segunda-feira, abril 28, 2008

POLITICA I

O caso envolvendo o Governador do Ceará, Cid Gomes, que se utilizou da máquina estatal para realizar viagem à Europa, levando esposa, sogra e amigos-assessores, num jatinho fretado por mais de R$ 380 mil, como diz o jornalista Boris Casói, é uma vergonha. O pior de tudo é ver entrevista do político afirmando que é pessoa de hábitos “mudestos”. É muita cara de pau! Jimo Cupim nele!

POLÍTICA II

Hoje mesmo ouvi no rádio sobre a possibilidade de ser aprovada Emenda Constitucional que autorizará terceiro mandato a Lula. Seria um absurdo! Dez vezes pior do que aquele que autorizou a reeleição, com efeito imediato, para beneficiar Fernando Henrique. Um país que pretende se fazer respeitar não pode alterar suas leis, e muito menos sua Constituição, ao sabor das vontades e anseios do Governante de plantão. Mudar as regras em meio à competição, como se diz no futebol, é “virada de mesa”. E o absurdo não se daria apenas e tão-somente pela autorização de mais um mandato à Lula. A previsão da possibilidade de um Presidente permanecer por três mandatos no cargo, isto é, por doze anos, é uma agressão a pilares dos mais elementares do regime democrático, especialmente os da alternância e da não-perpetuação no poder. Um remendo como este em nossa Constituição, sem dúvida, merece reprimenda nas urnas. Está mais do que na hora de o povo se fazer respeitar!

POLITICA III

Onix Lorenzoni é político que se tornou conhecido não por grandes feitos, mas por sua oposição freqüente ao PT e às esquerdas. Já passou por diversos partidos de direita e hoje defende as cores do DEM. Para quem não lembra, o DEM é o antigo PFL, que é uma dissidência do extinto PDS, que nada mais era do que o sucessor da ARENA, partido responsável por manter os Militares durante quase 3 décadas a frente do poder. Nada a favor, tudo contra; mas o mais surpreendente é ouvir a campanha de Onix, a todo vapor nas rádios, dando conta que o seu jeito de fazer política é o novo, pregando a implantação, aqui no Rio Grande, de programas em andamento em São Paulo, Belo Horizonte e outros rincões. Ora, tenha dó Sr. Onix. Seja sincero e assuma suas posições ideológicas. O seu modo de fazer política não tem nada de novo!

ILHA DESERTA

"That the coletive archetype is getting me down

And you know what I mean

So, if there are any desert island

Please turn on to my.” (Jim Morrison)

quinta-feira, abril 24, 2008

Mais uma história para contar...

A vitória sobre o Paraná viria, essa era a única certeza que os quase 50 mil Colorados que se dirigiram ao Beira-Rio tinham. E não poderia ser diferente. Esse grupo de jogadores já demonstrou que força, determinação e garra estão entre suas principais características. Assim foi durante os jogos decisivos da Libertadores 2006, na final contra o São Paulo, naquele segundo semestre fantástico de 2006, em que não tiramos o título dos paulistas por destalhes, numa campanha em que cada partida se transformava numa final antecipada; foi assim no Japão, quando a vitória sobre os egípcios foi suada e aguerrida, aonde conquistamos o mais alto galardão vencendo o decantado melhor time do mundo à época, o super Barcelona (que até hoje não se recuperou do golpe!). Foi assim em Dubai. Desse grupo tudo poderia se esperar e foi com essa espectativa que a Nação Colorada se dirigiu ao Gigante.

No caminho para o Estádio a sensação era de estar indo para uma grande batalha. Quase três horas antes do jogo, ingressei numa Av. Borges de Medeiros abarrotada de carros tingidos de vermelho. Algumas vezes, todos buzinavam juntos, criando um ambiente de motivação total. Num desses tantos momentos, lembrei de quando era guri e me dirigia ao Beira-Rio com meus primos, meados dos anos 80 (saudosos!)... Era um Inter x Fluminense pelo Nacional. Ao entrarmos na Mauá, há mais de 5 Km do Beira-Rio, deparamo-nos com a avenida abarrotada de viaturas Coloradas. Havia buzinaços frequentes. Corpos para fora, vestidos de vermelho, e com bandeiras sendo agitadas. Lá pelas tantas um dos maiores momentos de minha vida (talvez o que tenha colocado o Colorado acima de tudo em minha vida). O rádio sintonizava a Guaíba e iniciou a tocar o hino do Internacional; começamos a cantar com orgulho, "Glória do desporto nacional, o Internacional, que eu vivo a exaltar!"; olhei para o carro do lado e todos ali também cantavam; olhei para o outro lado e ali também o hino era entoado. Uma sensação impressionante passou por todo meu corpo, coloquei a cabeça para fora da janela e notei que vários Colorados repetiam o gesto, sempre cantando o hino do Colorado, que ressonava pela Mauá pintada de vermelho. Inesquecível!

E ali estava eu, trancado na Borges, sorrindo, cercado da atmosfera de uma grande vitória Colorada, três horas antes da partida começar. Em frente ao hotel aonde a equipe estava concentrada, buzinaço, muito buzinaço, e um bando de Colorado pulando, pessoas com bandeiras em 60% das janelas. Nem o mais louco e ausente dos indivíduos estaria indiferente ao cenário. O trânsito fluiu lento, ao som da rádio Guaíba (sempre!), com algumas zapeadas para a Band, que também realiza ótima cobertura do ambiente no pátio do Beira-Rio e concentração. Cheguei ao estádio cerca de vinte minutos depois; casa cheia, milhares de Colorados perambulando pelo pátio do Gigante, todos com o sorriso confiante e com palavras de motivação. Fui ao Celeiro de Ases comer uma ‘a la minuta’. O dia transcorrera de forma tão rápida que não tivera sequer tempo de almoçar. Sentei-me à mesa e coloquei os fones de ouvido e ali permaneci durante hora acompanhando o transitar frenético da torcida, o ingressos dos ônibus do Internacional, primeiro, e, depois, do Paraná Clube. Quinze minutos para o começo do jogo. Hora de entrar.

Já no primeiro lance da partida, Jonas sobe para disputar bola rifada e cai sem conseguir apoiar o corpo, de costas. Lesão grave, ambulância, clima de apreensão (o Paraná, de forma sorrateira, prosseguiu a jogada e quase marcou – mas o árbitro já indicava que o jogo estava parado). No lance seguinte, Jonas retirado de campo, o Paraná anoto o primeiro gol da noite. Reação instantânea da torcida: “oooooooooooooo, VAMO VAMO INTER!”, muito alto, desde o começo, mas cada vez mais alto, até que o time deu a saída no meio campo e foi para o ataque. Depois da partida, os jogadores confessariam que este teria sido o momento fundamental da vitória (confesso que também pensei isso, ao entoar o meu “VAMO VAMO INTER!”.

Daí por diante só consigo lembrar que não gostava das propostas táticas de Abel, mas procurava abstraí-las e me dedicar a torcer, como um torcedor semi-leigo em futebol, apaixonado apenas, sem senso crítico. Sidnei entrou no time, ficamos com quatro zagueiros de ofício, mas nem isso tirou minha vontade de torcer, alucinadamente, pela vitória. Andrezinho começou a queimar minha língua com o nosso primeiro gol. Índio e Andrezinho, novamente, marcávamos 3x1 ainda no primeiro tempo e, no intervalo, ninguém se atreveria a dizer, ali dentro do Beira-Rio, que não acreditava. Só faltava um gol. Piffero deu entrevista dizendo que o Internacional precisaria ter tranqüilidade, que só faltava um gol. Abelão subiu as escadas e deu entrevistas, tirei os fones do ouvido e fiquei apenas olhando e pensando no Abel motivador, no Abel homem de vestiário, no Abel que nos dera a eterna alegria do gNAL do século.

Daí cortei para o meio campo e a segunda etapa tinha início. Complicada. O Inter insistia em não jogar pelos flancos, mesmo com o campo repleto de espaços, causados pelas expulsões de dois jogadores inimigos e de Sidnei. Mas eu não queria pensar em táticas ou sistemas. Vamo lá Internacional! Bola na área, Magrão amortece e pega um voleio cruzado espetacular. Que golaço! Delírio total nas arquibancadas. Estava morta a coruja, o Paraná não se atreveria a estragar nossa festa. E veio ainda a arrancada mortal de Nilmar, a bola jogada na frente para o lance de velocidade, o “encontrão” do limitado zagueiro, dentro da área, penalidade máxima. Fernandão converteu em “gran finale”.

Na saída, no tradicional folclore do pátio, encontrei várias figuras, conversa vai e conversa vem, mas nenhuma mereceu tanto destaque como o velho amigo Raul, colega de segundo grau, com seu filho. Duas sensacionais velho conviva, o guri fez sua estréia no Beira-Rio, um dia inesquecível, sem dúvida; esse piá nunca mais vai esquecer, que baita pai o Raul. Porque, como disse, sabiamente, o Raul: “quem veio veio, quem não veio não veio e não terá essa história para contar”.

DÁ-LHE COLORADO!


Clemer; Índio (Titi), Orozco e Marcão; Bustos, Magrão, Jonas (Sidnei), Ji-Paraná (Adriano) e Andrezinho; Fernandão e Nilmar. Abel Braga. Internacional, obrigado por colocar mais essa história em minha vida!


Porto Alegre, 23 abril de 2008 – Inter 5x1 Paraná.

quarta-feira, abril 23, 2008

SÓ O QUE FALTAVA

Não bastasse o caos do trânsito, o colapso das chuvas, violência e tudo mais, agora São Paulo também tem terremoto. Não é brincadeira, clique aqui e confira a notícia.

segunda-feira, abril 21, 2008

GIGANTE - 4a feira - 21:45h

O jogo de ontem foi fácil, muito fácil, daqueles sem qualquer ameaça. 2x1 no Caxias e a vaga para a final do Gauchão. Mas não é sobre isso, sobre o futebol, que quero comentar. Quero comentar sobre a torcida, sobre o Gigante avermelhado e barulhento. Sim, porque é disso, fundamentalmente, que vamos precisar na quarta-feira para bater o Paraná Clube do Brasil. Durante o jogo, tentei visualizar, várias vezes, o Gigante, na quarta-feira. E tudo que via dentro de minha mente era vitória. Não pelo futebol da equipe que, confesso, não me agradou e não está me agradando durante esta temporada. Mas a vitória me cutuca, porque a torcida a está chamando e também porque este grupo do Internacional joga muito pela torcida. Desde que se tornaram públicas as imagens dos vestiários japoneses, nada é impossível para este grupo, ainda mais diante da Nação Colorada. Vamos lá! Vamos lá que quarta-feira, mais do que nunca, TODOS OS CAMINHOS LEVARÃO AO BEIRA-RIO.

Sebosos Postizos

Tá vendo o comentário que fiz abaixo sobre o disco "Silêncio no Brooklyn" do mestre Jorge Ben ? Pois é, dois dias depois que o baixei e ouvi, estive na casa da amiga Cyntia e lá fui apresentado a Los Sebosos Postizos, banda-jam integrada por membros do Nação Zumbi. Os caras fizeram um show no SESC Pompéia, em Sampa, tocando integralmente as músicas que compõem o disco de Jorge Ben; show este que foi gravado e que agora ouço, com muito prazer. Os ritmos e letras incomparáveis de Jorge, agora com a batida forte dos pernambucanos da Nação. Viva o incomparável caldo musical do Brasil. Vida longa a Jorge Ben e à criatividade do músico brasileiro.

quinta-feira, abril 03, 2008

O BIDU


Baixei o disco "O Bidu - Silêncio no Brooklyn" de Jorge Ben. Certamente uma das mais antológicas obras da música contemporânea brasileira. Conhecera num dia em que estava remexendo nos bolachões herdados de meu pai e, devo dizer, foi um dos dias mais felizes e sentimentais de minha vida aquele, ouvindo-o e lembrando do véio em suas poses e gestos mais notórios; dos clássicos domingos de manhã ensolaradas em que acordava e arrastava os pés até a sala para lá sentar ao seu lado e ouvir Jorge, Tim, Elis, Hyldon, Cariocas e tantos outros.

A coisa toda começa com "Amor de Carnaval", uma levada que mistura samba com forró e xote. Em seguida, embalado pela mistura de ritmos do candomblê, regados a muito berimbau, Jorge anuncia, em "Nascimento", a chegada do Príncipe em festa no Congá. "Jovem Samba" é o embrião do samba rock ouvido por todos os lados hoje em dia ("o meu caso é viver bem / com todo mundo e com você também / vamos trabalhar em paz / na paz de Deus / vamos amar em paz / vamos sambar em paz, porque... eu sou da Jovem Samba / a minha linha é de bamba"). "Rosa mais que nada" é samba, claro, tudo é samba em Jorge Ben; mas, entre pianos e levada leve e suave de percursão, ouço a alma do jazz. Depois da declaratória "Canção para uma fá", temos a clássica "Menina Gata Augusta", que se resume pelo refrão "e eu um pobre gatinho / que nunca tem vez / pois fico esperando outro dia chegar / quem sabe a gatinha p´ra mim vai olhar / e o pulo do gato eu vou lhe ensinar".

"Ela é toda colorida / ela é a coisa mais meiga / mas que pena / ela não ser o meu amor / pois só eu sei / que ela não sabe / que ela é minha namoradinha eterna", e por aí vai "Toda Colorida", uma exaltação ao amor eterno, permeada por tudo que há de mais clássico na música de Jorge Ben, tanto em ritmos como em técnicas vocais. O samba, rock e jazz se completam inteiramente, com piano, violão, xilofone, percursões e até palmas, em "Frases" ("há 6000 anos o homem vive feliz fazendo guerra e asneiras / há 6000 anos Deus perde tempo fazendo flores e estrelas" e "eu sou um homem sincero porque nasci e cresci vivendo livre / eu sou um homem sincero que quero morrer, nascer e viver livre" - clássico!). Depois da marcha de carnaval "Quanto mais te vejo", "Vou Andando" retoma os emblemas da raiz do samba rock. "Eu sou da pesada" é uma bossa romântica (é nela que se ouve pela primeira vez Jorge trocando fonemas, ao chamar sua amada de "meu anzo"). A bolacha termina com "Si manda", retomando a levada forró/xote do início e demonstrando, nitidamente, que, na época do vinil, um disco era uma obra completa, com início, meio e fim.

O mais interessante do disco é que ele está perfeitamente inserido no contexto da música de sua época, mas vai muito além do que até então fora feito. A Bossa Nova é idolatrada e funciona sempre de base; porém, contraditoriamente, é transgredida pela inclusão de ritmos nordestinos e africanos e o predomínio do samba.

Salve Jorge!, sempre.

quarta-feira, abril 02, 2008

TIO ANASTÁCIO

Entre a ponte e o lajeado,

na venda do Bonifácio,

conheci o Tio Anastácio,

negro velho, já tordilho.

Diz que mui quebra em potrilho,

hoje pobre, despilchado,

de tirador remendado,

num petiço doradilho.

Quem visse o tio Anastácio,

num bolicho de campanha,

golpeando um trago de canha,

oitavado no balcão,

tinha bem logo a impressão,

que aquele mulato sério,

era o rio grande gaudério,

fugindo da evolução

A tropilha dos invernos

tinha lhe dado estafa.

E aquela meia garrafa dentro,

do cano da bota,

contava a história remota

do negro velho curtido

que os anos tinham vencido

sem diminuir na derrota

Mulato criado guacho,

nos tempos da escravatura,

aquela estranha figura

na vida passara tudo.

Ginetaço macanudo

que desde o primeiro berro

saia trançando o ferro,

no potro mais ´cormilhudo´

Carneava uma res num upa,

com toda arte e perícia,

reservado e sem malícia,

bem quisto na vizinhança,

dava gosto em rodeios,

de pingo alçado no freio,

laçando de toda trança.

Ficou sendo um desses índios

que se encontra nos galpões

e ao redor dos fogões

fala aos moços com paciência

do que aprendeu na existência,

ao longo dos corredores,

alegrias, dissabores,

curtidos pela experiência.

Tio Anastácio p´ra aqui.

Tio Anastácio p´ra lá.

Mandado o mesmo que piá

por aquela redondeza.

Nos remendos da pobreza

entrava e passava inverno:

como um tronco, só no cerne;

pelegueando a natureza

Por isso é que nos bolichos

só se alegrava bebendo;

como se cada remendo da roupa velha gaudéria

fosse uma sangria a sério,

por onde o sangue do pago se esvaísse,

trago a trago,

por ver tamanha miséria.

E até parece mentira,

negro velho de valor,

morreste no corredor,

como um matungo sem dono;

não tendo neste abandono

ao menos um companheiro

que te estendesse o baicheiro

para o derradeiro sono

E agora que estás vivendo na Estância Grande do céu,

engraxando algum soveu,

para o patrão velho buenacho,

não te esquece aqui debaixo,

aonde a lo largo ainda existe tanto xiru velho e triste.

Como tu criado guacho.

Como tu, tio anastácio. (Jayme Caetano Braun)

terça-feira, abril 01, 2008

FERNANDO DE NORONHA














onda de 4 metros na Cacimba do Padre

quinta-feira, março 27, 2008

OBRIGADO SONY

Tchê, que maravilha, celular com rádio AM. É o sonho de todo futibeiro! Obrigado Sony, por atender aos nossos anseios mais fundamentais.



Não é só o visual do celular R306, da Sony Ericsson, que lembra um rádio. Ele é o primeiro celular vendido no Brasil a sintonizar tanto FM como AM.

Ele tem alto-falantes estéreo que cumprem muito bem a função do radinho de pilha, claro que com uma qualidade de som bem melhor. Na parte frontal, há botões de memória para as estações e um display externo mostra qual emissora está tocando.

Outro recurso interessante do R306, que agrada aos usuários de rádio relógios, é a possibilidade de programar o alarme do celular com uma rádio. Dá para acordar já com as notícias da manhã. O aparelho também grava trechos da programação e o transforma em toques em MP3.

O telefone vem equipado com uma câmera de 1.3 megapixels e Bluetooth não estéreo. O R306 é um aparelho GSM/GPRS e será vendido nas cores preto e branco. Ele estará disponível no Brasil a partir de julho, a um preço sugerido de 399 reais.

FENÔMENO


Kelly Slater é um desses fenômenos que o esporte produz de tempos em tempos. Está para o Surf como Pelé para o futebol, Jordam para o basquete, Comaneci para a Ginástica e Spitz para a natação. Ninguém foi maior que Slater em conquistas (octa campeão do Circuito Mundial) ou em inovações. No ano passado, após perder o título mundial para o australiano Mick Fanning (decidido na etapa brasileira, na Praia da Vila, em Imbituba), Slater deu a entender que iria se aposentar do Tour.

Veio 2008 e Slater, aos 36 anos, iniciou a temporada com a tradicional fome de vitórias, desbancando Fanning na final da primeira etapa, em Snapper Rocks - Gold Coast australiana. Hoje foi a vez do fenômeno cair na água em quatro baterias (oitavas, quartas, semifinais e final) e desbancar C.J.Hobgod, A.Irons, T.Burrow e B.Durbige antes de sagrar-se campeão da etapa de Bells Beach, também na Gold Coast. Mais uma vez Slater balançou o famoso sino de Bells (troféu na foto) e já se distancia na liderança do Circuito Mundial.


Confire matéria sobre o título no SPORTV (clique aqui).

Matéria no Site G1 (clique aqui).

quarta-feira, março 26, 2008

HABEMUS PATO


É isso aí. Anunciado o ingresso de Alexandre Pato no time, acordei de minha soneca da tarde, para ver o guri jogar. Saudade, confesso, dos tempos - breves - em que ia ao Beira-Rio com a certeza de ver ao menos um lance genial do guri. O jogo tava sonolento demais e eu realmente cochilava. Pato entrou em campo, com a camisa da seleção brasileira, pela primeira vez. Como fizera na estréia no Internacional, lá no Parque Antártica, em jogo trincado contra o Palmeiras, Pato marcou gol e selou o placar. Brasil 1x0 Suécia. Que estréia guri!

De agora em diante, Dunga não tem escolha: É PATO E MAIS 10!

domingo, março 23, 2008

LÁ EM CASA

Um avião rompeu o silêncio da madrugada,
cruzou meu céu em alta velocidade,
em linha reta,
passou ao lado de uma estrela,
acima do maior pinheiro,
traçou rota por detrás do pé de caqui
e foi caindo lentamente no horizonte.

IMBITUBA

Lá de cima,
quando vejo a Praia do Porto,
sinto-me privilegiado.

Por estar ali,
abençoado,
aproveitando cada um de seus tantos cantos.

Agradecido por todo sempre
por tê-la conhecido e incluído em minha vida
toda sabedoria e pureza de seus variados recantos.

A descida da Ribanceira,
escalavrando morro,
contemplando as imensas trilhas da Luz.

Os finais de tarde na Vila,
aonde fico a imaginar-me dono do mar,
desenhando linhas nas ondas perfeitas.

As noites no Farol,
em que passei horas e mais horas,
no mirante,
acompanhando o trafegar de barcos.

E as pessoas que lá conheci,
sempre dispostas a aprender,
ensinar e conhecer;
dias e noites para lá de plenas.

Sinto-me privilegiado e abençoado,
por ter Imbituba sempre em minha rota.

LUA CHEIA - NOITE CLARA

Meu céu agora está limpo,
como que varrido pela brisa,
que agora sequer movimenta árvores.

As estrelas estão todas ali,
no mesmo lugar de sempre,
enfraquecidas pelo luar pleno.

Como imaginara,
o brilho intenso voltaria;
agora, tudo parou a minha volta,
em completo silêncio,
é a noite mais clara de minha vida.

sábado, março 22, 2008

LUA CHEIA - NOITE ESCURA

O céu nublou,
escondeu a lua,
que guiava cada movimento da vida.

Diante do escuro repentino,
na total penumbra,
tive imensa dificuldade.

As referências se foram,
mais uma vez,
os sentidos falharam em total desorientação.

Resolvi esperar,
inerte,
porque não se deve combater.

O mesmo vento que trouxe nuvens,
estou certo,
terá de levá-las e devolver-me
a claridade perdida.

COULTRAINE

A lua surgiu.
plena e luminosa,
clareando a mente,
transformando árvores em enormes criaturas.

Cevei um amargo,
servi uma dose de butiá,
preparei um caximbo
Captain Black - branco

Com o piano de Coultraine
voei longe, em fumaça espessa,
de sabor forte e amargo,
vento denso...
que embalava criaturas e pensamentos.

terça-feira, março 18, 2008

SAÚDE

"O importante é ter saúde". É essa sentença, dita de um mendigo, com bafo de álcool exalando, às 15 horas, debaixo de um sol torrencial, parece soar engraçada e contraditória. Faz pensar. Em meio à confusão do dia-a-dia, em que todas as coisas - e também as pessoas - são deixadas de lado, ouvir isso de alguém tão desamparado socialmente me leva à reflexão. Mas há tantas coisas sobre as quais refletir. E, geralmente, não consigo tirar conclusão alguma do tanto que reflito. Só consigo concluir que está cada dia mais complicado acordar, sair da cama, caminhar. O importante é que tenho saúde, penso. Sim, mas até quando ? - é o pensamento seguinte. E será que tenho mesmo ? Saio a dar um giro pela cidade e vejo uma senhora, beirando os setenta, caminhando curvada, acima do peso, com nítida dificuldade para dar uns breves passos, em meio à confusão do trânsito e das calçadas. Motoqueiros buzinam incessantemente e se contorcem em meio a centenas de carros. Sinaleiras abrem e fecham e os cruzamentos ficam cada vez mais entupidos e confusos. Buzinas, muitas buzinas. Tento fechar o vidro e ligar o som num volume suficiente a me privar do mundo externo, mas está muito quente, abafado. Volto à realidade e é difícil pensar em algo diferente de "o importante é ter saúde". Chego num CFC, preciso renovar minha habilitação, já vencida aliás. Uma série de instruções no balcão, incluindo a necessidade de levar, numa próxima ocasião, fotos 3x4 (coisa que eu imaginei nem existisse mais), um comprovante de endereço (para quê?!). Daí por diante é só pagar algumas taxas (que reunidas totalizaram R$ 116,oo), realizar um exame médico e uma prova de defesa defensiva e meio ambiente (?!). No fundo, penso, já imerso no trânsito, o que importa é pagar as taxas. E como é complicado estar em dia com as taxas da vida. Com as taxas que nos cobram o governo, o comerciante, o flanelinha e todos que nos rodeiam. Não é difícil alguém te fazer sentir devedor de algo, de uma obrigação não contraída, de um passe na quadra, de uma passagem no trânsito, de um sorriso ou de uma lágrima, de uma mentira ou de um maço de cigarro, de uma frase bem colocada, de uma dessas tantas taxas. O próprio telefone, hoje em dia, para que serve ? Talvez para dar trabalho a muita gente que te importuna, em meio a esse monte de coisas que é o dia-a-dia. Aquele mendigo, o que acha importante ter saúde, me perguntou se eu trabalhava ou só ficava em casa repousando. Sorri e respondi, já saindo com o carro, que trabalhava. Sim, claro, trabalho. Aparentemente trabalho e, aparentemente, tenho saúde. Um dia volto lá e retomo esse diálogo perdido.