Mas no sábado senti inveja dos americanos (coisa rara!). Era dia de Brasil x Argentina, basquete, decisão de uma vaga para a Olimpíada de Pequim 2008. Um super jogo de basquete, o duelo do século, pode-se dizer, para o nosso basquete. O jogo da vida, diziam narradores e comentaristas durante todo o pré-olímpico. Afinal de contas, desde Atlanta 96 -ainda sob a batuta do Mão Santa Oscar Schmidt- não sabemos o que é pisar numa quadra olímpica.
Pois bem, lá me fui a um bar com televisão a cabo que costumo frequentar para ver os jogos do Inter. Ali eu sabia que poderia ver o super jogo de basquete. Passei na frente e vi que o público lá dentro era reduzidíssimo (uns dois pinguços proseando com o dono no balcão). Feito! (pensei). Desci logo do carro e já entrei no bar pedindo uma cerveja gelada e a troca de canal: passava um filme sem graça no canal TNT.
A cerveja veio, geladíssima, mas o canal não mudou. O dono do bar disse que os pinguços estavam assistindo ao filme. Broxura instantânea. Não acreditei no que ouvi. Tomei o "copo de ceva" em duas ou três goladas, de pura decepção. Comecei a observar e os pinguços não estavam nem aí para o filme. E os minutos passando, pelos meus cálculos já estávamos no meio do segundo quarto do grande duelo. O dono do bar sentiu minha insatisfação e resolveu trocar de canal. Em sinal de agradecimento, chamei uma torrada com ovo para engordar a conta.
Ah, que satisfação, agora, lá estava o grande duelo no intervalo. Brasil ganhando por 47x39, tudo perfeito. Agora vai! Vamos para Pequim! Começa o terceiro quarto - o período no qual se tiram as crianças da sala e os grandes times mostram o quão fortes são. Pena que os fortes, ali, eram os argentinos. Um show de basquete para cima de um selecionado brasileiro apático, medroso, destreinado e sem opções rápidas de mudança de jogo (o treinador Lula Pereira deixa muito a desejar). Final de terceiro quarto e a Argentina já molhava o carimbo na almofada para registrar o visto para a China no passaporte.
18 horas e 30 minutos, aproximadamente. Intervalo para o último quarto. Um rápido corte de cena, olho para o lado, e já retorno minha atenção para São Paulo x Paraná. É verdade, eu era a única pessoa preocupada com Brasil x Argentina. Basquete por aqui é esporte de quinta categoria. Bastou entrar o futebol na tela e fanáticos adentraram ao bar e ocuparam as mesas antes vazias. Fiquei assistindo o São Paulo enfiar gols no Paraná e confirmar seu favoritismo na ponta da tabela do Campeonato Nacional, enquanto a esperança da Comunidade Basqueteira ruia em Las Vegas.
Argentina e o Dream Team Norte Americano classificados para Pequim. Brasil (que ainda perderia para Porto Rico, na disputa do 3o lugar), mais uma vez, submetendo-se à dificílima vaga do Pré-Olímpico Mundial. É por essas e outras que o Brasil é o País do Futebol (e ultimamente do volei). Ninguém gosta de perder!





















