



Textos, divagações e realidade
O DNA dessa gente com a qual temos de conviver aqui pelos pampas é coisa muito ruim. Essa mulher aí ao lado (41 anos) atirou sua filha, de 8 meses, pela janela do sexto andar do prédio em que residiam, no Centro da cidade de Curitiba-PR. Repararam na camisa da figura ? É como digo, está no DNA das pessoas.
E domingo é dia de gNAL. O debate está aguerido lá no blogNAL. Dessa vez vamos de franco atirador, como quem não quer nada, deixando o favoritismo para quem está entre os líderes do certame nacional. É assim que eu gosto de chegar em clássico. É verdade que perdemos o Fernandão, homem gNAL, mas temos o Nilmar, que sempre deixou o dele anotado nas paletas da vizinhança. Vamos lá INTER!, com esse espírito de sempre, gaúcho e aguerrido, peleador até a morte.
Não adianta, contra as imagens não se pode lutar. Elas valem mais do que mil palavras, sem dúvida. A matéria do Correio do Povo ganhou ilustração perfeita, escancarando em dois "takes" a realidade. No primeiro o olhar desconfiado do maior líder do grupo de jogadores, Clemer, sob o aperto de mão solícito do recém chegado treinador e, no segundo, o primeiro discurso recheado de lances neurolinguísticos.

Resolvi acordar cedo. Era tão cedo que fiz o mate, liguei a televisão e estava passando o Galpão Criolo. Para variar o Borguetinho se proseando! Depois entrou o programa rural, uma reportagem bem interessante sobre o cultivo de oliveiras aqui no Rio Grande, para a produção de azeite de oliva – diz que nossas azeitonas produzem um azeite de ótima qualidade, vejam só.
E por aí fiquei curtindo as primeiras horas da manhã e mateando. De repente entra o Pavão Bueno num discurso emocionado-padronizado, enaltecendo a vitória do sobrinho do Ayrton Senna no GP de Fôrmula 2 em Mônaco. Grand Prix de Mônaco, baita programa para um domingo de manhã. Há quantos anos não acordo para ver uma corrida; desde os tempos em que torcia para o Nelson Piquet (simpatia dos tempos da Brabham e daquela corrida em que ele desceu do carro e esmurrou o colombiano Guerreiro que o havia atrapalhado numa curva). Pois é, bons tempos em que os pilotos realmente pilotavam.
Tchê!, fiquei impressionado com a tal de corrida de Mônaco. O nível de “barbeiragem” dos caras é de constranger o espectador. Vou te contar, o cara que acorda todo domingo para prestigiar o espetáculo de “manetices” protagonizado por Nelsinhos, Rubinhos e Felipinhos é de corar as bochechas até do mais neófito dos motoristas. Sinceramente, fiquei impressionado. Não houve sequer uma ultrapassagem durante toda a corrida; e isso que os “pilotos” ficaram ali por duas longas horas, debaixo de chuva, e depois de sol, e novamente de chuva. Houve horas que cochilei, mas, é claro, sempre fui acordado pelos gritos entusiasmados do Pavão Bueno. Num deles, bradava o Pavão, porque o Rubinho empilhava voltas mais rápidas no circuito de rua. Não deu outra, beijo no muro na sequência. Quem não sabia? No começo da prova, o inglês Hamilton, o menos pior deles, bateu num “guard rail”. Críticas do Pavão! Em seguida, no mesmo local, o Felipinho Massa passou por cima da zebra, fez o carro rodopiar na pista e voltou, perdendo posições. Elogios do Pavão à perícia do audaz piloto brasileiro. Mais algumas voltas e o finlandês, companheiro de equipe do F. Massa, saiu na mesma curva. E aí o Pavão, de pronto, brindou-nos com uma detalhada explicação da maior habilidade do brasileiro na “barberagem”. Tchê!, é demais!
E assim transcorreu a manhã, com um bando de “barbeiro”, excepcionalmente bem remunerado, correndo debaixo de chuva, atropelando zebras, beijando muros e fazendo as maiores barbaridades com carros multi-equipados e multi-controlados por recursos da mais moderna tecnologia. Eu fiquei impressionado com o baixo nível da Fôrmula 1. Ah!, o Nelsinho Piquet (caiu longe do pé esse aí), pechou o carro duas voltas depois de entrar nos boxes e trocar pneu. O Pavão botou a culpa na equipe, alegando que colocaram pneus impróprios para as condições climáticas (pode ser, mas o Alonso, companheiro de equipe, terminou a prova com os mesmos pneus!). E o vencedor da prova foi o menos pior, o inglês que o Pavão tentou desmoralizar. O Massa, com todas as barbeiragens, tava em segundo, mas na última curva derrapou e cedeu a posição para um polonês (vejam só!), tal de Kubicka.
Vou te contar!, nunca mais...
25.maio.2008
O caso envolvendo o Governador do Ceará, Cid Gomes, que se utilizou da máquina estatal para realizar viagem à Europa, levando esposa, sogra e amigos-assessores, num jatinho fretado por mais de R$ 380 mil, como diz o jornalista Boris Casói, é uma vergonha. O pior de tudo é ver entrevista do político afirmando que é pessoa de hábitos “mudestos”. É muita cara de pau! Jimo Cupim nele!
Hoje mesmo ouvi no rádio sobre a possibilidade de ser aprovada Emenda Constitucional que autorizará terceiro mandato a Lula. Seria um absurdo! Dez vezes pior do que aquele que autorizou a reeleição, com efeito imediato, para beneficiar Fernando Henrique. Um país que pretende se fazer respeitar não pode alterar suas leis, e muito menos sua Constituição, ao sabor das vontades e anseios do Governante de plantão. Mudar as regras em meio à competição, como se diz no futebol, é “virada de mesa”. E o absurdo não se daria apenas e tão-somente pela autorização de mais um mandato à Lula. A previsão da possibilidade de um Presidente permanecer por três mandatos no cargo, isto é, por doze anos, é uma agressão a pilares dos mais elementares do regime democrático, especialmente os da alternância e da não-perpetuação no poder. Um remendo como este
Onix Lorenzoni é político que se tornou conhecido não por grandes feitos, mas por sua oposição freqüente ao PT e às esquerdas. Já passou por diversos partidos de direita e hoje defende as cores do DEM. Para quem não lembra, o DEM é o antigo PFL, que é uma dissidência do extinto PDS, que nada mais era do que o sucessor da ARENA, partido responsável por manter os Militares durante quase 3 décadas a frente do poder. Nada a favor, tudo contra; mas o mais surpreendente é ouvir a campanha de Onix, a todo vapor nas rádios, dando conta que o seu jeito de fazer política é o novo, pregando a implantação, aqui no Rio Grande, de programas em andamento
"That the coletive archetype is getting me down
And you know what I mean
So, if there are any desert island
Please turn on to my.” (Jim Morrison)
A vitória sobre o Paraná viria, essa era a única certeza que os quase 50 mil Colorados que se dirigiram ao Beira-Rio tinham. E não poderia ser diferente. Esse grupo de jogadores já demonstrou que força, determinação e garra estão entre suas principais características. Assim foi durante os jogos decisivos da Libertadores 2006, na final contra o São Paulo, naquele segundo semestre fantástico de 2006, em que não tiramos o título dos paulistas por destalhes, numa campanha em que cada partida se transformava numa final antecipada; foi assim no Japão, quando a vitória sobre os egípcios foi suada e aguerrida, aonde conquistamos o mais alto galardão vencendo o decantado melhor time do mundo à época, o super Barcelona (que até hoje não se recuperou do golpe!). Foi assim
No caminho para o Estádio a sensação era de estar indo para uma grande batalha. Quase três horas antes do jogo, ingressei numa Av. Borges de Medeiros abarrotada de carros tingidos de vermelho. Algumas vezes, todos buzinavam juntos, criando um ambiente de motivação total. Num desses tantos momentos, lembrei de quando era guri e me dirigia ao Beira-Rio com meus primos, meados dos anos 80 (saudosos!)... Era um Inter x Fluminense pelo Nacional. Ao entrarmos na Mauá, há mais de
E ali estava eu, trancado na Borges, sorrindo, cercado da atmosfera de uma grande vitória Colorada, três horas antes da partida começar. Em frente ao hotel aonde a equipe estava concentrada, buzinaço, muito buzinaço, e um bando de Colorado pulando, pessoas com bandeiras em 60% das janelas. Nem o mais louco e ausente dos indivíduos estaria indiferente ao cenário. O trânsito fluiu lento, ao som da rádio Guaíba (sempre!), com algumas zapeadas para a Band, que também realiza ótima cobertura do ambiente no pátio do Beira-Rio e concentração. Cheguei ao estádio cerca de vinte minutos depois; casa cheia, milhares de Colorados perambulando pelo pátio do Gigante, todos com o sorriso confiante e com palavras de motivação. Fui ao Celeiro de Ases comer uma ‘a la minuta’. O dia transcorrera de forma tão rápida que não tivera sequer tempo de almoçar. Sentei-me à mesa e coloquei os fones de ouvido e ali permaneci durante hora acompanhando o transitar frenético da torcida, o ingressos dos ônibus do Internacional, primeiro, e, depois, do Paraná Clube. Quinze minutos para o começo do jogo. Hora de entrar.
Já no primeiro lance da partida, Jonas sobe para disputar bola rifada e cai sem conseguir apoiar o corpo, de costas. Lesão grave, ambulância, clima de apreensão (o Paraná, de forma sorrateira, prosseguiu a jogada e quase marcou – mas o árbitro já indicava que o jogo estava parado). No lance seguinte, Jonas retirado de campo, o Paraná anoto o primeiro gol da noite. Reação instantânea da torcida: “oooooooooooooo, VAMO VAMO INTER!”, muito alto, desde o começo, mas cada vez mais alto, até que o time deu a saída no meio campo e foi para o ataque. Depois da partida, os jogadores confessariam que este teria sido o momento fundamental da vitória (confesso que também pensei isso, ao entoar o meu “VAMO VAMO INTER!”.
Daí por diante só consigo lembrar que não gostava das propostas táticas de Abel, mas procurava abstraí-las e me dedicar a torcer, como um torcedor semi-leigo em futebol, apaixonado apenas, sem senso crítico. Sidnei entrou no time, ficamos com quatro zagueiros de ofício, mas nem isso tirou minha vontade de torcer, alucinadamente, pela vitória. Andrezinho começou a queimar minha língua com o nosso primeiro gol. Índio e Andrezinho, novamente, marcávamos 3x1 ainda no primeiro tempo e, no intervalo, ninguém se atreveria a dizer, ali dentro do Beira-Rio, que não acreditava. Só faltava um gol. Piffero deu entrevista dizendo que o Internacional precisaria ter tranqüilidade, que só faltava um gol. Abelão subiu as escadas e deu entrevistas, tirei os fones do ouvido e fiquei apenas olhando e pensando no Abel motivador, no Abel homem de vestiário, no Abel que nos dera a eterna alegria do gNAL do século.
Daí cortei para o meio campo e a segunda etapa tinha início. Complicada. O Inter insistia em não jogar pelos flancos, mesmo com o campo repleto de espaços, causados pelas expulsões de dois jogadores inimigos e de Sidnei. Mas eu não queria pensar em táticas ou sistemas. Vamo lá Internacional! Bola na área, Magrão amortece e pega um voleio cruzado espetacular. Que golaço! Delírio total nas arquibancadas. Estava morta a coruja, o Paraná não se atreveria a estragar nossa festa. E veio ainda a arrancada mortal de Nilmar, a bola jogada na frente para o lance de velocidade, o “encontrão” do limitado zagueiro, dentro da área, penalidade máxima. Fernandão converteu em “gran finale”.
Na saída, no tradicional folclore do pátio, encontrei várias figuras, conversa vai e conversa vem, mas nenhuma mereceu tanto destaque como o velho amigo Raul, colega de segundo grau, com seu filho. Duas sensacionais velho conviva, o guri fez sua estréia no Beira-Rio, um dia inesquecível, sem dúvida; esse piá nunca mais vai esquecer, que baita pai o Raul. Porque, como disse, sabiamente, o Raul: “quem veio veio, quem não veio não veio e não terá essa história para contar”.
DÁ-LHE COLORADO!
Clemer; Índio (Titi), Orozco e Marcão; Bustos, Magrão, Jonas (Sidnei), Ji-Paraná (Adriano) e Andrezinho; Fernandão e Nilmar. Abel Braga. Internacional, obrigado por colocar mais essa história em minha vida!
Porto Alegre, 23 abril de 2008 – Inter 5x1 Paraná.

Entre a ponte e o lajeado,
na venda do Bonifácio,
conheci o Tio Anastácio,
negro velho, já tordilho.
Diz que mui quebra em potrilho,
hoje pobre, despilchado,
de tirador remendado,
num petiço doradilho.
Quem visse o tio Anastácio,
num bolicho de campanha,
golpeando um trago de canha,
oitavado no balcão,
tinha bem logo a impressão,
que aquele mulato sério,
era o rio grande gaudério,
fugindo da evolução
A tropilha dos invernos
tinha lhe dado estafa.
E aquela meia garrafa dentro,
do cano da bota,
contava a história remota
do negro velho curtido
que os anos tinham vencido
sem diminuir na derrota
Mulato criado guacho,
nos tempos da escravatura,
aquela estranha figura
na vida passara tudo.
Ginetaço macanudo
que desde o primeiro berro
saia trançando o ferro,
no potro mais ´cormilhudo´
Carneava uma res num upa,
com toda arte e perícia,
reservado e sem malícia,
bem quisto na vizinhança,
dava gosto em rodeios,
de pingo alçado no freio,
laçando de toda trança.
Ficou sendo um desses índios
que se encontra nos galpões
e ao redor dos fogões
fala aos moços com paciência
do que aprendeu na existência,
ao longo dos corredores,
alegrias, dissabores,
curtidos pela experiência.
Tio Anastácio p´ra aqui.
Tio Anastácio p´ra lá.
Mandado o mesmo que piá
por aquela redondeza.
Nos remendos da pobreza
entrava e passava inverno:
como um tronco, só no cerne;
pelegueando a natureza
Por isso é que nos bolichos
só se alegrava bebendo;
como se cada remendo da roupa velha gaudéria
fosse uma sangria a sério,
por onde o sangue do pago se esvaísse,
trago a trago,
por ver tamanha miséria.
E até parece mentira,
negro velho de valor,
morreste no corredor,
como um matungo sem dono;
não tendo neste abandono
ao menos um companheiro
que te estendesse o baicheiro
para o derradeiro sono
E agora que estás vivendo na Estância Grande do céu,
engraxando algum soveu,
para o patrão velho buenacho,
não te esquece aqui debaixo,
aonde a lo largo ainda existe tanto xiru velho e triste.
Como tu criado guacho.
Como tu, tio anastácio. (Jayme Caetano Braun)
Tchê, que maravilha, celular com rádio AM. É o sonho de todo futibeiro! Obrigado Sony, por atender aos nossos anseios mais fundamentais.


Comprei 21 garrafas de Serramalte. E com essa caixa de cerveja cheguei