segunda-feira, julho 14, 2008

sábado, julho 12, 2008

Saudades

É tão difícil encontrar
algo que faça deixar de pensar;
o dia inteiro ouvi
pessoas, movimentos e músicas.


Mas os pensamentos não cessaram;
as pessoas os alimentaram,
movimentos e músicas;
imagens e recordações.

Não entendo
se acordo pré disposto a sentir;
se algum fato ou circunstância
traz tudo de volta.

Hoje foi um filme,
ontem uma criança
idêntica em alma,
ali, em minha frente,
repetindo gestos.

No filme também,
éramos nós;
como se diretor e roteirista
lessem minhas memórias.

Quem mais me amou,
jamais terei,
nesta vida ao menos;
e fico aqui, todos os dias,
a viver por nós.

Guido e Gaspar

A RBS TV está veiculando episódios envolvendo histórias com crianças, projeto chamado Primeiras Gerações. Hoje assisti "Guido e Gaspar" e fiquei emocionado. Para quem tem irmão, ou já teve, o argumento toca muito.

O episódio está disponível no clicrbs (clique aqui para conferir).

quinta-feira, julho 10, 2008

Guerreiro Menino

"Um homem também chora
Menina morena
Também deseja colo
palavras amenas
Precisa de carinho
Precisa de ternura
Precisa de um abraço
da própria candura

Guerreiros são pessoas
são fortes, são frágeis
Guerreiros são meninos
no fundo do peito
Precisam de um descanso
Precisam de um remanso
Precisam de um sono
que os tornem refeitos

É triste ver o homem
guerreiro menino
com a barra do seu tempo
por sobre seus ombros

Eu vejo que ele sangra
Eu vejo que ele berra
a dor que tem no peito
pois ama e ama

Um homem se humilha
se castram seus sonhos
Seu sonho é sua vida
e vida é trabalho
E sem o seu trabalho
o homem não tem honra
E sem a sua honra
se morre, se mata

Não dá pra ser feliz,
não dá pra ser feliz... "
Luiz Gonzaga Jr. (Gonzaguinha)

Frase

Nunca se justifique. Os amigos não precisam e os inimigos não acreditam.

sábado, julho 05, 2008

Shopping Centers

Não vou dizer que nunca fui ou que não vou; mas só vou quando estritamente necessário, como nesta semana, em que tive de ir para trocar de aparelho celular (o meu estragara há mais de semana - e, vou dizer, até que foi uma boa semana sem os toques e chamadas inconvenientes - mas isso é outra tema!). Dentro de um shopping, sinto-me enclausurado (quase claustrofóbico). Mas, de toda forma, não consigo evitá-lo, porque há algumas necessidades humanas possíveis de se realizar, dentro desses templos do consumismo; e, claro, o horário alargado lhe beneficia em relação ao comércio das calçadas.

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"esses centros das cidades que perderam seus centros ou que, fixados como fortalezas em periferias deformadas por favelas ou pistas de alta velocidade, centralizam o medo dos mais ricos em relação aos mais pobres" (Juremir Machado)

"O shopping center não apenas anula o sentimento de orientação interna, mas também desaparece por completo a geografia urbana. Diferentemente das cápsulas espaciais, as paredes dos shoppings eliminam as perspectivas exteriores" (Beatriz Sarlo)

MORRE O BURRO FICA O HOMEM...

"Se ela disser que não lhe quer mais,
arranje outra meu rapaz.
Se ela disser que não volta mais,
arranje outra meu rapaz.

Pois neste mundo maravilhoso,
vive mal quem não vive de amor.
Olha as margaridas nas janelas
você querendo também pode conquistar uma delas.
É a tristeza quem some,
morre o burro fica o homem. "
(Jorge Ben)

sexta-feira, julho 04, 2008

O Rei do Quase...

QUASE FOI APROVADO NO INTER,
mas parou no Grêmio;

Ganhou um QUASE MUNDIAL,
mas era só uma TOYOTA INTERCONTINENTAL;

QUASE FOI PARA A COPA EM 86,
mas ficou no Brasil assistindo na tela com fortes boatos e indícios de homossexualismo;

QUASE JOGOU A COPA DE 90,
mas ficou assistindo o "craque" Müller;

QUASE FEZ UMA CARREIRA INTERNACIONAL,
mas fracassou na Roma, onde até hoje FALCÃO É REI;

QUASE ENCERROU A CARREIRA EM UM TIME GRANDE,
mas terminou no Bangu;

QUASE LIVROU O FLUMINENSE DO REBAIXAMENTO,
mas acabou na SEGUNDONA;

QUASE GANHOU A LIBERTADORES COMO TREINADOR,
mas entregou na finalissíma e deixa o Fluminense em seu eterno ostracismo;

QUASE É CARIOCA DA GEMA,
exceto pelo fato de ter nascido em Guaporé no RS;


Por estas e outras que o Renato "Carioca" P-luppi não é ídolo em QUASE nenhum clube por onde passou, exceto em UM ÚNICO CARENTE, cuja maioria da torcida sequer conhece sua origem.
Vida longa a Bodinho, Carlitos, Larry, Falcão, Figueroa, Valdomiro, Célio Silva, Gérson, Fernandão, Daniel Carvalho etc etc etc

quarta-feira, julho 02, 2008

EU NÃO DISSE...

O DNA dessa gente com a qual temos de conviver aqui pelos pampas é coisa muito ruim. Essa mulher aí ao lado (41 anos) atirou sua filha, de 8 meses, pela janela do sexto andar do prédio em que residiam, no Centro da cidade de Curitiba-PR. Repararam na camisa da figura ? É como digo, está no DNA das pessoas.

terça-feira, julho 01, 2008

Tchê!, mas que DNA!


Lembram do episódio da queima de banheiros ?! Essa gente não tem limite!

sexta-feira, junho 27, 2008

VAMO VAMO INTER!



E domingo é dia de gNAL. O debate está aguerido lá no blogNAL. Dessa vez vamos de franco atirador, como quem não quer nada, deixando o favoritismo para quem está entre os líderes do certame nacional. É assim que eu gosto de chegar em clássico. É verdade que perdemos o Fernandão, homem gNAL, mas temos o Nilmar, que sempre deixou o dele anotado nas paletas da vizinhança. Vamos lá INTER!, com esse espírito de sempre, gaúcho e aguerrido, peleador até a morte.

PORTO ALEGRE 18:30h

Sim, há carros demais nas ruas; mais do que comportam nossas vias, com certeza. Mas também há os homens por detrás dos volantes, a não discernir momentos de avançar e parar, a não ter paciência para auxiliar na boa fluência do trânsito. Nem sempre o verde significa avançar; e aqueles que ficam no meio de um cruzamento, certamente, não conhecem tal regra.

A MOROSIDADE DO JUDICIÁRIO

O Supremo Tribunal Federal editou sua 8a Súmula Vinculante, com o seguinte teor: "São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário". A mesma decorreu do julgamento de um dos milhares de recursos extraordinários, encaminhados num período de pelo menos 10 anos, à Excelsa Corte (no caso aquele tombado sob o número 559.943).
Desde que ingressei na Procuradoria, em 1998, tal matéria já era objeto de debate. E não poderia ser diferente, afinal a edição da Lei de Custeio da Previdência Social remonta ao longínquo ano de 1991. É dizer: foram precisos 17 anos para que a Suprema Corte, guardiã da Constituição Federal e a quem cabe, via de regra, a última palavra em relação às questões de natureza tributária (porque o sistema tributário nacional está praticamente todo ele delineado na Carta Constitucional); pois foram necessários 17 anos para que uma discussão jurídica recebesse crivo definitivo e ficassem pacificadas as relações jurídicas que dela dependiam.
Em termos práticos, nesses 17 anos, a fiscalização previdenciária, por força de imposição legal, observou o prazo decenal para a constituição dos débitos. Nesses 17 anos, também por força de lei, a procuradoria, zelosa, diligenciou, em cada litígio, na elaboração de todos os recursos necessários para levar milhares de demandas às prateleiras do Supremo. E aqui é preciso repetir, há pelo menos 10 anos essa questão estava lá na Suprema Corte, pronta para ser julgada.
E não se pode deixar de registrar, também em termos práticos, e no que fundamentalmente interessa ao povo, que temos hoje um passivo de bilhões de reais em contribuições previdenciárias sonegadas dos cofres da Previdência Pública. E essas contribuições, é bom que se explique aos leigos, restaram inteiramente fulminadas de qualquer possibilidade de exigência; ou seja, os sonegadores e maus pagadores se viram, definitivamente, livres de suas dívidas para com a Previdência Social.
E aí cabe a indagação (sem querer aprofundar o exame do mérito): quem, afinal de contas, é culpado pela morosidade e insegurança jurídica em nosso país ?

RIO PÓS PAN

Fiquei um pouco decepcionado com a cidade maravilhosa. Achei-a suja, o povo um pouco triste, calado; nem nos botecos o folclore fluia naturalmente (e olha que os botecos continuam a povoar cada quadra da cidade). Mas fiquei surpreso, especialmente, porque imaginava que muito restaria em termos de infra-estrutura depois dos jogos Pan-Americanos. Mas, pelo que vi, pouco ou nada ficou. O metrô está mal cuidado, o aeroporto idem, a frota de ônibus é antiga; e encontrar um carro adaptado para cadeirantes é mais complicado do que achar agulha em palheiro. De bom mesmo o lagarteio no calçadão de Copacabana, a vida cultural sempre repleta de opções e o final de tarde na praia do arpoador.

terça-feira, junho 17, 2008

FINAL DE TARDE

Em quantos pontos do mundo
seria possível assistir ao sol,
amarelando largas copas de árvores,
em meio à revoada dos pássaros ?

16.junho.2008

segunda-feira, junho 16, 2008

MOCOTÓ 2008





sexta-feira, junho 13, 2008

PARA DESCONTRAIR


O clima tá pesado com essa escolha do Tite para treinador. Para descontrair, só algo hilário como esta foto do P. Santana, ícone de pijama, vestido com a camisa do INTERNACIOANAL. Sensacional. Bom final de semana a todos!

IMAGENS

Não adianta, contra as imagens não se pode lutar. Elas valem mais do que mil palavras, sem dúvida. A matéria do Correio do Povo ganhou ilustração perfeita, escancarando em dois "takes" a realidade. No primeiro o olhar desconfiado do maior líder do grupo de jogadores, Clemer, sob o aperto de mão solícito do recém chegado treinador e, no segundo, o primeiro discurso recheado de lances neurolinguísticos.

Oremos!

TITE: VOU TER DE ENGOLIR

E espero, sinceramente, enxer minha boca de formiga (ou queimar minha língua, se é que me entendem!). Não só pela identificação com o inimigo, mas, sobretudo, pela total falta de identificação com o INTERNACIONAL. Abaixo 10 razões para não concordar com a indicação de Tite, além desta:

1) é "paneleiro" - foi o pivô do episódio das ovelhinhas (para não dizer o pastor), lá na azenha, quando ficou desmascarada uma panelinha de jogadores que eram escalados por serem amigos do treinador;
2) trabalhou no Palmeiras, Atlético Mineiro e Corinthians, sempre com campanhas discretas;
3) estava há mais de quatro anos no ostracismo. por que será ?!;
4) havia uma gama de nomes de profissionais vinculados ao INTERNACIONAL e de competência inquestionável à disposição no mercado (apenas para exemplificar: P.C. Carpegiani, P.R.Falcão, Figueroa, C. Duarte, O. Gonçalves, o "Chapinha");
5) seu melhor trabalho no futebol, até hoje, tinha como base um time jogando no 3-5-2;
6) é adepto da neurolinguística;
7) é discípulo, confesso, do L. Ribeiro e P. Coelho;
8) perdeu a Libertadores para um time inexpressivo da Colômbia (o DIM - Deportivo Independiente de Medellin);
9) goza de grande rejeição junto à massa Colorada, o que prejudicará a campanha de 100 mil sócios;
10) o abrigo COLORADO não lhe caiu bem.

Não tem jeito, serei obrigado a engolir este Tite, em nome do Coloradismo. Minha torcida é para que F. Carvalho esteja voltando ao clube com a disposição que tinha quando dos títulos da Libertadores e Mundial FIFA (nos quais foi evidente sua influência, inclusive nas escalações e definição de sistema de jogo), podando os ímpetos de A. Braga. Sua intervenção será fundamental para termos sucesso na empreitada que se inicia RUMO À LIBERTADORES 2009.

FORÇA INTER!

quinta-feira, junho 12, 2008

DIA DOS NAMORADOS

O Presidente Luis Inácio Lula da Silva envia Medida Provisória ao Congresso Nacional para eliminar o dia 12 de junho do calendário oficial brasileiro.

A justificativa para tanto encontra-se em seus considerandos:

"Considerando que o Corinthians perdeu o Paulistão de 1993 para o Palmeiras em 12 de junho;

Considerando que o Corinthians perdeu a Copa do Brasil de 2008 para o Sport às 0h01 de 12 de junho;

Revogue-se o dia 12 de junho".

Em entrevista coletiva, o presidente disse: "Já que estes porras do meu time não têm competência pra ganhá no dia 12 de junho, que se fodam os namorados!"

ps. enviada por um palmeirense, claro!

segunda-feira, junho 09, 2008

INVERSÃO DE VALORES

Em meio à gravíssima crise institucional provocada pela divulgação de conversa telefônica entre o Chefe da Casa Civil e o Vice Governador do Estado, revelando sinais claros de penetração total de práticas corruptas na gerência do Rio Grande, a Governadora concedeu entrevista coletiva e realizou pronunciamento oficial. E a impressão que tenho é de que a Sra. Yeda Crussius desconfia da inteligência do povo gaúcho. Aliás, é preciso reconhecer, ela não deixa de ter razão, porque foi o povo gaúcho que a colocou no cargo, sem qualquer preparação ou atendimento aos requisitos mínimos para o assumir.

Mas não se pode admitir que a Sra. Yeda Crussius venha, em cadeia de rádio e televisão, zombar de nossa inteligência. Num momento como este, diante de fatos postos tão claros, de palavras ditas com tamanha sonoridade pelo Sr. Busatto, não é permitido que a Sra. Yeda venha nos dizer que está fazendo um governo maravilhoso, com captação de recursos, com mudança na forma de governar, tudo de forma ética e transparente. Ora, por favor, Sra. Governadora, respeite a nossa inteligência, respeite a nossa dignidade, respeite a nossa história e a nossa tradição. Esse seu discurso não tem nada de novo, essa forma de governar não é nova, como a Senhora e seus asseclas insistem em propalar; lá em São Paulo, com Paulo Maluf e Celso Pitta, essa forma cretina e podre de fazer política já foi posta em prática, com as consequências nefastas que todos nós conhecemos.

O seu governo não tem nada de novo Sra. Yeda. O plástico verde não é conquista sua, mas de uma grande empresa gaúcha, a Braskem, que há longa produz riquesas para nosso Estado. O seu choque de gestão não passa de retórica, de uma grande peça de argumentação, porque o Rio Grande está cada vez mais comprometido financeiramente e à margem do crescimento nacional.

O regular trâmite de sindicâncias administrativas, a existência de inquéritos policiais e de investigações por parte do Ministério Público não são uma marca de transparência de seu governo; muito antes de seu governo, houve no país a promulgação, em 1988, de uma Constituição Federal que consagrou o devido processo legal e o respeito a postulados democráticos - dos quais decorrem esse funcionamento regular e autônomo das instituições estatais. Eles não são uma novidade de seu governo. O que é novo, no seu governo, são tramóias e repartições de propinas, jamais antes vistas aqui pelos pampas.

Aonde está a ética ? Deixar o Vice Governador totalmente à margem das decisões de governo é ético ? Utilizar-se de recursos públicos desviados do DETRAN é ético e transparente ? Por favor, tenha um mínimo de respeito pelo povo gaúcho.

O único fato proveitoso, neste episódio, é ver os estudantes de volta ao Palácio. Isso sim merece aplauso; o único mérito de seu governo, Sra. Yeda, foi despertar a ira dos jovens, incrédulos e até então apáticos. Aplaudo, com entusiasmo, esta atitude desprendida dos jovens que povoaram a frente do Palácio. E tenha certeza, Sra. Yeda, a contradição entre seu discurso e seus atos pode até sobreviver ao mandato que lhe foi conferido, mas, tenha certeza, a inversão de valores que a senhora propõe não sobreviverá ao próximo pleito eleitoral. Os seus dias no poder estão contados, e a sua imagem na história já está desenhada.

sexta-feira, junho 06, 2008

segunda-feira, junho 02, 2008

SILÊNCIO

CENA 1 - Um homem acorda. Muito barulho na volta, batidas ininterruptas, o ronco de uma serra elétrica, ruídos de construção, tráfego intenso na rua. Sente voltade de voltar a dormir, mas o corpo já não o deixa. Levanta-se e arrasta-se em direção ao banheiro.

CENA 2 - O homem chega ao banheiro e mal consegue se olhar no espelho; barba por fazer, olheiras, a cabeça latejando. O telefone começa a tocar. Liga a torneira e joga água gelada no rosto. O corpo dá sinais de vida. O telefone segue tocando.

CENA 3 - Ruídos no corredor do prédio; o homem volta ao quarto, veste calça e camisa que estavam sobre a poltrona. Toca o telefone. Abaixa-se para amarrar o tênis e fica pensando na noite anterior... O telefone não para de tocar.

CENA 4 - A porta batendo. O homem saí pelo corredor escuro. Para em frente ao elevador. Um casal conversa dentro do apartamento mais próximo. O elevador chega e traz luz ao corredor. Enquanto entra no elevador, escuta o telefone tocar.

CENA 5 - O elevador descendo. Os andares passando pela fresta. Uma eternidade; cada andar representa anos em pensamentos desconexos. Aproxima-se do térreo junto com o barburinho de vozes na portaria. Sai pelos fundos do prédio.

CENA 6 - Caminha em direção a um carro. Lá dentro uma mulher, com o celular ao ouvido. Abre a porta e entra. A mulher abaixa o telefone. Viram-se e os olhares se encontram. Nada falam. Ele recosta-se no banco e fecha os olhos. O mais completo silêncio.

CENA 7 - TELA PRETA e o barulho de motor, o carro saindo...

quarta-feira, maio 28, 2008

FLUMINENSE X BOCA JRS.

Cariocada eufórica em Bs. As. Os canais de esporte só falam nisso, da possibilidade de o Flu bater o Boca (não acredito)... Repórteres cariocos entram a todo momento e todos tem algo em comum, pegaram um taxi e conversaram a respeito do jogo com os motoristas... Mentira, nem pegaram taxi e muito menos conversaram com os argentinos. Vão tomar uma carraspana dos arrentinos. Eheheheh.

NOVA CONTRIBUIÇÃO

Já escrevi a respeito e volto a dizer que é um golpe na democracia a proposta levada ao Congresso pelo Governo de recriar uma contribuição sobre movimentações financeiras (CPMF), agora com a alíquota de 0,1% sobre qualquer transação, e sob o pretexto de destinação exclusiva para a área da saúde. Não quero ingressar nos argumentos de governistas e oposicionistas, no sentido de que é necessário custear a saúde pública e, de outro lado, de que não há necessidade de mais receitas para tal finalidade.

Não me interessa, também, ingressar, a fundo, no exame da constitucionalidade do meio eleito pelo Executivo (a oposição, de forma equivocada, sustenta que somente por Emenda Constitucional seria possível a criação de novo tributo - o que não encontra amparo no art. 154, inciso I, da Constituição, que prevê tal possibilidade por meio de lei complementar, como está a fazer o Governo).

Penso que é um golpe na democracia, porque o Governo encaminha o projeto num dia e, no seguinte, com a maciça maioria de que dispõe na Câmara de Deputados, já o coloca em votação, sem qualquer debate. Como se já não bastasse, é claro, o fato de que o Congresso Nacional rechaçou a manutenção da contribuição (que era provisória na origem - só para lembrar!). E isso a menos de um ano. Ora, então, o Poder Executivo está claramente a desrespeitar o seu dever de conviver de forma independente e harmônica com os demais poderes. Embora não seja vedado ao Executivo propor novamente projetos rejeitados, tal proceder revela evidente descompromisso com os postulados democráticos.


Em tempos de altos índices de aprovação, Lula dá um tiro no pé com tal conduta.

terça-feira, maio 27, 2008

BARBEIROS

Resolvi acordar cedo. Era tão cedo que fiz o mate, liguei a televisão e estava passando o Galpão Criolo. Para variar o Borguetinho se proseando! Depois entrou o programa rural, uma reportagem bem interessante sobre o cultivo de oliveiras aqui no Rio Grande, para a produção de azeite de oliva – diz que nossas azeitonas produzem um azeite de ótima qualidade, vejam só.

E por aí fiquei curtindo as primeiras horas da manhã e mateando. De repente entra o Pavão Bueno num discurso emocionado-padronizado, enaltecendo a vitória do sobrinho do Ayrton Senna no GP de Fôrmula 2 em Mônaco. Grand Prix de Mônaco, baita programa para um domingo de manhã. Há quantos anos não acordo para ver uma corrida; desde os tempos em que torcia para o Nelson Piquet (simpatia dos tempos da Brabham e daquela corrida em que ele desceu do carro e esmurrou o colombiano Guerreiro que o havia atrapalhado numa curva). Pois é, bons tempos em que os pilotos realmente pilotavam.

Tchê!, fiquei impressionado com a tal de corrida de Mônaco. O nível de “barbeiragem” dos caras é de constranger o espectador. Vou te contar, o cara que acorda todo domingo para prestigiar o espetáculo de “manetices” protagonizado por Nelsinhos, Rubinhos e Felipinhos é de corar as bochechas até do mais neófito dos motoristas. Sinceramente, fiquei impressionado. Não houve sequer uma ultrapassagem durante toda a corrida; e isso que os “pilotos” ficaram ali por duas longas horas, debaixo de chuva, e depois de sol, e novamente de chuva. Houve horas que cochilei, mas, é claro, sempre fui acordado pelos gritos entusiasmados do Pavão Bueno. Num deles, bradava o Pavão, porque o Rubinho empilhava voltas mais rápidas no circuito de rua. Não deu outra, beijo no muro na sequência. Quem não sabia? No começo da prova, o inglês Hamilton, o menos pior deles, bateu num “guard rail”. Críticas do Pavão! Em seguida, no mesmo local, o Felipinho Massa passou por cima da zebra, fez o carro rodopiar na pista e voltou, perdendo posições. Elogios do Pavão à perícia do audaz piloto brasileiro. Mais algumas voltas e o finlandês, companheiro de equipe do F. Massa, saiu na mesma curva. E aí o Pavão, de pronto, brindou-nos com uma detalhada explicação da maior habilidade do brasileiro na “barberagem”. Tchê!, é demais!

E assim transcorreu a manhã, com um bando de “barbeiro”, excepcionalmente bem remunerado, correndo debaixo de chuva, atropelando zebras, beijando muros e fazendo as maiores barbaridades com carros multi-equipados e multi-controlados por recursos da mais moderna tecnologia. Eu fiquei impressionado com o baixo nível da Fôrmula 1. Ah!, o Nelsinho Piquet (caiu longe do pé esse aí), pechou o carro duas voltas depois de entrar nos boxes e trocar pneu. O Pavão botou a culpa na equipe, alegando que colocaram pneus impróprios para as condições climáticas (pode ser, mas o Alonso, companheiro de equipe, terminou a prova com os mesmos pneus!). E o vencedor da prova foi o menos pior, o inglês que o Pavão tentou desmoralizar. O Massa, com todas as barbeiragens, tava em segundo, mas na última curva derrapou e cedeu a posição para um polonês (vejam só!), tal de Kubicka.

Vou te contar!, nunca mais...

25.maio.2008

quarta-feira, maio 21, 2008

LIDAS

A estrada sempre com suas novidades.
Vou pelos caminhos de sempre,
mas nada se repete.

E ali em frente,
pouco, muito pouco distante;
quanto deixo de aprender,
nos dias em que esqueço quem sou.

Remarco terrenos,
de boas lembranças;
sei que ali sempre estarão,
mas preciso remarcá-los,
naturalmente,
instintivamente.

Cevo mate,
com algumas folhas da laranjeira,
para manter corpo e mente em função.

Algumas coisas não estão como deixei,
e precisam de reparos;
como para testar,
algumas lidas
que o fazer o próprio sangue ensina.

Improviso um fogão campeiro,
debaixo do teto que construí,
com alguns tijolos remanescentes
e materiais utilizados em outras lidas.

Faço fogo,
espeto carne,
suficiente à fome.
Enquanto a madeira vira brasa,
o tempo é meu aliado,
para tudo que lembrar,
para tudo que quiser.

Sorvo mate,
forte e amargo,
para manter corpo e mente em função.

Quem fui, quem sou, quem serei,
nada mudou,
ninguém mudará;
o bicho homem,
solto e livre,
procura lidas,
para sobreviver.

ACESSIBILIDADE

Ali aonde ela morava,
um dia passei,
depois de um show de blues.

Resolvi chamá-la ao interfone,
para dizer-lhe a falta que sentia,
dos seus olhares e toques.

Mas fiquei parado,
diante de dois degraus,
balbuciando palavras,
à deriva de minhas vontades.

NIETZCHE

"Na cama não se fala de filosofia.
Peguei na mão dela, coloquei sobre meu coração, disse, meu coração é seu, depois pus sua mão sobre minha cabeça e disse, meus pensamentos são seus, moléculos do meu corpo estão impregnadas com moléculas do seu.
Depois botei a mão dela no meu pau, que estava duro, disse, é seu esse pau.
Ela nada disse, me chupou, depois chupei sua boceta, ela veio por cima, fodemos, ela ficou de joelhos, rosto no travesseiro, penetrei por trás, fodemos.
Fiquei deitado e ela veio de costas para mim sentou-se sobre o meu púbis, enfiou meu pau na boceta. Eu via meu pau entrando e saindo, via o cu rosado dela, que depois lambi. Fodemos, fodemos, fodemos. Gozei como um animal agonizando.
Ela disse, te amo, vamos viver juntos.
Perguntei, não está tão bom assim ? Cada um no seu canto, nos encontrando para ir ao cinema, passear no Jardim Botânico, comer salada com salmão, ler poesia um para o outro, ver filmes, foder. Acordar todo dia, todo dia, todo dia juntos na mesma cama é mortal.
Ela respondeu que Nietzche disse que a mesma palavra amor significa duas coisas diferentes para o homem e para a mulher.
Para a mulher, amor exprime renúncia, dádiva. Já o homem quer possuir a mulher, tomá-la, a fim de se enriquecer e reforçar seu poder de existir.
Respondi que Nietzche era um maluco.
Mas aquela conversa foi o início do fim.
Na cama não se fala de filosofia" (texto "ELA", Rubem Fonseca, do livro "Ela e outras mulheres")

quinta-feira, maio 15, 2008

EXPLICAÇÕES

Geralmente, é difícil explicar derrotas, ainda mais quando elas vêm depois de um grande esforço. Não foi o caso de Sport 3x1 INTERNACIONAL. Foi um vexame do Colorado em Recife. Jogando quase que toda a segunda etapa contra 10 jogadores, o INTERNACIONAL não teve uma única oportunidade de gol.

Não vou nem tecer as críticas habituais à qualidade técnica de alguns jogadores como é o caso de Orozco ou Jonas (esse não tem condições de estar sequer no grupo de atletas). Não, tenho outras explicações, algumas visíveis. O grande responsável pela derrota foi A. Braga, o motivador. Há dias que venho afirmando que Abel é um grande motivador, mas taticamente é péssimo (e um treinador, para ter sucesso, depende de 70% conhecimento tático e apenas 30% motivação). Foi ridículo o posicionamento da equipe na segunda etapa. 10 jogadores em frente à area e Nilmar, pobre Nilmar, isolado entre os zagueiros pernambucanos.

De outro lado, foi visível a letargia de Fernandão e Alex. E isso me fez supor a existência de algo nos bastidores que não conhecemos, e nunca vamos ter conhecimento. Todos nós sabemos que o futebol tem dessas coisas. O desempenho físico e emocional do INTERNACIONAL na segunda etapa, sem dúvida, franqueia tal tipo de raciocínio. As entrevistas de dirigentes, jogadores e, especialmente, de A. Braga, ao final da partida, o justificam inteiramente. Não é possível, algo que não foi nos dado conhecer aconteceu em Recife.

Tenho medo das consequências desse vexame! Pode gerar crise. Oremos!

quarta-feira, maio 14, 2008

AINDA AS CARROÇAS...

Recebi um e-mail ontem com crítica revoltada à minha posição favorável ao tráfego de carroças pelas ruas (postagem abaixo). O fundamento era que os maus tratos aos cavalos justificaria retirar os carroceiros de circulação. Informava o e-mail, ainda, que "a grande maioria dos carroceiros são bandidos foragidos ou estão cumprindo pena no semi-aberto". Não posso concordar e reitero minha posição favorável ao tráfego de carroças.

Quanto à situação de foragidos dos carroceiros, o dado não é verídico. E caso realmente hajam foragidos, cabe à polícia detê-los. A respeito de eventuais indivíduos submetidos ao regime semi-aberto, não conheço nenhuma restrição de que tais pessoas possam desempenhar atividades laborais. O argumento, aliás, beira o preconceito.

A respeito de maus tratos com os animais, estamos, sem dúvida, diante de situações raríssimas. Tanto é que o noticiário, até hoje, conseguiu "pescar" apenas uma matéria, sensacionalista diga-se de passagem, na qual um cavalo, de fato, morreu por esforço. Anoto que os meios de comunicação (especialmente a RBS) já demonstraram, tanto em matérias como através de seus formadores de opinião, posição contrária às carroças nas ruas.

A exceção não pode justificar a restrição. É sabido que os carroceiros, exatamente por dependerem dos animais, guardam relação de zelo, carinho e até mesmo louvor ao animal. O que falta aos críticos é maior conhecimento da realidade dessa gente que necessita das carroças e dos cavalos para sobreviver. Criticá-los, de dentro de uma casa quente e guarnecida de luxos ou de um automóvel, é bastante simples. A propósito, até mesmo o Sr. Paulo Santana, ferrenho crítico do tema, travestiu-se, recentemente, de carroceiro, para vivenciar a realidade. E já ficou com sua opinião bastante abalada.

Enfim, é preciso muito debate, é preciso muito conhecimento das realidades em jogo, antes de se tomar uma decisão que importará clara limitação de direitos.

terça-feira, maio 13, 2008

SIM ÀS CARROÇAS

Querem acabar com as carroças em Porto Alegre. E qual será o destino desses trabalhadores ? Esse o tema do debate entre Paulo Santana, Mario Marcos Souza e Moises Mendes que acabo de assistir no Blog do Paulo Santana do Clicrbs.com. Adianto, sou veemente contra qualquer proposta ou iniciativa tendente a cercear o direito de o cidadão transitar com sua carroça pelas ruas. E não só pela questão do trabalho, mas porque a carroça é um veículo de transporte como outro qualquer. Aliás, veículo que fez e faz parte da construção da história riograndense.

Pretender proibir o individuo de trafegar pelas ruas de carroça é, sem dúvida alguma, retirar o sagrado direito de ir e vir, que lhe é assegurado constitucionalmente. Afinal de contas, quem não tem condições financeiras de adquirir um audi, uma mercedes, um santana, uma brasília ou mesmo uma moto ou fusca, tem também o direito de transitar pelas ruas em seu meio de transporte - que é a carroça.

Não bastasse isso, realmente, é inegável que a carroça, hoje em dia, é utilizada como instrumento de trabalho, assim como a moto serve aos "motoboys" e os caminhões servem às transportadoras. Por que não se cogita de retirar os caminhões das ruas, devido à poluição que causam ?! Ou os "motoboys", sabida e comprovadamente grandes causadores de acidentes de trânsito, por que não se cogita de retirá-los das ruas ?! Simples, porque eles são fundamentais à sobrevivência desta sociedade de valores alterados em que vivemos. Os carroceiros, que trabalham honestamente, sem poluir, e, muito pelo contrário, recolhem o lixo urbano; esses são taxados de malfeitores à sociedade moderna, essa sociedade do progresso; nessa sociedade, aonde o dinheiro está acima de tudo, querem transformar o tráfego de carroças em algo ilícito.

Aos que ficam irritados atrás de uma carroça no trânsito recomendo uma boa música no rádio ou quem sabe não transpor seus problemas e estresses pessoais à liberdade dos outros. Aliás, essas mesmas pessoas que lutam pelo banimento das carroças, via de regra, são aqueles que ultrapassam sinal vermelho, não respeitam os limites de velocidade, estacionam em lugares proibidos e transgridem todas as regras da boa convivência no trânsito. Portanto, parem com esse absurdo de querer tirar as carroças das ruas!

quarta-feira, maio 07, 2008

GRAU DE INVESTIMENTO

Na semana passada o Brasil alcançou o Grau de Investimento pela agência Standart & Poors. Bueno, e aí, no que isso vai melhorar a vida dos brasileiros ? Quase nada, respondo, ao contrário das eufôricas notícias até agora veiculadas nas diversas mídias.

Diversos países menos considerados, como por exemplo Trinidad e Tobago, já contam com tal 'honraria' e não deixaram sua posição secundária no atlas global em virtude da mesma. É claro que sempre é bom obter um reconhecimento internacional deste porte, mas, é preciso ter os pés no chão, nosso país não se encontra preparado para ingressar no seleto grupo de países desenvolvidos, como as notícias dão a entender.

Primeiro porque o gasto público só tem crescido, desde a posse de Guido Mantega no Ministério da Fazenda (o Tesouro abriu as torneiras, depois da saída do contido Palocci, distribuindo cortesias aqui e acolá, com nítidos contornos e interesses eleitorais). Somado a isso, a alta carga tributária segue desestimulando investimentos em nosso setor produtivo (e não há sinais de que o projeto de mini-reforma entregue ao Congresso possa modificar este panorama).

De outra parte, nossa infra-estrutura, tanto física como humana, não está preparada para receber investimentos vultuosos. Fisicamente, não temos estradas, e muito menos ferrovias e hidrovias, capazes de escoar a produção com custos atrativos; nos falta recursos energéticos e mínimas crises com a da Bolívia já servem de ameaça ao parque industrial de diversos setores. Do ponto de vista humano, nossa mão-de-obra, além de cara e onerosa em comparação a outros países como Índia, China e Coréia, não está tecnicamente preparada para suprir a demanda. Há desemprego, mas os desempregados, majoritariamente, entram nas fileiras da mão-de-obra bruta. Faltam técnicos. Para se ter uma idéia, enquanto Índia e Coréia vão formar 300.000 e 40.000 engenheiros, respectivamente, no Brasil a estimativa é de aproximadamente 30.000 (número inexpressivo se comparado à proporção com a população coreana). Enfim, estamos atrasados tanto em investimentos na área de infra-estrutura como de educação.

Por tudo isso, e muito mais, dificilmente o dinheiro que chegará do exterior (essa é a única certeza decorrente do grau de investimento) aportará no setor produtivo, desencadeando riquesas e novos postos de trabalho para o país. O mais provável é que os milhões dos fundos de pensões multinacionais venham para engordar ainda mais a ciranda financeira, tornando ainda mais altas nossas taxas de juros (e caro o nosso crédito). O avanço de mais de 10% da bolsa de valores, com o volume de negócios na Bovespa quase dobrando, nesta primeira semana, já é uma perfeita demonstração disso.

terça-feira, maio 06, 2008

COTAS

Tenho lido muita coisa por aí a favor e contra o sistema de cotas para o ingresso nas universidades federais públicas. Os discursos, de um ou outro lado, em regra, são repetitivos. Um fato, porém, é inegável: os bancos acadêmicos das universidades públicas estão tomados, em sua maioria, por alunos provindos das classes A e B, quando muito da C e, com raríssimas exceções, das classes D e E. Como está não poderia ficar. O acesso universal, no atual sistema limitado de vagas, transformou-se em grande falácia diante da aprovação quase que exclusiva daqueles com melhores condições socioeconômicas de preparação.

Quando dos primeiros indícios da implantação do sistema, pareceu-me, ingenuamente, que o mesmo teria boa acolhida. Ledo engano. Os primeiros vestibulares já fizeram explodir demandas judiciais nos quatro cantos do país. E a questão, em breve, ganhará o Plenário da Suprema Corte. Com todo respeito, não consigo vislumbrar inconstitucionalidade alguma. Pelo contrário, ações afirmativas são a concretização de uma série de princípios e fundamentos de nossa República.

Mas, abstraído este debate jurídico, o qual não pretendo aprofundar, penso que há um argumento que derruba qualquer tipo de manifestação dos "prejudicados" pelo sistema de cotas. O pedido dos "prejudicados" é a sua inclusão em vaga inexistente. Afinal de contas, está lá no edital de qualquer concurso público (e o vestibular das universidades federais nada mais é do que um desses tantos certames públicos) o número de vagas disponíveis. O candidato não atingido pela ação afirmativa é conhecedor, desde o momento da inscrição no certame, do número de vagas disponíveis. Dizer, depois, que outra pessoa com menos méritos está ocupando sua vaga é tentar alterar as regras do jogo em meio à competição; é tentar fazer o seu interesse individual prevalecer sobre o coletivo.


Tenho certeza de que o sistema de cotas sobreviverá, será aperfeiçoado, e, em pouco tempo, renderá importantes frutos.

segunda-feira, maio 05, 2008

BIRTHDAY

"To end up alone
in a tomb of a room
without cigarettes
or wine -
just a lightbulb
and a potbelly,
grayhaired,
and glad to have
the room.

... in the morning
they´re out there
making money:
judges, carpenters,
plumbers, doctors,
newsboys, policemen,
barbers, carwashers,
dentists, florists,
waitresses, cooks,
cabdrives...

and you turn over
to your left side
to get the sun
on your back
and out
of your eyes." (BUKOWSKI, Charles)

segunda-feira, abril 28, 2008

POLITICA I

O caso envolvendo o Governador do Ceará, Cid Gomes, que se utilizou da máquina estatal para realizar viagem à Europa, levando esposa, sogra e amigos-assessores, num jatinho fretado por mais de R$ 380 mil, como diz o jornalista Boris Casói, é uma vergonha. O pior de tudo é ver entrevista do político afirmando que é pessoa de hábitos “mudestos”. É muita cara de pau! Jimo Cupim nele!

POLÍTICA II

Hoje mesmo ouvi no rádio sobre a possibilidade de ser aprovada Emenda Constitucional que autorizará terceiro mandato a Lula. Seria um absurdo! Dez vezes pior do que aquele que autorizou a reeleição, com efeito imediato, para beneficiar Fernando Henrique. Um país que pretende se fazer respeitar não pode alterar suas leis, e muito menos sua Constituição, ao sabor das vontades e anseios do Governante de plantão. Mudar as regras em meio à competição, como se diz no futebol, é “virada de mesa”. E o absurdo não se daria apenas e tão-somente pela autorização de mais um mandato à Lula. A previsão da possibilidade de um Presidente permanecer por três mandatos no cargo, isto é, por doze anos, é uma agressão a pilares dos mais elementares do regime democrático, especialmente os da alternância e da não-perpetuação no poder. Um remendo como este em nossa Constituição, sem dúvida, merece reprimenda nas urnas. Está mais do que na hora de o povo se fazer respeitar!

POLITICA III

Onix Lorenzoni é político que se tornou conhecido não por grandes feitos, mas por sua oposição freqüente ao PT e às esquerdas. Já passou por diversos partidos de direita e hoje defende as cores do DEM. Para quem não lembra, o DEM é o antigo PFL, que é uma dissidência do extinto PDS, que nada mais era do que o sucessor da ARENA, partido responsável por manter os Militares durante quase 3 décadas a frente do poder. Nada a favor, tudo contra; mas o mais surpreendente é ouvir a campanha de Onix, a todo vapor nas rádios, dando conta que o seu jeito de fazer política é o novo, pregando a implantação, aqui no Rio Grande, de programas em andamento em São Paulo, Belo Horizonte e outros rincões. Ora, tenha dó Sr. Onix. Seja sincero e assuma suas posições ideológicas. O seu modo de fazer política não tem nada de novo!

ILHA DESERTA

"That the coletive archetype is getting me down

And you know what I mean

So, if there are any desert island

Please turn on to my.” (Jim Morrison)

quinta-feira, abril 24, 2008

Mais uma história para contar...

A vitória sobre o Paraná viria, essa era a única certeza que os quase 50 mil Colorados que se dirigiram ao Beira-Rio tinham. E não poderia ser diferente. Esse grupo de jogadores já demonstrou que força, determinação e garra estão entre suas principais características. Assim foi durante os jogos decisivos da Libertadores 2006, na final contra o São Paulo, naquele segundo semestre fantástico de 2006, em que não tiramos o título dos paulistas por destalhes, numa campanha em que cada partida se transformava numa final antecipada; foi assim no Japão, quando a vitória sobre os egípcios foi suada e aguerrida, aonde conquistamos o mais alto galardão vencendo o decantado melhor time do mundo à época, o super Barcelona (que até hoje não se recuperou do golpe!). Foi assim em Dubai. Desse grupo tudo poderia se esperar e foi com essa espectativa que a Nação Colorada se dirigiu ao Gigante.

No caminho para o Estádio a sensação era de estar indo para uma grande batalha. Quase três horas antes do jogo, ingressei numa Av. Borges de Medeiros abarrotada de carros tingidos de vermelho. Algumas vezes, todos buzinavam juntos, criando um ambiente de motivação total. Num desses tantos momentos, lembrei de quando era guri e me dirigia ao Beira-Rio com meus primos, meados dos anos 80 (saudosos!)... Era um Inter x Fluminense pelo Nacional. Ao entrarmos na Mauá, há mais de 5 Km do Beira-Rio, deparamo-nos com a avenida abarrotada de viaturas Coloradas. Havia buzinaços frequentes. Corpos para fora, vestidos de vermelho, e com bandeiras sendo agitadas. Lá pelas tantas um dos maiores momentos de minha vida (talvez o que tenha colocado o Colorado acima de tudo em minha vida). O rádio sintonizava a Guaíba e iniciou a tocar o hino do Internacional; começamos a cantar com orgulho, "Glória do desporto nacional, o Internacional, que eu vivo a exaltar!"; olhei para o carro do lado e todos ali também cantavam; olhei para o outro lado e ali também o hino era entoado. Uma sensação impressionante passou por todo meu corpo, coloquei a cabeça para fora da janela e notei que vários Colorados repetiam o gesto, sempre cantando o hino do Colorado, que ressonava pela Mauá pintada de vermelho. Inesquecível!

E ali estava eu, trancado na Borges, sorrindo, cercado da atmosfera de uma grande vitória Colorada, três horas antes da partida começar. Em frente ao hotel aonde a equipe estava concentrada, buzinaço, muito buzinaço, e um bando de Colorado pulando, pessoas com bandeiras em 60% das janelas. Nem o mais louco e ausente dos indivíduos estaria indiferente ao cenário. O trânsito fluiu lento, ao som da rádio Guaíba (sempre!), com algumas zapeadas para a Band, que também realiza ótima cobertura do ambiente no pátio do Beira-Rio e concentração. Cheguei ao estádio cerca de vinte minutos depois; casa cheia, milhares de Colorados perambulando pelo pátio do Gigante, todos com o sorriso confiante e com palavras de motivação. Fui ao Celeiro de Ases comer uma ‘a la minuta’. O dia transcorrera de forma tão rápida que não tivera sequer tempo de almoçar. Sentei-me à mesa e coloquei os fones de ouvido e ali permaneci durante hora acompanhando o transitar frenético da torcida, o ingressos dos ônibus do Internacional, primeiro, e, depois, do Paraná Clube. Quinze minutos para o começo do jogo. Hora de entrar.

Já no primeiro lance da partida, Jonas sobe para disputar bola rifada e cai sem conseguir apoiar o corpo, de costas. Lesão grave, ambulância, clima de apreensão (o Paraná, de forma sorrateira, prosseguiu a jogada e quase marcou – mas o árbitro já indicava que o jogo estava parado). No lance seguinte, Jonas retirado de campo, o Paraná anoto o primeiro gol da noite. Reação instantânea da torcida: “oooooooooooooo, VAMO VAMO INTER!”, muito alto, desde o começo, mas cada vez mais alto, até que o time deu a saída no meio campo e foi para o ataque. Depois da partida, os jogadores confessariam que este teria sido o momento fundamental da vitória (confesso que também pensei isso, ao entoar o meu “VAMO VAMO INTER!”.

Daí por diante só consigo lembrar que não gostava das propostas táticas de Abel, mas procurava abstraí-las e me dedicar a torcer, como um torcedor semi-leigo em futebol, apaixonado apenas, sem senso crítico. Sidnei entrou no time, ficamos com quatro zagueiros de ofício, mas nem isso tirou minha vontade de torcer, alucinadamente, pela vitória. Andrezinho começou a queimar minha língua com o nosso primeiro gol. Índio e Andrezinho, novamente, marcávamos 3x1 ainda no primeiro tempo e, no intervalo, ninguém se atreveria a dizer, ali dentro do Beira-Rio, que não acreditava. Só faltava um gol. Piffero deu entrevista dizendo que o Internacional precisaria ter tranqüilidade, que só faltava um gol. Abelão subiu as escadas e deu entrevistas, tirei os fones do ouvido e fiquei apenas olhando e pensando no Abel motivador, no Abel homem de vestiário, no Abel que nos dera a eterna alegria do gNAL do século.

Daí cortei para o meio campo e a segunda etapa tinha início. Complicada. O Inter insistia em não jogar pelos flancos, mesmo com o campo repleto de espaços, causados pelas expulsões de dois jogadores inimigos e de Sidnei. Mas eu não queria pensar em táticas ou sistemas. Vamo lá Internacional! Bola na área, Magrão amortece e pega um voleio cruzado espetacular. Que golaço! Delírio total nas arquibancadas. Estava morta a coruja, o Paraná não se atreveria a estragar nossa festa. E veio ainda a arrancada mortal de Nilmar, a bola jogada na frente para o lance de velocidade, o “encontrão” do limitado zagueiro, dentro da área, penalidade máxima. Fernandão converteu em “gran finale”.

Na saída, no tradicional folclore do pátio, encontrei várias figuras, conversa vai e conversa vem, mas nenhuma mereceu tanto destaque como o velho amigo Raul, colega de segundo grau, com seu filho. Duas sensacionais velho conviva, o guri fez sua estréia no Beira-Rio, um dia inesquecível, sem dúvida; esse piá nunca mais vai esquecer, que baita pai o Raul. Porque, como disse, sabiamente, o Raul: “quem veio veio, quem não veio não veio e não terá essa história para contar”.

DÁ-LHE COLORADO!


Clemer; Índio (Titi), Orozco e Marcão; Bustos, Magrão, Jonas (Sidnei), Ji-Paraná (Adriano) e Andrezinho; Fernandão e Nilmar. Abel Braga. Internacional, obrigado por colocar mais essa história em minha vida!


Porto Alegre, 23 abril de 2008 – Inter 5x1 Paraná.

quarta-feira, abril 23, 2008

SÓ O QUE FALTAVA

Não bastasse o caos do trânsito, o colapso das chuvas, violência e tudo mais, agora São Paulo também tem terremoto. Não é brincadeira, clique aqui e confira a notícia.

segunda-feira, abril 21, 2008

GIGANTE - 4a feira - 21:45h

O jogo de ontem foi fácil, muito fácil, daqueles sem qualquer ameaça. 2x1 no Caxias e a vaga para a final do Gauchão. Mas não é sobre isso, sobre o futebol, que quero comentar. Quero comentar sobre a torcida, sobre o Gigante avermelhado e barulhento. Sim, porque é disso, fundamentalmente, que vamos precisar na quarta-feira para bater o Paraná Clube do Brasil. Durante o jogo, tentei visualizar, várias vezes, o Gigante, na quarta-feira. E tudo que via dentro de minha mente era vitória. Não pelo futebol da equipe que, confesso, não me agradou e não está me agradando durante esta temporada. Mas a vitória me cutuca, porque a torcida a está chamando e também porque este grupo do Internacional joga muito pela torcida. Desde que se tornaram públicas as imagens dos vestiários japoneses, nada é impossível para este grupo, ainda mais diante da Nação Colorada. Vamos lá! Vamos lá que quarta-feira, mais do que nunca, TODOS OS CAMINHOS LEVARÃO AO BEIRA-RIO.

Sebosos Postizos

Tá vendo o comentário que fiz abaixo sobre o disco "Silêncio no Brooklyn" do mestre Jorge Ben ? Pois é, dois dias depois que o baixei e ouvi, estive na casa da amiga Cyntia e lá fui apresentado a Los Sebosos Postizos, banda-jam integrada por membros do Nação Zumbi. Os caras fizeram um show no SESC Pompéia, em Sampa, tocando integralmente as músicas que compõem o disco de Jorge Ben; show este que foi gravado e que agora ouço, com muito prazer. Os ritmos e letras incomparáveis de Jorge, agora com a batida forte dos pernambucanos da Nação. Viva o incomparável caldo musical do Brasil. Vida longa a Jorge Ben e à criatividade do músico brasileiro.

quinta-feira, abril 03, 2008

O BIDU


Baixei o disco "O Bidu - Silêncio no Brooklyn" de Jorge Ben. Certamente uma das mais antológicas obras da música contemporânea brasileira. Conhecera num dia em que estava remexendo nos bolachões herdados de meu pai e, devo dizer, foi um dos dias mais felizes e sentimentais de minha vida aquele, ouvindo-o e lembrando do véio em suas poses e gestos mais notórios; dos clássicos domingos de manhã ensolaradas em que acordava e arrastava os pés até a sala para lá sentar ao seu lado e ouvir Jorge, Tim, Elis, Hyldon, Cariocas e tantos outros.

A coisa toda começa com "Amor de Carnaval", uma levada que mistura samba com forró e xote. Em seguida, embalado pela mistura de ritmos do candomblê, regados a muito berimbau, Jorge anuncia, em "Nascimento", a chegada do Príncipe em festa no Congá. "Jovem Samba" é o embrião do samba rock ouvido por todos os lados hoje em dia ("o meu caso é viver bem / com todo mundo e com você também / vamos trabalhar em paz / na paz de Deus / vamos amar em paz / vamos sambar em paz, porque... eu sou da Jovem Samba / a minha linha é de bamba"). "Rosa mais que nada" é samba, claro, tudo é samba em Jorge Ben; mas, entre pianos e levada leve e suave de percursão, ouço a alma do jazz. Depois da declaratória "Canção para uma fá", temos a clássica "Menina Gata Augusta", que se resume pelo refrão "e eu um pobre gatinho / que nunca tem vez / pois fico esperando outro dia chegar / quem sabe a gatinha p´ra mim vai olhar / e o pulo do gato eu vou lhe ensinar".

"Ela é toda colorida / ela é a coisa mais meiga / mas que pena / ela não ser o meu amor / pois só eu sei / que ela não sabe / que ela é minha namoradinha eterna", e por aí vai "Toda Colorida", uma exaltação ao amor eterno, permeada por tudo que há de mais clássico na música de Jorge Ben, tanto em ritmos como em técnicas vocais. O samba, rock e jazz se completam inteiramente, com piano, violão, xilofone, percursões e até palmas, em "Frases" ("há 6000 anos o homem vive feliz fazendo guerra e asneiras / há 6000 anos Deus perde tempo fazendo flores e estrelas" e "eu sou um homem sincero porque nasci e cresci vivendo livre / eu sou um homem sincero que quero morrer, nascer e viver livre" - clássico!). Depois da marcha de carnaval "Quanto mais te vejo", "Vou Andando" retoma os emblemas da raiz do samba rock. "Eu sou da pesada" é uma bossa romântica (é nela que se ouve pela primeira vez Jorge trocando fonemas, ao chamar sua amada de "meu anzo"). A bolacha termina com "Si manda", retomando a levada forró/xote do início e demonstrando, nitidamente, que, na época do vinil, um disco era uma obra completa, com início, meio e fim.

O mais interessante do disco é que ele está perfeitamente inserido no contexto da música de sua época, mas vai muito além do que até então fora feito. A Bossa Nova é idolatrada e funciona sempre de base; porém, contraditoriamente, é transgredida pela inclusão de ritmos nordestinos e africanos e o predomínio do samba.

Salve Jorge!, sempre.

quarta-feira, abril 02, 2008

TIO ANASTÁCIO

Entre a ponte e o lajeado,

na venda do Bonifácio,

conheci o Tio Anastácio,

negro velho, já tordilho.

Diz que mui quebra em potrilho,

hoje pobre, despilchado,

de tirador remendado,

num petiço doradilho.

Quem visse o tio Anastácio,

num bolicho de campanha,

golpeando um trago de canha,

oitavado no balcão,

tinha bem logo a impressão,

que aquele mulato sério,

era o rio grande gaudério,

fugindo da evolução

A tropilha dos invernos

tinha lhe dado estafa.

E aquela meia garrafa dentro,

do cano da bota,

contava a história remota

do negro velho curtido

que os anos tinham vencido

sem diminuir na derrota

Mulato criado guacho,

nos tempos da escravatura,

aquela estranha figura

na vida passara tudo.

Ginetaço macanudo

que desde o primeiro berro

saia trançando o ferro,

no potro mais ´cormilhudo´

Carneava uma res num upa,

com toda arte e perícia,

reservado e sem malícia,

bem quisto na vizinhança,

dava gosto em rodeios,

de pingo alçado no freio,

laçando de toda trança.

Ficou sendo um desses índios

que se encontra nos galpões

e ao redor dos fogões

fala aos moços com paciência

do que aprendeu na existência,

ao longo dos corredores,

alegrias, dissabores,

curtidos pela experiência.

Tio Anastácio p´ra aqui.

Tio Anastácio p´ra lá.

Mandado o mesmo que piá

por aquela redondeza.

Nos remendos da pobreza

entrava e passava inverno:

como um tronco, só no cerne;

pelegueando a natureza

Por isso é que nos bolichos

só se alegrava bebendo;

como se cada remendo da roupa velha gaudéria

fosse uma sangria a sério,

por onde o sangue do pago se esvaísse,

trago a trago,

por ver tamanha miséria.

E até parece mentira,

negro velho de valor,

morreste no corredor,

como um matungo sem dono;

não tendo neste abandono

ao menos um companheiro

que te estendesse o baicheiro

para o derradeiro sono

E agora que estás vivendo na Estância Grande do céu,

engraxando algum soveu,

para o patrão velho buenacho,

não te esquece aqui debaixo,

aonde a lo largo ainda existe tanto xiru velho e triste.

Como tu criado guacho.

Como tu, tio anastácio. (Jayme Caetano Braun)

terça-feira, abril 01, 2008

FERNANDO DE NORONHA














onda de 4 metros na Cacimba do Padre

quinta-feira, março 27, 2008

OBRIGADO SONY

Tchê, que maravilha, celular com rádio AM. É o sonho de todo futibeiro! Obrigado Sony, por atender aos nossos anseios mais fundamentais.



Não é só o visual do celular R306, da Sony Ericsson, que lembra um rádio. Ele é o primeiro celular vendido no Brasil a sintonizar tanto FM como AM.

Ele tem alto-falantes estéreo que cumprem muito bem a função do radinho de pilha, claro que com uma qualidade de som bem melhor. Na parte frontal, há botões de memória para as estações e um display externo mostra qual emissora está tocando.

Outro recurso interessante do R306, que agrada aos usuários de rádio relógios, é a possibilidade de programar o alarme do celular com uma rádio. Dá para acordar já com as notícias da manhã. O aparelho também grava trechos da programação e o transforma em toques em MP3.

O telefone vem equipado com uma câmera de 1.3 megapixels e Bluetooth não estéreo. O R306 é um aparelho GSM/GPRS e será vendido nas cores preto e branco. Ele estará disponível no Brasil a partir de julho, a um preço sugerido de 399 reais.

FENÔMENO


Kelly Slater é um desses fenômenos que o esporte produz de tempos em tempos. Está para o Surf como Pelé para o futebol, Jordam para o basquete, Comaneci para a Ginástica e Spitz para a natação. Ninguém foi maior que Slater em conquistas (octa campeão do Circuito Mundial) ou em inovações. No ano passado, após perder o título mundial para o australiano Mick Fanning (decidido na etapa brasileira, na Praia da Vila, em Imbituba), Slater deu a entender que iria se aposentar do Tour.

Veio 2008 e Slater, aos 36 anos, iniciou a temporada com a tradicional fome de vitórias, desbancando Fanning na final da primeira etapa, em Snapper Rocks - Gold Coast australiana. Hoje foi a vez do fenômeno cair na água em quatro baterias (oitavas, quartas, semifinais e final) e desbancar C.J.Hobgod, A.Irons, T.Burrow e B.Durbige antes de sagrar-se campeão da etapa de Bells Beach, também na Gold Coast. Mais uma vez Slater balançou o famoso sino de Bells (troféu na foto) e já se distancia na liderança do Circuito Mundial.


Confire matéria sobre o título no SPORTV (clique aqui).

Matéria no Site G1 (clique aqui).

quarta-feira, março 26, 2008

HABEMUS PATO


É isso aí. Anunciado o ingresso de Alexandre Pato no time, acordei de minha soneca da tarde, para ver o guri jogar. Saudade, confesso, dos tempos - breves - em que ia ao Beira-Rio com a certeza de ver ao menos um lance genial do guri. O jogo tava sonolento demais e eu realmente cochilava. Pato entrou em campo, com a camisa da seleção brasileira, pela primeira vez. Como fizera na estréia no Internacional, lá no Parque Antártica, em jogo trincado contra o Palmeiras, Pato marcou gol e selou o placar. Brasil 1x0 Suécia. Que estréia guri!

De agora em diante, Dunga não tem escolha: É PATO E MAIS 10!

domingo, março 23, 2008

LÁ EM CASA

Um avião rompeu o silêncio da madrugada,
cruzou meu céu em alta velocidade,
em linha reta,
passou ao lado de uma estrela,
acima do maior pinheiro,
traçou rota por detrás do pé de caqui
e foi caindo lentamente no horizonte.

IMBITUBA

Lá de cima,
quando vejo a Praia do Porto,
sinto-me privilegiado.

Por estar ali,
abençoado,
aproveitando cada um de seus tantos cantos.

Agradecido por todo sempre
por tê-la conhecido e incluído em minha vida
toda sabedoria e pureza de seus variados recantos.

A descida da Ribanceira,
escalavrando morro,
contemplando as imensas trilhas da Luz.

Os finais de tarde na Vila,
aonde fico a imaginar-me dono do mar,
desenhando linhas nas ondas perfeitas.

As noites no Farol,
em que passei horas e mais horas,
no mirante,
acompanhando o trafegar de barcos.

E as pessoas que lá conheci,
sempre dispostas a aprender,
ensinar e conhecer;
dias e noites para lá de plenas.

Sinto-me privilegiado e abençoado,
por ter Imbituba sempre em minha rota.

LUA CHEIA - NOITE CLARA

Meu céu agora está limpo,
como que varrido pela brisa,
que agora sequer movimenta árvores.

As estrelas estão todas ali,
no mesmo lugar de sempre,
enfraquecidas pelo luar pleno.

Como imaginara,
o brilho intenso voltaria;
agora, tudo parou a minha volta,
em completo silêncio,
é a noite mais clara de minha vida.

sábado, março 22, 2008

LUA CHEIA - NOITE ESCURA

O céu nublou,
escondeu a lua,
que guiava cada movimento da vida.

Diante do escuro repentino,
na total penumbra,
tive imensa dificuldade.

As referências se foram,
mais uma vez,
os sentidos falharam em total desorientação.

Resolvi esperar,
inerte,
porque não se deve combater.

O mesmo vento que trouxe nuvens,
estou certo,
terá de levá-las e devolver-me
a claridade perdida.

COULTRAINE

A lua surgiu.
plena e luminosa,
clareando a mente,
transformando árvores em enormes criaturas.

Cevei um amargo,
servi uma dose de butiá,
preparei um caximbo
Captain Black - branco

Com o piano de Coultraine
voei longe, em fumaça espessa,
de sabor forte e amargo,
vento denso...
que embalava criaturas e pensamentos.

terça-feira, março 18, 2008

SAÚDE

"O importante é ter saúde". É essa sentença, dita de um mendigo, com bafo de álcool exalando, às 15 horas, debaixo de um sol torrencial, parece soar engraçada e contraditória. Faz pensar. Em meio à confusão do dia-a-dia, em que todas as coisas - e também as pessoas - são deixadas de lado, ouvir isso de alguém tão desamparado socialmente me leva à reflexão. Mas há tantas coisas sobre as quais refletir. E, geralmente, não consigo tirar conclusão alguma do tanto que reflito. Só consigo concluir que está cada dia mais complicado acordar, sair da cama, caminhar. O importante é que tenho saúde, penso. Sim, mas até quando ? - é o pensamento seguinte. E será que tenho mesmo ? Saio a dar um giro pela cidade e vejo uma senhora, beirando os setenta, caminhando curvada, acima do peso, com nítida dificuldade para dar uns breves passos, em meio à confusão do trânsito e das calçadas. Motoqueiros buzinam incessantemente e se contorcem em meio a centenas de carros. Sinaleiras abrem e fecham e os cruzamentos ficam cada vez mais entupidos e confusos. Buzinas, muitas buzinas. Tento fechar o vidro e ligar o som num volume suficiente a me privar do mundo externo, mas está muito quente, abafado. Volto à realidade e é difícil pensar em algo diferente de "o importante é ter saúde". Chego num CFC, preciso renovar minha habilitação, já vencida aliás. Uma série de instruções no balcão, incluindo a necessidade de levar, numa próxima ocasião, fotos 3x4 (coisa que eu imaginei nem existisse mais), um comprovante de endereço (para quê?!). Daí por diante é só pagar algumas taxas (que reunidas totalizaram R$ 116,oo), realizar um exame médico e uma prova de defesa defensiva e meio ambiente (?!). No fundo, penso, já imerso no trânsito, o que importa é pagar as taxas. E como é complicado estar em dia com as taxas da vida. Com as taxas que nos cobram o governo, o comerciante, o flanelinha e todos que nos rodeiam. Não é difícil alguém te fazer sentir devedor de algo, de uma obrigação não contraída, de um passe na quadra, de uma passagem no trânsito, de um sorriso ou de uma lágrima, de uma mentira ou de um maço de cigarro, de uma frase bem colocada, de uma dessas tantas taxas. O próprio telefone, hoje em dia, para que serve ? Talvez para dar trabalho a muita gente que te importuna, em meio a esse monte de coisas que é o dia-a-dia. Aquele mendigo, o que acha importante ter saúde, me perguntou se eu trabalhava ou só ficava em casa repousando. Sorri e respondi, já saindo com o carro, que trabalhava. Sim, claro, trabalho. Aparentemente trabalho e, aparentemente, tenho saúde. Um dia volto lá e retomo esse diálogo perdido.

quarta-feira, março 12, 2008

MUCHAS GRACIAS

"Hay que andar tanto por el mundo
para constatar ciertas cosas,
ciertas leyes de sol azul,
el rumor central del dolor,
la exactitud primaveral.

Yo soy tardío de problemas:
llego tarde al anfiteatro
donde se espera la llegada
de la sopa de los centauros!
Allí brillan los vencedores
y se multiplica el otoño.

Por qué yo vivo desterrado
del esplendor de las naranjas ?

Me he dado cuenta poco a poco
que en estos días sufocantes
se me va la vida en sentarme,
gasto la luz en las alfombras.

Si no me dejaran entrar
en la casa de los urgentes,
de los que llegaron a tiempo,
quiero saber lo que pasó
cuando cerraran las puertas.

Cuando se cerraron las puertas
y el mundo desapareció
en un murmullo de sombreros
que repetían como el mar
un prestigioso movimiento.

Con estas razones de ausencia
pido perdón por mi conducta." (Pablo Neruda, "Muchas Gracias", do livro Jardim de Inverno, p. 55)

terça-feira, março 11, 2008

SERRAMALTES

Comprei 21 garrafas de Serramalte. E com essa caixa de cerveja cheguei em casa. Já havia tomado vinho demais e o sol que brilhava lá fora convocava para um banho na piscina. Mergulhei profundamente. O dia transcorreu de forma rápida, o sol pelas estrelas, já nem lembro detalhes, só do engradado de Serramalte sendo carregado até a frente da geladeira. Acomodei cuidadosamente uma por uma as garrafas, seis no compartimento extra-gelado, as outras empilhadas nas prateleiras abaixo. O refrigerador repleto de garrafas de Serramalte. Coloquei o termostato no médio. O dia passou como vento. Acordei domingo, não deu sequer tempo de fazer um mate. Imaginei comprar umas carnes e assá-las. Ficou na imaginação. Do meio dia para duas da tarde, num piscar de olhos e num mergulho profundo dentro d´água. Foram embora. Nenhuma garrafa foi tocada. As 21 garrafas de Serramaltes ali permaneceram, intactas, prontas para um verdadeiro dia.

terça-feira, março 04, 2008

JOÃO SEM MEDO

"OS NÚMEROS" - crônica de João Saldanha, publicada no O GLOBO, em 23.06.1970

"CIDADE DO MÉXICO - Uma coisa muito importante para o futebol foi amplamente comprovada nesta Taça do Mundo. Quero me referir aos sistemas de marcação 'por número´.
Penso que é dever ser considerado ridículo falar sobre futebol moderno tentando enumerar as linhas do campo.
Assim, quem quiser explicar um jogo de futebol moderno dizendo ou escrevendo que esta ou aquela equipe jogou 4-2-4 ou 5-2-3, ou se quiserem ainda 4-4-2 e ainda mais 4-3-3, está enganando os leitores ou ouvintes.
Estou falando, é claro, sobre futebol moderno. Qualquer futebol numérico, nos dias de hoje, é antiquado. Qualquer equipe que jogar uma partida e no dia seguinte o comentarista puder dizer aritmeticamente ou geometricamente como jogou, isto significa que a tal equipe jogou futebol antigo.
É certo que se pode dizer que um quadro jogou fazendo marcação por 'zona', ou que outro jogou fazendo marcação por 'homem a homem', ou com 'líbero'. Muito bem, isto está certo.
Como jogou o Brasil, por exemplo, contra a Itália ? Respondo que o Brasil jogou marcando todo o campo. Onde houvesse perigo tinha um jogador de camisa amarela disputando a bola. Houve ocasiões em que Pelé e Tostão estavam perto de Brito e até na cobertura. Mesmo que o esquema geral de jogo previsse que quem deveria ajudar a defesa eram Jair e Rivelino, Pelé e Tostão retornavam porque o perigo estava mais próximo deles.
Isso quer dizer que qualquer rigidez de jogo deve ser abandonada por quem queira jogar futebol sério.
Os italianos foram antiquados no seu sistema de jogo. Por exemplo: Jair deslocava-se para o meio de campo, Fachetti o acompanhava e uma 'avenida' maior do que o 'Paseo de la Reforma' ficava aberta para o Carlos Alberto entrar e se constituir sempre em perigo permanente para a meta de Albertosi.
Mesmo que Carlos Alberto não tivesse condições de atacar, de todos os modos se constituia sempre em jogada de descanso para a seleção brasileira. Lógico! Carlos Alberto não tinha a quem marcar e andou pelo campo livremente.
Evidentemente isto não estava previsto num esquema rígido e o quadro brasileiro aceitou tudo que lhe foi oferecido.
A Taça do Mundo de 1970 evidenciou de maneira clara e nítida que os sistemas 'numéricos' e os sistemas 'rígidos' pertencem ao passado."

REFORMA TRIBUTÁRIA

O Poder Executivo encaminhou ao Congresso um Projeto de Emenda Constitucional contemplando "Reforma Tributária". Dentre as principais propostas estão a extinção de diversas contribuições sociais como COFINS, PIS e CIDE e, em sua substituição, a criação de um tributo denominado IVA (Imposto de Valor Agregado), bem como a unificação da legislação do ICMS via legislação federal.

A proposta não é e fica bem distante das necessidades do país. Aliás, reforma tributária de verdade, no Brasil, é algo praticamente impossível, porque os diversos jogos de interesse envolvidos jamais chegarão a uma comunhão de vontades. Municípios, Estados e União possuem interesses antagônicos e incompatíveis; empresários e trabalhadores lutam, noutras trincheiras, por alterações que contemplem menor carga tributária e maiores direitos laborais; e, finalmente, o contribuinte, parte menos fraca nas relações tributárias, pretende diminuição dos ônus e maiores serviços sociais. Todos esses interesses jamais serão integralmente atendidos.

E, partindo desse contexto, nota-se que é bastante complicado falar em "reforma tributária". O projeto encaminhado nada mais é do que uma proposta de simplificação do sistema tributário, tanto na esfera federal como dos Estados-federados. E aí reside, exatamente, seu único ponto positivo. Simplificar o sistema, por via transversa, é diminuir os ônus tributários, o que já é bastante positivo. Porém, não haverá redução da carga tributária; não haverá redistribuição dos tributos entre os entes federados e não haverá, ao menos substancialmente, menores custos à contratação de trabalhadores.

A menos que o Congresso aprofunde o projeto, pela via de emendas, estaremos bem distantes de ter, efetivamente, uma reforma tributária. Para isto, seria necessário, além de alterar a denominação dos tributos, alterar o sistema de distribuição das verbas públicas e ir a fundo no tema das atribuições, receitas e competências de cada ente federado (o sistema instaurado pela Constituição de 1988 foi perverso com os Estados, hoje, em sua maioria, falidos). Mais ainda, do ponto de vista da iniciativa privada, seria fundamental estabelecer programa de benefícios tributários cumulativos à produção (não bastando a demagógica proposta de isentar de tributação produtos de necessidade básica - como óleo, pão e outros).