sexta-feira, março 09, 2007

BUSH NO BRASIL

A visita de George W. Bush Jr. ao Brasil e a outros países da América Latina, é claro, tem interesses econômicos. Não quero, aqui, debater tal questão. A meu sentir, é evidente que, além do pano de fundo (assinatura de acordos de cooperação tecnológica para produção do etanol), os americanos vêem ao Brasil para utilizar nosso país como fantoche na guerra diplomática que se inicia na América Latina.

Afinal, a simples assinatura de acordos de cooperação tecnológica, assim como visitas a centros de produção, tradicionalmente, são atos realizados por emissários de terceiro ou quarto escalão, ainda mais em se tratando da maior potência econômica mundial. Toda visita de Chefe de Estado a outra Nação guarda sempre um fim político. Assim foi com a ida de Lula ao continente africano e, mais recentemente, ao Uruguai, país vizinho que vinha se afastando, gradativamente, da União do Mercosul. Mas, nesse caso da visita de George W. Bush Jr., parece-me que o protocolo oficial mascara as reais finalidades, buscando, com isso, desviar as reais intenções da missão.

O pró-alcool, projeto brasileiro pioneiro na produção de biocombustível remonta ao final da década de setenta. Pois bem, Ronald Reagan visitou o país em meados da década de oitenta e não recordo de qualquer interesse por nosso programa de combustível alternativo - aliás, os americanos nem sabiam da existência do programa nesta época. Mais recentemente, no final dos anos noventa, Bill Clinton, ainda ocupando a presidência dos Estados Unidos, veio ao Brasil e não se ouviu falar de qualquer projeto no sentido de desenvolver um mercado mundial de etanol, como se ouve agora.

Volto, então, à idéia inicial. Não tenho dúvidas de que a missão de George W. Bush Jr. ao Brasil tem nítida intenção de provocar discórdias. Um cenário de cooperação das nações latino americanas não interessa aos Estados Unidos. Isso já ficou claro através de diversos atos diplomáticos norte-americanos tendentes a desestabilizar a consolidação do Mercosul. A técnica de aproximação individualizada com os vizinhos sul-americanos, via tratados privilegiados, são ilustrações dessa política desestabilizadora. Agora, em meio à crise petrolífera mundial, sabedores de que a Venezuela, assim como Brasil (e até mesmo a Argentina), possuem reservas consideráveis, bem como outras fontes alternativas, capazes de tornar a América Latina unida numa perigosa ameaça à imperial soberania econômica, os Estados Unidos posam de bons samaritanos dispostos a cooperar tecnologicamente com o desenvolvimento de nosso já antigo projeto de biocombustível.

Torço para que nossa política internacional não esteja submissa às barganhas; até porque bem sabemos que os norte-americanos, tradicionalmente, não são cumpridores dos acordos e tratados que assinam. O jogo de beleza (protagonizado por Hugo Chavez e Evo Morales) e os pequenos incidentes diplomáticos atualmente verificos na América do Sul, sem dúvida, interessam por demais aos Estados Unidos. Ao Brasil cabe manter-se longe de tais atritos, abandonando o já tradicional papel de estabilizador das relações continentais, como fantoche norte-americano, e assumindo verdadeiramente a condição de condutor e aliado de um grupo econômico de nações com plenas condições de desenvolvimento sustentável.

2 comentários:

cri disse...

Sabe que quando ouvi Bush numa conferencia, mostrando o interesse em ethanol, pensei logo na possibilidade do governo americano em querer fazer negócio no Brasil. Dito e feito, Presidente Bush visita a America do Sul.
Agora... como vc, eu espero que o governo brasileiro assuma uma posiçåo de liderança e não caia nos contos da administração de George W. Bush.
Vc sabe se Lula falou algo sobre o encontro? Ele de alguma informação sobre o interesse americano na Ameica Latina em relação ao combustivel?
Porque Al Gore nunca se envolveu com o Brasil, sobre esse assunto? vc sabe? Ele , quando era vice presidente ja estava envolvido nos estudos sobre global warming.

lcportinho disse...

Olha Titita, o Brasil, tradicionalmente, é um fantoche político dos USA. como eu disse, nosso programa de alcool já tem quase 3 décadas e os USA jamais demonstraram qq. interesse nele. tá na cara que o interesse do Bush (e dos USA) é mais político (atacar as bases do mercosul e de uma uniao latino americana) do que economico.