensiva. Foi constrangedor. Depois da expulsão de Maicon, então, me vi como um torcedor interiorano rezando para que o jogo terminasse logo. ". A derrota de ontem para o Pachuca foi ainda mais constrangedora. O começo do jogo indicava que o Internacional poderia regressar do México com uma goleada, mas, no curso da partida, se viu que as orientações eram para que o time jogasse todo recuado e sem qualquer pretensão ofensiva. O lance do gol, com Pato mais uma vez provando que é um jovem de grande potencial, foi isolado e único; O Internacional nunca mais voltou a frequentar o ataque. E assim fui madrugada adentro, novamente, como torcedor de timinho, torcendo para que o jogo terminasse logo.

quarta-feira, maio 30, 2007

CLEMER

Ouvi e li sobre o retorno de Clemer ao gol do Internacional. Lá se foi a única coisa que me animava no Colorado nos últimos tempos (ter Renan - goleiro campeão mundial sub-20 - comandando o arco e a defesa). Sob o pretexto da experiência, lá vem Clemer novamente a nos atormentar. Tá brabo de ser Colorado nestes dias.

quinta-feira, maio 17, 2007

ESCREVO

Porque conheci alguém. Morena, cabelo escuro, liso e comprido, meiga, olhos grandes e negros, cheios de expressão, boca carnuda da qual não consigo tirar os olhos quando conversamos. As vezes usa óculos, geralmente de salto alto, para disfarçar a baixa estatura. Uma guria, nova e na maioria das vezes imatura, como a idade recomenda, embora se diga 'uma velha'.

LPortinho, 13.out.2005.

NUMA CURVA

UMA MURALHA DE FOLHAS VERDES...
UMA RAJADA DE VENTO...
UM RAIO DE SOL DE FINAL DE TARDE...
E O PENSAMENTO VOANDO LONGE...

LPortinho, 21.jan.2006.

BONÉ E BERMUDA

17 horas e 15 minutos. Cheguei no Mercado Público. Tinha marcado com o Gringo e o Paulinho às 18 horas, para ir ao jogo do Internacional em Canoa, contra a Ulbra. Fui até o mesanino, em frente ao Pacífico. O garçom demorou uns minutos para vir à mesa. Perguntei pelas cervejas:
- Temos Polar, Brahma Extra...
- A Polar tá gelada ?
- Bah, tá uma maravilha.
- Polar então!
Fiquei pensando se ligava ou não para a Mônica. Ela devia estar saindo do trabalho. Fiquei pensando. Chegou a cerveja. De fato, estupidamente gelada. A garrafa estava com o véu de noiva. O primeiro gole desceu mais redondo do que nunca. Liguei para Mônica. Atendeu e a ligação caiu. Tentei novamente. Tocou uma vez e caixa de mensagens. Peguei o livro do Bukowski - "A Menina Mais Linda da Cidade" (sugestivo para ocasião) - e comecei a folhear, procurando alguma crônica ainda não lida. Cia direto naquele que ele sai do presídio e encontra Maggie, que havia deixado o carro para conserto num pilantra; clássica história do Buko.
Na mesa da frente um casal aparentava mal estar. Ela me olhava frequentemente enquanto eu procurava um texto. Ele com cara de poucos amigos. Chamaram uma cerveja, brahma (não aparentava estar gelada). Tomei outro gole de minha cerveja, agora com mais prazer. Baixaram uns papéis na mesa (pareciam contas), o que só piorou o clima. Beberam a cerveja entre poucas palavras, levantaram e foram embora.
Folheei e encontreu um texto que nunca tinha lido, ou talvez não me recordasse mais. Fiquei lendo. O telefone tocou, já eram 17 horas e 40 minutos. Mônica de um orelhão. Disse que já estava indo embora, na parada de ônibus. Chamei-a.
- Tá legal. Mas aonde no Mercado ?
- No mesanino, em frente ao Pacífico.
- Tá, tô chegando aí.
Segui na leitura entre goles de Polar. Chegaram duas gordas que sentaram à minha frente, na mesma mesa do casal estressado. Pediram umas 'ruffles' que devoraram como cachorro, cada uma tinha sua lata de refrigerante. De vez em quando a mais gorda delas me olhava. Eu disfarçava atenção total ao livro. Terminei a segunda crônica, baixei o livro na mesa e fiquei pensando. A essa altura, já havia muita gente na volta, tinha perdido a noção, tamanha a atenção que dedicava à leitura das insólitas histórias do Buko. Avistei a Mônica. Sorrindo.
Chegou, me beijou no rosto e sentou à minha frente, bem próximo, quase ignorando a mesa. Aquilo foi bom. Perguntei se queria um copo. Pediu um suco, mas o garçom acabou trazendo água sem gás, porque 'a laranja não estava muito boa'. Chamei outra cerveja.
Por que demorou tanto ?
Tu acha ?
A hã...
Sei lá, tava longe...
Eu me sentia extremamente bem, tranquilo, a vontade. Todos na volta olhavam (bando de xeretas!). Ao mesmo tempo, me sentia um pouco intimidado. Ela me contou várias coisas, sobre a viagem do pai com as tias (que indiarada), a Vanessa e seu namorado e toda a família na praia, que era algo que ela estava indisposta a encarar. Acho que é isso que me atrai na Mônica, ficar ouvindo-a contar coisas, entre sorrisos metálicos.
- Tem uma coisa no teu olho, eu disse.
- Aonde ? (já esfregando o olho esquerdo).
- Não, é do outro lado (tentei tirar, mas não consegui).
- Aí, aonde ? (agora esfregando o olho direito).
- Para, tu não vai conseguir, só com espelho.
- Será que tem banheiro aqui ? Quero tirar isso! (esfregando o olho).
- Tá, esquece!
- Aí, não consigo (esfregando o olho com mais força).
- Saiu!
- Mentira tua (ainda esfregando o olho).
- Saiu sim!
- Eu sei que não saiu, depois eu tiro na frente do espelho (sorrindo).
Nossa, eu acho que estou gostando dessa guria, pensei. Ela é interessante, cativante. Ficamos conversando sem parar, como sempre. Como será o silêncio com ela ? Tomei a cerveja e fui ao banheiro. No caminho avistei o Gringo e o Paulinho, ancorados lá embaixo, bem na passagem entre a sorveteria e a casa de umbanda. Típica dupla de aleijados, ancorados na passagem. Quando voltei do banheiro, os dois já estavam ali em cima.
- Nós te vimos lá de baixo, só uma roda de cadeira, imaginei que era tu (disse o Paulinho).
- E aí, qual é a situação ? (indagou o Gringo).
- Tamo aí. Chega aí que estou com uma amiga.
Fomos até a mesa, apresentei-os. O Paulinho, para variar, ficou mais de canto, quase atrás de mim. Conversamos mais um pouco, o Gringo tinha um papel do compressor que comprou dos Estados Unidos na mão. Falou das polêmicas da Receita Federal para liberar os impostos de importação. A Mônica na dela, só ouvindo, de vez em quando perguntava alguma coisa. Ficamos ali uns 10 minutos, eu e Gringo baixamos outra Polar. Os aleijados desceram para fazer um rango na padaria. Terminei a cerveja e saímos. A Mônica foi ao banheiro. Fiquei esperando e pensando um monte de bobagens. Viajei um pouco.
- Consegui tirar! (veio sorrindo e segurou carinhosamente nos meus ombros).
Tremi. Saímos conversando. Pegamos o elevador. Encontramos os aleijados e saímos do Mercado. Ela me deu um beijo rápido (no rosto, muito perto da boca), bem mais carinhoso do que aquela da chegada; com a mão no meu rosto (provocante) e pediu para que eu ligasse se estivesse aí no final de semana.
Fomos para Ulbra e assistimos ao Internacional ser derrotado por 1x0.
LPortinho, Porto Alegre, 27.jan.2006 a respeito de fatos ocorridos em 25.jan.2006.

A RESPEITO DE...

Encontrei o Ronaldo no Centro ontem. Muito engraçado. Voltava do almoço, pela Andradas, completamente sem nada para fazer (esses são os melhores momentos da vida, quando não se tem absolutamente nada para fazer ou pensar). Lá pelas tantas ele disse que conversou com o Gringo e os dois chegaram à conclusão de que eu talvez um dia fosse para Guaíba e ficasse por lá sozinho e que entraria em depressão e me mataria.
Não pude deixar de achar engraçada a teoria. Primeiro pela criatividade da dupla. Mas, de fato, muito engraçado. Ouvindo um blues, bebendo e me suicidando. Isso só comprovaria a teoria do suicida (quando bati o Fiat Uno o pai de um amigo falou para outro amigo que eu era um suicida em potencial). Falta do que pensar, falta do que falar, falta do que fazer, só pode ser isso. O Gringo e o Ronaldo se encontraram, falaram um monte de besteiras e chegaram a esta conclusão, assim como deve ter chegado a este ponto 'o criador da teoria do suicida'. Engraçada, se não fosse a meu respeito!
LPortinho, 2005.

ARROZ DE CHAPA

Tudo que se põe na chapa
de alguma forma levanta fumaça
com tempero, pimenta e chalaça
a coisa toma jeito e fica guapa

Pués ontem tasqueei una gajina,
com cebola, pimentão e um dente de alho
observei a coisa com goles de trago
até sentir o cheiro de tudo misturado

Deitei o arroz e misturei água,
num mesmo ato levantei a brasa em fogo
e por ali fiquei a traguear

E no fervilhar da água,
em meio à fumaça e ao tempo
aguardei o cozinhar do arroz
tragueando e charlando noite adentro.


LPortinho, ago/2004.

quinta-feira, abril 26, 2007

ABAIXO À DITADURA II

Ontem escrevi a respeito da decisão da Justiça Argentina que declarou inconstitucional decreto de anistia para ex-ditadores (matéria no portal yahoo). Hoje acesso o site do Superior Tribunal de Justiça e me deparo com notícia muito interessante, sobre o mesmo tema. Em julgamento tão histórico quanto aquele da Justiça Argentina, os Ministros que compõem a Primeira Turma do STJ decretaram imprescritível o direito à indenização por danos sofridos em virtude das atrocidades causadas por ditadores. O que embasou o raciocínio dos Julgadores foi a proteção da dignidade da pessoa humana (íntegra da notícia do STJ). Aplausos à decisão!

quarta-feira, abril 25, 2007

ABAIXO A DITADURA!

O Tribunal Criminal Federal Argentino reconheceu a inconstitucionalidade do decreto de anistia concedido em 1990 pelo então Presidente Afonso Menen aos militares Jorge Videla e Eduardo Massera, condenados a pena de prisão perpétua pelas atrocidades cometidas durante a Ditadura Militar, em julgamento histórico realizado em 1985 (leia matéria)

Leio essa notícia com extrema satisfação. Desde guri, lá nos tempos de colégio, nos idos da década de 80, já me indagava a respeito da impunidade para os senhores que aqui no Brasil cometaram atrocidades e mais atrocidades em nome do Regime Militar. A Lei de Anistia, de 1979, publicada ainda na vigência da Ditadura, os tornou imune a qualquer punição. E até os dias de hoje, infelizmente, não se conhece sequer um destes facínoras que tenha recebido qualquer punição por suas condutas atrozes.

Penso que essa decisão argentina é um exemplo; como também exemplar foi a perseguição do Juiz espanhol Baltazar Garzon ao ditador chileno Pinochet. Tais iniciativas representam precedentes lapidares na busca de justiça (demorada, mas nunca tardia) contra os mandantes das ditaduras pelo mundo afora. A condenação histórica de suas práticas atrozes é a maior punição que tais ditadores podem receber.

quinta-feira, abril 19, 2007

COLORADO GRANDE

o Inter acaba de ser eliminado.

Em que pese tal fato, gostaria de registrar que o Colorado fez uma partida de gala hoje, exemplar, de superação, esforço, garra, determinação.

Faltou a bola entrar em um dos tantos lances da primeira etapa. O Nacional não teve qualquer chance de respirar, muito menos de jogar bola. Foi um jogo de apenas uma equipe. É claro que a proposta do Nacional era essa, defender o tempo todo, mas isso não tira o mérito da equipe do Internacional.

E, digo mais, Abel Braga foi o velho Abel, atrevido, impetuoso, sem medos. Colocou a equipe toda a jogar para cima do adversário, marcando-o dentro de seu campo e não dando a mínima chance. Os laterais hoje sim foram alas, jogamos com três zagueiros (Edinho, Índio e Hidalgo), mas um deles sempre subia ao ataque para se juntar aos laterais e meias. O meio campo foi muito bem preenchido, tanto pelo auxílio dos laterais-alas, como pela presença constante e volumosa de Vargas e Wellington, com o reforço eventual de Fernandão que voltava para buscar jogo. Pato e Iarley, na frente, sempre causaram problemas aos uruguaios. Faltou a bola entrar no primeiro tempo.

No segundo tempo, depois da expulsão de Índio, a coisa ficou bem complicada. A entrada de Perdigão (com saída de Rubens Cardoso) daria um volume ainda maior ao meio campo, mas acabou indo por água abaixo com a expulsão. Daí por diante foi pressão desesperada. A produção caiu muito. O gol de Fernandão (numa canhotaça linda!), a dez da busina final, ainda deu um último suspiro de esperança. Mas a tarefa não foi cumprida.

Caimos de cabeça erguida. Mas os erros do semestre precisam ser corrigidos. O planejamento falhou. As justificativas para a ausência de reforços não servem. Só na partida de hoje tivemos uma renda de R$ 900 mil. Portanto, esse, no mínimo, é o prejuízo que a eliminação precoce nos causa; o que seria mais do que suficiente para contratar 2 bons reforços.

Mas vamos levantar a cabeça, porque vem aí o Campeonato Brasileiro e a Supercopa da América.

Saudações rubras, Portinho.

TODOS OS CAMINHOS LEVAM AO BEIRA-RIO II


TODOS OS CAMINHOS LEVAM AO BEIRA-RIO


quinta-feira, abril 12, 2007


Amigos, já está atualizada a coluna Classicos do Mundo Esportivo que aborda de forma diferente e muito direta essa eterna rivalidade entre COLORADOS e pijaminhas. Acessa http://mundoesportivo-classicos-grenal.blogspot.com e deixa lá teu comentário, que é sempre bem vindo e devidamente polemizado.
Saudações rubras, Portinho.

quarta-feira, abril 11, 2007

NADA PARA FAZER



Foi só um feriado. Nada para fazer, como manda o manual da felicidade. Estávamos ali, completamente alheios ao mundo, só nos dois e nosso nada para fazer comum. Todo tempo do mundo a disposição (pelos menos as próximas 24 horas).

Descemos à praça, estava repleta, futebol na cancha, crianças nos brinquedos, passantes. Começou a ler o jornal, enquanto eu cevava o chimarrão. E ficamos ali, durante horas, conversando, rindo e mateando. Quando vimos a praça estava vazia e nós lá nada fazendo juntos...

quinta-feira, março 29, 2007

ABEL - O INVENTOR DO ANO

Tudo bem, o árbitro Jorge Larrionda foi terrível. No mínimo, deixou de anotar o penalty sobre Pato, no final da partida; e faltou critério em sua atuação. Mas não vamos justificar, pela atuação do árbitro, o péssimo empate de 0x0 com o Velez Sarsfield (ficou difícil a classificação!). A choradeira de Abel Braga, Giovani Luiggi e Vitório Piffero ao final da partida, nas entrevistas de rádio, foi patética, justificando o resultado negativo apenas pela atuação desastrosa do árbitro.
Não, não foi Larrionda o responsável pelo placar em branco e pela péssima atuação da equipe Colorada. Quando Cristian foi expulso, o time argentino já dominava as ações e loteara a meia cancha, tomando conta da partida. Abel, mais uma vez, tirou coelho de cartola ao escalar Hidalgo na zaga (e depois não quer ser chamado de Professor Ludovico). Quem esteve no Beira-Rio e tem um mínimo de conhecimento de tática e futebol reparou que o Inter foi escalado num esquema covarde (5-3-2 chama-derrota) e com tal esquema covarde permaneceu até o final da partida, mesmo precisando desesperadamente da vitória.
Faltou ousadia. Na segunda etapa, Alexandre Pato (que deveria ter saído no 11 inicial) ficou completamente isolado na frente e a única opção de jogada eram os chutões para frente de Índio, Edinho e Hidalgo. Sim, acredite quem não foi a campo e não viu a partida pela televisão, os três zagueiros foram investidos na condição de armadores. E Pato, coitado, ficou lá na frente dando cabeçadas e trombadas nos zagueiros argentinos. Aos 43 minutos da segunda etapa o Internacional era atacado pelo Velez e mantinha uma linha de 5 zagueiros e mais 3 jogadores postados logo a frente da zaga, esperando o adversário passivamente, com Pato completamente isolado no meio de três brutamontes argentinos. Foi a atuação mais covarde da Era Abel.
Já estamos adentrando no mês de abril e, até agora, o Internacional ainda não definiu seu 11 inicial e muito menos o esquema de jogo. E, agora, para meu pavor total, passamos a utilizar o malfadado 3-5-2 (que para mim é um 5-3-2) chama-derrota. Nem mesmo as vitórias e boas atuações contra Juventude e Emelec, adotando um consistente 4-4-2, com 3 homens de força na meia cancha (Edinho, Wellington e Perdigão), mais Fernandão de meia avançado, municiando dois atacantes (Pato e Iarley) foi suficiente. Nada parece suficiente para que Abel pare, de uma vez por todas, de inventar.
Chega Abel! Chega de invenção!

sexta-feira, março 23, 2007

PATO

Parece brincadeira. Todas as manchetes dos jornais apontam Pato Alexandre rodeado por uma multidão de Colorados aonde o Internacional vai jogar. Em Vacaria não foi diferente, lá estava a multidão de torcedores a cercá-lo. E começa o jogo com Pato no banco de reservas; a grande estrela do clube na reserva(!). Mais da metade do segundo tempo e Pato entra em campo; cinco minutos depois quase marca o gol, tocando por cobertura na saída do goleiro, como todo grande jogador faria. E, agora, no curso da semana, Pato é criticado abertamente na imprensa por Abel Braga. O treinador alega excesso de preciosismo.
Mas é demais! Um absurdo! Completa inversão de valores! Que seja criticado o Cristian que ficou 90 minutos em campo e não teve sequer um arremate a gol. Vamos se respeitar!

ROMARIO

O 'Baixinho' tá chegando lá. Faltam apenas dois golos para a marca histórica dos 1000. Há muita contestação, dizem que até gol dos infantis foram incluídos. Mas o fato é que nem mesmo os gols da categoria infantil podem ser contestados; afinal, gol é gol, bola na rede é gol, não importa a idade. Joguei futebol uns 2 ou 3 anos e devo ter anotado entre 50 e 100 gols nas peladas de guri. Vai saber se hoje já teria computado os 1000. Romário tem personalidade, Romário sempre teve atitude, Romário sempre marcou gols. Merece a festa!

quinta-feira, março 22, 2007

Brasil

Medida cautelar da Justiça Federal, do Juiz Mauro da Costa Braga, bloqueou papéis da Ipiranga, comprados no mercado de capitais, um dia antes da megavenda da companhia a grupo formado por Petrobrás, Brasken e Ultra, por suspeita de compra com informações privilegiadas. Mais uma grande polêmica jurídica, crime federal. O âncora da Globo apoiou a medida, o comentarista de economia (não sei o nome) também avalizou. Obviamente, tal medida cai no judiciário (futuros recursos). E tudo acaba como antes no quartel de abrantes.

Ruas de Porto Alegre

Sempre gostei. De andar de carro. Na madrugada. Pelas ruas de Porto Alegre. Sem nunca parar. Cruzando avenidas. Pelas ruas de Porto Alegre. Perpassando pessoas. Vendo casas e luzes. Pelas ruas de Porto Alegre. De carro. Andando. Pelas ruas de Porto Alegre.

HISTÓRICO

De fato, encontro entre Collor de Mello e Lula...

sexta-feira, março 16, 2007

POLÍTICOS III

Essa é da província. Li no jornal Zero Hora de 2a feira que o Secretário Municipal do Meio Ambiente da Capital envolveu-se em "rinha" com empresário dono de Bar/Café. A polêmica aconteceu em Atlântica, balneário do Litoral Norte do Estado, e teve origem em restrições administrativas impostas pela Secretaria, que chegou a interditar o funcionamento do estabelecimento comercial. Segundo relatos da Brigada Militar, os dois teriam se desentendido e acabaram agarrados, rolando na areia da praia. Mais do que dantesco, ridículo e bizarro, o episódio revela que nossa administração pública está entregue a sujeitos sem qualquer preparo.

POLITICOS II

Debateu-se na imprensa, no começo desta semana (http://www.estadao.com.br/ultimas/economia/noticias/2007/mar/13/106.htm - Estado de São Paulo, 13 de março de 2007), a questão da Emenda n. 3 ao Projeto que cria a Supe Receita. Conforme tal Emenda os auditores fiscais não poderão autuar (reconhecendo vínculo empregatício) as empresas prestadoras de serviços constituídas por uma única pessoa. Um completo absurdo, porque é da índole da atividade fiscalizatória, sobretudo no campo da Receita Previdenciária, a prerrogativa de reconhecimento de relações empregatícias mascaradas/travestidas de outra figuras jurídicas.
Tal Emenda, sem dúvida, facilita e legitima a fraude. Só vejo duas alternativas aos políticos que defendem a manutenção de tamanho absurdo: 1) votam temas dos quais não possuem qualquer conhecimento ou 2) possuem interesse no enfraquecimento da fiscalização. Qualquer uma das opções é digna de calafrios!

POLÍTICOS

Lula nomeou para o Ministério da Agricultura o Sr. Odilio Balbinotti (atualmente no PMDB). O eleito é um dos maiores produtores de soja do país, proprietário de mais de 200 bens, entre fazendas, aviões e caminhões. Mas o que mais me chama a atenção, pelo lado negativo, é a ficha política pretérita do novo Ministro. Balbinotti esteve filiado durante 15 anos à ARENA (partido de direita que sustentava a Ditadura Militar). E as ilusões se vão, uma a uma...

sábado, março 10, 2007

(IM)PERFEIÇÕES

Alguém gostava de São Paulo,
Alguém gostava de Saquarema.

Alguém perguntou se eu não era ajuizado demais,
Alguém me chamou de imaturo.


Alguém ficou quieta ao me ter chorando,
Alguém chorou quando nada falei.

Alguém falou que meus dedos eram tortos,
Alguém disse que minha mão era perfeita.


LPortinho, 10-março-2007

sexta-feira, março 09, 2007

MÁQUINA

Os olhos registram o que nenhuma câmera capta.
O ouvido compõe sinfonias que Bach nunca imaginou.
A boca ensurdece. As mãos cativam.
O coração é capaz de salvar mais vidas que mil aparelhos cirúrgicos.
Homem, máquina da vida.

LPortinho, 9março2007

EMERGÊNCIA

Quem faz um poema abre uma janela.
Respira, tu que estás numa cela,
abafada,
esse ar que entra por ela.
Por isso é que os poemas têm ritmo
- para que possas profundamente respirar.
Quem faz um poema salva um afogado.

Mario Quintana

SONETO DE FIDELIDADE

De tudo, ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.

Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento.

E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama

Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.

Vinícius de Moraes

BUSH NO BRASIL

A visita de George W. Bush Jr. ao Brasil e a outros países da América Latina, é claro, tem interesses econômicos. Não quero, aqui, debater tal questão. A meu sentir, é evidente que, além do pano de fundo (assinatura de acordos de cooperação tecnológica para produção do etanol), os americanos vêem ao Brasil para utilizar nosso país como fantoche na guerra diplomática que se inicia na América Latina.

Afinal, a simples assinatura de acordos de cooperação tecnológica, assim como visitas a centros de produção, tradicionalmente, são atos realizados por emissários de terceiro ou quarto escalão, ainda mais em se tratando da maior potência econômica mundial. Toda visita de Chefe de Estado a outra Nação guarda sempre um fim político. Assim foi com a ida de Lula ao continente africano e, mais recentemente, ao Uruguai, país vizinho que vinha se afastando, gradativamente, da União do Mercosul. Mas, nesse caso da visita de George W. Bush Jr., parece-me que o protocolo oficial mascara as reais finalidades, buscando, com isso, desviar as reais intenções da missão.

O pró-alcool, projeto brasileiro pioneiro na produção de biocombustível remonta ao final da década de setenta. Pois bem, Ronald Reagan visitou o país em meados da década de oitenta e não recordo de qualquer interesse por nosso programa de combustível alternativo - aliás, os americanos nem sabiam da existência do programa nesta época. Mais recentemente, no final dos anos noventa, Bill Clinton, ainda ocupando a presidência dos Estados Unidos, veio ao Brasil e não se ouviu falar de qualquer projeto no sentido de desenvolver um mercado mundial de etanol, como se ouve agora.

Volto, então, à idéia inicial. Não tenho dúvidas de que a missão de George W. Bush Jr. ao Brasil tem nítida intenção de provocar discórdias. Um cenário de cooperação das nações latino americanas não interessa aos Estados Unidos. Isso já ficou claro através de diversos atos diplomáticos norte-americanos tendentes a desestabilizar a consolidação do Mercosul. A técnica de aproximação individualizada com os vizinhos sul-americanos, via tratados privilegiados, são ilustrações dessa política desestabilizadora. Agora, em meio à crise petrolífera mundial, sabedores de que a Venezuela, assim como Brasil (e até mesmo a Argentina), possuem reservas consideráveis, bem como outras fontes alternativas, capazes de tornar a América Latina unida numa perigosa ameaça à imperial soberania econômica, os Estados Unidos posam de bons samaritanos dispostos a cooperar tecnologicamente com o desenvolvimento de nosso já antigo projeto de biocombustível.

Torço para que nossa política internacional não esteja submissa às barganhas; até porque bem sabemos que os norte-americanos, tradicionalmente, não são cumpridores dos acordos e tratados que assinam. O jogo de beleza (protagonizado por Hugo Chavez e Evo Morales) e os pequenos incidentes diplomáticos atualmente verificos na América do Sul, sem dúvida, interessam por demais aos Estados Unidos. Ao Brasil cabe manter-se longe de tais atritos, abandonando o já tradicional papel de estabilizador das relações continentais, como fantoche norte-americano, e assumindo verdadeiramente a condição de condutor e aliado de um grupo econômico de nações com plenas condições de desenvolvimento sustentável.

BUSH NO BRASIL 2

Vinha acompanhando nos jornais, revistas e telejornais as notícias da visita de George W. Bush Jr. ao Brasil. Sem maiores digressões teóricas, vejo com grande descontentamento nossa submissão às exigências da paranóica rede de segurança dos norte-americanos. Ruas foram fechadas, quarteirões inteiros bloqueados, inclusive para pedestres, causando um transtorno sem precedentes na vida do cidadão comum brasileiro. E agora ouço no rádio que em São Paulo houve violentos choques entre manifestantes, a maior parte estudantes e jovens, e a polícia. Que visita dispensável essa!

domingo, março 04, 2007

COLORADO PELEADOR

O Colorado dos Pampas deu hoje mais uma demonstração incrível de grandeza, força e tradição. Foi jogar em Novo Hamburgo pelo Gauchão, num jogo que se previa complicado. O adversário estava bem colocado na tabela e jogar em Nóia sempre é tarefa complicada. Mas jamais poderia esperar tamanha complicação. Abel Braga tentou de tudo para não ganhar o jogo, fez alterações incompreensíveis, jogou a equipe num "esquema correrio danado". Tudo indicava que ficaríamos no 1x0 para o Nóia, porque a pressão do Internacional era desordenada. Até que, nos 5 minutos finais, pesou a camisa e a tradição Colorada. Dois gols marcantes, de garra, de força, de time peleador (aliás, essa a grande virtude de Abel, a quem recém critiquei; tornou o grupo do Internacional num time peleador, que jamais se entrega).
.
Vida longa ao Colorado Peleador!

VIDEOS

O amigo Humberto Lippo recomenda dois vídeos sensacionais do INTERNACIONAL.

Vale a pena conferir:

http://www.youtube.com/watch?v=14qxuDwWmh4

http://www.youtube.com/watch?v=-1I0_Dd2Zi0

Saudações rubras.

sábado, março 03, 2007

DESOBEDIÊNCIA CIVIL

"Pois o Governo é uma conveniência pela qual os homens conseguem, de bom grado, deixar-se em paz uns aos outros, e, como já se disse, quanto mais conveniente for, tanto mais deixará em paz seus governados" (p. 7)

"A grande maioria dos homens serve ao Estado desse modo, não como homens propriamente, mas como máquinas, com seus corpos. São o exército permanente, as milícias, os carcereiros, os policiais, os membros da força civil, etc. Na maioria dos casos não há um livre exercício seja do discernimento ou do senso moral, eles simplesmente se colocam ao nível da árvore, da terra e das pedras. E talvez se possam fabricar homens de madeira que sirvam igualmente a tal propósito. Tais homens não merecem respeito maior que um espantalho ou um monte de lama. O valor que possuem é o mesmo dos cavalos e dos cães. No entanto, alguns deles são até considerados bons cidadãos. Outros - como a maioria dos legisladores, políticos, advogados, ministros e funcionários públicos - servem ao Estado principalmente com seu intelecto, e, como raramente fazem qualquer distinção moral, estão igualmente propensos a servir tanto ao diabo, sem intenção de fazê-lo, quanto a Deus. Uns poucos - como os heróis, os patriotas, os mártires, os reformadores no melhor sentido e os homens - servem ao Estado também com sua consciência, e assim necessariamente resistem a ele, em sua maioria, e são comumente tratados como inimigos." (pp. 10-11)

"Não importa quão limitado é o começo: aquilo que é bem feito uma vez está feito para sempre." (p. 27)

"O melhor que um homem pode fazer por sua cultura, quando enriquece, é tentar pôr em prática os planos que concebeu quando pobre" (p. 32)
Henry Thoureou, Desobediência Civil, LP&M, 1997

quinta-feira, março 01, 2007

Amanheceu...

Amanheceu novamente, da noite para o dia sem pausa. Os primeiros contrastes no céu escuro, faixos de luz desregulados, o azul tentando predominar em meio às nuvens, o canto dos pássaros, o sol chegou antes do sono.

Paraísos Artificiais

"Mas o dia seguinte! O terrível dia seguinte! Todos os órgãos relaxados, cansados, os nervos acalmados, os titilantes desejos de chorar, a impossibilidade de se dedicar a um trabalho contínuo, mostram-lhe cruelmente que você se entregou a um jogo proibido. A natureza medonha, despojada de sua iluminação da véspera, assemelha-se aos restos melancólicos de uma festa. A vontade, sobretudo, é atacada, de todas as faculdades a mais preciosa. Dizem, e é quase verdade, que esta substância não causa nenhum mal físico, nenhum mal grave, ao menos. Mas é possível afirmar que um homem incapaz de ação, e próprio somente aos sonhos, se portaria realmente bem, mesmo quando todos os seus membros estivessem em bom estado ?" (Charles Boudelaire, Paraísos Artificiais - o haxixe, o ópio e o vinho)

Ausência

O cenário é de totais ausências; uma breve reflexão levaria o sujeito a indagar se não estava completamente só sobre o planeta. Duas ou três largas piscadas de olho, com a mente inteiramente vazia de pensamentos ou idéias, e lá dentro, no interior de sua meditação, ouviu ruídos e sinais de alheio. Vidas, muitas vidas sinalizando à volta, em cantos e vôos. Recortava pensamentos negativos, sempre que lhe tentavam invadir. Um giro de trezentos e sessenta graus, tontura, o corpo leve novamente, sem apoios, caindo de forma suave, para acordar sobre um amplo tapete verde, rodeado de belezas, mirando a lua que pairava sobre si.

LPortinho, 27.fev.2007.

Dead Flowers

"Well when you're sitting there in your silk upholstered chair / Talkin' to some rich folk that you know / Well I hope you won't see me in my ragged company / Well, you know I could never be alone.

Take me down little Susie, take me down / I know you think you're the queen of the underground / And you can send me dead flowers every morning / Send me dead flowers by the mail / Send me dead flowers to my wedding / And I won't forget to put roses on your grave

Well when you're sitting back in your rose pink Cadillac / Making bets on Kentucky Derby Day / Ah, I'll be in my basement room with a needle and a spoon / And another girl to take my pain away

Take me down little Susie, take me down / I know you think you're the queen of the underground / And you can send me dead flowers every morning / Send me dead flowers by the mail / Send me dead flowers to my wedding / And I won't forget to put roses on your grave" (Jagger & Richards)

Assim como a vida.

O pé de caqui está coberto novamente. Como ocorre todos os anos, após a queda de todas as folhas e do enfrentamento ao inverno, inteiramente desbastado, o pé de caqui se renova; cria forças e frutifica; já no curso da primavera, mostra sinais esplêndidos de vida. Preenchido de frutos, assiste à chegada do verão, destaca-se na paisagem, atrai a presença, prepara-se para o fim de mais um ciclo.

LPortinho, Guayba, 27fev2007.

sexta-feira, fevereiro 23, 2007

I'm Looking Through You

"I'm looking through you, where did you go? / I thought I knew you, what did I know? / You don't look different, but you have changed / I'm looking through you, you're not the same / Your lips are moving, I cannot hear / Your voice is soothing, but the words aren't clear / You don't sound different, I've learned the game / I'm looking through you, you're not the same / Why, tell me why, did you not treat me right? / Love has a nasty habit of disappearing overnight" (Lennon & McCartney)

PRAZER

“Tenemos que reaprender lo que es gozar. Estamos tan desorientados que creemos que gozar es ir de compras. Un lujo verdadero es un encuentro humano, un momento de silencio ante la creacion, el gozo de una obra de arte o de un trabajo bien hecho. Gozos verdaderos son aquellos que embargan el alma de gratitud y nos predisponen al amor” (Ernesto Sabato)

ONE ART

"The art of losing isn't hard to master;
so many things seem filled with the intent
to be lost that their loss is no disaster.


Lose something every day. Accept the fluster
of lost door keys, the hour badly spent.
The art of losing isn't hard to master.


Then practice losing farther, losing faster:
places, and names, and where it was you meant
to travel. None of these will bring disaster.


I lost my mother's watch. And look! my last, or
next-to-last, of three loved houses went.
The art of losing isn't hard to master.


I lost two cities, lovely ones. And, vaster,
some realms I owned, two rivers, a continent.
I miss them, but it wasn't a disaster.


---Even losing you (the joking voice, a gesture
I love) I shan't have lied. It's evident
the art of losing's not too hard to master
though it may look like (Write it!) like disaster."


-- Elizabeth Bishop

quarta-feira, fevereiro 21, 2007

BUKOWSKI II

"and as my grey hands
drop a last desperate pen
in some cheap room
they will find me there
and never know
my name
my meaning
nor the treasure
of my escape"

BUKOWSKI

"Torneira pingando,
arroubos de paixão,
pneus furados,
todos são piores que a morte"

PLENOS PODERES

"A quem não ouve, nesta sexta, o mar
pela manhã, a quem dentro de alguma
casa, escritório, fábrica ou mulher,
ou rua, ou mina, ou seco calabouço:
a este eu ajudo e sem falar nem ver
chego e escancaro a porta da clausura
e um sem-fim vago se ouve na insistência,
um longo trovão roto se encadeia
ao peso do planeta e da espuma,
roncos surgem os rios do oceano,
vibra veloz em sua roseira a estrela
e o mar palpita, morre e continua.

Assim pelo destino conduzido
devo sem trégua ouvir e conversar
o lamento marinho na consciência,
devo sentir o golpe da água dura
e recolhê-lo numa taça eterna
tão pura que onde esteja o encarcerado,
onde sofra o castigo do outono
eu esteja presente com uma onda perdida,
e através das janelas eu circule
e quando me escutar levante o olhar
dizendo: como chegarei ao mar ?
E eu transmitirei sem dizer nada,
os ecos estrelados de uma onda,
um quebranto de espuma e de areais,
um sussurro de sal que se retira,
o grito gris do pássaro da costa.

E assim, por mim, a liberdade e o mar
responderão ao coração escuro."

PABLO NERUDA, "Plenos Poderes", Buenos Aires, Losada, 1962

IMPERADOR DO SAMBA

Seria muita pretensão se considerar um Imperador do Samba, mas naquela quarta-feira a noite me senti diferente. A coisa é contagiante, tudo encarnado à volta, os títulos marcados na parede da quadra de ensaio revelam tradição para poucos. A bateria é ensurdecedora, fiquei com zumbidos no ouvido por dois ou três dias. È demais, contagia, não dá para ficar parado. Entra a bateria, vem as passistas, ótimas, mulatas fantástica, perfeitas, que rebolam e sambam com maestria. A passista vinha à nossa frente e ficava rebolando e baixando até o chão, enlouquecendo-nos com sua beleza e desenvoltura. O passista era um negão picareta, todo de branco, com passinhos rápidos e malandriando os pés, fazendo trejeitos de reverência à passista. Ela no tipo esnobe soltava os quadris e deixava a rapaziada babando. E as baianas davam show, todas na casa dos 50 ou 60, com uma expressão de alegria no olhar comovente, revelando todo o esforço e paixão dedicados à Escola.

Que orgulho em dizer que eu sou da Imperadores do Samba!
LPortinho, 14.fev.2004.

PRIMEIRAS HORAS


Sentei no bar e pedi uma taça de café com leite e uma torrada de queijo. Crash! Uma batida de carros logo em frente, na esquina. Para variar um taxista em alta velocidade, dessa vez até com a razão, porque o outro carro avançara a preferencial. De toda forma, quando vi o taxi atravessado calçada a dentro não pude evitar de pensar na parcela de culpa daquele motorista, certamente motivado pela corriqueira imprudência que tanto caracteriza os taxistas. O que mais chamou minha atenção, no entanto, foi uma senhora que passava pela cena com um cachorrinho puddle na coleira e acenava para as duas placas de "pare" colocadas uma em cada lado da rua e bradava: "e olha que tem duas placas hein!", olhando fixamente para a motorista do carro que avançara a preferencial, a essas alturas já na calçada para se justificar com o motorista do taxi. Em frente ao bar já se reuniam o garçom, o chaveiro, o manobrista do estacionamento e um tiozinho de chinelo e meias que deve ser morador da vizinhança, cada qual fazendo o seu comentário a respeito do episódio. A senhora do bar alertou que diariamente ocorrem freiadas bruscas e que não era o primeiro sinistro. Sorvi um gole de café e pensei a respeito desse instintivo ato de o ser humano se posicionar diante dos fatos; achei interessante aquilo, por mais caótico que esteja este mundo, as pessoas não deixam de expor suas opiniões e demonstrar raciocínios muito coerentes. Dessas primeiras horas, fiquei com a impressão de que quando se acorda cedo a vida acontece perto - os ambulantes arrumando seus estantes na Praça da Alfândega; pessoas indo e vindo na Rua da Praia, com pressa para cumprir suas rotinas; ônibus que chegam e saem das paradas sem pausa; os primeiros raios de sol do dia refletindo nos prédios antigos do Centro. Tudo muito vivo e intenso!

LPortinho, Porto Alegre, 3.junho.2006.

quarta-feira, janeiro 31, 2007

ALGUNS DIAS

Alguns dias, sem compromissos;
alguns dias, sem relógios;
alguns dias, sem medos;
alguns dias, sem dúvidas...

Alguns dias para acordar e ficar na cama;
alguns dias para conversar;
alguns dias para sorrir;
alguns dias para ser um só...

Alguns dias se foram,
alguns dias vividos,
alguns dias passados,
alguns dias inesquecíveis.

LPortinho, janeiro/2007.

CULTIVOS

A grama germina e cresce como insu.
Verduras e legumes, basta atirar as sementes à terra.
Frutas são mais complicadas, há alguns pés tímidos aqui com ano de vida.
Arbustos levaram mais de dois anos para fechar.
Uma árvore à minha frente com quatro anos começa a fazer boa sombra.
E caminho pelo mundo a perceber que aquelas mais arraigadas levam anos de convivência.
É preciso ter muita paciência na arte do cultivo...

LPortinho, 29/jan/2007,

sábado, janeiro 27, 2007

CRIANÇAS

Sempre chego em casa e as encontro brincando juntas, unidas. As vezes fico obsevando por minutos antes de deixar o carro. De repente, saem todas correndo em direção à praça, gritando e com os braços para o alto; ou ficam reunidas num grupinho fechado, conversando, todos falam alguma coisa sempre. O fato é que estão sempre juntas e unidas, muito felizes.

Um dia a vida lhes separa...

LPortinho, 27.jan.2007.

DIAS CONFUSOS

Ele estava ali parado. Diante da sinaleira, pensando no seu dia, na sua vida recente. Distanciou-se da realidade entre os pensamentos. Regressou com várias buzinas soando. Há dias que não se relacionava com ninguém. Do trabalho para casa, de casa para o bar, cervejas impessoais, do bar para casa, e de casa para outros bares da vida; antes de outro dia de trabalho ou de andanças sem rumo. Seguiu um dos tantos caminhos até sua casa; no caminho pensou em isolar-se em outro canto, em casa poderia ser procurado pelos fantasmas do passado. Não conseguiu pensar em nada melhor que sua casa. Ao chegar notou que o bar já estava fechado, não era tarde, mas havia dias em que a ´igreja´ fechava mais cedo. Saiu do carro lentamente, como que torcendo para que o acaso do tempo lhe trouxesse algo mais interessante que subir para casa e dormir. Recolheu as coisas do banco traseiro, tirou o toca-fitas, desligou o farol, travou a porta, saiu desanimado em direção à porta do prédio. Encontrou um velho conviva e uma vizinha, com sorrisos e um becke fechado. Era o tal acaso do tempo que sempre acontecia nestas situações. Seguiram em direção à praça, acomodaram-se entre as árvores e os balanços. A noite estava tranqüila, céu claro e estrelado, a brisa da beira do rio abrandando o calor escaldante do dia quente de verão. O conviva acendeu o baseado enquanto ele conversava com a vizinha, uma loira, beirando os trinta e muitos, de difícil definição, a não ser pelo evidente maltrato dos percalços de uma vida desregrada e sem rumos. Queimou alguns neurônios, tomou uns goles de cerveja (havia comprado umas latas de Skol no caminho). A conversa não fazia muito sentido, palavras soltas no ar. Sentiu vontade de ficar só de novo.


Guaíba, 3 de marco de 2006, ao som de Tim Maia Racional ("Que beleza") na Rádio Ipanema.

terça-feira, janeiro 23, 2007

ELA NÃO VEIO...

Final de tarde, estou na piscina, acompanhado pelo sol que bate suave. A lua, pela metade, mas de brilho intenso, inicia um curso. Algumas horas depois, o céu repleto de estrelas; todas ali, como sempre as vejo, as Marias, o Cruzeiro, até os satélites. Estou sentado na varanda, com o mate; e, mais uma vez, uma cadeira ficou vazia a meu lado.

LPortinho, Guayba, 23.jan.2007

domingo, janeiro 14, 2007

AGORA TENHO MÚSICA CLÁSSICA...

E agora tenho música clássica. Bukowski, em seus últimos escritos, era puro rancor; expunha as mazelas da humanidade, para depois afirmar que só o que lhe restava era a música clássica. E cá estou eu com ela tomando conta dos meus ouvidos e pensamentos. Nada mau, realmente. Tranqüiliza, esvazia, liberta; o que teriam sentido esses compositores malucos ? O que lhes inspirava ?

LUZES RAIANDO

Mais um dia amanhecendo diante de minha compreensão;
considero-me tão privilegiado nesses momentos!
E não foram poucos, sei que não menos estão por vir.

Festas, sinuca com trago regada a mergulhos na piscina;
madrugadas de amor ou de conversas infindáveis ao ritmo de um blues;
o silêncio do meu apartamento com água e vinho;
o som incessante das ondas do mar,
horas e horas vagando por uma cidade desconhecida;
noites desvendando o novo;
livros, discos, várias folhas transformadas em páginas escritas.

Tudo sempre rumando para um final maravilhosamente idêntico:
O canto dos pássaros substituindo ruídos misteriosos,
a invasão dos primeiros raios de luz,
do cansaço à repentina euforia,
a noite dando lugar ao dia.

A vida sem pausas...

LPortinho, 14.jan.2007, 9h.

segunda-feira, janeiro 01, 2007

E foi assim...

Um olhar,
Um toque,
Duas palavras...
O mais sincero dos desejos.

Um breve hiato

E num hiato fiquei só. Com um copo de champagne na mão, uma taça de cerveja morna ao lado, completamente só. Fixei o olhar numa direção, em frente, minha mente já não estava mais lá, viajava longe; havia muito barulho e movimento em volta, eu já não estava mais ali... Voltei, ainda com o copo de champagne na mão, intocado, mais distante do que nunca de onde continuava sentado.
LPortinho, Capão da Canoa, 1.janeiro.2007.

domingo, dezembro 31, 2006

A NOVIDADE.

Cheguei aonde já conhecia.
Notei algo diferente:
uma alma, uma vida, uma cria.

E lá estavam todos,
andei pela casa a vontade,
passei pelas peças,
reconheci toda a simplicidade.

Fui aos fundos e lá estava;
a novidade.
Olhos negros,
brilhando para todos próximos;
sorriso, sons, gestos.
A vida por inteiro!

Não há ali qualquer espécie de caridade.
Sai daquela casa,
mais uma vez,
sem qualquer dúvida,
aquelas são pessoas de verdade.


LPortinho, Caputera - Laguna, 30.dez.2006.

segunda-feira, dezembro 25, 2006

E hoje ?

Saudades!
Dirijo meu carro pela auto estrada. A cidade à esquerda com o dia querendo nascer; o rio à direita.
Saudades! Só saudades!

domingo, dezembro 24, 2006

Fotografias

Olhando as velhas fotografias, que encontrei no fundo do armário, tive a impressão de que o passado estava congelado e perpetuado. Lembrei de cenas e momentos que estavam adormecidos num canto qualquer de minha debilitada memória.
Foi um dia estranho! Já na manhã, ao acordar cedo, tive a impressão de que vultos me rondavam, tentando me dizer ou mostrar alguma coisa. Encontrava-me solitário em casa naquela semana, porque todos tinham ido viajar. Havia pensado numa noite forte, festa, mas, no decorrer do dia, a idéia foi dando lugar a um cansaço e uma nostalgia incríveis. Saí do trabalho, após uma tarde cansativa - não tanto pelos afazeres, mas sim pelo têdio. Para piorar, me aborreci um tanto mais no trânsito insuportável da cidade (ah! essa espinhosa missão de ser obrigado a fazer uma coisa exatamente na hora que todasa as outras pessoas também a estão fazendo).
Chegando em casa, só pensava em relaxar e esquecer aquele dia! Abri a porta, liguei o rádio e escutei o "Show dos Esportes". As novidades do Internacional eram a contratação do paraguaio Enciso e o interesse por Jorginho, zagueiro baiano que chamou atenção à época em que atuava pelo S. C. Bahia (se bem que zagueiro baiano é complicado de acertar).
Desliguei o rádio e fiquei pensando na vida! Vieram-me as inevitáveis imagens do passado... Resolvi procurar a caixa de fotografias. Achei-a no fundo de uma prateleira do armário. Com a companhia de uma garrafa de "Something Special" e aquela coleção de Jazz sendo apresentada à agulha do velho toca discos me debrucei sobre a caixa de fotografias.
Ainda pensei algumas vezes em telefonar para ela, mas o dia não aconselhava tal atitude. Resolvi me "ajorjar" sozinho (lembro que ainda tive a idéia de ligar a secretária eletrônica e me livrar de qualquer chance de incomodação).
Dei início à degustação do wisky, servido em copo baixo, com 3 ou 4 pedras de gelo. Comecei a sentir as vibrações do jazz que soava livre pela sala. Comecei a ver as fotografias. Pessoas e fatos marcados por elas. Tinha a nítida ilusão de estar acompanhado por vultos; pareciam se comunicar comigo através dos timbres da música.
Puxa, como Porto Alegre era linda nesta época! Faz tanto tempo! É incrível como as fotografias conseguem transmitir noções e sentimentos de forma tão fiel. Minha nossa, essa foto é magnífica; lembro perfeitamente do dia em que a tirei: sentado no cais do porto, esperando por alguma coisa, por um momento especial, não tinha sequer idéia de que ele surgiria bem ali, em minha frente, à distância de um simples clicar - aquele momento fantástico em que as imagens passam para a eternidade, num piscar de olhos.
Ouvindo o disco de Gizzy Gilespie, conservado pelo tempo e pela lenda, me sentia ao lado de meu pai. Tinha certeza de que ele estava ali, com sua tranquilidade e sabedoria, me fazendo pensar na vida, nas coisas e nas pessoas. Falava-me sobre coisas das quais não tivemos tempo de conversar; mostrava-me outras que não pude ver; perguntava-me sobre o que eu não pude lhe explicar. Compreendi que o tempo não pode ser freado, mas que eu podia, quando quisesse, parar; ficar um segundo ou uma vida pensando; decidindo, sem interferências, sobre o momento seguinte.
E a noite se foi assim, em meio a lembranças, viagens, lágrimas, sorrisos, timbres, acordes, sopros e imagens. Naquela noite, corri, pulei, senti, chorei, chutei e toquei. Encontrei pessoas que não via há tempos, conversei com elas assuntos que estavam pendentes há anos; visitei-as em suas vidas distantes.
Pois é, neste dia me toquei que as fotografias estarão sempre ali, intactas, esperando por mim. Quando eu precisar, elas estarão lá, guardadas dentro de um armário qualquer, com suas imagens e estórias, prontas para retornar à vida e me transformar no senhor de meu tempo.
LPortinho, 21.julho.1996.

Água e Vinho

Me sinto bem estando em casa.
Aqui tenho tudo de que preciso.
Cama, comida, música e solidão.

Ontem estive no mundo;
fui para festa.
Encontrei muita gente,
lindas mulheres.
Andei pelo luxo e acabei no lixo.

Agora estou aqui, em casa,
ouvindo o payador idolatrar Quintana.
Na minha frente tenho água e vinho...

LPortinho, 21.dezembro.2000.

Sossego

Sossego, Tim Maia, no rádio, justo no meu primeiro dia de férias. E me liga a Mônica para contar que foi chamada no Tribunal. Sossego e boas notícias. Assim se desenvolvem os dias. Do sol batendo na veneziana do quarto (nem era bem um sol hoje - a claridade, digamos, se adequaria melhor), a Kaya ouvindo meus primeiros movimentos e ávida pela sua dose matinal de ração, o canto dos passáros, a chaleira no fogo e a primeira cuia de mate em seguida, um mergulho na piscina ou na infinidade de pensamentos que me levam longe sem um único movimento, uma cebola picada e um prato de comida, o comentário do Cláudio Cabral ao meio dia, o silêncio sepulcral do pós-rango - a impressão de que tudo está parado, o primeiro pássaro voando, o vento que bate manso nas árvores, a Kaya sempre me seguindo e sentando ao meu lado, quando paro, na parceria; mergulhos, mergulhos infinitos e sem direção, a chuva caindo incessante, cuias e mais cuias de mate como se a erva pudesse me ouvir e compreender, linhas, parágrafos, páginas e mais páginas, vinho, pensamentos próximos e distantes, regados a vinho, encontrando respostas e criando novas indagações, o tempo transcorrendo sem ponteiros.
LPortinho, Guayba, 24.janeiro.2006.

O tempo, a pena e o copo

Deixem-me só com uma pena, um copo de cerveja e com o tempo. Hoje me sinto bem tendo essas coisas; não mais preciso andar por aí procurando-as. Nalguns dias, é certo, tenho de conciliar o tempo para várias outras coisas fazer antes de encontrar a pena e o copo. Mas o tempo é assim mesmo, sempre que estamos a procurá-lo ele se esconde com incrível e notável astúcia; deixamos de perseguí-lo e ele de nós se aproxima, como um grande amigo e aliado, fica ali ao nosso lado, ao nosso dispor. Certas vezes, fico o dia inteiro ao lado do tempo, brincando com ele e escolhendo o que, como e quando fazer. Nesses dias, algumas vezes, encontro a pena e o copo.
LPortinho, 19.outubro.1999.

sexta-feira, dezembro 15, 2006

NECESSIDADE

Que inveja tenho da criança que passa por mim picando sua bola velha com gomos abertos
Que vontade tenho de dominá-la, de recebê-la com a parte interna do pé, de ajeitá-la no terreno, de acariciá-la e de fazê-la viver;
Que saudade tenho de quando meus passos eram temidos pelo adversário, de quando meus movimentos eram tão rápido quanto a bola rolando em direção ao gol, da época em que desfilava pelo mundo;
Que necessidade tenho de lembrar esses dias, de saber que as crianças continuam picando bolas e aprendendo a chutar.
Que bom que estou vivo!
LPortinho, Partenon, Porto Alegre, 29.agosto.1997.

sábado, dezembro 09, 2006

NUM SEGUNDO

Aqui aprecio mais os dias do que as noites;
os raios do sol,
no final de tarde,
como a iluminar a alma.

E fico sentado,
mateando em silêncio à varanda,
a contemplar
o que a brisa faz com todo este verde que me cerca.

Os pássaros como a levar uma sinfonia
de um único espectador.
A eterna procura de respostas.


LPortinho, Guayba, 9.dez.2006

terça-feira, dezembro 05, 2006

UM PENSAMENTO QUE LI

"Pessoas entram na sua vida por uma razão, por uma estação, ou por uma vida inteira. Quando perceber qual motivo é, voce vai saber o q fazer com cada pessoa. Quando alguém está em sua vida por alguma razão, é geralmente para suprir uma necessidade que voce demonstrou. Elas vem para auxiliar em uma dificuldade, fornecer apoio e orientação, ajudar física, emocional ou espiritualmente. Elas poderão parecer dádivas de Deus, e são!! Elas estão lá pela razão que voce precisa que estejam lá. Então, sem nenhuma atitude errada de sua parte ou em uma hora inconveniente esta pessoa vai dizer ou fazer alguma coisa para levar esta relação ao fim. Ás vezes estas pessoas morrem. Ás vezes elas simplesmente se vão. Ás vezes elas agem e te forçam a tomar uma posição. O que devemos entender é que nossas necessidades foram atendidas. Nossos desejos preenchidos e os trabalhos deles feitos. As suas orações foram atendidas, e agora é tempo de ir. "

sábado, dezembro 02, 2006

REPETIÇÕES


São quatro e vinte... Chego em casa, ouço vozes, Baby, Drica, Kazu. Quem no mundo não está bêbado ? Há um carro na vaga. Uma conquista nem sempre é completa! E tudo segue, da mesma forma, sempre igual, repetições eternas.

BOLA LARANJA


A noite espetacular. Lua alaranjada descendo sobre o Rio Guayba. E eu transitando, como quero, pela avenida Beira-Rio, Porto Alegre toda minha, aonde e como eu quero, do jeito que eu quero, como sempre gostei. Não é a primeira vez que estou vendo esta bola laranja cair no Rio; isso é um privilégio, isso sim, quantas pessoas já a viram, dessa forma, alaranjada, caindo e se perdendo dentro do rio ?!

quarta-feira, julho 26, 2006

O VENTO

Dias importantes esses... Se foi a chuva, veio o sol com dia claro, o calor deu lugar a muito frio. Já não escuto mais barulhos e as únicas vozes são do vento, a chiar pelos cantos. Se tudo mudou é porque a vida, necessariamente, deve prosseguir. O que havia já não era mais suficiente e satisfatório. É preciso descobrir o por que, e, para isso, me pego remoendo fatos, palavras e gestos. Já não os tenho por completo, mas tento encontrar os por ques! Esses dias são importantes. Entre uma lida e outra, ou mesmo quando me surpreendo contemplando o silêncio, desenho caminhos e redescubro o significado de pequenas coisas. Vou longe como o sopro do vento...
LPortinho, Guayba, julho.2006.

terça-feira, junho 20, 2006

JÁ É INVERNO.

Tenho madeira, pão e vinho.
A chuva deu lugar ao céu estrelado,
num canto da vidraça o pedaço da lua brilha.
Ela já não convive comigo
e eu estou aqui, como uma ilha.
Amanhã vou sorver um mate abaixo do sol,
para calentar o corpo e a alma.
LPortinho, Guayba, junho.2006.

sábado, abril 08, 2006

MARCAS

Derramei vinho numa folha acima desta, de propósito; ficou muito umidecida, até escorrer para esta. E as coisas são assim, agimos, tomamos atitudes e temos alguns comportamentos que refletem noutros, emanam consequências, marcas. Esta folha não está marcada porque sofreu uma ação do copo de vinho derramado, mas porque estava logo abaixo, sofreu a consequência. Marcada. Como a vida!
LPortinho, Guayba, 8.abr.2006.

quarta-feira, novembro 16, 2005

TRABALHO

Oito horas, horário de verão, o sol torra a pele. Não tenho vontade de sair daqui. Mais um dia com as coisas daqui seria ótimo, amanhã eu estaria com este mesmo sentimento, mas teria ficado mais um dia. As coisas na cidade já não me atraem. É verdade que há jogo do Colorado, basquete e tantas pessoas que já me deixam saudade; mas eu trocaria tudo por mais um dia com as coisas daqui. A verdade é que vou porque tenho de trabalhar!
LPortinho, Guayba, 16.nov.2005, 9h.